nieleebloom Daniele Claudino

Ellie Friedman é uma escritora famosa que enfrenta um bloqueio criativo e um divórcio enquanto luta pela guarda do filho. Tiffany Snow vive uma relação complicada com Clarence e a gota d’água é quando descobre que ele está metido nos negócios sujos de Peter, um traficante perigoso. Os caminhos de Ellie e Tiffany se cruzam quando Tiffany, ao romper com o namorado, aceita o convite de sua amiga, Odessa e se muda para Augusta no Maine. A proposta para trabalhar como babá do filho da escritora best-seller da atualidade parece atraente… E o que Tiffany teria a perder? No início, Ellie se mostra um pouco insegura quanto a confiar seu único filho aos cuidados de uma estranha, mas conforme conhece Tiffany, se encanta pela mesma e decide escrever sobre ela sem imaginar o quão dramático e sombrio pode ser o passado da mesma. Uma história romântica e sombria que nos faz questionar até onde as pessoas chegam por amor ou dinheiro…


Romance Romance adulto jovem Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#lésbicas #escritora #babá #258 #amor
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Capítulo 1

Nova Iorque


O vidro do globo de neve se estilhaçou ao bater com força na porta e por pouco, não acertou o rosto dele, que a encarava com um misto de incredulidade e raiva.

— Sua louca! O que queria? Me acertar com isso? — Clarence perguntou, elevando a voz e caminhou em direção a sua namorada mesmo sabendo que ela estava descontrolada.

— Não se aproxime de mim! Desgraçado! Eu odeio você! — Tiffany gritou antes de atirar outros objetos na direção dele.

Clarence conseguiu se desviar de alguns, mas foi alcançado por um que atingiu em cheio sua testa, deixando ali um belo corte.

— Oh! Sua… — Clarence tocou seu ferimento que agora ardia e ao perceber que sangrava, encarou Tiffany com ódio.

— Meu Deus! Clarence? Me desculpe? — Tiffany disse ao perceber que o ferira. Não queria machucá-lo, apenas deixá-lo nervoso. Se aproximou dele. Ele recuou e ela insistiu, ele a empurrou, mas ela não desistiu e conseguiu se aproximar dele e dar uma olhada em seu ferimento. — Tá tudo bem. Não foi profundo.

— Sua louca! — Clarence disse, antes de Tiffany e ele rirem. — Agora, eu exijo que dê um jeito nisso! — Ele disse e sorriu com malícia enquanto encarava o decote dela.

— Você não presta mesmo! — Tiffany disse, rindo e, o empurrou na cama. Quis se afastar, mas ele segurou seu pulso.

— Ei? Aonde você vai? — Clarence perguntou.

— Pegar o que preciso para fazer um curativo nesse ferimento. — Tiffany respondeu.

— Depois amor… Só preciso de um beijo de amor para me curar. — Clarence disse e a puxou. Tiffany caiu em cima dele. Os dois se encararam por um tempo e se beijaram.


Augusta, Maine


— Eu entendo que tenha acabado de se separar do Stephen e que cuidar do Terry e da casa sozinha não tem sido fácil, mas você não deve negligenciar sua carreira, Ellie. — Falou Hermínia.

— Não estou negligenciando minha carreira, mãe! — Ellie disse com raiva e suspirou. — Uma escritora não pode ficar um tempo sem escrever? Acho que também tenho direito a férias.

— Sabe porquê Mary Hatfield permanece no topo como uma das escritoras mais lidas na atualidade? — Inquiriu Dwayne Sutton, o agente literário de Ellie. — Por que ela não tira férias!

— Eu não tenho como competir com os romances açucarados dela! — Falou Ellie.

— É claro que tem! — Hermínia disse. — O que aconteceu com suas histórias cheias de drama, paixão e vingança? É disso que o público precisa! E não os romances bobos de uma tal Mary Hatfield!

— Vamos, Ellie? O público está ansioso pelo seu retorno! — Dwayne disse e sorriu amarelo. Ele odiava o fato de perder tanto dinheiro só porque Ellie estava sofrendo com uma crise de inspiração.

— Talvez, eu já tenho escrito o bastante. — Ellie disse, desanimada. Ela não via mais sentido em continuar com aquilo. Quando escrever deixara de ser divertido? Oh, sim… Quando ela deixara de escrever o que queria para escrever o que vendia mais.

— O que quer dizer? — Dwayne inquiriu pálido. Não podia perder uma de suas melhores clientes.

— Que talvez, eu deva me aposentar. — Falou Ellie.

— O quê? — Hermínia riu, mas logo fechou a cara com raiva. — Nem mesmo eu me aposentei, por que você faria uma besteira dessas?

— Por que ao contrário de você, sei a hora de parar! — Ellie disse, antes de se levantar do sofá e ir para a cozinha, deixando sua mãe e seu agente, atônitos.

Ellie apoiou as duas mãos na mesa e respirou fundo, contendo algumas lágrimas. Não queria parar de escrever, mas a verdade é que sentia que não conseguiria fazer aquilo, não com tantas preocupações em sua cabeça.

A separação com Stephen não fora nada amigável. Ellie passara tempo demais concentrada nos romances que escrevera para dar atenção ao marido, que sentindo-se sozinho, encontrou conforto nos braços da babá de Terry. Ellie flagrou os dois quando voltava de um passeio com o filho. Terry ficou chateado com o que viu e desde então, se tornou introvertido, tendo que frequentar algumas sessões com um psicólogo.

Ellie teve de se conter pelo filho, para não lhe causar mais dor e por isso, evitou armar um escândalo, mas exigiu que aquela vagabunda desse o fora de sua casa, arrumou as malas de Stephen e o expulsou. Ele quis se despedir de Terry, mas Ellie não deixou e também, Terry não quis vê-lo.

Stephen tentou se aproximar do menino algumas semanas depois, mas Terry o repelia, magoado. Stephen acusou Ellie de colocar o menino contra ele e ameaçou tirar a tutela dela. Os dois discutiram feio, trocaram palavras duras e prometeram se enfrentar em um tribunal. Desde então, Ellie só conseguia pensar em uma forma de não perder o filho.

“Será fácil tirá-lo de você, quando provar ao juiz que você se dedica mais aos seus livros estúpidos que ao nosso filho”, Stephen dissera, e Ellie não conseguiu escrever mais uma frase, se culpando pelo que acontecera e temendo perder o filho.

— Eu posso arranjar alguém para lhe ajudar a cuidar da casa e olhar o Terry, querida. — Disse Hermínia ao entrar na cozinha e flagrar Ellie chorando.

— Não quero outra vagabunda aqui! — Ellie disse dando as costas rapidamente a sua mãe enquanto enxugava suas lágrimas com as mãos.

— Tá. Sem vagabundas. Vou colocar isso no anúncio. — Brincou Hermínia e se aproximou da filha, tocando seus ombros. — Não deixe que aquele miserável arruine sua carreira também. Não dê esse gosto a ele! Prove que pode cuidar do Terry e ao mesmo tempo, publicar um best-seller!

Ellie suspirou pensando nas palavras de sua mãe.



Nova Iorque


— Jura pra mim que não tem nada com aquela garota? Que era ela que estava flertando com você e não o contrário?! — Tiffany disse, deitada com a cabeça no peito desnudo de Clarence.

— É claro… — Clarence fez uma careta, certo de que se Tiffany, sequer desconfiasse a verdade, o mataria. — Você sabe que o cara aqui é bonitão e as minas caem morrendo em cima!

Tiffany deu um tapa na barriga dele. Clarence riu e disse:

— Mas eu só tenho olhos para você, meu amor.

Segura daquelas palavras, Tiffany sorriu, mordendo o lábio. Ela era insegura porque Clarence trabalhava como bartender em uma casa de shows chamada Neverland, cujo lema era “Aqui, o prazer e a diversão nunca terminam”. Casa de shows era o jeito educado de chamar aquele prostíbulo onde mulheres esbeltas dançavam com pouca roupa.

A própria Tiffany já fora uma dançarina naquele lugar para sustentar seu antigo vício em drogas, e Peter (o proprietário mimado) a explorara por algumas gramas de pó. Clarence conseguiu enxergar algo em Tiffany que ela nunca soube o quê e foi isso que o motivou a se aproximar dela, resistindo a todas as suas tentativas de afastá-lo.

Ele a levou para o seu apartamento e cuidou dela como quem cuida de um animalzinho confuso e perdido. A tirou daquele vício maldito e conseguiu arranjar um emprego bacana para ela em uma loja de roupas femininas. Claro que isso não aconteceu da noite para o dia. Foram dez anos numa luta árdua, entre lágrimas, crises, tentativas de suicídio, recaídas… Até Tiffany finalmente, conseguir entrar na linha.

Hoje, ela não poderia descrever em palavras o tamanho do seu ódio por pessoas miseráveis que arrastavam os outros para aquele vício maldito, pessoas como Peter.

Tiffany não conseguia enxergar, mas sua relação com Clarence não era tão perfeita quanto imaginava. Sim, ele a salvara, mas por isso, se sentia o seu dono. Ela era cega de amor por ele ou agradecida demais para não perceber a forma como ele a manipulava, o que eles sentiam um pelo outro era qualquer coisa, menos amor.

As brigas por ciúme eram constantes e um vigiava o outro sempre esperando flagrar alguma coisa. A briga que o casal tivera há pouco só acontecera porque Tiffany fora até a Neverland no fim do turno de Clarence, fazer-lhe uma surpresa… Não. VIGIÁ-LO. Confirmar se ele ia mesmo direto para a casa no fim do turno, se saía mesmo no horário em que afirmava, e foi quando o viu próximo demais de uma morena oferecida. Tiffany não disse nada e se limitou a observar a cena para ver até onde Clarence levaria aquilo. Só que ele virou o rosto por um instante e viu Tiffany parada em um canto o observando, irada. Praguejou baixo, antes de dizer algo à morena e ir atrás de Tiffany, e ali estavam eles como se nunca tivessem brigado.

Na manhã seguinte, quando Tiffany tomava banho para ir ao trabalho, seu celular tocou, despertando Clarence. Ele tateou a mão pelo criado-mudo até alcançar o aparelho e o atendeu.

— Bom-dia, Tiffany? E aí? Pegou aquele safado no ato? — Odessa disse. — Eu te disse que o Clarence não vale o ar que respira e que ele é safado. SAFADO!

— Sim. MUITO safado. — Clarence disse, sorrindo com raiva.

Odessa ficou muda na linha. Por essa ela não esperava. Por que ele atendera o celular de Tiffany? Droga.

— Fala alguma coisa Chapeuzinho. — Clarence provocou.

— Você pode passar para Tiffany? — Odessa disse e fez uma careta.

— Não dá. Ela está no banho agora. — Clarence disse. — Tchau Odessa. — Clarence desligou e, após colocar o celular de volta no criado-mudo, virou para o lado e cobriu a cabeça, voltando a dormir.

Cinco minutos depois o celular tocou, o despertando outra vez.

— Tiffany? — Clarence chamou e descobriu a cabeça se sentando, irritado, antes de atender o celular dela. — Alô?

— A nossa Tiffany já saiu do banho? — Odessa perguntou sorrindo.

— Não. E não é “nossa”! É “minha”! — Clarence disse.

— Ah, eu não sou ciumenta. Você é? — Odessa disse com intenção de provocá-lo.

— Odessa? Estou tentando dormir… Será que você pode parar de ligar agora? A Tiffany retorna a sua ligação quando terminar o banho eterno dela. — Clarence desligou na cara de Odessa novamente e para não ser mais incomodado, desligou o aparelho.

A campainha tocou e Clarence se levantou, vestiu seu robe e calçou seus chinelos antes de ir ver quem o estava incomodando aquela hora.

Tiffany não acreditara muito em Clarence quando ele dissera que não tinha nada a ver com a morena com quem falara noite passada. Quer dizer, ela até acreditara, mas por pouco tempo. Despertara nervosa e sentira vontade de se entregar ao seu antigo vício. Para fugir desse desejo insano, ela se trancou no banheiro e ficou embaixo da água quente.

Algum tempo depois, Tiffany ouviu Clarence lhe chamando e se assustou.

Clarence abriu a porta e quase não acreditou quando viu Camila. Aquilo só podia ser um pesadelo! Se Tiffany ficara furiosa por vê-los conversando noite passada, imagine então se a visse ali?

— O que está fazendo aqui? — Clarence perguntou com raiva.

— Vim buscar o que me prometeu e não vou sair daqui sem o que quero! — Disse Camila.

— Você ficou louca? A minha mulher está em casa! Volte aqui depois! — Clarence quis fechar a porta, mas Camila o deteve, segurando a porta a tempo.

— Não tenta me enrolar, Clarence ou eu ferro com você! — Camila disse.

— VAI EMBORA! — Disse Clarence, nervoso.

— O que ela está fazendo aqui? — Tiffany disse ao vir de repente enrolada em uma toalha.

— Tiffany? Eu posso explicar… — Clarence disse se voltando a ela.

— Você está saindo com essa piranha, não está? Assume? Desgraçado! — Tiffany disse, furiosa.

— Ei? Piranha não! Me respeita, querida! Eu sou uma cliente. Apenas isso! — Camila disse.

— Cliente? Que cliente? Do que ela está falando, Clarence? — Tiffany perguntou, desconfiada.

— Nada. — Clarence disse, se voltando a Camila. — Vai embora ou juro por deus que vai se arrepender!

— Claro… Assim que você me der o meu pó! — Camila disse.

— Pó?! — Tiffany balançou a cabeça, desapontada.

— “Pozinho mágico”, te faz levitar! — Falou Camila e riu.

Clarence segurou Camila pelo braço e a arrastou para longe dali. Quando voltou, foi até o quarto e encontrou Tiffany acabando de se vestir.

— Eu posso explicar, amor. — Ele disse.

— O que quer que tenha a dizer não me interessa! Estou atrasada! — Tiffany disse e após prender seus cabelos num rabo de cavalo, pegou seu celular e sua bolsa e saiu, batendo as portas.

Clarence descontou sua ira no primeiro móvel que viu, o empurrando.

— Droga!

A campainha tocou e Clarence foi correndo, achando que era Tiffany que esquecera alguma coisa, pois sempre que ela saía, passava a chave por baixo da porta para Clarence. Ele abriu a porta e viu que não era Tiffany.

— Eu quero o meu pó! — Camila exigiu.

— Quer o seu pó, é? Vou te dar então! — Clarence disse, sombrio.

6 de Fevereiro de 2022 às 21:14 4 Denunciar Insira Seguir história
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