melinapugnaloni Melina Pugnaloni

Nada como uma boa motivação. Diante de um diagnóstico de uma doença possivelmente fatal, uma mãe de quatro filhos, sendo um recém- nascido passa a buscar formas de completar a sua missão como mãe, mesmo no caso de já não estar presente na vida dos filhos. Esses textos são a forma que encontrei de deixar para eles algum conhecimento sobre que adquiri ao longo da minha vida. Meu papel como mãe me levou a fazer muitas perguntas e buscar respostas que , às vezes, não temos tempo de buscar. A doença criou uma corrida contra o tempo e, apesar dos pesares, aceitei participar. O tempo é o que temos de mais valioso. Sem tempo, nada mais importa. Diante da possível falta de tempo, resolvi organizar esses conselhos de mãe que espero os levem a uma vida feliz. E Quem sabe, mais alguém pode achar utilidade nessas palavras. Espero que lhes seja útil.


Auto Ajuda Todo o público.

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O que é mais importante?

Eu sempre me pego a pensar qual é a coisa mais importante a se dizer às pessoas.

Temos pouco tempo de dizer coisas às pessoas e a atenção delas também é limitada. Então, saber o que é mais importante ou mais útil a se dizer me parece algo absolutamente vital.

A primeira vez que pensei nisso foi quando descobri que estava com câncer. Com um filho recém nascido, e outros três com 15, 5 e 4 anos, passei a pensar muito nisso.

Afinal, eu já não sabia se teria todo o tempo do mundo para compartilhar com eles todas as coisas que eu havia aprendido ao longo da minha vida e que ansiava por lhes contar na hora certa.

Então passei a gastar imenso tempo a pensar o que era mais importante a lhes falar. Mas não só. Pois sendo tão pequenos, não seriam capazes de entender um tipo qualquer de mensagem. Eu queria descobrir quais as melhores palavras a lhes dizer, que lhes fossem compreensíveis ou assimiláveis mesmo sendo pequenos.

Enfim, uma tarefa quase impossível,mas eu sempre fui o tipo de pessoa que gosta de desafios.

Passei a pensar: e se só tivesse uma frase para dizer? Um último suspiro de vida. O que poderia dizer que lhes fosse realmente útil para os guiar durante a vida de felicidade que eu desejava para eles?

Sim, porque tudo o que os pais querem é a felicidade de seus filhos. É um sentimento tão corriqueiro que virou clichê e dize-lo parece quase bobo.

Mas era isso que eu queria.

Afinal, quando questionadas sobre o que desejam para os filhos, praticamente todas as mães darão essa resposta e , penso, que boa parte dos pais também.


Se ajudar meus filhos a serem felizes é o principal objetivo de uma mãe eu o transformei na minha missão.


Mas isso não significa colocar as crianças em uma bolha e fazermos todas as suas vontades. Até porque fazer a vontade é atender os desejos de alguém não implica em lhes prover felicidade. E às vezes é bem ao contrário.

Filho é filho até o fim da vida e de nada adianta lhes fazer as vontades agora se isso implicar em lhes fazer infelizes aos 20, 30 ou 50 anos. Inclusive quando já nao estaremos mais nessa Terra para lhes apoiar, aconselhar e acalentar.

Mães e pais precisam pensar no longuíssimo prazo.

Ter filhos e criá-los é um investimento que tem retornos imediatos, mas alguns só são sentidos ao final de décadas.


Então, resumi minha missão como sendo:


"Dar a eles imensas ferramentas para que possam tomar suas decisões ao longo da vida e serem felizes com essas decisões."


Quando recebi a notícia, nao sabia qual era a extensão da doença e levou mais de 40 dias para saber qual era o ponto de situação da minha saúde.


43 dias sem saber se teria 3 meses, 6 meses de vida ou se teria chance de viver mais alguns anos.

Sendo assim, Como eu talvez não teria muito tempo, passei a buscar pelo ensinamento mais importante. Qual seria a ferramenta mais importante que eu poderia lhes deixar, aquela que, de algum modo, favoreceria que encontrassem por si as outras ferramentas que eu não teria tempo de lhes dar.


Lembrei de ter aprendido isso na faculdade, sobre Aristóteles. Quando falava em um axioma , ou uma premissa principal, da qual todas as outras verdades poderiam ser deduzidas. Era isso que eu buscava.

E pensando na criação de um ser humano, passei a pensar o que nos é mais importante. (Parênteses para destacar o uso desse termo “criar” com relação aos filhos).


Questão difícil. Meu objetivo era ajudar meus filhos a serem felizes. Então busquei me colocar no lugar deles: crianças.

Crianças levam alguns anos para perceberem a própria existência. Quando dão por si, enquanto seres humanos viventes e autônomos, já experimentaram um milhão de sentimentos e experiências sem quelhes tenha sido dada a oportunidade de escolher. São totalmente dependentes e estão à mercê dos que os cercam. Não tem qualquer poder de decisão real e basicamente vivem uma realidade imposta pelos pais e por todos à sua volta.

Imagina que és uma criança que está a viver a sua vida inadvertidamente e de repente se dá conta de que está vivo e não sabe bem o que fazer com isso. É comum dizermos que a vida é um presente mas para que ela serve?


Eu nunca pensei nisso quando criança. Mas passei a imaginar o que eu poderia ter aprendido sobre a vida e que teria facilitado minhas escolhas ao longo do caminho.

O que me fez tomar as decisões erradas que tomei? Algumas tão estúpidas. Observando ou recordando as pessoas que já conheci também fiquei a tentar descobrir isso: o que falta a essas pessoas? Tantas decisões ruins que causam tanto sofrimento. A capacidade que temos de causar sofrimento a nós mesmos e aos que amamos é imensa. E por quê? Há imensos motivos e hoje em dia há tantos motivos já diagnosticados como enfermidades que todos os seres humanos minimamente conscientes dos próprios sentimentos percebem que tem algum tipo de trauma ou “gatilho” emocional.

Mas muito poderia ser evitado se tivéssemos melhores informações durante a infância e adolescência.


Porque imagina que ganha um presente, mas não sabe o que é e nem para o que serve. As chances de usar esse presente da melhor forma possível são poucas.

A vida é assim. Nos dão a vida, mas demora muito a nos apercebermos dela. Até então só existimos . Só a sentimos. Não a pensamos nem a controlamos. E a maior parte de nós chega na idade adulta sem nunca ter pensado : " mas pera aí. Para que isso serve? Por que estou vivo? Porque eu vivo?"


Eu demorei muito a pensar nisso e quando pensei me vi numa situação absurda que é não ter a menor ideia. Essa é a verdade. Os mais religiosos vão dizer que é a vontade de Deus ou de algo parecido. Isso deve ser reconfortante.Mas eu não consegui me reconfortar com isso apenas. Porque eu não estou falando da origem de toda a vida na Terra. Eu posso viver sem saber a origem da vida.

Mas como posso viver sem saber o motivo de eu viver? Não preciso saber quem inventou a televisão, ou o rádio, mas como posso usá-los sem saber para que servem?


Então me acometeu que o mais importante de tudo a dizer aos meus filhos era lhes dizer exatamente isso:


o propósito da vida deles.


Essa era a primeira resposta que eu procurava. O mais importante de tudo era lhes dizer o verdadeiro objetivo da existência deles.

A vida é um presente.Um presente que não pedimos. Mas é nossa e temos que fazer algo com ela. Como vamos saber o que fazer sem saber para que ela serve? Qual é o seu propósito?

Acordamos, levantamos, tomamos café, vamos para a escola ou para o trabalho, almoçamos, vemos TV, mexemos no celular, falamos com as outras pessoas, temos namorados, maridos esposas, filhos, compramos cas, carro, roupas, lemos um livro, vamos na praia, adotamos um cachorro, fazemos jardinagem , ufa… fazemos milhões de coisas. Mas qual o objetivo disso tudo?

O que motiva nossas ações e,mais importante,o que motiva nossas escolhas por tais ações? E essa é a segunda pergunta com qual me deparei.


Se o mais importante a ensinar aos meus filhos é qual o propósito da vida deles, qual é esse propósito?

A resposta da segunda pergunta está dentro de cada um de nós mas ela é única. Todos nós queremos o mesmo, apesar de aparentemente sermos tão diferentes. No fundo, todas as ações humanas tem o mesmo propósito. Pode parecer absurdo, pois tomamos decisões tão diferentes, mas o propósito é um só.

E essa resposta estava na minha própria missão como mãe.


Se minha missão é os auxiliar a serem felizes é porque o propósito da vida deles é ser feliz.


Sim, eu sei que parece ridículo e infantil mas essa é a verdade. É assim óbvio e portanto nada inovador. Já ouvimos isso inúmeras vezes, mas, de alguma forma, o propósito de nossa existência acaba sempre em segundo plano.


Ser feliz não é o mesmo que estar alegre.

Não tem como estarmos alegres o tempo todo. Mas é possível ser feliz o tempo todo. Ou quase.

A nova questão que surge é:


"O que é ser feliz?"




23 de Junho de 2022 às 21:36 0 Denunciar Insira Seguir história
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