markaurrliosc Marco Aurélio

Um apagão acontece na cidade de Rochedo e faz com que a paz de Danyllo Lourenço seja abalada. Após algum tempo em meio ao isolamento total ele percebe que algo de estranho está acontecendo fora de sua casa durante essa noite chuvosa.


Suspense/Mistério Para maiores de 18 apenas.

#infecção #zumbi #tormenta #chuva #misterio #suspense #terror #horror
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CAPÍTULO I

DIÁRIO DE DANYLLO LOURENÇO

22/09/2021 - 20:54

A fraca luz do luar coberta por densas nuvens de chuva me ilumina à beira da janela do meu quarto, não costuma chover muito em Rochedo mas especificamente hoje nessa noite assustadora as nuvens parecem carregar toneladas d'água.

Já se passaram quase quatro horas desde que a energia caiu, tentei ligar na companhia elétrica há alguns minutos atrás mas só aí notei que as linhas de telefone e internet também haviam caído. Um medo irracional cobriu minha mente e fui obrigado a pensar: "Tá tudo bem, foi apenas o clima chuvoso que fez isso", porém, mesmo assim, ainda me dói ficar totalmente isolado como meus ancestrais, em momentos assim me lembro das palavras da minha falecida vó Anastácia, onde ela dizia que em tempos antigos todos dormiam quando o sol se punha, faz sentido já que não há luz alguma, nem nada para fazer. As coisas pioraram mais ainda quando fui encher um copo d'água e ouvi os canos vazios gritarem, até a água estava escassa nessa noite amaldiçoada.

Perto do fim do parágrafo anterior comecei a me questionar o porquê de eu estar escrevendo isso, me recuso a pensar que estou seguindo as recomendações fúteis do meu terapeuta Hugo Carvalho de escrever um diário; fico repetindo a mim mesmo que minha escrita aqui é totalmente causada pela solidão que esse apagão trouxe.

Minutos atrás fechei os olhos numa tentativa falha de dormir, as imagens daquele dia viveram como pontadas de agulhas infligidas contra meu couro cabeludo, eu as vezes esqueço que ir a um terapeuta tem seus motivos, talvez ele esteja certo; não, não está, pensando melhor é só uma questão de tempo até tudo voltar ao normal e eu não precisarei mais ficar sozinho com meus pensamentos, mas até lá... As imagens novamente perfuram minhas memórias me fazendo lembrar daquele dia amaldiçoado por Deus.


CAPÍTULO I

Danyllo era um escritor mas odiava escrever em situações como esta, não que ele fosse um grande escritor de renome ou uma referência na área, mas ele costumava colocar em suas histórias coisas fora da realidade ou fatos muito distantes de se ocorrerem em sua tediosa vida, Martha, sua ranzinza e falecida mãe sempre dizia: "O tédio é uma consequência de muitos anos de fracasso", Dany se questionava se pela primeira vez em anos ele finalmente tinha tirado alguma informação útil dos feitos de Martha, já que com certeza ele concordava com ela nessa frase, ainda mais quando aplicado a sua vida, ele divagava sobre isso encarando a luz da lua visível através das espessas nuvens negras da janela de seu quarto enquanto fechava seu diário. "Muitos anos de fracasso" pensou ele antes de se levantar e seguir na direção do sofá em sua sala, ele já havia tentado dormir na cama mas havia fracassado nisso também, ele achava que por ser confortável demais sua cama box o fazia pensar mais e consequentemente fazia-o lembrar daquele dia.

Ele então abriu a porta do quarto que rangeu de leve, e mesmo que o som tenha sido baixo ele ecoou pelo corredor de maneira assustadora fazendo com que um leve arrepio acometesse a nuca de Dany. A esquerda dele o corredor se estendia tendo duas portas além da de seu quarto, a primeira era raramente usada e dava no quarto de visitas, bem, era raramente usado por visitas, geralmente quem usava o quarto era o próprio Dany pra transar com mulheres que ele conhecia em uma noite ou com prostitutas baratas do Cabaré Luz Vermelha que ele passou a visitar mais após o incidente que ele passou a seis meses atrás, um de seus muitos padrastos dissera uma vez que quando se transava muitas vezes no seu quarto com várias mulheres espíritos obsessores começariam a pairar o ambiente, então Dany costumava não levar as mulheres para seu quarto, a única que ele levara foi uma uma mulher interessante que ele conheceu nessas aventuras, ela se chamava Diana, era uma moça alta, esguia de seios fartos, tinha os cabelos lisos, pele clara e os olhos negros, ela dissera a Dany que veio a cidade para estudar mais do cometa Artas que havia atingido as redondezas de Rochedo, ela despertou interesse em Dany, mas ele a tratou como uma qualquer pra não precisar ter que rever seus sentimentos amorosos, além de também perceber que ela só queria foder e nada além disso, lá no fundo isso feria Dany mas ele já estava fodido demais pra se importar com um interesse não correspondido, a única coisa que havia sobrado dela era uma capa de chuva que ela esquecera em seu quarto e ele havia guardado no armário.

Após a porta deste quarto havia um banheiro que era o único da casa, Dany se arrependeu após financiar a casa de não ter escolhido uma com suíte, dava um trabalho do caralho percorrer o corredor inteiro pra chegar no banheiro, mas sem arrependimentos, pensava Dany com certa frequência, "sem arrependimentos". Logo à frente da porta do banheiro ficava o portal de saída do corredor que dava na enorme sala, enorme para as medidas de Dany, que em sua sala tinha apenas dois sofás e a televisão presa a parede do outro lado do cômodo à sua direita. Quem o ajudou a montar a TV na parede foi seu vizinho Josevaldo, que logo que Dany se mudou foi bem receptivo e amigável.

Dany carregava o diário consigo com a caneta presa dentre as páginas, ele fazia isso pois tinha receio de voltar a ter pensamentos que o consumissem. Após passar pela sala ele se sentou em seu sofá verde escuro feito de um material que ele não conhecia, mas que possuía listras que marcavam a pele caso ficasse por muito tempo em contato. Ele se sentou e logo após se deitou de barriga pra cima com a cabeça apoiada na braçadeira do sofá, os pés juntos apoiados na braçadeira oposta e as mãos pressionando o diário acima de seu peito, ele fechou os olhos e respirou fundo numa tentativa de relaxar e consequentemente dormir até que o apagão acabasse.

Algum tempo se passou até um som estridente irromper da casa do vizinho, parecia ser um grito masculino, Dany pulou do sofá e acordou de seu não tão confortável descanso. Ele se sentou, coçou os olhos, bocejou e só aí as informações começaram a ser processadas em sua mente, ele seguiu lentamente até a cozinha na direção a saída e só quando se aproximou da porta de madeira percebeu que a chuva agora caía de leve sob sua garagem, antes de sair ele foi até seu armário e pegou a capa de chuva que Diana havia esquecido em sua casa. Ao abrir a porta ele passou por sua garagem coberta e vazia seguindo na direção do portão de ferro com a porta menor imbuída nele, o portão não era coberto e era encharcado pela chuva, que agora caía ainda mais forte agora. O som de um trovão irrompeu e junto ao clarão algo bateu do lado de fora do portão, Dany deu um salto pra trás se afastando da chuva, todo o resquício de sono que estava nele se esvaiu nesse instante, alguns segundos se passaram e Dany pode ouvir:

— Ei Danyllo! — A voz gritada ecoa junto à chuva e Dany reconhece como a voz de Josevaldo — Por favor, abra, socorro!

Dany ficou calado por um momento, seu estômago queima de leve nesse instante como se uma gastrite o atingisse do nada, mas ele logo responde:

— Zé, é você? O que aconteceu? — Uma nova batida no portão.

— Por favor abra! — Josevaldo grita ainda mais alto.

— Tá bom, espera um pouco!

Dany tateou os bolsos em busca de sua chave e assim que a achou cobriu a mão com a capa, segurou-a e abriu o portão. Um segundo demorado de silêncio ocorreu nesse instante, assim que Dany percebeu que nada havia acontecido ele questionou:

— Zé, você tá aí? — Mais silêncio — Ei, Josevaldo, você está aí?

Dany aproveitou que já estava de capa e entrou na chuva, com a mão ainda envolta ele esticou-a e num solavanco o portão se abriu fazendo com que Dany caísse de bunda no chão, ele rapidamente se ergueu com os braços, sentiu uma pontada nas costas ao fazer isso e assim que olhou viu seu vizinho, mas não apenas o homem alto, moreno de cabelos e olhos pretos que o ajudou a montar a TV, Josevaldo tinha os olhos totalmente acinzentados, seus dentes estavam à mostra e o que parecia uma saliva preta escorria de dentro de sua boca, Dany se arrastou para trás e disse:

— Josevaldo, o que aconteceu, por que abriu a porta assim?

— Você o alimentará.

— Que?

— Você alimentará Ramtelhuzervet — Dany não tinha certeza se ouviu direito a última palavra, pareceu mais um grunhido complexo — Você o alimentará!

— O que quer dizer Zé?

Josevaldo começou a caminhar lentamente na direção de Dany que se arrastava para trás devagar.

Ramtelhuzervet — Ele disse de novo o grunhido complexo.

— O que você quer dizer? Por que está fazendo isso?

— A Infinita Tormenta chegou, A Infinita Tormenta.

17 de Janeiro de 2022 às 18:27 0 Denunciar Insira Seguir história
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