johnathan-silva-oliveira Johnathan Silva Oliveira

Em nosso fascinante universo, fantasia e ciência algumas vezes parecem se beijar, como em um encontro romântico e raro. O Grande Escopo, como é chamado, consta da escolha de cinco planetas habitáveis de nossa Galáxia, dos quais serão coletados os dados genéticos das espécies principais, reunindo-os em uma Noz quântica. Cada Noz, é na verdade, os elos de um escudo que envolverá toda a Via Láctea, impedindo que seus dados e parâmetros se percam, em instância final, a estrutura estética e harmônica do Universo. A história começa quando as Plêiades já existiam, há 100 milhões de anos. Por volta desse tempo, surge a primeira vida humana nos planetas Alaranil e Aleph. A partir daí, muita coisa ocorre, tendo altos e baixos. O desenvolvimento do enredo vai se passando durande alguns avontecimentos históricos, desde a época dos dinossauros até o surgimento das primeiras civilizações na Terra. Mas no que tange à essência da história, esta é revestida com os trajes cottage e um senso ecológico apurado, com um forte toque de espiritualidade e poesia. Abrange também filosofia, ciência, romantismo e fantasia, incluindo alguns mitos e folclore brasileiro, mas tudo com sutileza, de cunho declaradamente clássico e sóbrio. Toda a história está permeada de simbolismo, sendo na verdade uma alegoria para nos lembrar o quanto nossa Terra é única e preciosa. O livro é dividido em 50 módulos, cada qual com seus capítulos.


Ficção científica Ópera espacial Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Árvore genealógica

A essência de um verdadeiro artista é tal qual a natureza benigna e prodigiosa de uma árvore.


Em uma fazenda colonial do Brasil, América do Sul.


Ilméria e Dheam


Sob copas frondosas, aninhava-se uma majestosa casa, sobre a qual os lençóis da noite já agasalhavam. Na varanda dos fundos, iluminada apenas por dois lampiões, uma menina repousava quentinha no colo de sua mãe. Sob o olhar materno, a criança aguardava, com expressão sonhadora, a história preferida ser fielmente contada às mesmas horas. Rendilhada pela folhagem, a lua dava piscadelas entre os ramos, como se ela própria estivesse esperando o momento certo para narrar o conto. Uma coruja pia

escondida entre os galhos ensombrados da vegetação. Mãe e filha sorriem com os olhos, interpretando que este era o sinal para ela começar a ler. Jacira, portanto, começa com o 'era uma vez' que a menina Thaynara não cansava de ouvir. Porém, a versão original conta assim:


"Em um lugar muito distante, onde as estrelas cultivam as memórias mais antigas, havia um lugar cujos habitantes tinham o coração de uma árvore. Porém, havia uma virgem, de nome Ilméria, que sonhava em ser uma árvore de verdade. Ela era uma princesa e, portanto, vivia em um castelo, às margens de um lago. Mas o castelo era pequeno para os sonhos de Ilméria; menor ainda para o seu coração. Pois ela queria ser coroada pelas copas das enormes árvores que enramavam por quase todo o limite daquele mundo; e seu coração desejava pulsar dentro de muralhas verdes, não dentro de paredes de pedra e aço.


Ilméria cresceu sob o vigilante olhar daqueles gigantes cílios vegetais. De vez em quando ela quase podia ver aquelas verdes e densas pálpebras piscando para ela. A floresta a chamava, e ela queria atender o chamado. Quando procuravam pela donzela, sempre ouvia-se: "Foi casar com a floresta."


Seus parentes já não estranhavam a regularidade e frequência de seus passeios. O que quase todos não sabiam, era que Ilméria realmente tinha um encontro marcado com a floresta. Mais especificamente com uma das árvores costuradas naquele tapete quase sem fim de folhas e ramos.


A árvore podia projetar uma raiz com formato humano. Seu nome era Dheam: um rapaz de pele, olhos e cabelos dourados.


Todavia, Calíodo, um de seus irmãos por parte da mãe, descobre as reuniões secretas da irmã e de seu clube de amigos com o jovem da árvore. Uma revelação bombástica deixa o ego de Calíodo ainda mais envenenado, por um sentimento que ia além do rancor ou da ambição. Era uma ganância irracional de se erguer acima de todas as outras espécies e ter controle sobre suas vontades.


Isso tudo ocorre enquanto estavam em um período de comemoração, em decorrência da manifestação da ilustre árvore chamada Dhea, a arvore da Noz Dourada.

Durante o importante festival, foram esclarecidas muitas questões a respeito de todo o projeto envolvendo essas Nozes, no total de cinco, cada qual de um planeta diferente da Galáxia.

Em vista disso, Caliodo toma uma medida preventiva, propondo casamento à sua irmã. Calíodo, em seu íntimo cria ser Ilméria a escolhida por Dheam para representar os povos de seu planeta na emissão dessa bendita Castanha. O que ele planejava entretanto, era se apossar dos segredos dessa fonte de poder ilimitado e depois destruir essas 'concorrências', como ele as rotulava.

Mas nesse mesmo festejo acontece uma tragédia inexplicável com o rei. Todo o império entra em comoção. Ninguém daqueles tempos supeitou que o atentado havia sido cometido por Calíodo, seu próprio filho. Ele, no entanto, simula para que tudo pareça ter sido planejado por Dheam e Ilméria, em parceria com seu círculo de amigos íntimos.

Na posse total do reino, ele dá início à disseminação de teorias caluniosas sobre Dheam e todos os envolvidos no projeto da Noz. Desse modo, muitos começaram a crer nas conversas de Calíodo, se voltando contra a nobre causa.


Todos os outros clãs são avisados das supostas traição e mentiras dos antigos Arautos e Profetas: que eles na verdade querem domesticar e cultivar os humanos como rebanhos ou hortaliças a serem colhidas no tempo certo. O egocentrismo e a prepotência, por fim, levam Calíodo a se opor firmemente contra o propósito maior de todas as formas de vida. Pois há muito eles aguardavam a manifestação das cinco Nozes, que seriam os Elos de um Escudo em volta da Via-Láctea.


Todas as famílias das três raças são convocadas a comparecerem, no dia marcado por Dheam, para a revelação do fruto que as profecias prenunciavam.


No dia escolhido, a filha de um lenhador, confessa ter sido a espiã que tinha vigiado o casal todo esse tempo, a mando de Calíodo. Naquele momento, com muitos líderes dos três clãs reunidos na província, a delatora chega dizendo que Ilméria já estava indo ao encontro de seu comparsa, no interior da floresta. Ao chegarem vêem a donzela desfalecida sobre o colo nu do rapaz-árvore, com todos os seus amigos compactuados em volta. Escandalizados com a cena, facilmente aceitam as acusações e insinuações que Calíodo passa a fazer na frente de todos. Quando viu a Noz em sua mão e os resquícios do fruto escorrendo em seus lábios , começa a repetir furiosamente as injúrias anteriores, acrescentando outras que deixam o povo ainda mais indignado. Calíodo toma a Noz para si, recolhe Ilméria e ordena ao pai da delatora que derrubasse a árvore. O humilde lenhador se recusa a fazer isso, por medo e por causa do amor que a filha sentia por Dheam. Os outros líderes começam então a tentar dissuadir Calíodo a que desistisse de tão obstinado intento. Alimentado pelas atitudes que lhe contradiziam, Calíodo acende-se com uma fúria insana, desferindo com o machado golpes violentos nas raízes do vegetal. A pobre árvore começa a ranger e estalar. O solo encharcado afunda à medida que as raízes cedem. Tudo, naquele instante, aconteceu muito rápido: Dheam e a árvore desapareceram instantaneamente; em vista disso, toda a clareira onde antes era ocupada pelas longas raízes, desprendeu-se, levando consigo alguns que estavam ali, inclusive a delatora que viu seus planos irem literalmente abaixo.

O jovem rei Calíodo, movido pela cobiça de auto-confirmação da própria superioridade, ele passa a perseguir ferrenhamente qualquer um dos que se declarassem amigos de Dheam, inclusive a própria esposa.

Dizem que a apaixonada moça que denunciara os próprios amigos a Caliodo, transformou-se num morcego gigante cor de fogo, que passou a assombrar aquele vale pantanoso aos pés do despenhadeiro. Quanto a Ilméria, vivia à força com Calíodo. Pois sob as ameaças do irmão, temia que ele destruísse por completo a floresta que ela tanto amava, ou que maltratasse aqueles que ainda acreditavam nas profecias e na inocência de Dheam."


— E fim — conclui Jacira.


— Mas mamãe, como pode acabar assim?


— Voçê sempre me pergunta isso. Não adianta mocinha. Não tente me passar a perna. Combinamos que seria só uma história e você iria direto pra cama.


— Porque a senhora nunca me diz o que houve com Dheam e os demais. Deve ter mais alguma coisa aí nesse livro e a senhora não quer me contar.


— Talvez tenha, mas são coisas difíceis demais para uma menininha entender.


— Pois eu vou pedir para vovô me ensinar a ler, e vou descobrir sozinha o resto da história.


— Voçê é terrível, viu mocinha. E seu avô está me saindo um péssimo ajudante. Na verdade, o restante da história não diz coisas muito claras. Parece que faltam algumas páginas na história toda. Essa parte que eu li termina com uma página rasgada, onde contém o final de uma poesia profetizando algo que não está bem definido. São palavras complicadas. Se eu não entendo, quanto mais voçê...


— E o que fala essa profecia?


A mulher torce o canto dos lábios e olha contrariada para a filha:


— Voçê não desiste!


— "Igualzinha a seu pai"— dizem juntas.


— Tá bem... Aqui diz, bem no final,sobre a esperança de um corpo onde pulsariam dois corações — declara Jacira.


— Que estranho, heim! — admite a menina.


A pequena, então, não consegue segurar o bocejo. Ao que sua mãe logo usa para confirmar a justificativa de já passar da hora de estar na cama.


— Ok. Desisto! Essa daí vai ficar pra quando eu aprender a ler.


A mãe tinha orgulho da filha. Estava com a boca entreaberta, prestes a elogiar a pequena Thainara. Mas um barulho no quintal a faz adiar o elogio. Ela leva a menina, já quase dormindo para o quarto; em seguida desce para a cozinha, a fim de ver se não era o gato derrubando as panelas.

Ao abrir a porta, Jacira depara-se com uma mulher maltrapilha debruçada no limiar da porta. Ela carregava um 'cofo' de palha toscamente preso às costas, dentro do qual havia duas pequenas crianças.


Laportea e Zara


Três horas antes dessa cena doméstica, no âmago do matagal que cercava a casa, uma mulher negra fugia acossada. A mulher era chamada de Laportea, irmã gêmea de Luzia Mahin. Laportea foi chamada assim, por que ganhou uma luta lendária só com o uso da planta que leva o mesmo nome. Ambas descendiam de uma linhagem antiga. Seu marido era Mahin, também descendente de uma importante linhagem.

Todavia, o motivo imperativo de sua fuga era porque ela fora um dos instrumentos principais de um evento célebre e muito raro na história de toda a Via-Láctea, efetuado naquela data. Seus filhos, por serem os últimos descendentes, dariam continuidade a essa ilustre linhagem, que poderia revelar um possível intermediador no futuro.


Os carrascos impiedosos já vinham acossando a pobre mãe por três dias seguidos. Os andrajos que cobriam o corpo macerado já pendiam em tiras encharcadas de suor e sangue. Quando estava próxima da zona urbana de uma vila, ela encontra o pai das crianças, que tentava despistar os perseguidores. Ele dirige-se à esposa.


— Dá-me só um dos meninos. Olha teu estado mulher. Tu não vai conseguir levar os três a salvo.


— Sou mãe e mulher negra. Tu tá desconhecendo tua esposa? Posso aguentar mais um pouco...


— Deixa de ser cabeça dura Laportea. A cria também é minha. O homem do qual te falei é filho da raça antiga. Ele é homem de condição, e está partindo para a França. A mulher dele está aqui na fazenda e já foi avisada da nossa causa. Ela te espera no casarão. Um cavalo já está selado; um capataz de confiança do Sr. Lugh vai te levar à casa de tua irmã. As crianças não estarão seguras se ficarem juntas. Nossos filhos vão ter vida boa e em segurança...


Já sem suportar admitir a verdade e as lágrimas que lhe sucedem, ela desaba em choro ardente, que parecia doer-lhe mais que as feridas abertas na carne. Tira uma das crianças do fardo nas costas; dá-lhe um beijo sôfrego embebido em lágrimas e entrega-o ao pai. Suas mãos, num acesso de tremor, abraça o rosto do marido e lhe diz:


— Tua mulher te ama! Leva meu amor contigo, junto com nosso filho.


O homem retribui o afeto e fala:


— Te avexa 'nêga'! Eles não estão muito longe. Não te preocupes comigo. Já tem alguém da nossa gente esperando no porto. O homem disse que podia levar alguém da nossa parentela pra ser ama de nossa cria. Sossega, que vai dar tudo certo. Em breve estaremos juntos novamente com nossa Família. Eles vão nos acolher de volta.


Depois que a mulher se despede, vira e sai em disparada sem olhar para trás. Chega em uma cerca, que agilmente transpõe, dando a volta na grande propriedade. Chegando no limiar do quintal, já esfolada de alto a baixo, ela se joga sobre o alpendre, derrubando algumas ferramentas de agricultura. Escuta-se a aproximação de alguém dentro da grande casa. Jacira abre a porta e encontra uma pobre coitada estirada.


Um dos meninos é acolhido_ Rigel. Jacira deu-lhe o nome de João da Cruz e Sousa, para despistar os inimigos. Os outros também receberam outros nomes. Laportea leva o último filho consigo, embrenhando-se no mato, onde a noite e o paradeiro de ambos sumia-se.


Depois que Laportea deixou o pequeno Rigel na casa do coronel Lugh, vai ao estábulo e pega o cavalo já selado. Em seguida, encontra com o peão, no cercado que limitava o lado oposto da fazenda e disparam montados no cavalo. Rumores mais recentes apontaram as serras entre o Piauí e o Ceará como destino de Laportea e do filho, Elgebar.

# O Ceará aboliu a escravidão quatro anos antes da lei áurea em 1884.

Aqui, pede espaço um relato premente que dará uma prévia dessa longa história cheia de ramos.

A região onde Laportea e o filho passaram a residir, é a Serra da Ibiapaba, no território que abrange os municípios de Tianguá, Ibiapina e Ubajara, no Ceará, e São João da Fronteira, no Piauí.

Ao chegarem, os dois procuraram entrar em contato com as mesmas pessoas que intercederam por Lugh, enviando Algebar para a França. Altamente envoltos em lençóis do anonimato, esse povo pertencia na verdade a uma família antiquíssima. Porém, os detalhes ficarão para o seu contexto oportuno. Basta, por hora, que diga-se que essa gente estava espalhada pelo globo em pontos estratégicos. Dentre tantos, os principais consistiam da França, Nepal, África do Sul e o país no qual estes relatos ainda transcorrem, especificamente na região Amazônica. Embora haja alguns representantes em outras partes do Brasil, como é este o caso. Laportea, por se envolver desnecessariamente nas disputas entre colonizadores, índios e escravos, separou-se daquela sociedade em questão. Isso deve-se ao fato deles não se envolverem nos conflitos do mundo.

As pessoas com quem Laportea e o filho lidaram, chamam-se Wezen, Timóteo e Caíque. Apresenta-se, por fim, à curiosa sucessão de informações, a de que esses indivíduos na realidade não têm lar fixo, pois sua nacionalidade não consiste nenhuma das que existem no planeta. Por enquanto, compete dizer que eles possuem refúgios, muito bem escondidos e guardados, naqueles setores já mencionados, incluindo arredores dos mesmos.

Neste ponto, chegamos novamente às Serras da Ibiapaba. Pois Laportea passou um tempo em Viçosa do Ceará. Era complicado viver naquelas regiões (na época apenas aldeias), porque a catequização provocava conflitos entre os índios e os jesuítas. Nenhum integrante daquele Povo neutro queria envolvimento, para evitarem que os associassem às causas dos homens comuns. Um dos motivos é que eles não habitam às vistas das pessoas, mas no subsolo, bem abaixo dele. Por isso escolheram a Serra da Ibiapaba, para que pudessem construir uma longa rede de túneis subterrâneos. Isso, porém, não teve início nas terras do Piauí ou Ceará. Os túneis que haviam naquele trecho, eram apenas amostras pequenas da complexa e bem estruturada colônia subterrânea que fica abaixo do solo amazonense. A elaboração desse árduo e meticuloso trabalho, começou muito antes da colonização do Brasil. Porque, aderindo aos peculiares fatos já abordados, acrescenta-se, por fim, o mais excêntrico de todos: os povos ameríndios, descenderam de um ramo separado desse povo ancestral, o que inclui os Tupis, Guaranis, Tabajaras, Tapuias, Potiguaras, dentre outros.

Esse Povo veio de mundos diferentes da Via-Láctea, trazendo a maior parte das espécies da fauna e flora do planeta Terra. Esses intitulavam-se os Dheanes, os quais junto com Dheam, formavam 'Zhara', ou 'a Resistência'.

No período de sua chegada, a virgindade das selvas projetava nas impressões a perfeita imagem de um único ser vivo pulsante, arfando em haustos colossais, com garras de pura celulose e fortes pulmões verdes, que pareciam abrir as mandíbulas para tragar de uma só bocada os aventureiros.

Como já frisado, essa raça de humanos veio de um outro mundo, com a nobre missão que envolvia, não só o planeta Terra, mas outros cinco.

A síntese do plano consta de reunir pessoas escolhidas dentre uma genealogia seleta de amantes da vida e da arte, acima de tudo a arte de amar a justiça, a pureza, a beleza das formas, do caráter e da natureza divina que havia nos homens. Esses escolhidos representariam o seu planeta em um evento de proporcões e importância astronômicas. Ou seja, cada planeta, por meio de uma árvore cósmica, produziria uma Noz, a qual, junta com as demais formariam um escudo em volta de nossa Galáxia. O nome da árvore é Dhea. Por esse motivo são chamados Dheanes todos aqueles que aderiram à causa.

A história da princesa Ilméria e do príncipe árvore, Dheam, é apenas um dos muitos acontecimentos, que duraram milhões de anos.


Claro que eles tinham quem lhes obstasse a empreitada. Justamente seus conterrâneos de Aleph, que de algum modo misterioso conseguiram chegar à Terra.

Agora, faz-se a oportuna introdução de alguns fatores notáveis nessa história. Um dos mais substanciais são os Gutus: seres com fisionomia de animais, porém, com a singular habilidade de projetar sons e até vozes. Muitos dos quais são alados, provindo disto e de outros fatores que cercam os Dheanes, as muitas lendas e mitos que permeiam as culturas dos povos da Terra.

Primeiras instalações


Ilméria e seu grupo de amigos, a quem considerava família, foram recebidos por um Brasil primitivo e incomparavelmente inóspito.

— Por onde devemos começar, Dheam?— pergunta a princesa.

— Há muita coisa para começar. Todavia, a mais urgente, sem dúvida, é um lugar de pouso para vocês. O clima tropical, com certeza, nos presenteará com sucessivas e generosas precipitações pluviais. Portanto, é necessário um abrigo. Vocês, diferente de mim, não carecem dessa rega interminável nas cabeças e pés.

— Não carecemos, nem desejamos. É indiscutivelmente incômodo — declara Cauabori, um primo, mas tratado como irmão por Ilméria.

Rapidamente, Dheam passa por cima das árvores altas um dossel construído a partir de seus galhos e raízes, de modo que ficou impermeável à chuva incessante.

— E agora, está melhor?— pergunta Dheam.

— Razoavelmente melhor — aprova Ivaí.

— Mas isso é provisório, não é? — certifica-se Inia, melhor amiga de Ilméria.

— Nossa! Quanta frescura minha gente. É só agua... — comenta Hima, irmão de sangue de Ilméria.

— Também acho. Os Gutus estão se divertindo — fala Syagrus.

Dheam responde a pergunta da moça:

— Sim, é provisório, Inia. Meu seleto grupo de amigos da realeza artística merece um lugar mais digno onde possam trabalhar confortavelmente e descansar seus corpinhos lindos.

— Está falando de mim? — interrompe Hima, com um largo sorriso gabola.

Dheam continua:

— ... Sem falar de nossos ilustres e exigentes Gutus — diz ele, dando ênfase.

Os Gutus presentes incham os peitos, fazendo cara de esnobes.

— Vocês são muito cheios de caprichos e regalias. Dheam ainda não nos disse qual será o primeiro passo — esse era Hazim, o mais metódico e racional da família.

— Certo. Primeiro, vamos às divisões. Hazim, você ficará responsável pelo ponto norte, na Europa; Hima ficará com o ponto leste, nas montanhas; Syagrus, Inia e o marido Ivaí, irão para o sul do continente africano; Cauabori ficará no centro. Enquanto Ilméria ficará aqui, nas florestas da América. Os demais podem escolher em qual desses pontos ficarão.

— E o abrigo?— insiste Inia.

— Calma! Isso vai levar um pouco mais de tempo. Entretanto, desde já eu peço a Wezen, Allam, seus Gutus e a prole deles, que iniciem uma elaborada escavação de cavernas abaixo das formações rochosas ao noroeste da floresta. Eu irei adiantar o processo com minhas raízes, fazendo os percurso das áreas seguras onde deverão escavar.

Seria em vão tentar argumentar na defesa desse projeto aparentemente inconcebível. Todavia, o Gutu de Adaim é uma toupeira de três metros de altura, e o de Wezen é uma preguiça gigante de dez metros. Sem falar na prole abundante que tinham para auxiliá-los. Para tornar a ideia mais concebível ainda, digo que eles manejavam um material muito resistente, semelhante ao aço, porém maleável, denominado levitate. Muitos feitos serão narrados posteriormente acerca dele.


Nesse período, muitas partes do globo já estavam povoadas, principalmente a Ásia e a Europa. Esse episódio aconteceu pouco depois que os primeiros pais da raça humana foram formados, muito a leste do Brasil, na região que hoje corresponde ao Oriente Médio, em uma área pequena, mas cercada e bem irrigada, chamada de Jardim do Éden.

Dheam pergunta a Caliandro:

_ Por que Hima não pôde vir?

_ Ele não quis deixar a mãe adotiva sozinha.

_ Vai chegar uma hora que isso deverá acontecer. Acho que Hima se diverte muito com a repercussão que ele e a mãe adotiva estão causando no Nepal _ comenta Hazim.




27 de Maio de 2022 às 15:48 0 Denunciar Insira Seguir história
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