brina Sabrina Leone

Se o assassinato de Anne Wayne revelou o lado obscuro abaixo da superfície de Riverwood, a morte de Beatriz Parker marca o início de uma nova ameaça que mergulhar a cidade e seus moradores na escuridão total. Melissa Parker, John Smith, Megan Walker, Jackson Hill, e Anne Baskerville se unem para desenrolar mais uma mente perturbada na pacata cidadezinha do interior, enquanto travam batalhas intensas contra os problemas do cotidiano. O Ceifador de Riverwood é o 2° Volume de uma saga. Portanto, para o entendimento dessa história, deve-se estar ambientado com os acontecimentos de "Riverwood; A Cidade Vital."


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Doce Futuro



(A nossa história continua, diário. Depois de Anne Blackwood ter surtando e tentado matar John, Evelyn e eu, tudo deveria mudar. Nós deveríamos renascer das cinzas, pois tudo havia sido solucionado. Foi Anne Blackwood quem esfaqueou Anne Wayne, o suicídio falso de Anne Baskerville teria sido um sucesso por causa dela e, por último, foi ela quem matou Archie Baskerville também. Porém, Riverwood mais uma vez mudou, se mostrando uma cidade amaldiçoada, uma cidade marcada... Com um mal encarnado que não poderia simplesmente sumir com a prisão da nossa mais perigosa psicopata. E isso, diário, nem é o que mais me assombra...)

As últimas palavras de Brian Blackwood fixavam-se na mente de Melissa o tempo todo. Por todo o velório de sua tia, ela era interrompida pelas memórias do último final de semana. Ela via Brian implorar por sua ajuda, ela o via ser consumido pelas chamas e, ver a família Blackwood na mesma funerária não lhe ajudou muito.

-Não há palavras que possa reparar o dano que minha filha fez- disse a Madame Prefeita com a urna funerária de Brian em mãos -Sinto muito mesmo...

Allice estava triste demais para dizer qualquer coisa e Melissa encarava a urna como se, por alguns instantes, pudesse jurar ouvir as cinzas de Brian gritando para ela. "Você me deixou morrer, Parker!" berrava Brian do abismo "Você me matou, Melissa, a culpa é sua!". Melissa tentou remover aquelas vozes de sua mente, mas não obteve sucesso. "Você acha que é uma boa pessoa, Parker?" a voz de Anne Blackwood ecoou em sua cabeça "Você não é, Parker, você é igualzinha a mim!"

-Eu sinto muito, Mel- Megan a tocou no ombro, fazendo-a finalmente voltar à realidade. Melissa observou todo o cemitério, vendo que Megan era a única a testemunhar o enterro da tia além dos Parker de Riverwood.

-Obrigada, Megan- respondeu Melissa, sentindo uma certa ardência nas mãos.

-Eu não consigo imaginar pelo que está passando- continuou Megan -Por isso achei que deveria prestar minhas condolências.

-Significa bastante- aceitou Melissa, correspondendo ao abraço de consolo de Megan.

-Eu não consigo acreditar- murmurou Howard, observando o caixão.

-Você nem gostava dela- respondeu Allice, que tinha seus olhos inchados -Não seja hipócrita

-Eu só queria que ela fosse mais decente- sussurrou Howard -Não queria um mal exemplo para nossa filha...

-Falando em mal exemplo- murmurou Allice, mórbida, encarando Megan.

-Mas eu não podia imaginar algo assim- prosseguiu Howard, horrorizado -E eu nunca desejaria isso pra alguém...

-Você já pensou em quem poderia ter feito essa coisa horrível?- perguntou Megan ao término do abraço.

-Foi tudo muito rápido- alegou Melissa -Nós a encontramos assim em casa... Não tivemos tempo para teorizar

-Mesmo assim, a maneira como enfrentou os desafios na Flowerwood foi inacreditável- elogiou Megan -Sim, Melissa, a cidade toda já sabe. Você enfrentou seus dragões... Eu acho que...

-Que...?- adiantou Melissa, vendo-a profundamente pensativa.

-Acho que chegou a hora de eu enfrentar os meus também...- disse Megan, decidida.

Evelyn Keppler encarava seu pé engessado sob sua cama de hospital. Ela estava sob uso de medicamentos, ligada a um aparelho de respiração, pois havia inalado fumaça espessa demais. Haviam inúmeros curativos sob seu corpo, cobrindo algumas queimaduras e cortes. Evelyn estava, enfim, em paz. Ela se aconchegou em sua cama e suspirou aliviada.

No entanto, simples como um temporal, Anne Baskerville abriu a porta de seu quarto brutalmente. A ruiva abriu um largo sorriso ao entrar, segurando um buquê de rosas amarelas.

-Oi!- disse Anne, fazendo um alto som ao bater seu salto vermelho no piso branco do hospital -Amarelo é cor da amizade- desse colocando o buquê no criado mudo ao lado da cama de Evelyn.

-Obrigada, Anne- agradeceu Evelyn, achando a presença de Anne totalmente inusitada. Ela olhou a ruiva da cabeça aos pés: usava uma camiseta de manga longa vermelha com gola alta, feita de lã. Uma saia armada branca com ondas vermelhas em sua barra. Suas pernas estavam bem descobertas até o salto brilhante.

-Como você está?- perguntou a ruiva, mostrando seus dentes brancos e perfeitos.

-Estou bem, Anne, mas... Por que está aqui?

-Pra te ver- respondeu a ruiva, sem perder seu entusiasmo -Não se preocupe com a megera da Blackwood, ela está em uma solitária no Instituto Venture

-Isso é bom, mas...- Evelyn senta-se em sua cama -Por que veio aqui?

-Eu já disse, eu vim para...

-Não, Anne- Evelyn a interrompeu -Por que exatamente está aqui?- perguntou e viu a ruiva murchar de repente.

-Quando meu irmão morreu, eu senti um vazio indescritível...- ela disse, nostálgica -E ninguém estava lá pra mim... Talvez Anne Wayne estivesse se não tivesse acontecido o que aconteceu... Mas, mais ninguém estava... Só você- ela esforçou-se para sorrir ante aos olhos úmidos que tinha -E agora eu quero estar aqui por você

-Obrigada, Anne- agreceu Evelyn, sorrindo.

Megan Walker entrou no Silent Castle e logo encontrou a mãe no sofá. Sofí mexia em seu notebook enquanto tomava uma taça de vinho.

-Salut, mon amour- disse Sofí ao receber um beijo no rosto de Megan.

-Oi, mamãe- respondeu Megan, deixando sua bolsa no sofá.

-Já de volta, querida? Como está Allice?

-Ao meu ver, arrasada- respondeu Megan, cerrando os lábios.

-Oh, oui oui, eu poder imaginar- respondeu Sofí -Foi mesmo uma tragédia o que aconteceu... Que mente perversa poderia ter feito algo tão terrible assim?

-Eu também não sei, mamãe- respondeu Megan, coçando a nuca -O papai está?

-Está no escritório, querida

Megan subiu as escadas com raiva no olhar. Ela percorreu o enorme e longo corredor e sua indignação não diminuiu nem um pouco. Megan empurrou a porta, abrindo-a com brutalidade, o que assustou Faustus Walker de imediato.

-Mirra?- ele indagou, limpando os olhos que estavam cheios de lágrimas.

-Eu não consigo crer na falcatrua que você fez!- intimou Megan, invadindo o escritório.

-Eu não... Sei do que está falando, filha- alegou ele, sincero.

-Você é o comprador anônimo do terreno do Drive In- revelou Megan, apoiando-se nas duas cadeiras em frente à mesa do pai.

-Olha, mirra- ele se articulou, procurando palavras para dizer a ela.

-E ainda contratou pessoas para desvalorizar o terreno!- exclamou ela, indignada -Para forçar a prefeitura a vender mais barato. Isso é fraude, papai

-Como você...?

-Não importa como descobri- ela o interrompe -O que importa é que você está provando ser tudo aquilo que dizem sobre nossa família. Que somos corruptos, infames e ladrões!

-Você é muito jovem para entender de negócios, mirra- respondeu ele, seriamente -Agora, por favor, saia

-Eu entendo exatamente o que está havendo aqui, papai

-Mirra, saia!- ele ordenou.

Megan estavam tão indignada que não notou os olhos úmidos do pai, ele parecia estar triste, solitário, sofrendo por algo. Foi só quando Faustus elevou a voz para ela, que Megan notou que o psicológico de seu pai estava abalado.

-O senhor está bem, papai?- perguntou Megan.

-Estou, mirra- ele limpou os olhos -Agora, por favor, saia

-Tudo bem, o senhor e a mamãe sempre respeitaram meu espaço- comentou ela e Faustus assentiu -Eu vou, mas essa conversa não acabou...

Megan se afastou, fechando a porta, perguntando-se o motivo que levara seu pai a estar tão mal.

A medida que Melissa Parker caminhava pelos largos corredores de River Hight, era alvo de todos os olhares e cochichos dos dos alunos. Conforme avançava, ela sentia ser o centro das atenções, e isso lhe incomodava profundamente. Seu caminhar ficou mais rápido, tentando fugir das fofocas direcionadas a elas. Como uma das sobreviventes ao "Inferno Blackwood", como Allice Parker intitulava o maior atentado contra a vida cívil de Riverwood, o nome de Melissa Parker estava na boca de todos os moradores da cidade.

Ela correu até o banheiro feminino, batendo a porta para fugir das inúmeras vozes que ela ouvia ao mesmo tempo. Sozinha, finalmente, respirou fundo. Ela se aproximou do espelho. Encarando seu reflexo, Melissa podia ouvir os berros de Brian cada vez mais alto em sua memória. Ela podia olhar fundo em sua alma pelos seus olhos, suas retinas repoduziam as chamas infernais que a consumia lentamente.

-Parker- uma mão fria tocou em seu ombro, o que fez com que uma carga elétrica corra por todo o corpo de Melissa. No susto, ela se afastou e encarou a ruiva, que estava confusa pelo súbito espanto de Melissa -Relaxa, Parker, sou Anne, mas não Blackwood

-Oi, Anne- Melissa recuperou-se do susto tomado.

-Eu só queria prestar meus sentimentos pela sua perda- informou a ruiva, surpreendendo Melissa -Eu sei como dói perder um ente querido, um familiar... E, considerando tudo o que você passou, eu só queria dizer que estou aqui... Caso precise...

-Tá tudo bem com você, Anne?- Melissa duvidou da empatia de Anne Baskerville.

-A morte do meu querido e amado irmão me fez repensar alguns conceitos- explicou a ruiva -Eu quero ser alguém... Melhor.

-Anne, isso é ótimo- elogiou Melissa.

-Sim, e eu espero que Anne Blackwood apodreça na prisão pelo que ela fez com meu Archiezinho!- exclamou ela, seriamente.

-Melissa Parker, Megan Walker- chamou o alto falante de River Hight -Apresentem-se imediatamente à sala da Diretora Hopkins!

Melissa rolou os olhos e cumpriu o mandato. Em poucos minutos, encontrou-se com Megan na diretoria do colégio, onde Charlotte Hopkins as encarava mórbida, como sempre.

-Está tudo bem com você, senhorita Parker?- perguntou Charlotte, ajeitando o lenço em seu pescoço.

-Sim, senhora Hopkins- respondeu Melissa.

-Meus sentimentos pela sua tia, espero que tudo isso se resolva logo- disse a Diretora -E mande melhoras a senhorita Keppler e ao senhor Smith

-Obrigada, senhora Hopkins, e eu mando sim- prometeu Melissa.

-Por que nos chamou, Diretora Hopkins?- perguntou Megan.

-Bem, meninas, como foram as últimas a entrar em River Hight, suponho que sejam as mais indicadas a receber a mais nova aluna da escola- propôs Charlotte.

-Claro, Diretora Hopkins, ficaríamos felizes em ajudar- respondeu Megan, receptiva -Não é, Mel?

-Claro- Melissa assentiu.

-Ótimo- a Diretora soltou um sorriso -Eis o cartão de identificação dela

-Olga Maria?- leu Megan ao pegar o cartão -Isso é nome de personagem de novela mexicana

Olga Maria obviamente tinha uma visível descendência mexicana. Sua pele era bronzeada, ela tinha lábios carnudos pintados de vermelhos, olhos castanhos e contornados com um belo delineado. Seu cabelo era negro e ondulado, em um penteado para cima, deixando que vinhas caiam para suas costas até se ombro. Se estivesse solto, chegaria até o meio de suas costas. Ela usava uma camiseta social de botões com um paletó feminino jeans escuro, uma saia xadrez vermelha, meias longas e brancas cobrindo a canela e tênis escuro. Em sua orelha, não podiam deixar de notar, as grandiosas argolas como brinco.

-Olga Maria, eu suponho- disse Megan na entrada da escola.

-Sou eu- Olga pareceu extremamente entusiasmada.

-Bem, eu sou Megan Walker e essa é Melissa Parker

-Oi- disse Melissa.

-Olá- respondeu Olga.

-Seremos nós quem vai te instruir por um tuor em River Hight- informou Megan, receptiva.

-Acho que vou precisar de um na cidade também- riu ela.

-É nova em Riverwood também?- perguntou Melissa.

-Morava com minha mãe em Cancún, mas ela morreu- disse Olga, que ainda demonstrava apego pela mãe.

-Sinto muito- disse Melissa.

-Minhas condolências- disse Megan.

-Obrigada. Aí vim morar com meu pai, aqui em Riverwood, que é a cidade natal deles- continuou ela.

-Seja bem vinda a Riverwood e ao nosso clube de garotas que deixaram sua vida antiga para se aventura na "Cidade Vital"- citou Megan, fazendo-as rir.

Penélope Blackwood passou por mais de dez detectores de metal no Instituto Venture, foi revistada inúmeras vezes antes de chegar ao seu destino. A Madame Prefeita estava numa ala subterrânea, numa sala de paredes, chão e teto rochosos, com os algumas lâmpadas amarelas para iluminar o local. A sala era partida ao meio por uma parede de vidro à prova de bala, extremamente resistente. Ao entrar, o guarda armado abaixo das duas câmeras de segurança trancou a porta de aço e Penélope não viu nada além de uma cadeira e mesa de madeira no lugar. Ela de aproximou, olhando para a parede de vidro, que possuía alguns furos para a entrada e saída de oxigênio.

Seriamente, Penélope Blackwood encarou Anne sentada em uma cama de molas com um colchão fino.

-Finalmente a senhora apareceu- disse Anne, impaciente -Nós já vamos embora? Eu tenho uma semana de provas pela frente e eu não posso...

-Como consegue falar assim?- Penélope a interrompeu, horrorizada.

-Como é?- Anne se levanta.

-Fez tudo o que fez e não sente remorso algum?- indagou a Madame Prefeita, encarando-a como um monstro -O seu irmão morreu, Anne! Por sua culpa

-Mamãe, tudo isso é culpa da Parker, tá bom? Ela é a razão de toda essa loucura! Se não fosse por ela, eu não estaria aqui como um animal!- ela encarou aquela cela de pedras, cujas paredes suavam e ficavam úmidas com frequência -A Parker...

-Melissa Parker não é a culpada, Anne!- interrompeu Penélope.

-Tudo bem, mãe- ela rolou os olhos -Só me tira daqui, eu quero usar o banheiro e eu não vou fazer isso aqui- de canto de olho, ela encarou o vaso sanitário ao canto da cela.

-Eu não vim aqui para te tirar daqui, Anne- informou Penélope, intrigando a filha -Você tem que ficar aqui... Pra sua proteção e a das pessoas também.

-Desculpe, Madame Prefeita, a minha mãe está aqui? Eu quero falar com ela- disse Anne, irônica.

-Tomei essa decisão como mãe, Anne- afirmou ela.

-Se não vai me tirar daqui, por que veio?!- indagou a Blackwood, irritada.

-Para te contar... O motivo de tanto ódio por Melissa Parker

-Do que está falando?

-Vocês têm mais em comum do que você imagina, filha... O que eu vou te contar agora... Mudará tudo...



25 de Maio de 2022 às 23:52 0 Denunciar Insira Seguir história
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