antonio-stegues-batista Antonio Stegues Batista

Após o Apocalipse, sobreviventes tentam reconstruir a civilização com o que restou. Memórias perdidas e cacos em meio a cinzas.


Pós-apocalíptico Todo o público.
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CINZAS E CACOS

Cinzas e Cacos

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O irmão Aldair, o Obstinado, noviço da Ordem Monástica de Leonardo, instalou-se ao pé do Morro do Santo, para o seu retiro espiritual. Ali deveria permanecer a semana toda em solidão, para ler a ladainha de todos os santos e meditar durante a vigília vocacional. De alimento, apenas frutas secas e água.

Para proteger-se do vento, ele juntou algumas pedras e empilhou-as junto a parede da falésia. Ao retirar duas pedras de um monte, notou que a debaixo, despontando da areia, tinha um formato curioso. Embora estivesse semienterrada, dava para perceber que os entalhes pareciam formar uma imagem. Cavoucando com as mãos, descobriu finalmente o que era.

*****

Edward Teach, o Barba Negra, estava em sua cabine fazendo anotações no diário, quando notou o silencio anormal. Geralmente ouvia a voz dos tripulantes, os gritos do imediato dando ordens, o barulho das ondas batendo no casco do navio, o balanço da embarcação. Naquele momento não ouvia nada, nenhum som, nenhum movimento.

Largou a pena no tinteiro, fechou o livro e levantou-se. Saindo da cabine, não conseguiu ver o mar. O navio estava envolto por uma densa neblina. As velas estavam arriadas, os marinheiros imóveis e calados, se ouvissem o ruído das ondas batendo em rochas. teriam que agir depressa e desviar o navio.

Sted Bennet, o imediato, aproximou-se.

─ Não há vento. Não se enxerga nada. Parece que entramos num outro mundo.

─ Mande lançar âncora. Precisamos ficar parados até esse nevoeiro passar.

De repente soaram gritos na proa. Algo estranho emergiu diante deles. Parecia um monstro marinho. Uma forma escura, com água escorrendo pelos flancos. Os marinheiros recuaram, mas o capitão avançou, puxou a pistola do cinto e disparou.

O projetil resvalou provocando fagulhas no casco de metal, enquanto o facho potente de um farol, como um olho ciclópico, caia sobre o navio pirata.

*****

Esaú, o Pensativo, prefeito e delegado da cidade de Kariok, batia com a ponta dos dois indicadores, nas teclas da sua velha máquina de escrever Remington, recolhida dos escombros da Era Antiga e reconstruída por um ferreiro.

Tentava escrever um conto. Seu sonho era ser um escritor, profissão ainda não reconhecida pelo ministério da cultura. Queria incentivar as novas gerações a ter o prazer pela leitura, a gostar dos livros de ficção. Para a juventude atual, ler era um desperdício de tempo. Escrever uma história então, nem pensar. Na adolescência leu alguns livros antes do pai queimá-los por causa da proibição do governo, que pretendeu apagar todo vestígio da civilização antiga. Guardou as histórias na memória e quando ganhou aquela máquina ao se eleger, tentava escrever o que tinha lido. Terminada a época das superstições, da ignorância pós diluvianos, com a eleição de um presidente progressista, deu-se o início a uma nova Era. Desde os Tempos da Simplificação, os sobrenomes, nomes de família, não existiam mais. Ao nascer, a criança recebia um nome e na fase adulta, um apelido, de acordo com alguma característica física, ou de sua personalidade.

Esaú tentava escrever algo nem que fosse apenas parecido com as histórias que tinha lido. As memórias dispersas o ajudavam a formar algo coerente, mesmo que não fossem idênticos ao que tinha na lembrança.

Batidas na porta, interromperam o fluxo dos seus pensamentos.

─ Entra!

A porta se abriu e entrou Abner, o Prudente, secretário de gabinete do prefeito.

─ Senhor prefeito, o submergível Nautilus capturou um navio estrangeiro na baia. O capitão foi preso. A tenente Kenia mandou perguntar se o senhor quer interrogá-lo pessoalmente.

Esaú estava a ponto de dizer, não, mas resolveu dar uma pausa na sua arte da escrita. Como oficial de justiça, era obrigado a atender a ocorrência.

─ Sim, claro. Traga-o a minha presença.

Abner se retirou e logo em seguida entrou a tenente Kenia e quatro soldados espartanos escoltando o prisioneiro, um homem alto de barba negra e espessa adornada com pequenas tranças amarradas com fitas coloridas. Vestia um gibão de couro preto sobre uma camisa escura de punhos rendados, botas que iam até os joelhos. Tinha uma aparência selvagem, olhar frio, desafiante. Estava com as mãos amarradas às costas.

A tenente, num gesto brusco, fez com que ele e se sentasse. Esaú aprovou, não se deve ser delicado com prisioneiros.

─ Como se chama? De onde veio e por quê? - indagou o prefeito, sem cerimonias.

O homem respondeu num idioma estranho.

─ O que ele disse? Alguém entendeu?

─ Parece que é inglês – respondeu Abner.

O prefeito olhou para a tenente e os soldados.

─ Alguém entende inglês?

Depois de uma breve hesitação, um dos espartanos se apresentou.

─ Eu falo um pouco, excelência.

─ Pergunte a ele como se chama, de onde veio e porquê veio.

O soldado fez as perguntas e o prisioneiro deu as respostas.

─ O nome dele é Edward Teach, mais conhecido como Barba Negra. Disse que se perdeu com o navio num nevoeiro. Chegou à nossa cidade por acaso.

─ Por acaso, é? Chegou de onde? Diga a ele que se ele for um espião, será executado. Vamos meter medo nele para que fale a verdade.

O soldado fez as perguntas e recebeu as respostas.

─ Disse que tinha saqueado um navio cubano e se dirigia para Nova Providência quando entraram num nevoeiro e perderam o rumo.

─ Me lembro que li uma vez uma história de um grupo de homens que assaltavam navios. – disse o prefeito, olhando para Barba Negra ─ Mas não sei se os piratas existiram mesmo ou é apenas ficção. Alguém sabe? – diante do silencio, o prefeito concluiu; ─ Esse homem deve estar mentindo. Acho que devemos consultar a Máquina Analítica. Abner, avise o senhor Gerônimo, que faremos uma consulta.

─ Hoje não vai dar, senhor. Faltou carvão para a máquina.

O prefeito ficou indignado.

─ E por que não mandou buscar antes que faltasse?

─ Controlar a reserva de carvão, não é de minha responsabilidade, senhor. Eu soube ontem e mandei imediatamente buscar carvão nas minas. Vai demorara uns quatro dias para chegar.

─ Não dá para usar carvão de madeira?

─ A máquina só funciona com carvão mineral. É uma questão de química. Foi o que o senhor Gerônimo me explicou.

─ Bem, então vamos ter que esperar. Tranquem o prisioneiro no calabouço e quando a Máquina Analítica estiver em condições de nos ajudar nas investigações, retornaremos ao interrogatório. Enquanto isso, mantenham a tripulação confinada no navio.

Todos saíram e o prefeito voltou ao seu conto. Já tinha dado nome aos personagens, Sansão e Isolda, ele um barbeiro humilde, ela uma dama da corte. Eles se conheceram na feira (...).

Novamente, batidas na porta interromperam a criação literária. Esaú bufou, aborrecido. Estava a ponto de pedir demissão.

─ O que é, agora?

─ Vossa reverendíssima, Dom Pascoal, o Abençoado, prior do monastério de Leon, o Machado, deseja uma audiência com o senhor.

─ Manda vir semana que vem.

─ Tem que ser agora. Ele garante que é urgente, urgentíssimo.

Esaú ia soltar um palavrão, mas conteve-se.

─ Manda entrar.

Dom Pascoal entrou caminhando rápido, o manto cinzento esvoaçando ao seu redor.

─ Senhor prefeito! Senhor prefeito!

Esaú indicou a cadeira para o religioso, ofegante, sentar-se e acalmar-se. O conhecia de longa data e o considerava um chato. Só aparecia para pedir ajutório em dinheiro.

─ Aconteceu um milagre, senhor prefeito. Encontramos a cabeça.

─ Que cabeça?

─ A do Beato Leonardo.

─ Não era Leon?

─ Leonardo, o Leão, León, dá no mesmo! Aquela estátua em cima do morro que não tem cabeça.

─ Sempre pensei que fizeram ela sem cabeça. León não foi decapitado?

─ É o que diz os registros da época da Revolta dos Insatisfeito. Talvez um dos primeiros seguidores do Beato. Estivemos enganados, pensando que ele tivesse feito a estátua sem cabeça. Talvez no grande terremoto que temos notícia, a cabeça tenha caído. A cidade ficou destruída naquela ocasião e ninguém se interessou mais em colocar a cabeça na estátua, ou fazer uma igual ao rosto do beato. O povo perdeu a fé, como bem sabemos. Só aos poucos conseguimos reorganizar a comunidade religiosa. Acredito agora que, com a recuperação da cabeça do nosso Beato e sua verdadeira aparência, o povo terá mais fé e esperança para um mundo melhor. Senhor prefeito, precisamos recuperar a cabeça e coloca-la em seu devido lugar.

─ Imagino que é bem pesada. Não é mais fácil construir uma igual, lá mesmo, sobre os ombros da estátua?

─ Não! Queremos a original. Falei com o mestre-de-obras para saber se é possível e ele respondeu que, apesar de ser trabalhoso, é possível, sim, e se prontificou a fazer os cálculos das despesas e o planejamento da empreitada. Está tudo preparado. Só falta o principal.

─ Sei. Dinheiro da prefeitura.

Dom Pascoal sorriu ─ Dinheiro arrecadado dos impostos, deve voltar para o povo em forma de benefícios. Ou seja, devolvendo a cabeça ao seu dono, estaremos restaurando o símbolo maior da cidade. Acho que isso vai incrementar o turismo e o senhor vai recuperar o que investiu no projeto.

O argumento do sacerdote tinha lógica. O prefeito ergueu-se.

─ Estou com vontade de olhar essa cabeça. Saber como era as feições do seu santo protetor. Vamos ao local?

O abade não esperou um segundo convite.

*****

A lagarta do prefeito deixou uma trilha no solo arenoso, marcas das sapatas em simétricas depressões retangulares. As oito pernas, como as de uma aranha, em perfeita sincronia.

Esaú estacionou o veículo à sombra do morro. O local estava cheio de curiosos, a maioria membros da abadia, localizada próximo a estatua, lá em cima. Os monges envoltos nos seus mantos, postados em grupos de dois ou três ao redor do monumento conversavam a respeito do achado. Adair, o jovem noviço, era requisitado para contar como havia achado a relíquia. A areia tinha sido escavada. A cabeça repousava no centro da cavidade.

Abaixo deles, sob as areias, jazia as ruinas da cidade destruída pelo Dilúvio de Fogo. As nações despareceram, homens e animais foram aniquilados nas explosões e mesmo depois, pelo ar envenenado. A Vida praticamente sumiu da face da Terra. Depois de longo tempo, passado o trauma, sobreviventes começaram a erguer uma nova civilização, mas muitos conhecimentos tinham sido perdidos, transformados em pó e cacos. Mesmo as lembranças do Mundo Antigo, eram raras e confusas.

Alguns lugares progrediram mais que outros. Leon, um líder comunitário, reuniu um grupo de religiosos para recuperar o conhecimento perdido. Todo papel escrito encontrado era copiado e guardado em recipientes apropriado para não se deteriorar. Objetos metálicos, fragmentos de máquinas, placas, utensílios e mesmo pedaços de ferramentas, eram guardados para serem estudados e reconstituídos. Coletor de objetos do passado, se tornou uma profissão.

Porém, pessoas contrárias ao progresso e a volta dos antigos conhecimentos, culpada pela destruição do mundo, se revoltaram e fizeram uma perseguição contra os progressistas. Destruíram tudo que o grupo de Leon havia recuperado e o condenaram à morte.

Esaú observou o rosto esculpido, um rosto sem expressão, os olhos e a boca apenas delineados em baixo-relevo. O cabelo era comprido, a base deteriorada pela ruptura com o tronco, o nariz quebrado, provavelmente quando caiu e rolou pelo penhasco.

─ Eu pensava que ele tinha sido decapitado.

─ Eu também.− respondeu o abade. ─ As histórias contadas oralmente através do tempo, sofrem modificações. Mesmo na escrita de um registro, alguém escreve algo sem provas, apenas por achar que é o certo.

─ Vai ser um trabalhão levar para cima do morro. Não seria mais fácil fazer uma cabeça lá, na estátua?

─ Seria, mas estaríamos profanando o corpo do beato. Penso que a cabeça tem que ser a original.

─ Ele não é santo?

─ O pedido de canonização foi feito há um ano, mas Nova Roma fica longe e não sabemos como eles tratam esses casos.

─ Ele concedeu algum milagre?

─ Sim. Documentamos os milagres, reunimos depoimentos e mandamos para o Papa.

Esaú deu uma volta ao redor da cabeça, olhou para cima, para os lados.

─ Vai ser um trabalhão levar esse negócio lá para cima.-repetiu.

─ Prefeito! A cabeça do beato não é negócio, é uma relíquia. Vamos ter um pouco de respeito.

─ Está bem. Desculpe, só estou pensando em quanto a prefeitura vai gastar nesse trabalho.

─ Ah! Não reclame. Não se esqueça que foram nós, os Leonidas, quem forneceram as informações para a sua Máquina Analítica.

─ Está certo. Vamos voltar e conversar com o mestre-de obras.

*****

Depois de conversar com o mestre-de-obras e acertar todos os detalhes da empreitada, Esaú voltou para a prefeitura.

─ O carvão chegou – anunciou Abner, logo que ele colocou o pé na porta.

─ Não ia demorar quatro dias?

─ É que o capataz da mina se antecipou na remessa, pra aproveitar o tempo bom.

─ Então vamos consultar a máquina. Mande levarem o prisioneiro ao barracão, que eu já estou indo para lá;

A Máquina Analítica ocupava todo o galpão, que tinha 30m. por 10m. Havia um corredor no meio que levava ao painel de controle. A fornalha ficava nos fundos, controlada por um forneiro e um ajudante que vigiava o nível de água e a pressão. Os canos de cobre conduziam o vapor para acionar as centenas de cilindros, pistões e engrenagens dentadas, que procuravam o cartão com a resposta correspondente à pergunta.

O prisioneiro ficou de pé, entre os quatro soldados espartanos. A tenente Kenia, desta vez usava peitoral, caneleiras e ombreiras cor-de-rosa. Ao lado do prisioneiro se postava o interprete.

─ Queremos informações sobre Nova Providência, a terra que o prisioneiro diz residir. Queremos saber que tipo de gente eles são.

Gerônimo, o Sisudo, perfurou um cartão cheio de símbolos e inseriu numa ranhura no painel e apertou um botão. Ruídos metálicos misturados a chiados, pulsações, sussurros e gemidos se fizeram ouvir por todo o pavilhão. Cinco minutos depois, um cartão caiu no receptáculo. Gerônimo pegou-o e leu: Nova Providência, segundo as escrituras da antiga Associação do Coletores Voluntários, era uma ilha das Bahamas destruída pelo Dilúvio de Fogo. A região é evitada por conter forças estranhas da natureza que fazem embarcações e balões dirigíveis desaparecerem.

Ao ouvir do interprete, a informação, Barba Negra fez uma pergunta.

─ Ele pergunta se os espanhóis conquistaram Bristol, na Inglaterra.− disse o interprete.

─ A Inglaterra não existe mais.− afirmou Gerônimo. ─ Foi devastada pelo Dilúvio de Fogo. As terras se tornaram em desertos. Exploradores disseram que lá só vivem os malnascidos e animais rastejantes de duas cabeças.

Ao saber dessas notícias, Barba Negra curvou os ombros, ficou abatido e desanimado. O prefeito decidiu libertar o homem. Mandou que o colocassem no navio e escoltasse para fora da baia. A tenente Kenia suspirou aliviada, já estava cansada de estar ali de pé, como uma simples coadjuvante. O que ela gostava mesmo era de estar no Nautilus, patrulhando a costa.

Não demorou muito, os quatro soldados e a tenente, trouxeram o Barba Negra de volta.

─ O navio dele não está mais no porto. – disse Kenia, com um ar de enfado. ─ Os marinheiros aproveitaram um descuido da guarda para fugir.

─ E por que os guardas não os perseguiram? − perguntou o prefeito, irritado.

─ Porque só eu sei dirigir o Nautilus.

─ Isso é uma falta grave, tenente. Alguém mais da tripulação tem que saber dirigir aquele troço.

A mulher empertigou-se.

─ Sim, senhor, comandante prefeito.

─ Soltem o prisioneiro. Ele já sabe que foi abandonado pelos companheiros?

─ Sim, senhor. Parece que está conformado com a má sorte.

─ Arranje um quarto para ele na caserna. Diga para ele que se quiser viver na nossa cidade, vai ter que trabalhar e se esforçar para ser um kariok.

*****

Esaú estava voltando para a prefeitura, quando avistou o abade se aproximando, cabisbaixo. Ao ver o prefeito, ele apressou o passo.

─ Fizemos uma descoberta desconcertante.

─ O que foi?

─ A cabeça é oca e dentro tem uma inscrição que diz, Cristo, o Redentor. Construído em mil novecentos e trinta e dois.

─ Então, a estátua não é do beato Leon?

─ Não. De qualquer forma nós vamos colocar a cabeça no lugar.

─ Console-se padre. Pelo que sei, o Cristo é mais santo do que o seu beato.

─ Acredito que sim. Eu estava pensando em se...

─ Já sei! Fazer uma estátua igual para Leon?

─ Sim.

─ E eu acredito, padre, que Nova Roma tem os recursos necessário para custear esse empreendimento. Peça para a Santa Igreja. É do interessa da Sede Apostólica esse assunto.

─ Acha que devo? E se eles recusarem?

─ Se o senhor não tentar, não vai saber.

*****

Como um balão dirigível não tinha força suficiente para levar a peça para cima do morro, o mestre-de-obras teve a ideia de erguê-la o suficiente para os homens e burros puxá-la pela rampa. Depois, com contrapeso, ergueram por etapas, descansando em cada plataforma dos andaimes. Um trabalho que durou quase uma semana. Finalmente, no sexto dia a cabeça foi assente no lugar e chumbada com cimento e pinos de ferro.

O abade estava satisfeito pelo dever cumprido e ficou mais feliz quando um homem chegou ao mosteiro com um objeto que tinha o nome do beato Leon. Um papel guardado num papel plástico, que o homem achou quando fez uma limpeza na casa depois que o pai morreu. Sem tirar do plástico transparente, o abade leu: Peças do PC guardar no depósito, armário B, gaveta 5. Leon O. Machado.

Naquele dia houve uma grande agitação no mosteiro, todos queriam ver a relíquia do beato Leon. O mais importante era a assinatura dele, de próprio punho. Era de conhecimento de todos que, quando o beato morreu, todos seus pertences foram destruídos, inclusive os depósitos de peças e documentos coletados durante anos. Era um milagre que aquele pequeno pedaço de papel tivesse escapado do incêndio. O filho desconhecia, porque o pai manteve aquilo em segredo. Com certeza ele era um Coletor e talvez nem soubesse o que tinha achado. O abade Pascoal, decidiu ele mesmo levar a relíquia à Nova Roma e reforçar o pedido de canonização do beato Leon.

*****

Edward Teach, o Barba Negra, aprendeu a falar o português afim de arranjar um emprego e se tornar um cidadão honesto e trabalhador. Quando compareceu na prefeitura para pegar seus documentos de cidadão Kariokense, o prefeito disse que, se ele contasse suas aventuras, escreveria um livro. Que ele teria uma participação nos lucros quando o livro fosse vendido. Edward Teach aceitou de imediato.

Assim, Esaú, o Pensativo e Eduardo, o Barba Negra, escreveram o primeiro livro de corsários depois do Diluvio de Fogo que se tem notícias, com o título de, Piratas do Caribe.

1 de Junho de 2022 às 16:35 0 Denunciar Insira Seguir história
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