wonhoutboy Madu Dourado

O réu fita o incrível desassossego do nada — todos eles fazem isso, uma hora ou outra. O vazio sempre prende o olhar em momentos de realização.


Conto Todo o público.

#conto #diabo #céu #terra #misticismo #pós-vida
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Advocatus diaboli

Quando os sinos emitem a sua última badalada, embalados pela melodia decisiva, os seres humanos são submetidos ao crivo divino. Analisadas por milhares de anjos divididos por zona do mundo em repartições específicas, as fichas dos indivíduos são carimbadas com um selo provisório que informa se têm uma maior chance de ir para o Céu ou para o Inferno. Depois disso, é agendado o julgamento, e o morto adentra o Grande Tribunal das Almas sem ter a mínima noção de como foi parar ali.

Mas, às vezes, o veredito não é dos melhores. Quando você é sentenciado ao Inferno — um lugar horrível, mas não acho que seja necessário pontuar o porquê —, sem muita margem para uma barganha, mas ainda tem alguns créditos positivos sobrando, o Diabo levanta o indicador, apontando pra cima, pedindo por um momento de atenção.

O Meritíssimo pondera, quase sempre, meio hesitante, mas acaba por dar voz ao tinhoso. E, pela mesma porta de que veio o réu, um novo advogado invade a cena.

***

— Alguém de fora — o Diabo especificou, tentando se fazer entender. — Preciso de alguém que tenha vivido na Terra mais recentemente. E você é perfeito pra isso.

Jacob coçou a nuca. Naquele momento, estava no próprio julgamento, sendo fitado pelo juiz detrás da grande e larga mesa de madeira escura. O Diabo vestia azul escuro, dos pés à cabeça, e tinha uma aparência ordinária — em compensação, o cabelo estava cheio de gel e puxado para trás.

O juiz não tinha dito uma palavra sequer desde o início da audiência. Era um sujeito banal, mas usava um longo e lúgubre hábito que se estendia infinitamente da sua cadeira ao chão, ziguezagueando pelo piso até uma saída que Jacob não sabia dizer aonde dava.

Sua mesa estava posta sobre um tablado de concreto, fazendo com que o juiz o encarasse de cima, como uma câmera de vigilância que nunca piscava. Não era assustador, mas fazia o réu sentir um aborrecimento irritante na parte de trás da garganta, como se sentisse a necessidade de dirigir ao homem um palavrão enorme.

— Garoto — o Diabo chamou a atenção de Jacob, então levantou um maço de folhas no ar, exibindo-as, completamente brancas. — Não há nada na sua ficha. O seu dossiê está cheio de folhas, a quantidade normal para uma pessoa de vinte e tantos anos; mas não há nada escrito. É como se você não existisse no sistema. Ou seja: não podemos julgar você.

Foi nesse momento em que Jacob pensou que, talvez, estivesse sonhando. Entretanto, ao olhar para baixo, descartou a hipótese no mesmo segundo.

Estava numa cadeira posicionada sobre um único bloco de concreto flutuando pelo nada. Se desse um passo adiante, só Deus saberia onde iria parar. A imensidão embaixo dos seus pés o assustava mais do que a presença de um demônio bem na sua frente.

— Obviamente, não sabemos nada sobre você — prosseguiu o Diabo. Nem Jacob nem o juiz disseram alguma coisa. — Mas esse tipo de coisa não acontece sempre. Eu gostaria de te chamar para o meu departamento, mas você não vai para um pós-vida no Inferno, não se preocupe. É que eu estou precisando de um advogado, e o bonitão ali — o Diabo alfinetou, desviando os olhos para a direção em que se encontrava o juiz — não me deixa procurar por entre quem já está do lado de cá. E, bem, como não podemos te remanejar pra lado nenhum, nem pro Purgatório… o que acha de vir trabalhar comigo?

Jacob refletiu por um segundo. Encarou o vazio outra vez. Ele era o único ilhado, e o Diabo e o juiz estavam tranquilos sobre o seu piso acinzentado. Talvez fosse uma medida de segurança — ou, mais provavelmente, fosse um aviso de que ele não tinha o que fazer. Só poderia aceitar.

— É — o Diabo confirmou, como se tivesse ouvido os pensamentos do réu. — Não tem muita saída pra você.


***


Naturalmente, o advogado do Diabo só tem um caso quando o próprio Diabo, também um advogado e seu superior direto, o chama para assumir o lado do indiciado.

Mas por quê?, você deve se perguntar. Por que o Diabo precisaria de alguém que defendesse a pessoa que ele está acusando? Bem, engano seu acreditar que o advogado do Diabo é um melhor advogado que o próprio Diabo. Sua única função é ajudar o juiz a decidir se vale mesmo a pena enviar mais uma alma para o fogo eterno do submundo, ou se, dessa vez, alguém pode passar uma temporada extra no Purgatório.

E, de fato, o advogado do Diabo quase sempre consegue uma vaga no Purgatório para o seu cliente; contudo, em algum outro momento da narrativa, a pessoa precisará ser transferida. Então, eventualmente, o juiz, não muito elucidado pelo milagre do tempo, o encaminhará para o Inferno como o planejado.

Talvez por isso — por não ver razão na sua existência — Jacob acreditasse que não estava muito longe de casa. Estar morto não era tão excruciantemente diferente de estar vivo, no fim das contas. Mas, de vez em quando, acabava caindo de paraquedas em casos que, mesmo tão comuns, o deixavam marcado. Não positivamente, se quiser saber; mas de alguma coisa deveria valer aquela sensação de rebeldia que ele sentia insurgir contra a sua caixa torácica — como um grito repelido havia tempo. Um grito que ele queria dar, mas não podia. Uma raiva que ele queria sentir, mas que não lhe cabia.

Um dia, o Diabo finalmente ergueu o indicador no ar depois de muito tempo sem recorrer ao seu fiel funcionário. Jacob entrou pela porta. O Diabo não parecia contente.

— O meu subordinado cuidará do seu caso — ele ditou, encarando fixamente o homem na cadeira dos réus. Voltou-se para Jacob, por fim: — Eu preciso que julgue o meu filho por mim.


***


PROTOCOLO DE ANÁLISE DE MATRÍCULAS HUMANAS

REGRAS - NORMAS PRIMORDIAIS


1) Um ser humano só pode ser, e só será, julgado pelas ações consumadas em vida, na Terra, em regime de consciência moral total ou parcial. Pensamentos individuais não serão contabilizados.

2) Toda e qualquer ação e decisão será analisada e categorizada em benéfica, maléfica ou indiferente (que é ordinária; que não interfere de maneira positiva ou negativa no ambiente).

2.1) Uma ação é categorizada com base no seu impacto:

a) nas outras pessoas;

b) na natureza;

c) no próprio indivíduo.

3) Os impactos sofridos pelo indivíduo em decorrência de ações de terceiros também serão analisados e contabilizados, bem como a evolução progressiva da qualidade das suas ações; contudo, ações categorizadas como maléficas não serão abatidas em decorrência de tais análises.


***


— Kevin Moon — o advogado do Diabo leu, dando início ao julgamento. A mão que segurava a ficha do acusado tremelicava, e Jacob retesava os músculos para tentar passar despercebido, mesmo sabendo que os olhos que o encaravam estavam plenamente cientes da sua condição. — Acumulou um total de 65% de ações indiferentes, 5% de ações benéficas e 30% de ações maléficas. Os anjos que analisaram a sua ficha pela última vez o consideraram um rapaz comum, que não teve interferência significativa no mundo a sua volta. As ações maléficas não foram de grande impacto, também. Como esperado de pessoas cuja maior porcentagem de ações é neutra, deverá passar uma temporada no Purgatório, e isso é irrevogável. Suas ações maléficas foram desencadeadas, majoritariamente, por apatia, insensibilidade, necessidade de manipulação e controle, teimosia e egoísmo. Entre seus pecados estão a intolerância e a avareza.

Tirou os olhos do papel apenas para confrontar a mirada enfastiada do infrator. Folheou a ficha de Kevin por alguns segundos, não muito atento aos pormenores; só precisava encontrar algumas palavras-chave.

— Nada mal para o filho do Diabo.

Fez-se silêncio depois do comentário do julgado.

O juiz tomou nota da interferência, mas, como de praxe, não se pronunciou. Jacob arregalou os olhos, inquieto debaixo de sua pele. Humanos não podiam falar livremente em audiência, a menos que a permissão lhes tivesse sido dada.

— É possível dizer que sim — Jacob retorquiu, desconfortável. — Não há nada consistente na sua ficha que aponte para uma sentença imediata, ainda mais tendo em vista que a maioria das suas ações foi indiferente. Me guiando apenas por ela, eu te daria 500 anos de Purgatório e um novo julgamento. Mas já que está interessado em conversar, pode utilizar sua proficiência para se defender. Talvez nos dar uma ideia mais clara do lugar para o qual você quer ir, que tal?

— Por que vai me dar 500 anos de Purgatório e um novo julgamento? Você não é capaz de terminar o serviço agora? Vai deixar pra daqui 500 anos?

Jacob respirou fundo. Olhou para o Diabo, no fundo da sala, que não parecia satisfeito, mas que não interferiu em momento nenhum. Se o rapaz na cadeira dos réus era seu filho, talvez tivesse poderes no pós-vida que outros humanos não tinham. Tal qual Jacob, talvez Kevin fosse um ponto fora da curva. Jacob não tinha registros; Kevin tinha o sangue meio azul.

— Faz parte da sua punição. A espera, a indignação; até mesmo o desleixo do sistema com o seu processo. É para que saiba que não temos nenhuma pressa. É pra te deixar em agonia.

— Se eu estou sendo punido, então eu tenho um veredito, certo? Eu estou indo para o Inferno?

— Você ainda não tem um veredito.

— Então por que eu estou sendo punido de antemão? Você não conseguiu nem chegar a uma conclusão sobre eu ser bom ou mau. E se, no tal julgamento daqui a 500 anos, decidirem que eu vou pro Céu? Eu já vou ter sido punido por que sendo que eu não merecia?

— Todo mundo merece algum punimento.

Kevin aquiesceu por um instante.

— Então eu não estou sendo avaliado por uma bancada imparcial? — prosseguiu.

— Não — Jacob respondeu imediatamente.

— Eu não vejo o ponto disso. Se nem o sistema daqui é justo, então o que eu sou? Um instrumento? Um escravo? Um fantoche?

— O que te levou a pensar que as coisas aqui seriam justas? Elas são onde você vivia?

Kevin pendeu a cabeça para o lado, depois riu.

— Claro que não. Mas o Céu não serve pra compensar a injustiça dos homens?

— O Céu não compensa nada. O Céu e o Inferno refletem o homem, não compensam.

— Então por que eu estou sendo julgado em primeiro lugar? Se tudo é refletido, por que eu não continuo a minha vida do mesmo jeito que era antes?

— Porque aqui é outra jurisdição. — Silêncio. Uma risada desacreditada, quase desistente. — Mais alguma pergunta?

Kevin olhou para o vácuo, fitando o incrível desassossego do nada. Todos eles faziam isso, uma hora ou outra. O vazio sempre prende o olhar em momentos de realização.

— É só isso que me resta?

Jacob desviou os olhos, desconfortável pelas emoções humanas. Eventualmente, as coisas acabavam daquele jeito. As audiências não tinham muita variedade de finais, de qualquer forma.

Quando, de repente, Kevin virou-se para o Diabo, Jacob soltou um ruído de surpresa. O filho encarou o pai nos olhos e, colérico, bradou:

— E quem é você?! Um nada?! Nem me julgar você conseguiu!

O réu tocou na sua cadeira, então pôs os pés sobre o assento. Gritou ainda mais:

— NÃO ME OLHE ASSIM!

E pulou.

Diretamente para o vazio.

Jacob não sabia se queria mesmo ver aquilo; uma alma jovem indo em direção à escuridão da inexistência completa. Entretanto, o que ele achava que se sucederia não aconteceu. Kevin ainda estava no mesmo lugar, com os olhos fixos no pai, o Mal Absoluto, como gostavam de dizer. Mas podia jurar que ele tinha pulado... Talvez o tempo tivesse dado um nó.

O juiz, assim que os nervos do réu se acalmaram, fez um sinal com a mão: palma virada para baixo num movimento contínuo, mas vagaroso, em direção à mesa. Silêncio total.

Com alguma resignação na voz, o advogado do Diabo aproximou-se da cadeira do juiz, buscando voltar a fazer seu trabalho como um mediador que pseudo-advoga pelos ex-viventes.

— Meritíssimo — pediu, ajeitando o terno com as mãos trêmulas. — Eu poderia dar início a uma simulação? Uma curta, dois anos está ótimo. Se o senhor me der a oportunidade de conviver com o acusado, poderei fornecer mais informação para complementar a ficha dele e ter um veredito mais claro.

Silêncio.

— Os quinhentos anos de purgatório permanecem inalterados, claro — acrescentou rapidamente. — Mas nós precisamos de mais dados para uma sentença quando o período de purgação expirar.

O juiz ponderou. Com um olhar, concedeu a Jacob a permissão para uma simulação. Como se tivesse acabado de nascer, então, ele abriu os olhos na Terra — mais uma vez. Do seu lado, o filho do Diabo ainda estava em julgamento.


***


Jacob cutucou o miojo como se perguntasse à massa se ela estava bem. Kevin comia sem preocupações, enroscado na calada da cozinha escura, concentrado apenas em se alimentar como se não comesse havia dias. Jacob não sabia se era algo normal para o filho do Diabo, mas sempre que tinham uma refeição, via Kevin comer como se a sua vida dependesse disso.

— Não precisava ter sido grosso com o entregador.

— Eu não fui grosso, só não puxei o saco dele.

Jacob suspirou.

— Duas semanas aqui, e a cada dia que passa, você fica mais perto do Inferno. Começo a achar que isso foi uma péssima ideia. — Jacob, então, largou a comida completamente, seduzido pelo brilho da lua que se via pela janela.

— E você não tá preocupado? — Kevin quis saber.

— Preocupado com o quê? Quem vai pro Inferno é você. Você que deveria se preocupar em corrigir os seus erros.

— Mas me salvar não é, literalmente, o seu trabalho?

Silêncio. Jacob até abriu a boca, mas nada realmente foi ouvido.

— Se o seu trabalho é me salvar — Kevin prosseguiu —, e eu vou pro Inferno do mesmo jeito, quem falhou não foi você?

— Você não pode esperar que eu faça tudo por você. Não funciona assim.

— Bem, pelo o que eu entendi quando estive lá em cima… — E ele apontou para o teto com o indicador. — ...Eu sou uma marionete aqui. E vocês fazem o que quiser comigo depois que eu passar dessa pra uma me… pior. — E riu. — Você também não pode esperar que eu faça tudo, entendeu? É pra eu virar uma pessoa boa da noite pro dia na base da chantagem, é? Porque isso que você tá fazendo é chantagem. Vocês me colocaram nessa ilusão pra me testar, pra ver se eu melhorava... eu não me sinto nem um por cento melhor; só pior. Não tenho esperança, só medo. Medo e raiva.

Jacob abaixou a cabeça por um instante. Compreendia o rapaz, porque também tinha medo. Durante muito tempo em vida e pela eternidade depois dela, sentiu medo. Mas, ali, naquele experimento, ainda que com medo, era quase como se respirasse outra vez.

Mas raiva? Jacob não sabia o que era sentir raiva havia milhares de anos.

Sentiu algo galgar a sua garganta, como um grito de socorro. Engoliu a sensação, mas ela fez o seu estômago borbulhar com algo desagradável. Isso é inveja?

— Raiva como? — perguntou, sem nem reparar que tinha aberto a boca.

— Raiva disso tudo. De ter nascido, de ter morrido. De ter sido julgado, de ter visto o Diabo, de estar aqui com você. Raiva de tudo. Raiva de mim também.

Jacob olhou para os próprios dedos, hipnotizado. Fechou a mão em punho. Apertou com força. Raiva.

Mesmo que tentasse, ainda não sentia. Não conseguia ressurgir com violência contra qualquer coisa; real ou abstrata. Não sabia perder a paciência.

Talvez fosse por isso que o Diabo o escolhera — se nunca tivesse raiva, nunca se revoltaria; e se nunca se revoltasse, nada mudaria. Ele fazia o trabalho do Mal Absoluto sem reclamar, e com muita eficiência. Jacob sabia seguir ordens, e isso era ótimo. Para além disso, mesmo se orgulhando de sua natureza moral intacta, não se compadecia das almas que julgava — aquelas que jurava que tentava salvar.

Foi então que percebeu. Não era o advogado do Diabo; era o próprio Diabo, mas numa versão cega — ao invés de negligente — para as vicissitudes da vida humana e para os desvios do sistema. Jacob era o fantoche.

— Kevin — o advogado chamou, num fio de voz quase inaudível. O humano, felizmente, conseguiu ouvir.

— O quê?

Jacob levantou os olhos. Fechou ambos os punhos e os colocou sobre a mesa, irritado.

— Isso não é uma simulação. Isso é a Terra — confessou.

Kevin engoliu a comida, atento.

— Em dois anos, você vai morrer de novo. Mas agora, você está vivo. Vivo outra vez.

— ...vivo? — Kevin repetiu, em tom de pergunta. Jacob confirmou. — E por que não me disse antes?

— Porque o jeito como as pessoas agem quando acham que estão mortas é diferente. Mas o juiz não tem permissão para criar uma simulação tão grande, então ele nos mandou para a Terra outra vez, num fragmento de tempo em que você nunca morreu. Entendeu?

Kevin balançou a cabeça pra cima e pra baixo.

— Mas agora você não tá encrencado? — Questionou. Jacob fez que não.

— Eles só sabem onde você está. A minha ficha veio com defeito. Está em branco. Não podem me rastrear, nem me ouvir; só sabem o que eu repasso nos relatórios.

O rosto de Kevin se iluminou por um milésimo de segundo quase imperceptível.

— E você vem dizendo o que nos relatórios?

— A verdade, ué — Jacob deu de ombros. Kevin suspirou. Por que foi que tinha criado alguma esperança?

— Então é por isso que eles te recrutaram, né? Você é bonzinho, obedece as coisas e tal, mas acima de tudo, você não tem ficha. Eles não podem te controlar se você não quiser.

Jacob franziu a testa. Kevin prosseguiu:

— E você não pode ser julgado também. Cara, você pode fazer o que você quiser. Tipo, eu vou morrer em dois anos, certo? Não é uma notícia muito boa de se ouvir, mas eu vou me esforçar pra que, quando eu morrer, eu pelo menos fique no Purgatório. Porque, assim, eu não vou dar pra eles o gostinho de me mandarem pro Inferno. Não quando o Diabo fala que é meu pai… Ridículo. Tenho certeza que foi aquele bosta que fez a minha vida ser uma merda. Mas você? Você não depende deles. Nem um pouquinho.

Jacob ficou em silêncio. Alguma coisa se abriu no seu peito. Ele fitou o relógio na parede — 19:38. Ainda dava tempo.

Levantou-se sem dizer mais nada. Com alguma hesitação, andou até a porta. Tocou a maçaneta. Antes de sair, sussurrou:

— Não se preocupe com eles. Vou me certificar de que você vai pro Céu.

E, então, como uma borboleta que abandona o casulo, Jacob se libertou.

A porta bateu com raiva.

24 de Setembro de 2022 às 20:41 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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Madu Dourado 19, psicologia, pseudodesigner e fanfiqueira nas horas vagas.

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