giovana_acqd2019 Giovana de

Que dia é hoje? Sabe que dia é hoje? Dia de viajar, viver e fugir...Fugir? É. Mas antes temos que descobrir: Quem é o assassino entre nós? História escrita e publicada por Giovana de Oliveira. *Baseada em ficção, qualquer semelhança com a vida real será mera coincidência.


Suspense/Mistério Impróprio para crianças menores de 13 anos. © Giovana de Oliveira Crescenzo

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Um beijo e inocentes.

No verão iriamos sair de férias e ir para Gurmendado, uma cidade do interior que fica próximo a outra famosa cidade: Jerinó, que ficava no estado de São Paulo, Brasil.

Tinhamos certeza que tudo daria certo e não tinha perigo de nada estranho ou normal demais acontecer conosco. Estávamos em 7 pessoas, e iríamos em 10: incluindo os pais de Antôninho e o primo nerd e esquisito dele, o Paulinho.

Eu não sabia o que podia acontecer com um nerd depois de um trauma forte sofrido em qualquer lugar que seja, achava que éramos feitos de ferro e livros: os escudos protetores de almas dos cdf's. Enfim, nosso amigo Antôninho conseguiu ingressos para um parque lá de Gurmendado e além de ansiosos, estávamos felizes porque poderíamos finalmente tirar uma folga daquela selva de pedra que era São Paulo. Exaustos? Estávamos. Nessa época era para concluir o último ano do ensino médio, e era tão puxado que tinhamos que ficar depois da escola. Foi aí que, eu, conheci a pior parte de se estudar com jovens seja lá o que for, mimados, revoltados, ou apenas caprichosos, principalmente sendo mulheres jovens. (Falo mulheres porque a partir dos dezoito já é adulto, ou não, sei lá).

Como eu dizia: Éramos em sete jovens futuros adultos,todos nós muito saudáveis e aspirando energia, só que uma de nós era... como posso dizer: era especial, era a Clarinha.

Clarinha era acima do peso mas era a mais inteligente e nerd de todos nós: tinha cabelos castanhos lisos e olhos castanhos. Estava sempre de bom humor, era um baú de amor e carinho.

Um mês antes da viagem estávamos terminando o tcc no refeitório, quando Clarinha falou que ia a cantina pegar algo para comer. Clarice, a mais próxima dela do grupo, falou:

- Clarinha, não está de dieta? Seja forte, não pode ficar comendo toda hora.

Clarinha não hesitou em responder rindo:

- Clarice, não estou comendo toda hora, e já é hora de fazer um lanchinho. Para com isso, deixa de ser chata, anda, vamos lá na cantina pegar algo. - Se afastou Clarinha em direção a cantina.

- Clarinha, eu estou avisando: Para de se empanturrar. - Respondeu Clarice conferindo as páginas do tcc.

Eu não sabia que mulheres eram tão neuróticas com o peso. Clarice era esbelta, e queria pegar no pé de Clarinha para que ela ficasse igual para saírem juntas. Isso que eu ia falar... Quando saíamos era mais e apenas os seis, sim, seis, porque não convidavamos tanto a Clarinha, pois o motivo era estampado na cara: Ela era gorda.

- E aí já pensaram em um jeito de se livrarem da gorda? - Falou Antôninho.

- Teríamos que morrer e nascer de novo, mas essa garota é muito inteligente, olha nosso tcc, vamos tirar nota máxima. - Ursula murmurou.

Clarice e Clarinha estavam voltando da cantina com bandejas cheias de comida quando de repente Clarinha tropeça em um dos pés de uma patricinha e derruba sem querer um suco de kiwi na camiseta de seda rosa dela, o que gerou um rebuliço.

- Cara, o que essa gorda não faz para estragar meu dia e aparecer? Mas que merda Clarinha, a gordura consumiu sua coordenação motora?

O refeitório inteiro ficou em silêncio, e algumas risadas começaram a surgir depois de uns cinco minutos. Clarice, entrou na frente de Clarinha e respondeu a patricinha:

- Foi sem querer Julie, não fica se gabando só porque alguém finalmente decidiu te dar atenção. - Todos do refeitório riram.

Clarinha se desculpou e sentou na mesa, vermelha igual a um morango. Nós ficamos de boca aberta com tudo aquilo e eu sabia que não acabava ali, estava estranho. Depois de uns quinze minutos esquecemos tudo, lendo cada parte do enorme tcc que Clarinha tinha nos ajudado a fazer.

Na hora de irmos embora, Clarinha voltou para a sala e falou para irmos na frente que ela ia demorar, sem pensar três vezes fizemos o que ela pediu. Mas eu pensei bem, e voltei... Vi algo bem estranho: Era Clarinha com um jovem lindo, esbelto e de olhos pretos. - "Será o namorado de Clarinha? Acho que alguém está escondendo um segredo da gente." - Na hora em que eu ia entrar na sala, ela o beijou com ternura. Foi um beijo de cinema, mas nossa, cadê minha camera quando preciso?

Saí de lá com cara de famoso "ué", mas fiquei feliz por ela: Algum de nós sete estava se endireitando na vida.

No outro dia Clarinha não tinha ido para entregar o tcc, então ligou para a Clarice para buscar o tcc na casa dela. Clarice foi, e quando chegou lá viu o mesmo jovem que eu, e perguntando quem ele era, Clarice pensou em não deixar mais Clarinha sozinha com o moço que só parecia querer uns beijos.

Chegou a famosa viagem para Gurmendado, e estávamos ansiosos para ir, iriamos de charrete ou até de burrinho se fosse preciso. Acabamos indo de carro: metade com os pais de Antôninho e metade com o primo nerd dele. Chegamos no pôr do sol. Cansados? Estávamos. Mas logo despertaríamos.

Clarinha chegou de mão dada com alguém, mas não dava para ver direto quem era, era alto, moreno e com óculos refinado, parecia um anjo.

Sim, era ele, o estranho da sala de aula. Mas estava muito estranho aquilo. Clarinha mal podia conversar com alguém sem cuspir, quanto mais arrumar um namorado.

- Oi Clarinha, tudo bem? Veio de ônibus? - Falou Antôninho carregando as malas.

Eu observava pela janela, e algo nesse moço não me enganava.

- Vim, cadê o resto do pessoal? - Você não vai me apresentar ao seu amigo? - Falou Antôninho.

- Claro, esse é o Yago.

- Entra lá, tão lá dentro - Desabafou Ursula procurando na necessaire um repelente para mosquito.

- Que cara estranho. sussurou Antôninho para Ursula.

Já de noite, estávamos prontos para ir ao parque, e os pais de Antôninho tinham deixado a chave dos dois carros com a gente, então isso significaria que chegaríamos tarde e poderiamos "fazer a festa".

- Deixa que eu dirijo - Falou o amigo estranho de Clarinha.

- Pode deixar, Ursula sabe dirigir, e meu primo Paulinho leva o outro carro.

- Eu insisto - Agressivamente o amigo da Clarinha pegou na minha mão com a chave, apertando-a.

-Aí gente, alguém pediu um licor bem docinho e gelado? É hoje que vamos encher a cara. - Gritou o Antôninho.

- Ok, já chega, pode deixar amigo miste...aliás, qual é o seu nome amigo misterioso? - Interviu a Clarice.

- É Yago. - Respondeu o amigo de Clarinha, com cara de poucos amigos.

- Vamos, peguem cada um seu ingresso e entrem no carro, já está ficando tarde. - Clarinha falou assustada.

Fomos para o parque e nossa, aquilo parecia de filme, era a coisa mais legal do mundo, colorido e cheio de luzes. Nos separamos em grupos de 2, quatro grupos para 2 pessoas, e assim passamos a noite nos divertindo até as onze meia: hora que o parque fechava.

Depois do parque fomos a uma lanchonete vinte e quatro horas da cidade, e então tudo foi ficando estranho, o Yago, (amigo da Clarinha) resolveu socializar nos contando histórias de terror, o que era a coisa mais chata, pois ele não assustava e não sabia contar. Até que ele tocou em uma história que me interessei, e era mais ou menos assim: "Dois jovens estavam caminhando na floresta, quando decidiram fazer uma brincadeira de esconde esconde, só que diferente. Decidiram chamar espíritos para brincarem, mas acabaram chamando uma pessoa viva, perigosa, um assassino, que era morador ali da cidade local. Nunca mais se ouviu falar desses dois jovens. E o cara acabou sumindo."

É, eu sei, péssima história, não é mesmo? Mas algo me dizia que não era só uma história...

Quando voltamos para a casa dos pais do Antôninho, Clarinha e Yago sumiram. Decidimos fazer uma brincadeira chamada verdade ou desafio. Mas estava sem graça, Antônio e o resto do pessoal mal parava em pé de tanto licor de maracujá que tomaram. Eu não bebi porque tomo remédios para pressão alta e diabetes, mas tive que ver todos bêbados vomitando...eu não vi a Clarinha bebendo também. Onde essa menina se meteu? Daqui a pouco ouvimos um grito alto e ardido de mulher: Era Clarinha.

- Clarinha, o que aconteceu? - Falou Clarice desesperadamente procurando o kit de primeiro socorros na bolsa enorme dela (Eu digo, mulheres são neuróticas e exageradas).

- Não foi nada, era apenas uma barata voadora. - Respondeu Clarinha enrolada em um lençol de pijama de calor.

- Cadê o seu amigo Clarinha? - Cambaleou Antôninho.

- Estou aqui - Respondeu Yago saindo do banheiro molhado e enrolado em uma toalha. Ele era atraente, com músculos, sem nenhum pingo de gordura.

- Vocês estavam...? - Falou Ursula, envergonhada.

- Não, não estávamos... - Respondeu Clarinha, envergonhada.

Depois do episódio maluco de Clarinha e Yago, fomos dormir. Antes do galo cantar, umas quatro horas da manhã, ouvi alguém na cozinha sussurrando e parecia que estava falando no telefone, ouvi o seguinte:

- Como você quer que eu faça isso? Está cheio de gente aqui, tem adultos aqui, não posso machucá-la. Julie, o que você quer que eu faça? Sou apenas um cara precisando de dinheiro, mas não posso meter os pés pela mão. Tenho que ser discreto. Amanhã terminamos essa conversa. Boa noite. - Fui me afastando silenciosamente da cozinha quando ouvi uma respiração vindo do meu lado esquerdo...

- O que você está fazendo aí? - Sussurou Antôninho com um copo vazio.

- Eu vim pegar água Antôninho, está muito calor. - Respondi assustado.

- Oi gente, não pude deixar de ouvir vocês, o que está acontecendo? - Sussurrou Yago.

- Viemos pegar água Yago. - Yago se afastou e voltou para o quarto escondendo algo atrás das costas.

Fiquei o resto da madrugada inteira pensando o que poderia estar acontecendo com Clarinha e Yago naquele quarto. Enfim, amanheceu finalmente, fui direto falar com Yago, e vi um carro de polícia parado na frente da casa. Estava o pessoal e a mãe de Antôninho chorando muito... Cadê o pai de Antôninho?

- É, estragaram nosso passeio - Murmurou Fábio. Fábio era um de nossos amigos do grupo, era o mais sensato e calmo. - Como assim? O que aconteceu? - O pai de Antôninho foi encontrado morto hoje. - Eu suspirei e logo veio a imagem de Yago, aquele assassino... Bendito seja o amigo de Clarinha...Mau Caráter. - Sabem quem foi? - Foi de causas naturais disse Fábio pegando as malas de Ursula e levando para o carro.

Não pode ser coincidência... - O que não pode ser coincidência? Chegou Clarinha com um bigode de leite.

- Clarinha, precisamos conversar. Peguei ela pelo braço e cochichei:

- Onde conheceu esse Yago? - Ela confusa disse, bem eu conheci...

- Ora, ora, ora, já está todos de pé? prontos para pegarem a estrada? - Falou Yago com uma cara de sossegado. Fui para cima dele e bati nele, contei os socos, foram três. - Célio, o que é isso? Pare com isso, vai matá-lo. - Gritou a mãe de Antôninho.

Foi ele, eu tenho certeza que foi ele.

- Célio, se acalme.

- Eu não fiz nada, pare com isso. Eu sou inocente. Escandalizou Yago.

- Vamos pegar a estrada, não quero mais ficar aqui. - Choramingou a mãe de Antôninho.

Antôninho carregou o carro, e fomos embora. O policial nos acompanhou até chegar no nosso ponto de partida, e nos interrogou tanto, que parecíamos aqueles criminosos do CSI. Todos estávamos em choque, apenas Yago estava normal, e dando risada. (Tava na cara que era ele).

Depois de uns dias, já era natal. O clima não estava bom, então decidimos nos encontrar na cafeteria perto da casa de Fábio. Mas... Chamamos Clarinha, isso nos fez reaproximar dela, mas ela não foi. Então o celular toca: - Antôninho, acharam o assassino do seu pai, não foi mal súbito. Foi a Clarinha, volte para casa agora mesmo.

Ficamos em choque, não era Clarinha, eu tinha certeza que foi Yago. Chegamos na delegacia, e lá estava Clarinha algemada com seus pais e o policial conversando com eles, Clarinha teria que ficar presa até descobrirem o que aconteceu. A mãe de Antôninho dizia para sua irmã (tia de Antôninho) que tinham achado a corda para enforcar o pai de Antôninho na gaveta de Clarinha. Eu não estava acreditando, fui atrás de saber o paradeiro de Yago, mas ele tinha ido viajar com a Julie.

- Vou esperar eles voltarem.

Clarinha disse que a prisão é muito ruim, suja e cheia de gente desalmada, com um passado forte e pesado para carregar. Eu não gostava de vê-la naquele lugar, então, eu sempre ia visitá-la. Tá, eu sei que no começo eu disse que nem gostava de chamá-la para sair, mas sei lá, Clarinha despertou em mim um sentimento de empatia, apenas isso: Empatia.

Em janeiro, já tinha acabado as festas, então eu fui na casa de Julie sem ninguém saber. Encontrei ela e Yago na varanda confraternizando com uns futuros amigos de faculdade. Eu já sabia que o que eu ia enfrentar era grande e perigoso pois eu estava na frente de um assassino frio e calculista.

- Yago? Posso falar com você?

- O que você quer Célio?

Eu rangi os dentes, e me segurei para não perder a calma de novo.

- Yago, eu sei da verdade, pode me contar tudo, eu não vou te entregar.

Yago ficou branco, e começou a falar que não sabia do que eu estava falando. Eu ainda deixei o gravador ligado, porque sabia o que ia acontecer: Ele ia confessar. E então:

- Olha, não posso falar disso aqui agora. Vamos a sala de estar, que será privado e seguro. - Bingo! Eu consegui. Mas será que ele iria confessar mesmo ou estava me enrolando? Veremos...

Depois que todos foram embora, Yago chegou e conversou conigo mas sozinho, apenas eu e ele, e aí ele soltou isso: - Eu não tive a intenção, foi maior que eu, é um sentimento que não posso controlar. Nós nos amávamos, eu sempre achei que isso iria dar certo, eu errei, eu sei. Mas foi por amor, eu sei que foi por amor. - Eu não entendia o que Yago queria dizer, mas algo não estava certo.

- Yago, por favor, esclareça, confesse: Você matou o pai de Antôninho? - Ele abaixou a cabeça e sussurrou para que ninguém mais ouvisse:

- Não matei ninguém, ele era o amor da minha vida. Como eu poderia matar alguém que eu amasse? O doce gosto dos seus lábios ainda estava nos meus quando ele foi sumindo na neblina enquanto eu me preparava para encontrá-lo.

Para tudo! Parece que piorou, o Yago é gay? Como assim?

- Yago, você está dizendo que tinha um caso com o pai de Antôninho? - Yago vermelho, respondeu: Sim, eu tinha. Não era bem um caso, mas era um caso. Nos amávamos, olha não conte a ninguém, eu sei o que sabe, mas por favor não conte a ninguém. Pela paz de nós todos.

- E naquela hora que te vi beijando a Clarinha? E quando estava falando com Julie ao telefone? - Ele envergonhado respondeu:

-Era com Julie sim, eu queria tentar algo novo e iria convidar Clarinha para fazer um ménage comigo e com o pai de Antôninho, estava falando de camisinhas e posições. E só beijei a Clarinha de fachada porque ninguém sabe que sou gay. Só a Julie. Quando voltei para beira do lago, o pai de Antôninho já estava lá, sem vida.

Mas que merda eu fui fuçar? Meu Deus, acho que vou vomitar. Saí da casa de Julie enojado e perplexo.

Voltei a delegacia e lá estava Clarinha, a coitada tinha perdido até uns quilos, estava branca como uma nuvem, aquelas que vemos nos dias bonitos de sol. Eu cheguei perto dela e perguntei o que ela tinha visto, ela ainda estava em choque e disse que não sabia como tinha parado lá a corda que tinha sido usada para o pai de Antôninho. Ela só disse que tinha visto alguém com moletom marrom chegando na neblina perto do pai de Antôninho e depois não viu mais nada. Yago não tinha moletom marrom, quando eu estava na casa de Julie, ele estava mexendo em suas coisas para fazer os famosos shows secretos de drag queen dele. Será que ele tinha jogado fora? Bem, sei lá, continua estranho.

Deixei para lá uns dois meses, e por falta de provas suficientes Clarinha tinha sido liberada pela polícia. Ficamos felizes, e nunca mais desgrudamos de Clarinha, ela tinha se tornado nossa melhor amiga. Graças a Deus, chegou a notícia de que acharam o moletom marrom jogado no quintal de mato da casa dos pais de Antôninho. Acharam também cabelos loiros de mulher...

Ursula, Clarice: as únicas loiras do grupo, quem será? Será que era elas? Uma delas? E depois de mais tempo a polícia falou que era de uma mulher acima dos 59 anos.

Enfim, fizeram mais buscas por provas e investigaram até o talo daquela casa, mas a única coisa que encontraram foi isso.

A páscoa chegou e fomos confraternizar na casa de Antôninho. A mãe dele estava estranha e perguntou a Fábio discretamente:

- O Yago vai vim? - Ele respondeu:

-Não, depois do que aconteceu, ele e Clarinha terminaram. Ele não foi visitar nem uma vez a Clarinha na delegacia. - A mãe de Antôninho respondeu:

- Rapaz mau caráter.

No fim da confraternização, fui escovar os meus dentes porque eu ia sair: eu ia para a casa da minha tia, e ouvi a seguinte voz rouca e desesperada falando com Antôninho: - Mãe? Como a senhora pôde fazer isso? Pelo Amor de Deus, por quê? - A outra voz dizia rouca: - Filho, eu fiz pelo nosso bem, para o nosso bem, sempre pensando em nós. Para com isso, foi preciso, era para sermos uma família. O seu pai era um... - De repente pisei falso nos pisos de madeira, e aí rangeu, Antôninho saiu do quarto em lágrimas:

- Oi Célio, está procurando o que aqui? - Apenas fiquei em choque, fiz um sinal para ele, e ele balançou a cabeça, de repente do quarto escuro sai a mãe dele com um abajur e bate na cabeça dele. O coitado desmaia. A mãe de Antôninho com olhos pulsando sangue e uma cara maldosa, vem em minha direção, e aí que ligo as coisas: Cabelos loiros acinzentados, moletons marrons... Minha nossa, foi a mãe de Antôninho que matou o pai dele.

- Eu não podia perdê-lo para um garotão. Sou bem conservada, tenho duas graduações e me cuido como ninguém, como poderia ser trocada por um garotão? - Eu fui me afastando, e aí tropecei na escada e caí, ninguém me ouviu pois estavam todos lá fora.

Ela veio para cima de mim, e só lembro dela ter me batido com o abajur, sim, ela bateu. Acordei de frente para o Antôninho, amarrado em uma cadeira e todos já tinham ido embora, e agora? Chamei Antôninho em lágrimas, mas ele não acordava.

Eu não poderia mais perder o tempo, ela sacou uma arma da gaveta da sala de estar, colocou munição, foi até a cozinha pegar licor, foi quando ouvi meu celular tocar: Era Clarinha. Tentei me comunicar com ela, mas falhou, pois minha mão estava amarrada.

A mãe de Antôninho pegou meu celular e jogou dentro de um triturador de carne. Antôninho acordou e começou a chorar:

- Mãe! Por favor não faça isso. Tem como resolvermos isso. - Ela pertubada, gritou:

- Não! Ninguém vai tirar meus homens de mim! - Mas não adiantou, escandalosamente ela que não sabia mexer em armas, atirou em Antôninho.

Ouvi um barulho vindo dos fundos e uma doce voz, era a Clarinha. Eu gritei por socorro, e ela estranhou:

-Célio? O que está fazendo aqui? Eu sem respirar:

- Clarinha, chama a polícia.

A mãe de Antôninho não a viu, pois estava indo pegar licor e um pano para limpar a arma. Se passou uns 50 minutos.

A mãe de Antôninho pegou a arma e falou: - Você será uma lembrança agora. Ela ia atirar e aí... Logo um barulhão veio das portas dos fundos, era Clarinha com a polícia. Doce e meiga Clarinha, que chegou com a abençoada polícia que logo prendeu a maluca da mãe de Antôninho.

É, acho que já deu para saber o resto da história né? A mãe de Antôninho foi presa, Antôninho vai visitá-la as vezes.

Descobriram que houve luta corporal entre a mãe e o pai de Antôninho, e acharam cabelo loiro nas unhas do pai de Antôninho, que era o mesmo cabelo da mãe dele.

Clarinha foi inocentada.

Não nos vemos mais como antes, estamos na faculdade e no trabalho, mas as vezes ainda nos falamos, e nos encontramos raramente para sair e nos divertir.

Tenho certeza, nunca mais seremos os mesmos.


Essa história é uma ficção, escrita e publicada por Giovana de Oliveira.


3 de Dezembro de 2021 às 02:06 0 Denunciar Insira Seguir história
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Giovana de Escrevo para passar o tempo, ou será que é a vida que me escreve pelo tempo?

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