a_louise Louise Albuquerque

Uma coletânea dos contos mais populares da humanidade em suas versões mais sombrias, punk e polêmicas. ‼️ATENÇÃO, CONTEÚDO +18‼️ NÃO LEIA SE FOR SENSIVEL A TEMÁTICAS DE CUNHO VIOLENTO E DEGRADANTE.


Microficções Para maiores de 18 apenas.

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Hansel e Gretel


AS CRIANÇAS PERDIDAS

Em algum lugar remoto da Alemanha,

por volta de 1380 d.C.



— Ai, que fome!

Gretel resmungou encolhendo-se entre os braços sem conseguir aguentar mais os severos roncos em sua barriga.

— Aguente um pouco mais, — acalmou Hansel, que guiava a irmã pela floresta numa longa caminhada sem rumo, — devemos estar bem perto de sair desse lugar.

— Mas nós estamos há dias aqui, Hansel! — A menina reclama, tentando se manter de pé enquanto caminhavam. — Temos que comer logo, antes que eu morra de fome!

O garoto cessa os passos e olha para a figura frágil, ferida e suja de sua irmã e reflete sobre a situação em que se encontravam.

Há quanto tempo estavam perdidos?

Dias, semanas talvez. Era incerto saber, mas tinham que admitir que se continuassem mais algum tempo naquele ritmo não iriam sobreviver por muito mais tempo. Aquele lado da floresta era muito perigoso e… sombrio.

Era estranho, não lembra a última vez que viu o Sol. Ele nem sequer raiou um dia desde que se perderam.

Chuvas incessantes caíam por longos períodos e o céu, sempre muito sinistro, deixando rastro de lama por todos os lados, quase se tornando um impiedoso e escorregadio pântano.

Realmente foi uma ideia estúpida ter entrado naquele lugar, ainda mais depois que as pedras deixadas no caminho de volta para casa desapareceram. Mas ambos sabiam ajd isso não teria acontecido se Gretel tivesse se distraído com um fofo coelho.

A menina um palmo mais baixa e de longos cabelos loiros se tornou sua única companhia. Apesar de serem gêmeos, os dois não eram nada parecidos – físico e psicologicamente. As únicas características que possuíam em comum eram os doze anos, os cristalinos olhos azuis e o cuidado um com o outro.

A inteligência e a timidez estavam com Hansel, enquanto que Gretel era sempre muito emocional e impulsiva. E era ela quem sempre os metia em confusões, claramente por causa da sua… imprevisibilidade.

Mas Hansel não a culpava, pois também lamentava por não ser capaz de saber como voltar para casa. Por tudo o que aconteceu e o motivo que os trouxe para esse destino. Ambos foram ingênuos. A única esperança era acreditar que achariam o caminho de casa sem que mais nada de mal aconteça.

— Está bem. — Concorda o garoto, por fim. — Mas precisamos encontrar um abrigo seguro antes..

— Certo!

Empolgada, a menina saltou como pôde e seguiu o irmão até um pequeno morro de rochas a alguns metros dali. Uma espécie de caverna miúda, o suficiente para mantê-los ocultos dos perigos da floresta e até mesmo do temporal.

Eles deixaram tudo o que carregavam consigo para debaixo daquelas rochas, mas não demorou e, pouco depois, antes que pudessem sair para a caça, Gretel pressente algo e indaga.

— Ei, está sentindo esse cheiro? É delicioso!

Hansel desconfia, mas se presta ao sentido. Realmente, algo cheirava muito bem por ali perto.

— Isso cheira a…

— Torta de amoras!

Os olhos de Gretel brilharam e sem pestanejar, disparou para longe do abrigo.

Oh, de novo não!

Hansel tentou impedi-la, mas a menina já estava fora do alcance quando decidiu correr atrás dela.

Um novo caminho desconhecido foi rompido quando enfim encontraram uma pequena campina no alto d'um morro. Ali um casebre jeitoso e suavemente iluminado, construído em um tronco de uma grande árvore, impressionando bastante os gêmeos.

— Uaaaau…!!! — Soou-se dos dois em uníssono.

Distraído, o garoto não se deu conta dos passos de Gretel, esta que escalou os galhos prestes a alcançar algo na janela daquela casa.

Era dali que vinha o cheiro, a tal torta. Aparentemente alguém deixou ali para esfriar.

Quando a menina já metia a mão, gritou.

— Não, Gretel... Espere!

E ele começou a subir os galhos até ela, porém a menina ignorou todos os alardes, devorando boa parte sem parar e quase sem mastigar. A fome era tanta que ela não pensou nas consequências.

Porém, como deveria ser esperado, alguém surge de dentro da casa.

— O que estão fazendo?

— Aaaahhhh!!

Gretel, pelo susto, sobressaltou e acabou caindo, se arranhando sob os galhos abaixo no caminho, junto com a tigela com o resto da torta.

— Gretel! — Hansel para a escalada e consegue agarrar sua mão impedindo que caísse completamente. Ele a puxou um pouco até que ambos ficaram em solo firme, seguros. — Está bem?

— Quem são vocês? Como vieram até aqui?

Volta a perguntar a senhora lá de dentro. Um mulher de certa idade, de aparência muito agradável apesar do nariz um pouco avantajado, mas também muito elegante para uma camponesa com um vestido azul-marinho bem forrado.

— Perdoe-nos, ela não queria causar confusões… – Respondeu Hansel, um pouco gago e envergonhado com a situação. — Es-estamos perdidos e e-ela só estava com muita fo-fome… por favor senhora, não queríamos arrumar confusão.

— Oh, coitadinhos!

A mulher, que pareceu bem preocupada, se afasta da janela e pouco depois surge novamente, dessa vez abrindo a porta.

— Porque não entram, crianças? Se estão perdidos e com fome, eu posso fazer comida e cuidar de vocês até que tudo esteja bem.

A desconhecida os olhava comovida e sorriu simpática. E apesar de muito gentil, Hansel sentiu um certo desalento. Algum tipo de sensação ruim que não saberia explicar.

— Isso seria ótimo, na verdade... Não é Hansel?

Gretel no entanto concordou sem pensar duas vezes e um sorriso se alargou nos lábios rubros da mulher.

Apesar de perigoso aceitar ajuda de desconhecidos, como sempre seus pais os alertaram, tinha que concordar que precisavam daquela ajuda. E por mais tentado a recusar que estivesse, negar seria burrice.

Estavam absurdamente fracos, machucados e com fome, e a casa daquela mulher parecia aconchegante e bastante segura. Podiam ver uma lareira acesa e um banquete recheado logo na mesa. Era tudo o que precisavam naquele momento.

— Certo...

Concordou o garoto, mesmo com um pé atrás. E ambos entraram na casa daquela senhora.

E, desse momento em diante, suas vidas mudaram para sempre.


……….

Alguns dias depois…


A chuva ainda caía torrencialmente lá fora, mas as crianças agora não mais temiam os perigos lá fora enquanto tinha uma lareira quente e comida farta.

A bondosa senhora, que possuía longos cabelos vermelhos e elegante vestido marinho, os observava celebrante por ambos estarem enchendo as vossas barrigas com comida e bebida, como nunca o fizeram.

E isso já se fazia há algum tempo, alguns dias na verdade.

Hansel já estava desconfiado que havia algo de errado, pois todas as vezes que tentavam sair, aquela mulher que se apresentou como Helga, os ocupava com comida ou estavam tão cansados que desmaiavam de sono.

Os pesadelos se tornaram frequentes, mas ele nada dizia com medo de ser apenas coisas de sua cabeça. Até que, nesse momento, ficou incomodado ao notar a anfitriã tocando nos cabelos dourados de Gretel e cheirando os fios como se fosse uma perfumada flor.

Mas isso pareceu ser mais desejo do que um simples gesto de simpatia.

— Está tudo uma delícia, tia Helga… É o melhor bolinho de abóbora que já comi!

Comentou a pequena Gretel, que havia devorado mais bolinhos do que seu irmão.

— É ótimo saber disso, minha querida. Comam bem, pois precisam crescer para ficar bem fortes, uh?

E ela então voltou a rodear a mesa e notou que Hansel, que estava quieto, mal havia tocado nos bolinhos que lhe foram servidos

— Porque não está comendo jovenzinho?

— Nada, é que… é que nossa mãe… Bem, ela fazia bolinhos de abóbora também e…Ouch!!!

E de repente a mulher desferiu um tapa no rosto do garoto, seguido de um puxão de cabelo fazendo a cabeça ir para trás no encosto da cadeira.

Pôde-se ouvir o estalo no garoto que fez até Gretel gritar. Hansel agonizou, quase chorando por conta da dor.

— Jamais devem falar de sua mãe ou pai aqui nesta casa. Quantas vezes tenho que repetir?!?! – Helga vociferou no ouvido de Hansel e o fulminou muito irritada. Até que a expressão mudou e a voz voltou a ser suave e gentil, soltando-o do puxão. — Aqui agora é o novo lar de vocês, ninguém mais vai abandoná-los. Vão ser felizes agora, vão ver.

Hansel recuperou sua postura quando ela o soltou, tossindo um pouco devido a violenta irritação na garganta.

— Você não os conhece... Não pode nos prender aqui para sempre!

Hansel franziu e a enfrentou.

Helga confrontada pela audácia do garoto, pareceu um pouco surpresa, mas não demorou muito para seu semblante exibir um sorrisinho sutil em tom desafiador.

— Ah... eu os conheço muito bem. A questão é... que vocês ainda não me conhecem.

E nesse momento ela ergueu dois dos dedos e estalou, e num piscar de olhos de ela se transformou em uma outra pessoa. Agora era uma mulher negra, vestida de negro com pequenos detalhes cintilantes, como um manto de céu noturno estrelado.

Hansel e Gretel arregalaram e o garoto chega caiu para trás com a cadeira no susto.

Gretel se moveu para ajudá-lo a se levantar.

— Hansel!

— Corre, Gretel!

E agarrando o braço de sua irmã, os dois correram para longe da estranha mulher. Helga, no entanto, acabava sempre surgindo magicamente a cada canto em que eles alcançavam, assim como trancar portas e janelas apenas com o estalo de dedos.

Os dois tentaram puxar e abrir, mas não tinham forças. Ela riu maquiavelicamente ao vê-los encurralados.

Hahahahah, não podem sair. Fugir daqui é inútil.

Gretel choramingou abraçada a seu irmão perto à porta.

— O que... quem é você?!

— Ora não precisam se desesperar, queridos. Veja, para mostrar como sou muito bondosa, vou-lhes contar uma história…

Helga faz um gesto de mão e uma cadeira é trazida atrás de si. Ela se senta, como uma boa senhora prestes a contar uma história. Hansel e Gretel ficaram quietos sem coragem de sequer se moverem.

— Era uma vez, uma bela e imensa floresta e que nela vivia um grupo de mulheres formidáveis com poderes extraordinários. Elas praticavam magia e eram as melhores nisso, pois seguiam uma grande divindade… Nyx, a deusa da noite e das artes místicas. Um dia, a mais bela e jovem, e também a mais poderosa de todas, conheceu um homem… um mortal, e por ele se apaixonou. Mas isso era contra as regras desse grupo, pois ela teria que abandonar seus dons e isso arruinaria a tudo. Mas ela fugiu com o mortal e juntos construíram uma vida longe de tudo. Mas toda a essência que regia a magia dessas mulheres se perdeu e o culto a Nyx foi esquecido. Porém mal sabiam que, quando o casal tiveram seus filhos, um menino e uma menina, ambos carregam o resquício dessa essência perdida…

Helga os olhou com curiosidade.

— Por acaso isso não soa familiar para vocês?

— ...

Os irmãos se olharam, demorando para processar a história. Helga revirou os olhos, mas suspirou com paciência e explicou mantendo toda aquela amenidade..

— O fato é que a mãe de vocês também era uma bruxa. Sim, e ela só está pagando caro pelo erro que cometeu. Uma vez que abandonou suas raízes, ela abriu mão de seus próprios filhos também. E aqui estão vocês, como há muito eu previ. Agora posso ter a essência primordial da humanidade em meu poder novamente...

A mulher se levantou com a mesma graciosidade que se sentou e se aproximou dos meninos.

— Ah, vocês não imaginam para o quê estão predestinados. Principalmente você, Hansel, com você poderei trazer meu amado de volta para mim... Mas para isso, seus corpos precisam estar prontos. E é por isso que deverão ficar e crescer, e quando a idade certa chegar… o ritual será iniciado.

E deixou soar uma risada perversa ao mesmo tempo que sua sombra tomava uma forma diferente agora, cobrindo praticamente todo o lugar e escurecendo tudo à volta, como a noite em seu mais completo breu.

Eram as trevas,o véu de Nyx.

A deusa da noite.



………

Cinco anos depois…


Os passos que tilintavam da escadaria para o assoalho despertou Hansel subitamente. As orbes azuis de imediato reconheceram os cachos negros e volumosos Nyx, mesmo sob luz de velas e do luar invadindo uma abertura no teto do calabouço.

Ela logo se prostrou sobre a madeira do leito em que se estava o jovem, agora com dezessete anos, e ao notar que havia despertado, o observou com um sorriso de cinismo sutil.

— Boa noite, dorminhoco… como está meu garotinho hoje, uh?

Seus dedos tocaram o peito masculino e Hansel tremeu nisso. Mas, para piorar a sua situação, não pôde mover-se ou escapar de onde estava, pois tinha todos seus membros bem amarrados e sua boca amordaçada. E não apenas isso, ainda se encontrava seminu, com apenas a parte abaixo de sua magra cintura coberta por um manto.

Ela iria torturá-lo, ele tinha certeza disso, pois é algo que a bruxa já vem fazendo com os gêmeos desde que revelou sua verdadeira face, há exatos cinco anos.

— É claro que está, afinal tornou-se um homem feito agora. Pronto para entregar-se à mim…

— Não dê ouvido à ela, Hansel! Não deixe ela fazer sua cabeça.. Não deixe!

Gritou Gretel, presa em uma saleta escura e minúscula com grades do outro lado do recinto, por correntes. Ao alertar o irmão tentou bater furiosamente contra as grades, mas no fim sua luta era sempre inútil. Estava mais fraca, pois não comia há dias desde que a bruxa a colocou ali. Mas sua voz, mesmo ruidosa, era voraz.

— Essa garota é mesmo fogo! – Brincou a mulher, rindo da situação da mais nova. – Paciência, Gretel. Sua vez chegará logo… Muito em breve.

Sem atender aos suplícios da garota, a mão de ébano continuou a percorrer com o dedo suavemente sobre o peitoral nu e alvo do garoto, e deslizou com suavidade até chegar por debaixo do manto que o cobria. Hansel arfou alto, sentindo um frio na espinha que lhe percorreu até o âmago.

— Deixe se levar, querido, deixe se levar…

Hansel bem que tentou resistir, pois a irmã continuava a implorar e implorar, mas era inevitável. O perfume sedutor, a imagem formosa e esbelta de uma mulher bela e madura sob o tecido fino de seda que ela vestia e o toque aveludado faziam dele uma presa indefesa sob as garras de sua predadora cruel, incapaz de evitar seu fim iminente.

— Isso… – Sibilou ela exibindo enfim o sorriso vitorioso ao sentir um certo volume se formando entre os dedos. – Finalmente está pronto.

— Hansel… não!!!

Nyx se afastou por alguns instantes e virou-se de costas para tratar de colher algo na mesinha ao lado entre as ferramentas que usava para torturá-los.

Por sua vez, Hansel não entendia o que estava acontecendo com seu corpo, muito embora ela já tenha tentado fazer tal ato outras vezes. Nyx uma vez explicou que seu corpo reagiria dessa forma porque só se alcança a divindade quando se está refém do prazer. Mas seu corpo precisava estar no auge da maturidade e por isso que agora, aos dezoito anos, era o momento perfeito para cumprir com seu objetivo.

— Não se preocupe, querido, eu ainda terminarei com isso. Só estou preparando a melhor parte…

— O que… o que vai fazer comigo?

Questionou ele, ao conseguir desfazer da mordaça entre os lábios.

— O que está predestinado a ser, Hansel. – Virou para ele e aproximando-se novamente, acariciou a têmpora com suavidade. – Desde que o vi pela primeira vez, eu vi em você algo especial. Aliás, os dois… Os dois são perfeitos para o que eu venho preparando há séculos. Alegrem-se, pois os dois serão parte de algo grandioso e esplêndido.

O olhos negros chegaram a brilhar como o brilho cintilante de estrelas ao proferir tais palavras, logo ela uma deusa da noite. Nyx então retirou o tecido que cobria seu exuberante corpo e subiu no leito, montando sobre o de Hansel.

— Não! Saia de cima dele.. agora, sua vadia!!!!

Bravejou a garota, esperneando contras as grades como uma fera selvagem.

— Você está aprendendo isso comigo, Gretel? Que conveniente… Mas tenho que admitir. Eu sou mesmo uma vadia.

Mais uma vez riu com zombando da menina e começou a mover os quadris sobre os de Hansel, unindo suas intimidades. O garoto, sem ter como escapar daquilo, deixou escapar um gemido e os olhos reviraram. Foi nesse mesmo tempo que Nyx exibiu um bisturi entre os dedos não demorando a enfiar com a ponta da lâmina na altura do peito esquerdo de Hansel, rasgando a sua pele.

— ARRGHHH!!!! – Hansel urrou e contorceu-se com a dor.

— HANSEEEL!!!!!

Chorando, a gêmea bateu com toda sua força – ou pelo menos o que lhe restava – a grade que a prendia.

A bruxa da noite continuou cortando a pele apesar dos protestos tanto de Hansel quanto de Gretel, fazendo um certo caminho enquanto recitava algumas palavras em um dialeto desconhecido, como um cântico ritualístico. Só parou de cortar quando se completou um pentagrama na pele do rapaz. Por fim, jogando o bisturi longe, ela pousou a palma da mão sobre o símbolo e, quando seus olhos ficaram totalmente negros, recitou:

— Venha à mim, meu amado irmão! Deus da escuridão e do caos, a quem compartilho o sangue e uma vez o ventre... Deixe-me perecer sob seus braços e em vosso falo. Junte-se a mim sobre a Terra e sobre os homens e faremos deste mundo nosso novo lar!

— GRETEL!!! ARRGHH!!!

Ele gritou o nome de sua irmã por tamanha dor. Não conseguia impedir, mas se perguntou o que estava acontecendo com ele naquele momento em que, conforme Nyx recitava, uma luz branca intensa começou a surgir entre a pele de seu peito e a mão dela. Isso porque Nyx encravou a mão contra o corte, perfurando a carne e os órgãos de Hansel sem muita dificuldade até alcançar o coração dele. E uma vez tomando o seu órgão vital, ela o arrancou de uma só vez.

— ….!!!!

O corpo de Hansel arqueou-se em espasmo por reflexo ao mesmo tempo que relâmpagos trovejaram o céu, mas fraquejou segundos depois no falecimento total de sua vida, que se esvaiu num súbito.

— NÃAAO HANSEL, NÃAAOO!!!

A gêmea berrou em desespero, esticando um dos braços por entre as grades tão derrotada por conta dos prantos. Mas jamais poderia esperar que, à medida que debateu-se enfurecidamente, uma das barras se rompeu, criando uma passagem para a garota.

Nyx não ouviu o estilhaçar do metal, pois naquele momento gargalhava alto sentindo-se tão triunfante tendo o seu troféu ainda inchado, sangrento e pulsante em mãos.

— Venha, meu amor, me faça tua!

Com a mão livre, ela segurou o queixo do cadáver de Hansel que, no instante seguinte, teve seus olhos despertos novamente como se tivesse recuperado a vida. No entanto, não eram daquele azul cristalino que possuía, e sim agora eram tão negros quanto os da deusa que o assassinou.

— Ah sim, meu amado Erebus… quantas saudades senti...

Nyx se vangloriou de seu feito, sorrindo com toda perversidade e emoção em ver o conhecido semblante rígido de Erebus, o deus do caos que era seu irmão como também seu amado. Não, não era Hansel e sim a personificação de um deus tão frígido e feroz que não teve dificuldades em quebrar as amarras em seus pulsos.

Com isso, a entidade foi ávida em tomar os quadris de Nyx e forçar a intimidades em atos libidinosos e sexuais assim como a natureza deles exigiam – ou melhor, necessitavam.

— Ohhh, issooo! Isso!

Nyx curvou com o corpo derrotada pela força descomunal da lascívia da entidade que possuía Hansel, porém, enquanto isso acontecia, Gretel havia se empurrado mais uma vez contra a barra da grade fazendo ela se quebrar completamente, conseguindo assim a tão desejada passagem para fora da prisão. Sendo tão esguia, não precisou mais do uma barra para soltar-se de vez. E, uma vez em liberdade, ela agarrou a barra enquanto tentava se colocar de pé.

Foi então que ela avançou para cima de Nyx, direcionando a ponta afiada do ferro contra suas costas, que atravessou sem dificuldade o corpo da bruxa.

— AAARRGGHH!!!!

Nyx urrou diabolicamente.

— Eu disse… para sair de cima… do meu irmãozinho sua vadiaaa!!!

Gretel enfiou a barra um pouco mais e girou com força fazendo a mulher se agonizar enquanto sua pele entrava numa espécie de combustão ao redor da ferida. Então se descobriu a partir daquele momento que o ferro, em seu estado puro, era a maior fraqueza da deusa.

Gretel sorriu vencedora ao descobrir esse fato, então teve a vantagem podendo puxá-la pelos cabelos, a fazendo descer de cima de Hansel. Por sinal, o coração do gêmeo que até então estava nas mãos da deusa, acabou escapando e rolando para algum canto do calabouço, mas nesse intento, o que apenas importava para Gretel era salvar seu irmão das garras daquela mulher diabólica.

— Sua pirralha maldita!!!! Irá pagar caro por isso!

Nyx, apesar da dificuldade e dar puta dor que era acometida, conseguiu formentar uma manobra e golpear o rosto de Gretel, fazendo a menina vacilar, caindo nocauteada no chão. Vantagem que fez a bruxa dirigir algumas palavras na direção de Hansel naquele dialeto desconhecido.

Hansel, ainda possuído por Erebus, que já tinha se erguido do leito, pegou a menina pelo pescoço como um maníaco sádico e cruel, enforcou-na tão forte como toda a força de seu poder que parecia que iria quebrá-la sem dificuldade nenhuma.

— Não… por favor, Han-Hansel!!! Arrgh.. Arghhh… sou eu! G-Gretel! Sua irmãzinha-aaargh!!

— Isso é inútil, Gretel… Hansel agora está morto. Diga olá para Erebus, aquele que junto a mim dominaremos o mundo!

A risada de Nyx atiçou a descrença na garota, acreditando piamente que havia perdido a luta. Pior, perdido seu irmãozinho... Mas Gretel, por mais que não quisesse desistir, foi impossível não chorar. E as lágrimas caíram sobre a pele de seu gêmeo e no instinto da ligação geminiana, que sempre foi inquebrável, como um último apelo à esperança.

— Sinto… sinto tanto Hansel!

Os olhos da loira já reviravam em seus últimos suspiros quando o improvável aconteceu.

— Gre.. Gretel…?!

A voz demoníaca de Hansel sibilou em tom inofensivo e afrouxou a força de suas mãos. Estaria ele recobrando a consciência?

A garota sentiu certo alívio na garganta, o que a fez recobrar o ar que lhe faltou.

— Oh sim!! Sou eu, meu irmãozinho!!!

Gretel sorriu e levou as mãos ao rosto do irmão, toque este que instantaneamente desfez do semblante obscuro e as orbes negras de Hansel, retomando sua verdadeira consciência.

— Não… isso é impossível! – A bruxa arregalou incrédula. O garoto soltou a irmã, que vacilou caindo enfraquecida. Ele, no entanto, foi ágil em conduzi-la a deitar-se sem se machucar. — Não podem evitar o inevitável, você está morto! Você agora é o deus do caos!!!

Hansel se virou agora para Nyx com um olhar terrivelmente fulminante. Seus orbes voltaram a ficar negros, porém ele não era mais Erebus, ou pelo menos não somente ele. Uma conjunção dos dois espíritos, pois Hansel de alguma forma conseguiu controlar o breu e os cultos que o envolvia, e foram eles que deram-lhe vantagem para agir rapidamente ao empurrar a barra de ferro, cravado na bruxa agora completamente. O metal atravessou tanto entre os seios que perfurou o coração da bruxa. O ponto exato para sua enfim derrota, com seu corpo entrando em completo estado de combustão espontânea até virar fuligem e pó.

Hansel desabou no chão desacordado no instante seguinte.

— Hansel!! – A irmã, ferida e derrotada, ainda no chão, se rastejou até o corpo desnudo de seu gêmeo e o trouxe para perto, tentando reanimá-lo. — Por favor, que não esteja morto irmãozinho, por favor…

Por muito tempo Gretel acreditou que tinha sim perdido seu irmão de vez, mas por momentos seguintes a fuligem do que restou de Nyx se fez em forma de uma penumbra entre ventania que arrastou-se pelo calabouço, dando forma a uma sombra ameaçadora.

Porém, só se fez em palavras:

“Um dia voltarei e vocês ainda sucumbirão ao meu poder… pois assim como a noite, eu sou inevitável”

A tenebrosa voz se dissipou junto com a sombra e dispararam contra a garota que, no mesmo instante, teve seus olhos sendo preenchidos por um branco intensamente vivo. Gretel foi arrebatada por inúmeras visões do que mais tarde ela veio a julgar serem do futuro.

Mas agora sabia quem eram ela e seu irmão verdadeiramente, apesar de ainda não entender como isso aconteceu. Apenas entendeu que deveria tocar o peito ferido de seu irmão, onde uma luz branca emergiu entre as linhas do pentagrama.

Foi nesse momento que Hansel despertou, o verdadeiro Hansel. Ele estava vivo, apesar do rapaz alegar que desde então nunca mais voltou a respirar como habitualmente os mortais faziam. Como ele estava vivo, não havia uma explicação exata, mas de qualquer forma, naquele momento, Gretel suspirou em alívio não perdendo tempo em abraçá-lo com toda força de vossos sofrimentos.

— Gretel…

— Oh Hansel, meu irmãozinho! Que bom que está bem…

— Não… me desculpe por ter feito aquilo com você, eu não…

—Shhhhh…Não precisa dizer nada, você está vivo… acabou… Finalmente aquele monstro foi embora, essa porcaria toda acabou!

Sim, acabou…

por enquanto.

Ainda assim, os gêmeos ganharam suas liberdades e agora puderam recomeçar suas vidas. Infelizmente nunca encontraram o caminho da casa em que viveram com seus pais, mas usaram desta na qual viveram os últimos cinco anos para procurar por respostas e encontrarem a verdade sobre o passado de sua família.





Fim...?


29 de Junho de 2022 às 20:33 0 Denunciar Insira Seguir história
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