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Após se tornar um repórter famoso na revista em que trabalha, o jovem Nick Spencer pega a estrada para mais uma de suas audaciosas entrevistas com temas sobrenaturais. No caminho da nova entrevista, ele tem um pensamento estranho, mas que lhe faz rir. Mas, devido a um contra tempo, ele para no meio da estrada e tudo se torna realmente interessante.


Conto Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#horror #terror #conto #diabo #ds
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Entrevista com o Diabo

…This moment will last a lifetime, You always find the light so well, I could search forever to see this far… [Esse momento vai durar uma vida inteira Você sempre encontra a luz tão bem. Eu poderia procurar pra sempre para ver isso longe.]


— Sim, pessoal está é a nova música da banda: We Are The Ocean... — Falava uma voz no som do carro, um Chevrolet de 67. — Escute agora a música inteira, esta é a faixa, “Save Me Said The Saviour”.

A estrada estava vazia e uma tempestade se aproximava mais ao leste, Nick teria que sair daquela estrada em menos de meia hora, caso contrário, estaria preso em uma forte tempestade daquelas, cheia de raios e trovoadas.

Nick Spencer, o melhor repórter da revista Post Mad. Famosa por focar nas notícias que todas as outras faziam questão de ignorar ou, até mesmo, banir de suas páginas. Nesta ocasião, estava indo para mais uma de suas grandes reportagens sobre o mundo sobrenatural, muitas vezes, fictício.

Cerca de duas semanas antes, o mesmo foi premiado por uma reportagem sobre bruxaria onde conseguiu a prova viva de que a magia existia, além de inúmeros depoimentos de uma bruxa desconhecida que só chegou a falar com Nick, após o mesmo solicitar uma de suas magias como se fosse mais um cliente.

Agora ele tinha a grande missão de fazer uma matéria com um exorcista, que estava ganhando fama em uma pequena cidade ao norte de Missem. Conhecido também por convencer seus leitores sobre a existência de coisas sobrenaturais, ele tinha as perguntas certas para as entrevistas certas.

Sua fama veio com muita lentidão e zombaria, o que era sempre comum, segundo os jornalistas que conhecia desde a faculdade. Mas algo sempre estava indicando aquele caminho para a sua profissão. Sempre encontrou inúmeros motivos para escrever e esclarecer o sobrenatural, e sua nova entrevista seria algo rápido e simples segundo sua própria intuição.

Enquanto ouvia a música da rádio, teve um pensamento inesperado:

— Só me falta entrevistar o Diabo — sorri ao pensar na situação e continuou a dirigir.

Poucos quilômetros depois de seu pensamento, já perto da tempestade, ele ouviu um barulho vindo de fora do seu carro e resolveu desacelerar já imaginando o que seria aquele som.

Um dos pneus tinha furado, e encostou o carro fora da estrada. Para sua sorte, ele tinha um pneu novinho de estepe, mas para seu azar, não tinha colocado o novo macaco no carro.

Foram longos minutos tentando usar o celular para pedir o reboque, mas a tempestade tinha tirado o sinal. Um carro surgiu do nada e foi parando atrás do carro de Nick. Adorou a ideia de alguém parar para ajudar a arrumar o pneu, assim sairia da estrada antes que a tempestade o alcançasse.

Um belo rapaz vestido “estranhamente” com uma roupa de cor vinho, algo muito próximo do século XVIII, saiu de dentro do carro dando-lhe um sorriso agradável. Era um Ford anos 60, todo metalizado e bem equipado para o modelo.

— Quer ajuda? — perguntou o lindo rapaz que em momento algum lhe mostrou seus olhos.

— Meu pneu resolveu me deixar à espera de uma tempestade — brincou Nick, se aproximando do rapaz elegante olhando para o céu onde as nuvens negras pareciam sorrir.

— Oh! Compreendo. Posso ajudá-lo ou dar uma carona? — sugeriu o rapaz.

— Bem um macaco é tudo que preciso.

— Um animal? — Perguntou o rapaz sério.

— Ah! Não, não. Você não é daqui, é?

— Creio que não.

— Bem, macaco é o que usamos para levantar o carro, enquanto se troca um pneu.

Explicou Nick meio sem jeito pelo desconhecido.

— Ah! Sim compreendo. Devo ter algo no meu carro.

O rapaz deu uma pequena volta pelo carro de Nick e notou os exemplares das revistas anteriores em que Nick estampava a capa.

— Vejo que é jornalista?

— Ah sim, sou Nick Spencer, da revista Post Mad.

— Hum! Não leio revistas, lamento — desculpou-se ele educadamente.

— Tudo bem, cerca de 40% não leem.

— E qual é sua melhor entrevista?

— Ainda não a fiz.

— Não? Mas por quê?

— Bem, não pude me encontrar com ele ainda.

Nick então olhou para o jovem sem entende o motivo do mesmo lhe parecer estranho.

— E quem seria este?

— Pode parecer loucura, mas seria o Diabo.

— O Diabo?

— Sim, Lúcifer, o chifrudo….

— E por que não o entrevista?

— Ainda não achei sua casa — brincou Nick, rindo alto.

— Bem, aqui estou.

Só então Nick notou que o belo rapaz não tinha olhos, e que em seu lugar, duas serpentes estavam prontas para saltar em um bote certeiro, mas não fizeram isso. Era como em um sonho, aquele rapaz completamente normal, mas sem olhos e em cada buraco negro a imagem de duas serpentes mostrando suas línguas venenosas como se comandassem aquele corpo humano, ao menos em primeiro instante.

Nick ficou quieto tempo demais para perceber que o tempo continuava e somente ele e aquele ser continuavam ali parados, com aquela tempestade se aproximando.

— Há poucos minutos você disse que queria me entrevistar, então faça.

— Mas. Isso é…. Você...

— Ande Nick, comece suas perguntas.

Neste momento uma nuvem negra da tempestade pairou em cima dos dois e um som forte de um trovão ecoou sobre eles. Nick tremendo e sem saber o que fazer, acabou pegando sua caderneta e um lápis com a ponta fina.

— Faça suas perguntas, responderei a cinco delas e em seguida deixarei você descansar em paz — ordenou o Diabo com uma voz distorcida.

Nick lutando contra o nervoso, pensou e olhou apenas para os sapatos de couro de cobra que o até então, Diabo, calçava. Depois de alguns minutos ele começou a falar sem olhar para o jovem.

— Você diz ser o Diabo em pessoa?

— Ainda dúvida? — respondeu zombeteiro.

— Bem, o que realmente te faz ser um Deus no inferno? — Nick tentou esconder seu medo e também a tremedeira.

— O inferno é aqui meu caro, não sou um Deus, vocês que me julgam um Deus, sou apenas um anjo caído.

— Por que apareceu para mim?

— Você quis esta entrevista, esqueceu?

— Você quem escolhe quando as pessoas vão morrer ou todo mundo tem sua hora?

— Cada um decide quando vai morrer. Agora qual sua última pergunta?

Nick pensou, pensou por um longo tempo em qual seria a sua última pergunta para aquele ser que, com certeza, não era nada humano, mas a única pergunta que fez não pode ser diferente.

— Minha última pergunta é quando vou morrer?

— Sua última pergunta é quando vai morrer? — repetiu o Diabo.

— Sim esta é minha última pergunta — falou Nick, fechando seu caderno para olhar mais uma vez, aquele ser, agora mais calmo sentido suas pernas firmes outra vez.

— Quando disse cada um escolhe quando vai morrer, quis dizer que quando perguntam se vão morrer, é sinal de que estão me chamando. Então senhor Nick Spencer, o repórter, você vai morrer hoje, nesta mesma hora e neste mesmo local, porque foi aqui que escolheu morrer.

Nick deu um passo para trás assustado com a voz do rapaz e bateu com o braço no carro. Quando se equilibrou para não cair, viu que toda a tempestade estava acima de suas cabeças.

Sem saber o que fazer, Nick olhou novamente para o céu quando viu uma luz forte saindo do total escuro das nuvens indo em sua direção.

Não teve tempo para nada, mas notou que o belo rapaz não era mais o mesmo ser. Uma serpente escura e muito grande estava deixando o local e foi quando o raio o acertou fazendo tudo sumir.

6 de Julho de 2022 às 13:15 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Donnefar Skedar Nascido na cidade de Santo André – São Paulo, Donnefar Skedar ou Jay Olce publica na internet desde 2009, criador do selo Elemental Editoração pelo qual realiza suas publicações. Atualmente o autor possui 11 livros publicados, dos quais 4 são coletâneas, o mesmo ainda possui diversos contos publicados em formato digital dos quais não fazem parte das coletâneas. Seus livros estão disponíveis de forma internacional, alguns títulos receberam traduções para os idiomas.

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