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João Paulo Oliveira Goulart


O conto faz uma descrição sobre o acordar e o adormecer de um indivíduo em que o narrador o questiona sobre o real e o engano que o personagem vive.


Conto Impróprio para crianças menores de 13 anos.
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O engano

Às vezes ele se engana, engana seu corpo, sua alma, reprimindo todos os seus sentimentos que para o mesmo são indesejáveis. Faz escolhas com base em achar que sabe escolher, mas às vezes mesmo não sabendo ele escolhe. Não é de se esperar que ele tenha sono depois de um longo dia de trabalho, mas mesmo assim ludibria seu corpo em troca de ganhar mais horas acordado, simplesmente porque necessita. Sacia suas necessidades sacrificando outras. É pesaroso pensar nisto, mas quando estamos em uma relação em desenvolvimento e receamos ser rejeitados ou não sermos compreendidos nos torturamos, isto é uma forma de engano, afinal torturar pelo o que é incerto é asneira. O engano não nos define e sim como nos portamos frente a ele. Quando amanhece o dia a consciência volta juntamente com os conflitos não resolvidos do dia anterior, com os do dia atual, com as obrigações, com os desejos e os primeiros raios solares tênues que atravessam a janela resplandecendo os lençóis e travesseiros formados por uma candura tão alentadora. Nada parece se igualar a isto, ao ar vagaroso que entra e preenche todos os espaços do quarto e que enche os seus pulmões de vida, de oxigênio e lhe presenteia com coragem. Mais um dia – pensa. Lhe foi ensinado o que é acordar, então acorda, lhe foi ensinado a valorizar isto, então valoriza, mas uma súbita sanidade lhe toma, o relembrando dos seus problemas. Pronto, ele veste a roupagem que lhe foi lhe dada todos estes anos enquanto respira para começar o dia. Agora tem um propósito interminável, tentar resolver aquilo que lhe é incômodo: as críticas, os nãos, as vedações que lhe foram impostas, os tapas, as exclusões. Ficará o resto do dia absorto e só tomara consciência da vida quando acordar no dia seguinte, pois, sua mente estará vazia, mas logo será tomada pelos seus sentimentos tenebrosos e enigmáticos referentes ao seu passado, a sua infância, onde os seus traumas foram protagonistas e o modelaram este ser humano desnorteado e monocromático. Ainda conseguia ter consciência da vida ao acordar, mas logo suas magoas o dominariam, isto quando conseguia adormecer e não estava em vigília.

23 de Junho de 2022 às 23:41 0 Denunciar Insira Seguir história
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