angeldaydreamer Bruno Medeiros

Após uma terrível escolha, para proteger sua irmã mais nova, que exigiu tudo de si, Lyssa entrega tudo o que restou dentro dela à uma nova vida, com um nome diferente, uma nova casa em uma cidade pequena, trabalho e um novo amigo. Lyssa foi criada desde pequena com sua irmã para serem armas letais nas mãos de uma grande organização de assassinos de aluguel, chamada União, que agora está sob um novo poder. O novo líder da organização vai atrás dela para fazer uma proposta, mas ela recusa, sem contar que ele ordenaria uma caçada sangrenta à ela e a todos aqueles que ela deixou para trás no dia que partiu de sua antiga vida, forçando-a a reagir.


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Prólogo

Está acabado. Seu sangue impregnado em minha pele. Meu coração acelerado... devastado. O seu se quer pode bater. Me pergunto se realmente foi preciso. Quem é o monstro agora? Ele, cuja o corpo daqui a poucos minutos será como uma pedra de gelo, ou eu? Fácil. Sou eu agora. Estou a sentir o sabor amargo de sua morte descer como um veneno, tentando se convencer de não ter tido escolha, mesmo sabendo do contrário.

Eu podia ter ido. Ele poderia estar vivo, mas agora há dois mortos nesta sala, e um deles ainda respira enquanto segura uma faca manchada com o sangue de um homem. Meu pai. Eu deveria ter fugido com minha irmã, mas agora Lydia me odiará eternamente por ter matado a pessoa que ela mais ama. Nosso pai. Eu fiz por ela, fiz pela gente, mas dizer isso jamais será o bastante para convencer a nós duas.

Meu corpo todo está ferido, mas nem não sinto nada além do fervor em minhas veias. Estou ajoelhada no tapete desta sala enquanto seguro a faca. Tudo tem o cheiro e o sabor metálico de sangue.

A mesa de centro está tão despedaçada quanto eu por dentro, todos os cinco vasos decorativos são apenas cacos ensanguentados agora, e estas paredes brancas são testemunhas que contam sobre uma batalha brutal, a qual as deixaram manchadas e que continuará viva para sempre em minha mente.

— LYS! — uma voz forte e distante vagueia pela sala. — O que aconteceu?

Essa voz toca meus ouvidos e uma mão se põe em meu obro. Me desperta, mas nada foi um pesadelo. Tudo real.

— Eu não tive escolha.

Solto a faca com as mãos tão rêmulas quanto minha voz e olho para trás. É o Bruce.

Ele se ajoelha a minha frente.

— O que aconteceu?

Bruce olha fundo em meus olhos que nem se quer conseguem ver coisa alguma, a não ser minha mão enfiando uma faca no peito do meu próprio pai.

— Eu não tive escolha, eu não tive escolha, eu... — suspiro enquanto visualizo aquela cena. — Ele ia matar ela, Bruce.

Tento deixar as lágrimas saírem mas estou me sufocando por dentro com elas e fica cada vez mais difícil respirar.

— Quem ele ia matar?

Seus olhos me analisam e todas as suas expressões de confusão misturadas com medo tomam mais cor.

— Ela, Bruce... Lydia... Ele disse que ela era... fraca.

Então, eu desabo, deixando tudo o que me sufoca sair, mas ainda é difícil respirar. Vai ser difícil viver.

— Acredito em você — ele me abraça sem conseguir conter suas lágrimas.

— Tá tudo bem — Ele põe seu queixo sobre mim e depois beija minha cabeça.

Mentira. Não está. Nada vai ficar. Quando ela souber... Só acho que ela nunca vai me odiar mais do que eu mesma.

Um.

Algo dentro de mim se debate. Não suporta mais a dúvida, o sofrimento, a culpa e a raiva. Isso vem emergindo. Enquanto esses braços fortes envoltos de mim me seguram com força para que meus cacos não saiam do lugar, eu me sinto indigna do seu acolhimento.

Dois.

Me sinto envergonhada de se adentrar em seu abraço e tentar limpar minha sujeira em seu tapete de boas vindas. Eu preciso me afastar. Preciso engolir tudo de uma vez e me resolver quanto ao o que fazer agora.

Três.

Agora.

— Você precisa ir — me saio sutilmente dele e falo enquanto sou incapaz de olhar em seus olhos.

Ele se levanta comigo.

— Eu não vou deixar você aqui. Não vai passar por isso sozinha.

Sua mão pressiona meu queixo para cima até que nossos olhares se alinhem.

— Não quero sua pena — tiro sua mão com força —, nem mesmo a sua ajuda para me sentir melhor — viro as costas, me abaixo e pego a faca ensanguentada. Ela está fria. — Saia daqui, Bruce... eu cuido disso.

— Não posso — exclama.

— Você pode e vai. Eles vão vir, e eu tenho que resolver isso sozinha.

— Acha mesmo que vou deixar você agora com esses psicopatas?

— Olha, me escute! — Coloco minhas mãos em seu rosto e crio coragem para olhar em seus olhos. — Eu preciso muito que vá e fique com a Lydia. Caso eu não dê notícias até à meia-noite ou alguém vá atrás de vocês, de qualquer maneira, quero que pegue suas coisas e leve ela para o mais longe possível.

Bruce segura minhas mãos e me dá um beijo, como se esse fosse o último e, por um tempo, tenho certeza que será. Seus lábios macios me fazem esquecer de tudo por meros segundos, e eu retribuo com força antes que eu desperte e volte para a realidade. Eu não quero voltar. Eu não... Preciso voltar, preciso deixá-lo ir. Sinto lágrimas emergindo, mas não posso deixá-las saírem dessa vez. Preciso ser forte. Engulo seco enquanto o deixo ir.

Lydia precisa estar segura agora e longe de mim, tenho certeza que ela tentaria me matar pelo resto de sua vida. Ela sempre disse que tinha esperança de um dia ver nosso pai deixar toda a maldade que tomou conta dele após o assassinato da nossa mãe, e que sonha em um dia estar todos nós vivendo nossos melhores dias em Nova York, longe da união, sem ter que mudar sempre de um lugar para outro e sem precisar treinar todos os dias para nos tornamos algo que não queremos ser. Assassinas. Mas ela nunca soube que eu já me tornara há muito tempo. Agora todo seu sonho será contado no pretérito para nos machucar mais ainda, e eu serei para ela aquilo que tirou a nossa mãe da gente e aquilo que tirou nosso pai dela.

Que seja.

Tudo o que vejo agora são meus sonhos se frustrando: casamento, vida feliz, nada de mortes, sem a união... e o Bruce se afastando conforme ele vai indo e eu vou dando cada vez mais um passo para trás.



4 de Janeiro de 2022 às 16:24 0 Denunciar Insira Seguir história
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