almir-ra Almir Ribeiro De Almeida

Um homem decidido a dar fim em sua vida tem um encontro inesperado no alto de um prédio.


Conto Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#sobrenatural #fantasia #morte #conto #378 #239 #236 #256 #245 #310
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Nas alturas

Nas alturas

Por: Almir Ribeiro de Almeida

  • Será que é assim que ele vê o mundo, tão pequeno e frágil?

Pensa Marcos, de pé na mureta de uns dos edifícios do centro de São Paulo.

Reparando como tudo era minúsculo daquele ponto de vista.

Minúsculo, frágil, inútil, feio...do jeito que aqueles malditos faziam ele se sentir com suas piadinhas que nunca acabavam, seus olhares de nojo e desafios idiotas de provação.

  • Hoje isso acaba. - Ele fala para si mesmo como se estivesse buscando coragem.

“Mas como? “

“Pular de cabeça?”

“Um passo para frente rumo ao além?”

A dúvida sua maior inimiga ataca de novo, nem nessa hora Marcos deixa sua maldita indecisão de lado.

De costa?... De frente?... Olhos abertos?... fechados?...vamos para com isso e descer!... Não, continue!!!

Coloca a mão na cabeça meio zonzo , fecha os olhos e respira fundo buscando se controlar.

  • Oooh! cara se vai pular anda logo!

Marcos quase caí para trás, surpreso com a figura encostada na mureta.

Era um homem negro não muito alto de moletom largo preto com capuz e calça jeans, bebia uma long neck de cerveja e olhando para um pequeno pássaro verde.

  • Quem é você? Vai embora e me deixe em paz!

Marcos berrou de raiva, algo fora da sua natureza.

O pássaro pia algumas vezes para o homem e sai voando. O homem o acompanhou com olhos até ele sumir de vista.

  • Eu... Só alguém, tentando aproveitar a hora de descanso…

Da uma golada.

  • Enquanto alguns idiotas com você tentam atrapalhar.

O homem vira para Marcos com um sorriso sarcástico.

  • O que? Atrapalhar? Você nem estava aqui quando cheguei. - Marcos esbraveja
  • Hum… é isso que você pensa...
  • Quer uma ? - o homem fala isso estendendo uma garrafa.

Marcos senta na mureta e pega a bebida.

  • Porque não, vou me matar mesmo. Isso vai me dar mais coragem.

Dá uma golada, não parecia cerveja ou qualquer coisa não era doce nem amarga, mas tinha um gosto único perto do final

  • O que é isso? Não é nenhuma droga?

Porque estava preocupando com isso ele vai se matar mesmo.

O homem parece meio avoado olhando para o nada.

  • Hã!? Desculpa cara, tava só finalizando um trampo. Mas qual era a pergunta mesmo?
  • Isso é algum tipo de droga? - Marcos fala pausadamente e mais sério.
  • Isso depende, algumas pessoas acham que sim, outras que não e outras diriam que só falta foco.
  • Mas porque a preocupação Marcos você vai se matar, logo mais - o homem sorri com o canto da boca.
  • Como...como você sabe o meu nome.

A voz de Marcos era um misto de surpresa e raiva.

  • Eu sabia, eles mandaram você aqui, para me humilhar mais uma vez. Mas essa é a última!!!

Ele fica de pé na mureta novamente, olha para baixo, para as pessoas como pequenas formigas. Sente suas pernas tremendo e seu corpo travado.

  • Vou...vou me jogar agora!

O homem olha para Marcos e dá de ombros.

  • Por mim... não faz diferença, só vai logo. Porra!

O homem olha para os lados e para cima como quem procura por alguém, sua expressão muda levemente.

  • Droga...não tem nenhum deles por perto vou ter eu mesmo que levar...Então vai logo!

Marcos se assusta e quase cai com o grito, se equilibra com esforço e se agacha cravando as unhas na mureta, os olhos esbugalhados, coração acelerado.

  • Quem é você ?! Porra! E por que quer tanto que eu me mate!

Saiu totalmente de seu normal pela primeira vez na vida, pela primeira vez Marcos foi ele mesmo. O homem vendo Marcos igual a um animal irritado gritando, ri de leve tanto mais uma golada fazendo sinal para que ele espere e se acalme.

Estranhamente a raiva de Marcos diminuía conforme aquele homem gesticulava, sua reação foi sentar no chão de costas com a mureta e olhar curioso, o homem caminhava na direção dele.

  • Primeiro meu caro quem quer se matar aqui é você. Eu só quero terminar a minha pausa em paz.

A voz calma do homem era quase hipnotizante. Marcos olha para cima mas não consegui ver com nitidez o rosto por debaixo do capuz só os olhos totalmente brancos quase luminescente.

O terror começa a tomar conta de seu ser, a boca se abre para um grito mas nada sai.

Correr…

Se jogar…

Ir pra cima…

Você é louco…

O que ele é?...

É a culpa da bebida ou minha mente já era?... A cabeça zonza novamente.

- Maldita nem numa hora como essa, isso para! - Marcos pensa.

Sua reação foi se encolher contra a mureta e fechar os olhos, ficou assim por alguns segundos ou será que foram horas, ele não sabia mas o medo do desconhecido causa isso.

Quando criou coragem e abriu os olhos viu o brilho da garrafa na frente de seu rosto, o homem a balançou de leve.

  • Então Marcos, termine sua garrafa e vamos acabar isso.

O sorriso branco daquele homem era tranquilizador e assustador ao mesmo tempo.

A mão de Marcos tremia, indo na direção da garrafa e continuou tremendo quando a pegou.

  • Q...que...quem é você? - Levando a garrafa à boca.

O líquido dessa vez parecia mais amargo, denso e até embriagante, sua vontade era cuspir aquela coisa mas o medo o fez engolir e como se a bebida o desse coragem se levantando.

  • E que porra é essa que eu bebi?

Sem perceber ele deu mais uma golada na garrafa, desta vez o líquido era mais leve e doce. Marcos se espanta por um segundo ao sentir o sabor, enquanto observa aquela figura de capuz à sua frente.

  • Você é inteligente, Marcos já deve saber quem eu sou e o que está bebendo.- o homem sorri novamente.
  • Acho que sim, mas é difícil de acreditar - A voz de Marcos soa firme e clara como nunca.
  • Então você é a…
  • O!..E Sim - o homem interrompe Marcos, andando de um lado para o outro como um general. - O avatar na verdade. Cada um me vê de um jeito, mas eu gosto desta forma.
  • E esse líquido é a minha…
  • Sim! - interrompe de novo - aposto que você achava que não tinha gosto de nada - Ele ri.
  • E você está aqui para me levar?
  • Não cara, você não me ouviu. Eu estou na minha pausa, você foi um acaso igual aquele pássaro...- o homem para por um segundo - Putz! O pássaro, se algum emplumado chegar antes lá, vai dar outra confusão e outro apocalipse fora de hora.
  • Apocalipse? - Marcos indagou
  • Não pense nisso, meu caro é muita coisa para absorver e eu não tenho tempo.
  • Vamos fazer o seguinte Marcos, vou deixar essa garrafa com você enquanto eu vou resolver meus assuntos.

O homem coloca a long neck em cima da mureta.

  • Você pode virar de uma vez, beber aos poucos, quebra-lá no chão… tanto faz pra mim. - Fala isso dando um largo sorriso no final.

Marcos agora não consegui ver os sinistros olhos brancos por causa do capuz, o que não diminuía a tensão que aquele homem causava enquanto se afastava em direção a escadaria.

Marcos viu aquela figura sumir nas trevas antes mesmo de atravessar a porta de saída, se voltou na direção da garrafa.

  • Ah! E ele gosta de ver o mundo de frente...

A voz chega como sussurro no pé do ouvido de Marcos, que virá de uma vez quase caindo do alto do prédio se vendo ainda de pé na mureta. Ofegante e assustado ele desce olhando em volta, não havia ninguém ali.

Alguns metros em cima da mureta ele percebeu uma garrafa long neck ainda meio fosca de gelada, Marcos respira fundo e caminha até ela.

  • Hoje isso acaba.

Ele fala com toda a confiança para si próprio, mas no fundo de sua mente uma voz quase desaparecendo o responde.

  • Ou só fique por...
25 de Junho de 2022 às 15:33 2 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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Siph Ferreira Siph Ferreira
Adoro esse conto, ele é sensacional.
July 03, 2022, 22:31

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