lova LOVA ⊙.☉

10º conto da série HaloTales


Conto Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#perdida #festa #sextou
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Sextou?

- Sextou...

Lady Edie entrou escritório adentro trazendo uma caixa de som portátil tocando “Sympathy for the Devil” numa das mãos, e um punhado de pulseiras VIP da festa de hoje à noite na outra. Como se não bastasse aquela caixinha minúscula ter o som mais potente que o de muito carro por aí, Edie já era sozinha o barulho em pessoa. Sempre atraente, toda sexta deslizava pela sala com um ar cool e de muita graça. Seu estilo e beleza eram inegáveis, estava sempre na moda, todos sabiam e a copiavam. Nunca foi surpresa que todos os homens e mulheres eram imediatamente cativados por ela com apenas um relance de olhar. Todos perdiam a concentração quando ela chegava. A senhora Edie podia transformar qualquer novinho em um filhotinho adestrado. Nunca se viu esta moça de mal humor ao contrário, por ser amável e sensual sempre ajudava a todos com sua compaixão e simpatia.

Mariana, de sua mesa perfeitamente limpa e organizada, acompanhou mais uma vez o desfile da gerente de Marketing da DevilHorsesRecords pelo mar de mesas que era a sala gigante da administração da gravadora. Quando a viu pela primeira vez há anos atrás, a estudante de contabilidade achou que ela Edie uma piranha exibicionista e oferecida. E claro que uma pessoa que se leva a sério não deveria se comportar assim no ambiente de trabalho, não deveria ser assim. Ela deveria ser correta e elegante, usar terninho e roupas mais sociais exatamente como tinha aprendido nas aulas de marketing pessoal na faculdade e todo mundo fazia. E não essas roupas fashionistas, caras, apertadas, cheia de brilho, coloridas e legais que Edie estava usando, deixando evidente que perto dela Mariana era uma chata de galocha tímida, feia, desleixada, preguiçosa e mal-amada.

- Que inveja.

Lady Edie entregava as pulseiras para a festa aos sortudos da noite, e claro que Mariana não dava a mínima para isso. Já tinha compromisso para aquela noite, e fazer prova na faculdade era muito mais importante. No fim aquilo só servia para fazer zoeira no escritório e mais nada. Mariana nunca teve vontade de ganhar uma. Tudo bem. Ela não queria mesmo.

Edie era assim, ela nunca convidava todo mundo, só grudava nela quem ela considerava legal. E legal era uma coisa que Mariana não era. Por isso, mais uma vez a menina baixou a cabeça na mesa de trabalho e pôs-se a por suas planilhas em dia em mais esse casual day agitado e que Mariana destoava por não ter roupas mais divertidas para usar, até que esqueceu que seria esquecida mais uma vez e conseguiu se concentrar no trabalho. Até que uma certa pulseira foi jogada em seu teclado:

- Oi Mara! Você vem também?

Sim, a Deusa das HappyHours da DevilHorses estava bem ali na sua frente, e entregando um VIP para ela também. Mariana pegou aquela fitinha de tecido nas mãos e encarou LadyEdie:

- Eu?

- Claro! Você é nova aqui, então ainda não sei se você é legal ou não

- Bom, não tão nova já trabalho aqui há quatro anos...

- Sério! Bom mais um motivo pra você vir. Pre-ci-so te conhecer.

- Ma-ma-mas.... eu tenho aula hoje à noit....

- Aula garota! Tô vendo na tua cara que cê tá louca pra vir com a gente!

- Mas eu preciso estudar e...

Edie parecia estar adivinhando que sua mais nova pupila só precisava de um empurrãozinho.

- Olha só. Você vem hoje, só hoje! Você estuda todas as noites há anos, e és muito inteligente! Não vai fazer falta uma noite de aula né?

Enquanto Mariana saia do esbasbacamento do que estava lhe acontecendo finalmente, seu gerente Otavio entrou na conversa:

- Então Edie, já temos as 30 pessoas?

- Ainda não, a cocota aqui tava me pedindo pra grudar na gente e agora tá em duvida.

- Não é isso Seu Otavio é que eu....

- Deixa ela então, me dá o convite garot...

Quando Otavio foi pegar de sua mão a cocota agarrou aquela pulseirinha vermelha, cheia de caveirinhas estampadas com todas as forças e gritou:

- Eu vou!

Seus chefes se admiraram com tanta ênfase ao pronunciar a decisão que até arregalaram os olhos:

- Ok, esteja no banheiro desse andar às 18h em ponto! Como você é novinha, hoje você anda comigo! Vai aprender a ser legal.

Mariana ainda se recuperava da tremedeira quando ficou em dúvida se essa crise de ansiedade era de alegria por estar sem querer com a turma mais legal da empresa, ou se era culpa. A estagiária do escritório de contabilidade da DevilHorsesRecords, que toda semana assistia de longe o mundo dos adultos ir para o banheiro no fim do expediente e ajeitarem para festa, se perguntava por que não tinha sido esquecida para trás como sempre. Assim ela não teria que ficar com essa dúvida de ir ou não ir para o resto da vida. Por se não fosse, iria se lembrar dessa prova para o resto da vida. Ela preferiu a segurança:

- Dona Edie... eu não posso ir não...

- Eita por que não?

- Por que eu não tenho dinheiro pra isso não, eu tenho muitos gastos em casa e com a faculdade e eu tenho aula hoje... e não tenho roupa pra sair...

- Para!

Mariana se calou no ar.

- Relaxa... não precisa trocar roupa nenhuma, você já é um charme. E sobre a grana... é tudo por minha conta hoje.

A menina teve que conter seu sorriso dentro dos lábios, afinal tinha uma imagem a zelar.

Uma troca de vou – não vou atormentou a sanidade de Mariana pelo resto da tarde. Pensou em devolver aquela pulseira mil vezes. Ela simplesmente não acreditava ainda que tinha ganhado uma. Era só uma tira de tecido vermelha cheia de caveirinhas com as pontas presas por uma presilha que depois de puxadas não voltavam mais para trás. Ela manipulava aquele troféu nas mãos e de tanto que o escaneava já conhecia todos os seus detalhes. Enquanto isso, em seus ombros duas vozes discutiam, uma na direita e outra na esquerda de sua cabeça:

“Vai, coloca essa merda de uma vez no braço!”

A vozinha encapetada falava dentro do ouvido esquerdo, não mais que prontamente a outra voz doce e angelical cantarolava no ouvido direito:

“Garota, você tem aula hoje! Tem prova!”

“Cara, não enche é só 30 pila pra fazer a segunda chamada, qual é?”

“Eu sei mas vai que a segunda chamada é mais difícil...”

“Meu, o chefe dela vai tá lá, e se ela se enturmar? Vai que finalmente seja efetivada”

“ Deus me livre! Se juntar com esses baderneiros, ela precisa é mudar de emprego.”

“Garota, coloca essa pulseira logo. Vai!”

“Meu, se você colocar essa pulseira não vai conseguir mais tirar e...”

Mariana finalmente achou o que não deveria ter visto.

- Gente, o que tá escrito aqui?

O carinha da esquerda não poderia ter ficado mais feliz:

“Ufa! Até que enfim!”

“O que é isso? Ah não! Isso é sacanagem!”

Lamentou o direitinha, pois com letras bem pequenininhas impresso bem no meio das caveirinhas Lady Edie pôs o nome da festa, e ela sabia o que estava fazendo. Era um recado para a nova escolhida:

“Cavalo Selado Party”

Mariana, já tinha aprendido essa lição durante uma palestra motivacional que foi:

“Quando o cavalo passar selado em sua frente, ele vai estar a galope.

Esteja preparada e monte nele, Pule!

Não vai ter a segunda vez”

Então mesmo sabendo do perigo Mariana enfiou a pulseira na mão esquerda e puxou a presilha. Automaticamente seu ombro esquerdo subiu um pouquinho, ao mesmo tempo que um estrondo imenso se espalhou por todo o escritório. Era “I love it loud”, sendo trazido por Lady Edie.

Mariana não sabia o que era, mas alguma coisa dentro dela tinha sumido, simples assim, sumido. Aquelas cinco batidas do Kiss fizeram a cocota levantar da cadeira, estufar o pulmão botando seus peitões para fora. Depois saiu andando com a bunda empinada e colocando um pé na frente do outro, o que criava um rebolado que fazia uma dobrinha na parte de trás da calça social que nunca tinha aparecido antes. A mochila no ombro direito, que estava um pouco caído, deixava a mão esquerda livre para desfilar pelo escritório e esfregar aquela pulseirinha VIP na cara de uma ou outra pessoa no caminho. Seus colegas, que não tinham o hábito de falar com ela, não deixaram passar em branco:

“Huuuuummmm foi convidada.... quem te viu quem te vê heim.”

“Nossa dera eu!”

“Miga rolou uma invejinha branca aqui...”

Mariana, começou a receber nas suas timelines os posts de “sextou”. Pela primeira vez achou engraçado. Sua velhice que já era clara aos 20 aninhos, simplesmente deu lugar à pressa de bater o ponto e correr para o templo sagrado feminino chamado banheiro. Chegando lá o que encontrou foi sua gerente e as amigas se arrumando para festa, envoltas numa montanha de rímel, base, sombra, pó compacto e principalmente batons vermelhos. Mal tinha entrado e um dos batons vermelhos a esperava.

Pela primeira vez na vida um batom vermelho.

A estagiaria ainda em sua versão séria foi atacada por Lady Edie que sem pedir licença começou a mexer em seu cabelo, passar umas coisas em seu rosto e em menos de cinco minutos ela deu o serviço por terminado. Mariana estava pronta. Quando se viu no espelho, tomou um susto. Nunca se sentiu tão linda. As amigas de Edie que a agarrou como polvo, fez em cinco minutos o que ela mesma não tinha feito em vinte anos de vida. Ela a transformou num mulherão, mesmo mantendo seus óculos:

- Vamos! Você está pronta.

Assim que saíram, a galera do escritório, muito mais velha que Mariana aliás, estava esperando perto do elevador.

- Ooooooolha, quem é essa mulher?

Mariana, ainda inexperiente nas cantadas da vida não conseguiu saber na hora se Otavio estava a elogiando, ou não tinha a reconhecido mesmo. Edie então a reapresentou, e ele fingindo que nunca a tinha visto antes, ofereceu sua mão para cumprimentar. Mariana até tentou dar o aperto de mão firme e clássico de entrevista de emprego, que serve para demostrar segurança mesmo que se esteja morrendo de medo, mas Otavio rapidamente puxou sua mão e levou até sua boca barbuda. E a beijou como um cavalheiro.

Foi a primeira vez que um homem a beijou.

O gerente e chefe não soltou sua mão, ao contrário, ele a puxou e os dois saíram lado a lado, de mãos dadas.

- Você vai comigo?

- Não, prometi que ia com a Lady Edie.

- Tá bom....

Já no elevador Mariana não soltou a mão dele, aliás ela até deu uma apertadinha a mais, seu gerente olhou para baixo e com um sorrisinho nos lábios falou baixinho:

- Hoje eu quero beber, eu vou com vocês.

Chegaram à garagem, e Otavio gritou para o seu motorista de longe:

- Parati! Meu carro vai dormir aí essa noite, pode vazar você também!

O motorista acenou, e uma turma entrou na Limousine de LadyEdie, onde o som já estava no talo e o bar aberto. Mariana e Otavio, no banco de traz ainda de mãos dadas, ficaram de frente para Lady Edie que disputava espaço com duas moças incríveis. Edie mandou o motorista seguir direto para a CampoSanto, onde ia ter um showzaço com os artistas da DevilHorses. Lá foram recebidos por distintos senhores de fraque que abriam todas as portas quando a pulseirinha vermelha aparecia.

Depois que passaram pela porta rotativa, Mariana acompanhada pelo poder do Rock´n Roll desfilava lentamente rumo a pista VIP, para chegar lá porém tiveram que passar pela festa inteira. Era tanta luz, música, e alegria que Mariana parou no ar, como num sonho ela olhava para frente e caminhava em postura de modelo de passarela quando a festa parou por uns instantes só porque eles chegaram. Mariana olhou para traz e riu, e enquanto caminhava parecia que as pessoas estavam batendo palma ovacionando:

“Viva”

“Yeahhhh”

Quando sentou no bar e olhou em volta, a estagiária estava no poder, cruzou as pernas e se encostou na poltrona colocando o braço esquerdo no enconsto. Quando olhou para o próprio pulso sentiu uma vontade imensa de rir. Ela nunca sentia isso, nunca. Era um risinho safado de quem não tinha mais contas a pagar, não tinha mais problemas, não tinha a mãe com seus discursos moralistas, não tinha prova na faculdade, não tinha crise, não tinha mais nada. Ela estava na mesa do chefe, estava livre, estava plena, estava em paz.

Eis o mistério da sexta-feira.

Otávio do nada soltou sua mão, e Mariana, o mulherão, sentiu um frio na espinha. Ele a abraçou com o braço direito e puxou seu rosto com a mão esquerda e disse:

- Se joga.

Ela obedeceu, e não fez feio, aproveitou tudo: a bebida, a dança, a caipirinha, o pole dance, o pó, mais caipirinha, mais dança, cigarro e Otavio que se entregou à estagiária e seus encantos ao sem de:

“Parecia inofensiva, mas me dominou, me dominou... dominou, dominou, dominou....”

E foi naquela festa, no escritório da gerência da CampoSanto que a doce e tímida Mariana aproveitou sua primeira vez, com o chefe.

Do nada eram seis da manhã, naquele sábado 14 a jovem Mariana, não era mais a mesma quando Lady Edie a deixou na porta de seu prédio.

- É marianinha, e você nem queria vir heim.

- Não sou acostumada a isso e...

- Pegou o cheeefe, é isso aí!

- Eu realmente nunca afaço isso e...

- Não fazia. Até que você caiu na minha má influência.

- Desculpe Dona Edie, mas se a senhora não falar nada pra ninguém do escritório...

Mariana suspirou fundo enquanto botava a mochila no ombro direito que parecia bem mais forte agora. E continuou seu discurso:

- Eu realmente não sou de fazer essas coisas.

- Mariana, aprenda de uma vez por todas.

Lady Edie pediu enquanto ligava o som da Limo. Nada como uma boa Bad Reputation...

- O que dona Edie?

- Primeiro: Você pode até achar que é uma má influência, mas daqui pra frente todas as vezes que alguém passar um tempo com você, vai se divertir pra caralho. Não é?

- Sim senhora.

- Segundo: o que acontece na sexta-feira, fica na sexta feira.

- Sim senhora

- Terceiro: segunda você vai ser efetivada. E vai ter que estar sempre pronta. Ok?

Mariana ficou tão feliz que deixou a mochila cair no chão. Mas tentou disfarçar mesmo assim e continuou.

- Sem senhora!

- Bico fechado segunda então!

- Sim senhora.

- Até sexta que vem.

- Até.

Faça isso hoje!

21 de Maio de 2022 às 20:49 0 Denunciar Insira Seguir história
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