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yaruvie Hiro Sen

⚠ Todos os acontecimentos e personagens citados aqui são FICTÍCIOS e de minha autoria. ⚠ Kohaku é um jovem garoto de onze anos que, tentando escapar de sua cidade, agora perigosa por efeitos da guerra que ocorre em seu País, acaba perdendo sua mãe em um ataque. Após muito tempo andando sozinho pela floresta, acaba por encontrar outros três garotos e uma garota, que o acolheram e estarão ao seu lado durante toda a batalha por liberdade. Passando por tantas dificuldades e sofrimento ao serem capturado e enviados para uma base dos Soldados inimigos, seguem em uma árdua espera por seu E-day.


Drama Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#guerra
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Prólogo

Seus olhos de oceano finalmente se abriram, entregando a Kohaku a melancólica visão calma da janela do trem. O silencio era cortante e nada além de algumas respirações profundas podiam ser ouvidas ao decorrer da longa viagem, em conjunto com o barulho dos trilhos que se chocavam com as rodas de ferro. Ele podia ver algumas arvores dançarem com o vento e um longo rio ao longe corria pacificamente.




Seu corpo franzino era coberto por roupas simples, de tecidos baratos e cores sóbrias, sua mão as havia costurado a pouco tempo. Seus sapatos eram pretos, infantilmente sujos por um pouco de lama; Seu cabelo loiro, alcança seus ombros em seu liso naturalmente leve, uma franja bem cortada alcançava suas sobrancelhas que quase não podiam ser vistas.




Ao seu lado, sua mãe. Seus fios dourados mantinham-se soltos e caiam como uma cascata de ouro sobre seus ombros delicados, estava acordada, mas seu olhar que observava o mais singelo nada, abandonados como não costumavam ser. Em seu corpo esguio; Um vestido de tecido grosso e poucos tons de cinza, fora de moda e sem graça. Sapatos de pouco salto e de negro arranhado, em conjunto a suas meias de tom semelhante a própria pele.




Em suas pequeninas mãos, apoiados sobre seu colo, carregava consigo um livro feérico e um diário; Objetos ao qual o menino negou-se largar dentro de sua bolsa. E não demorou muito para que, pela sétima vez durante essa longa viagem, abrisse aquele livro novamente; Dando novamente aos seus olhos, o vislumbre da pequena fada de aparência semelhante à sua mãe, que dançava em um cenário calmo, envolto por pura paz.






- Ela é muito bonita, não é? – A mãe pronunciou-se, com sua voz doce, mas ainda sem vida.






- Se parece um pouquinho com você. – Ele a respondeu, mas não a olhou nos olhos.






- Mais com você. Tem cabelo curto e lisinho, vê? Também gosta de dançar, igual a você. – Ela retrucou, tocando a pagina amarelada com o indicador.






- Talvez sim. – Ele sorriu suavemente, mas não demorou muito para que voltasse a sua fisionomia inexpressiva.






A mãe o observou por poucos segundos, talvez um pouco menos. Doía-lhe o coração observa-lo por mais de poucos instantes. Não era Haku ali sentado com seu amado livro fantasioso em mãos, apenas uma alma completamente perdida. Não ria e se agitava como antes, mais se parecia um adulto ao seu lado. Não contava seus sonhos três ou quatros vezes incansavelmente como costumava, perdeu a voz. Não se levantava e corria pelo trem sorrindo á até aqueles que não estavam vivos, perdeu as forças.






- O que vai acontecer conosco quando chegarmos à Fuyuki? – Ele finalmente mirou-lhe os olhos cansados, uma tristeza talhante.






- Vamos ficar em uma casa, de uma senhora muito boa que vai nos ajudar a fugir dos caçadores maus. E lá estaremos seguros por enquanto, tem muitos soldados bons, vamos ficar bem.






- E quando vamos ver o papai de novo?






- Quando tudo isso acabar, meu amor.






- Fala a verdade, não gosto de mentira. – Disse frio, surpreendendo a mãe. – Eu vi nas notícias dos jornais quando estávamos fora do trem, tem milhares de soldados maus e talvez a gente nunca mais veja o papai.






- Eu estou muito cansada, Haku. – Desviou seus olhos para o vazio novamente, fechando-os em seguida. – Conversamos quando chegarmos lá, só mais uma parada.






Um suspiro suficientemente carregado escapou pelos lábios finos do garoto, que baixou seus olhos para o livro novamente quando sentiu que poderia chorar a qualquer momento.


E ali ele desejou com toda a sua força, derramando sobre a pagina pequenas gotas do peso que carregava sobre os trilhos do trem, para que sua fadinha tão alegre lhe trouxesse a alegria de volta também; que lhe trouxesse sua casa, seus amigos e papai de volta.




Mas o som da parada o fez abrir seus olhos rapidamente, algo ali definitivamente não estava certo.




Ele pode ouvir claramente quando algo do lado de fora emitiu gritos perigosos, comandava com agressividade outras vozes. Em poucos segundos, o silencio presente dentro do vagão havia se dissipado. Sussurros, o chorar silencioso de alguns frágeis e respiração acelerada o sufocavam amargamente.


Sua mãe havia se levantado tão rápido quanto um raio, tentando enxergar o que vinha mais a frente; Seu olhar não poderiam indicar nada bom.






- Mamãe? – Perguntou Haku, em sussurro falho e apavorado quando todos pareciam estar em completo alerta. O medo ferveu sobre o ambiente e os lamentos tornaram-se mais claros, como sentimentais despedidas. – O que está acontecendo?






- Eles estão nos vagões mais a frente? – Uma senhora perguntou a sua mãe.






- São quantos? – Um jovem rapaz tentava olhar pela janela.






- Tem uma floresta ali, ainda podemos fugir. – Uma jovem moça, dirigiu-se ao marido ao lado.






Os sussurros aumentaram como uma onda gigante, em conjunto aos batimentos confusos no peito do menino. Sua mãe mirou-lhe um olhar alerta, e se abaixou para alcançar seu olhar amedrontado.






- Corra quando eu disser e não pense em mim, não pergunte nada, não saia da minha frente e em hipótese alguma olhe para trás, me entendeu?






- Mooma, eu estou com medo.






- Eu sei, Haku. – Levantou-se e pegou a mochila do menino no bagageiro logo acima, não era pesada demais. A encaixou o mais rápido possível ao corpo do garoto, certificando de que ficaria firme ali. – Mas ouça o que eu disse e fique vivo por mim, tudo bem?






- Mamãe!






Os passos soaram bruscamente pelo corredor quando disparos contínuos puderam ser ouvidos; esse havia sido o fim do pavio. Alguns lutavam para sair pela insuficiente porta do vagão, outro apressados pulavam a janela como animais em completo desespero.


O menino agarrou com força os livros em um de seus braços quando sentiu a mãe puxar pelo outro pelo caminho até a porta. Mal puderam passar em meio a montanha de pessoas apressadas, e quando puderam, se depararam com o completo caos e desespero ao lado de fora.




Não pode parar de correr e as pernas longas de sua mãe protegiam-lhe as costas, sempre muito apressada mas muito cuidadosa. Ele pode ver no canto de seus olhos, aquela mesma senhora cair sobre o chão frio quando projeteis lhe atingiram as costas.






- Corra, Haku! – A mãe gritou quando puderam ouvir finalmente o som o aterrador de uma única bomba, que em um único golpe, pode derrubar tantos.






A adrenalina tomou completamente o pequeno corpo do menino, fazendo com que suas pernas corressem aquilo que mal podiam. O frio congelou seu coração e seus pulmões mal podiam receber o ar contaminado pela fumaça cinzenta.






- 𝘊𝘰𝘳𝘳𝘢! – Um último grito sufocado de sua mãe cortou o vento que atingia diretamente seu rosto, o fazendo virar-se imediatamente para sua direção.






Seu corpo despejou-se quase graciosamente sobre o chão, dolorosamente e assustadoramente graciosa. quando as coisas pareciam acontecer em câmera lenta, seu sangue cor de vinho escapou do corpo sobre a grama úmida como a mais bela pintura mórbida. Haku pode sentir como se o objeto houvesse atingido a si mesmo.


Seus olhos nunca foram tão vazios como naquele momento, e eles podiam atingir diretamente os de Kohaku. Ela estava morta agora, como se não fosse nada.






- Corre menino, corre! – Uma voz perdida em meio à multidão o fez acordar em poucos instantes.






E suas pernas voltaram a correr, ameaçando falhar. Adentrou em meio as árvores mas não deixou de correr. Sentia o ar gélido ferir internamente seus pulmões e os gemidos que escapavam de seus lábios húmidos pelas lágrimas, deixam isso claro. O peso de uma mochila sobre suas costas era completamente insignificante.






𝐸𝑙𝑎 𝑒𝑠𝑡𝑎́ 𝑚𝑜𝑟𝑡𝑎 𝑎𝑔𝑜𝑟𝑎.




𝐸 𝑒𝑢 𝑝𝑟𝑜𝑚𝑒𝑡𝑖 𝑎 𝑝𝑎𝑝𝑎𝑖 𝑞𝑢𝑒 𝑐𝑢𝑖𝑑𝑎𝑟𝑖𝑎 𝑑𝑒𝑙𝑎.




𝑀𝑎𝑠 𝑒𝑙𝑎 𝑒𝑠𝑡𝑎́ 𝑚𝑜𝑟𝑡𝑎 𝑎𝑔𝑜𝑟𝑎.




𝑀𝑎𝑖𝑠 𝑑𝑜 𝑞𝑢𝑒 𝑛𝑢𝑛𝑐𝑎, 𝑚𝑎𝑚𝑎̃𝑒 𝑒𝑠𝑡𝑎́ 𝑚𝑜𝑟𝑡𝑎 𝑎𝑔𝑜𝑟𝑎.






E após longos minutos ou talvez menos, de uma corrida interminável em meio as árvores morbidamente frias, suas pernas que doíam como o inferno enfim falharam e levaram seu franzino corpo direto ao chão. Seus ossos fracos chocaram-se diretamente a folhas e galhos úmidos pela passada chuva de noites anteriores. Ele pode sentir que pequenos cortes superficiais sobre sua pele pálida, até que suas costas se chocassem com uma única rocha e ele retorceu-se em dor.




Mal Podia respirar, ele agonizava e gemia em dor quando o tentava fazer. Ele se manteve deitado sobre aquele chão frio como um cão ferido, enquanto as lágrimas persistiam arduamente em inundar o seu rosto.



21 de Novembro de 2021 às 16:38 0 Denunciar Insira Seguir história
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