I
Igor de Aguiar


Um garoto solitário e muito talentoso muda-se com sua mãe para o interior da Itália. Contudo, algo terrível e misterioso começa a acontecer com os cidadãos dessa cidade.


Conto Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#thriller #terror #mistério #378 #256
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Início

A noite estava tranquila e seca. Tudo parecia normal. Tudo em seu lugar correto. Já na pequena cidade chamada Viola, uma única lâmpada sempre ficava acesa, a do quarto do Guilherme! Ele era uma criança excepcional, mas faltava muita aula. Sua madrasta, Verena, não dizia o motivo, embora aparentasse ser exigente.

Guilherme não tinha muitos amigos. Quando ia às aulas, sempre estava com uma aparência cansada e com o cabelo bagunçado. Seus cabelos eram grandes, negros e cacheados. Sua pele era muito pálida e ele tinha apenas nove anos.

Estranhamente, o quarto dele sempre ficava aceso todas às 21:00 e era desligado às 09:00. Mais estranho ainda era uma luz violeta que faiscava de forma aleatória quando a lâmpada era desligada.

Guilherme tinha um talento raro, era pintor, e já tinha ganhado alguns prêmios. Era conhecido por seus quadros serem tão realistas. As pinturas pareciam olhar para você e algumas até dava uma impressão de movimento.

Outro fator curioso acerca dessa família era a de que em alguns dias a rua da casa de Verena ficava lotada de carros. E todas elas esperavam na fila para entrar. Ninguém sabia o que acontecia, mas Verena falava aos vizinhos de que ela era uma vidente muito famosa. Porém, isso não deixava todas as pessoas convencidas.

As pessoas ficavam com um olhar desconfiado, analítico ou assustado. Mas quando viam que se tratava de uma criança, ficavam com os olhos maravilhados. Pensavam que ali teriam um artista dos grandes. E logo compravam a obra. Ele assinava como G9. Várias outras representações artísticas estavam presentes no local. Música, dança, escrita.

Parte II

A feira artística teria a duração de três dias. A comunidade e os turistas consumiam tudo o que viam, porque era uma feira que só acontecia uma vez ao ano. Além disso, tinha um espaço muito disputado, visto que novas gerações de artistas sempre saiam de lá. Como sempre, o terceiro dia foi o mais disputado e com mais novidades. As obras secavam nas prateleiras. Era como se o mercado tivesse sido devastado. Mas não era à toa, certamente tudo tinha uma qualidade fora de série.

No terceiro dia, já no final da feira, uma mulher chamada Isabel, se interessou pelas artes de Guilherme. Era uma mulher alta, olhos negros e de fisionomia séria. Ela parecia àquelas mulheres da polícia secreta.

E lá estava Guilherme, com seus quadros e com muitas pessoas o observando. Alguns eram assustadoramente sanguinários, o que era estranho para uma criança desenvolver, mas as pessoas claramente focaram em suas habilidades. Isabel elogiou:

— Que incrível a forma como uma criança consegue desenvolver algo tão complexo e obscuro.

— Sim, e ele nem completou os seus dez anos, exclamou Verena.

Um quadro em particular chamou a atenção da investigadora. Um que faltava terminar. Então ela ficou lá, observando, curiosa. Chegou até a se arrepiar. E perguntou a Verena:

— Por que essa mancha branca em cima de uma pintura já feita?

— Esse é um quadro que ele ainda vai terminar. Não era para estar aqui, mas o Guilherme insistiu.

Isabel acenou positivamente com a cabeça e foi observar outras obras. Mas notou um olhar meio de banda e diabólico de longe, era da Verena. Fingiu que não percebeu nada e continuou a olhar os outros quadros.

Isabel era da polícia investigativa. Sempre é chamada para resolver casos em que a polícia comum não conseguia solucionar.

Parte III

Algumas cidades próximas à Viola estavam com muitos crimes hediondos sem solução e num curto espaço de tempo. A linha investigativa apontava para um possível serial killer.

Porém, nenhum vestígio era achado para prender o assassino.

Contudo, alguns padrões foram identificados. E a nova chefe do caso estava diante de um crime onde os padrões do real teriam de ser quebrados. Uma afronta à lógica.

A feira estava próxima do horário de término. Até que...

Um homem misterioso, de camisa roxa, chamado Natan, falou à Verena:

— Este quadro é interessante. Quer me vender?

— Ele não está completo. Já estou tirando ele da amostra.

— Sei o motivo. Não se preocupe. Não vou contar a ninguém. Por enquanto.

Verena arregalou os olhos, e disse:

— Não sei do que o senhor está falando. Pegou o quadro e o cobriu com um pano de veludo roxo escuro.

— Venha ver esses outros quadros.

O Guilherme usa tintas de uma forma diferente, para dar mais sentido à pintura, dar mais vida e significado. Às vezes ele pede que o comprador deixe a sua própria marca, o seu próprio vestígio na tinta.

Natan com desconfiança no olhar, disse:

— Interessante. Gostaria de ter contato com vocês. Sou um organizador de eventos artísticos.

Verena foi até Guilherme, falou algo no ouvido dele, e voltou.

— Tome aqui esse cartão. Tem os nossos dados.

Natan sorriu forçosamente. Ele sabia que os dados do cartão eram falsos.

— Obrigado. Manterei contato.

E ele foi embora lentamente com uma feição séria e concentrada.

Parte IV

Regina era uma mulher que não se dava bem com o marido, mas continuava com ele, pois a sua herança era irrecusável, porém ela estava a mais ansiosa do que o normal. Foi aí que a sua amiga insinuou uma forma de se livrar do marido. A amiga disse:

— Tome esse pequeno frasco transparente e coloque o suor do seu marido.

— Amiga, confiarei em você. Quanto custa?

— Seis mil euros.

E tudo foi feito conforme o combinado entre elas.

Seu marido foi encontrado morto. Seus amigos disseram que ele teve uma conduta estranha, saiu sem avisar do expediente, e foi localizado enforcado no banheiro do trabalho.

Não havia motivos para que isso tivesse acontecido. O esposo de Regina era cético, centrado, trabalhador. O estranho é que o número de suicídio e assassinato naquela cidade tinha aumentado consideravelmente no último ano. E uma equipe de investigadores já estava em atuação.

Úrsula queria vingança para com um irmão que a fez mal durante a sua infância. Por coincidência, achou nos classificados meios alternativos para vingar-se do seu passado sombrio. Estava escrito no jornal: traga seus problemas, resolveremos em 100% dos casos. Úrsula sorriu, ignorando. Mas como não tinha nada a perder, exceto dinheiro, que era algo que lhe sobrava, então entrou em contato. Seu irmão foi encontrado degolado em 9 horas após o pagamento.

Luís tinha ciúmes da sua esposa. Como já não aguentava mais o caos macabro que sequestrava a sua mente, resolveu ir atrás de recursos para dar fim a sua tempestuosa virulência. Sua esposa foi encontrada morta. Aparentemente mais um caso de suicídio. Nenhum vestígio.

Alfredo não gostava de seu colega de trabalho. Isso fez com que ele pensasse coisas absurdas de como se livrar do seu colega. Conheceu um anúncio que dizia com conquistar coisas de forma espiritual. Tudo dentro de um sigilo absoluto. São aquelas páginas de jornal que ninguém presta atenção. Alfredo quis tentar. Seu amigo foi encontrado morto enforcado no banheiro após churrasco festivo do trabalho.

Parte V

Uma investigadora forense estava realmente impelida de cuidar desses casos. O mais chocante para ela era o fato de que os cortes estivessem sendo feitos por uma guilhotina, sendo que não havia vestígios desse material nos locais dos crimes, o que postergava, arbitrariamente, qualquer suspeito.

— Não é possível, nenhum rastro de uma segunda pegada, falou Isabel, a investigadora, para um de seus ajudantes.

— Será que esse entrará para a lista dos arquivados? Não temos qualquer prova.

— Esperamos mais um pouco.

As folhas das árvores inundavam a Praça do Centro onde estava havendo uma exposição artística.

Em sua residência, Natan continuou a digitar e a pesquisar um trabalho que fora contratado. Ele não era um investigador formal. Ele investigava fora da caixa, do ponto de vista hermético e oculto. Seus pais, que eram de uma religião celta já extinta, ensinaram coisas que normalmente são descartadas pela humanidade por não saber como as controlar.

Isabel não acreditava em coisas ocultas. Tudo podia ser explicado com o raciocínio lógico.

Mas toda a vez que se lembrava daquela exposição artística sentia calafrios, maus pensamentos e curiosidade. Ninguém podia negar a expressão sombria daquela criança. Sombria e cheia de “porém” era a Verena, mulher falsa e calculista. O que fez Isabel, contrariando suas ideias, investigá-los.

Natan costumava fazer anúncios em jornais quando passava por determinadas cidades. Anúncios sobre como entender o lado oculto das coisas. E era exatamente isso que procurava Isabel. Uma busca por soluções nada convencionais.

Anoiteceu.

Ao telefone, Isabel disse:

— Quero contratar o seu serviço, mas precisamos trabalhar juntos.

— Qual é o seu nome?

— Isabel.

— Isabel! Prazer, o meu nome é Natan.

Natan percebia a voz trêmula e angustiada.

Combinaram de investigar.

Final

“Quando você coloca ordem, o caos começa a agir. É uma dança confusa, que cultua o confundir.”

Toda a casa estava com as luzes apagadas, quando a polícia entrou. Mas atenção absoluta estava no ar. Embora só existissem Verena e seu filho Guilherme, a casa era muito grande. A polícia logo viu que tinha sangue por todos os lados. E a tensão só aumentava, porque eles não sabiam o que iam encontrar. Todos prestem bastante atenção - gritou Isabel.

Sabia-se que existiam muitos convidados na casa. Por causa da longa fila de carros. Enquanto eles tentavam procurar Verena em seu filho, nenhum barulho era escutado. Nenhum sinal deles. E isso deixaria o clima ainda mais obscuro, ainda mais aterrorizante. Até que, finalmente, alguns policiais encontraram os corpos completamente sem cabeças. Era um cenário horrível, traumatizante, nefasto. E o pior ainda estava por vir.

Escutam-se passos. A polícia começa a procurar no andar de cima. Lentamente, um policial começa a andar em um quarto que parecia ser de uma criança. O quarto está com a luz apagada, porém, um brilho intenso saía de uma espécie de quadro de pintura. Cintilava a cor violeta por toda a extremidade do quadro. Curioso, o policial gritou: encontrei alguma coisa. Era uma pintura de pessoas sendo degoladas numa espécie de revolução à francesa. O mais estranho é que a pintura se movia. Eram nove homens olhando fixamente. Parecia uma a tela de uma televisão de tão realístico.

O policial esfregou os olhos várias vezes para ver se aquilo que estava vendo era real.

Perto do quadro estava escrito o nome dos policiais e um pedaço de lenços pertencente a eles.

Então, subitamente...

Os homens da pintura começaram a olhá-lo. Ele viu que todos os policiais estavam com os seus panos nos nomes, mas o pano do nome dele não estava lá. Viu também que tinha um pano colado no quadro. Deu meia noite e ele começou a sentir uma pressão muito forte no pescoço. Uma pressão tão forte que ele não conseguia falar. E logo desmaiou.

Isabel encontra Verena tentando fugir. Verena percebe que não vai conseguir fugir. Então, com uma faca, vai para cima de Isabel gritando. Isabel deu três disparos. Encontrei o garoto, encontrei o garoto, disse um policial. Ele estava deitado no chão ao lado de um policial que estava degolado.

Guilherme fingia estar desmaiado, nos braços de Isabel. Fingia, pois era possível ver o seu sorriso diabólico nos cantos da boca. Mais diabólico que sua expressão estava à casa de tantas cabeças degoladas. Parecia que tinha sido engolida por um mar de sangue. Então, ele é levado nos braços de Isabel com o seu misterioso quadro.

Natan esperava, com um inestimável sorriso no rosto, o garoto e o seu estranho quadro.

24 de Junho de 2022 às 23:32 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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