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Franklin Rodrigues


Uma junção de diversos contos no reino de Ethora, o território dos camundongos.


Fantasia Medieval Todo o público.

#Aventura
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Futuro Aprendiz

Naquela manha chuvosa, meu pai e eu saimos para colher pelotas silvestres.

O velho camundongo me entregou uma adaga, enquanto eu me ajeitava com o cesto feito de fibra nas costas. Guardei a adaga no cinto me preparando para a fria chuva la fora.

Meu velho se despediu da mama com um cheiro nos bigodes, ela sorriu de canto, mas manteve os olhos fechados, dormindo. Do lado dela meus dois irmãos, Mik e Flin, tão pequenos quanto uma noz , se enrolavam no feno da cama, e eu com uma baita vontade de voltar pra minha.


Abri a porta de nossa moradia, que se encontrava nos pés de um pinheiro. Meus bigodes congelaram, com o vento e a chuva, mas nao tinha jeito, preciaavamos seguir. Puchei meu cachicol emcapuzado e cobri minha orelhas, entao seguimos...

Meu pai me guiou por entre a antiga trilha, a chuva estava forte e as gotas eram pesadas, algumas tão grandes quanto minha mão.

Depois de algum tempo, achamos as pelotas, estavam espalhadas pelo chão, encharcadas, mas ainda sim serviriam.

Meu velho sacou seu machado e ali mesmo começou a descasca-las, assim levariamos apenas as nozes sem cascas.E enquanto ele abria as pelotas, eu enchia os cestos.

Passado-se um bom tempo, precisavamos retornas, a chuva havia dado uma tregua, e partimos ao retorno.

Depois de longos passos, carregando aquelas pelotas, meu pai parou derrepente, colocou a mão no meu peito para que eu parace. Eu olhei para ele.

— Silêncio. —disse ele, apontando para a frente.

Senti um frio na espinha, e olhei para onde ele apontava, e foi entao que vi. Por entre a mata alta, de pelagem ruiva , lá estava ela, uma raposa, tâo grande quanto se podia avistar.

Meu velho me puchou ao braço, e nos escondemos por destraz de raizes que saltavam ali. A fera colossal começa a se aproximar, fungando a área ao redor, sentindo nosso cheiro, pelo molhado, achei que seria meu fim naquele instante, dava pra sentir o bafo da fera em meu cangote.

Mas o velho...

Droga velhote.

Ele tinha que ser corajoso. colocou então seu cesto, no chão, eu o olhava com os olhos arregalados.

—Não me siga, volte para sua mãe ok? —disse ele segurando seu machado forte.

Eu nao consegui dizer nada, estava travado, congelado de medo, nunca tinha visto uma raposa antes. O velho correu para o lado, fazendo o maximo de barulho que conseguia, chamando a atenção da fera, e está, partiu em seu encalço. Quando consegui me mecher, agarrei a cesta do velho e pus-me a correr de volta para casa.

Já era noite quando conseguir chegar. Aquele foi a pior noite que vivi, depois de encarar minha mãe e contar o que ouve, fiquei no meu quarto cuidando de meus irmãos, enquanto minha mãe ficava na cozinha preparando as pelotas, chorando.

Por 3 dias ela ficava toda a manha na janela, esperando um sinal do velho. Eu me sentia culpado, impotente, fraco com a situação.

Uma semana depois, me vi do lado de fora, arando um pedaço de terra para plantar sementes de alface, foi entao que vi.

Saindo da mata, um camundongo misterioso, de manto preto, carregava consigo uma espada na cintura, na sua mão esquerda, um machado, velho e gasto,era do meu pai, reconheci pelo cabo. Foi entao que soube, meu pai estava morto.

O camundogo foi convidado a entrar, e conversando com minha mãe, ele a contou sobre meu pai, de como o achara, e de suas ultimas palavras, que o machado era para ser passado para mim.

Me chamou logo depois. E me falou sobre os manto negro, patrulheiros de todo o territorio dos camundongos, que eu poderia ser um deles, mas para isso eu precisava ir com ele, deixar minha mãe e meus irmãos para traz.

A principio me neguei, mas minha mãe disse que seria uma boa oportunidade, patrulheiros era camundongos fortes, que tinham privilegios, que eram alguem, vi em seus olhos que ela nao queria que eu acabasse como meu pai.

E na manha seguinte, parti junto ao Camundongo de manto preto, não antes dele deixar um saco de sementes com minha mãe, enquanto distânciavamos, fiquei a olhar para trás, vendo eles acenarem com as mãos, em despedida, até que por fim não os vi mais.

24 de Maio de 2022 às 12:14 0 Denunciar Insira Seguir história
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