fuyukahideki Adrielle Victória

Na tentativa de estabelecer uma boa vida no país para o qual acabou de mudar-se, Konoha, Uzumaki Naruto aplica seu currículo em uma boa Editora de livros, cujo dono é o jovem Uchiha Sasuke. Após sua contratação, Naruto percebe o quão difícil e tentador é ter Sasuke como seu Chefe. Isso, até que o Uchiha propõe que ambas as necessidades mais íntimas sejam satisfeitas sem qualquer tipo de romance envolvido. Apesar de aceitar essa tentação, Naruto não sabe o quanto pode resistir dentro de toda a brincadeira de intimidades sem compromisso.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

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Ato I - Chefe e Empregado

The Secretary

Sexual Toy


Uchiha Sasuke, vinte e cinco anos. Um homem capaz de, somente com a malícia de seus olhos negros, derreter o iceberg no coração da mais fria mulher. Com sua voz rouca, suave e aveludada, iludir a pobre moça que acredita em príncipes; com a escultura de seu corpo, fazer homens duvidar da própria sexualidade.

É com seus cabelos da cor de ébano, com sua pele pálida de bochechas rosadas e postura impecável de empresário eficiente, que ele seduz a todos. Incluindo a mim, Uzumaki Naruto, apenas mais um que foi fisgado pelo seu anzol com isca lançado ao mar revolto.

— Tenho desejos, Naruto. E gosto de satisfazê-los.


ATO I

Chefe e Empregado


“São casos e acasos. Acontecimentos, fatos. Que por mais simples ou mais complexos que sejam, poderão transformar por completo a vida de alguém. E por que não a sua?”

Autor Desconhecido¹


Essa é a frase do mês para mim, Uzumaki Naruto. Ao menos, é isso que o horóscopo do jornal de ontem dizia. Porém, a dúvida é sempre a mesma nessas horas: devo acreditar? Não que eu seja cético, mas, qual é... Como um ser humano, que se diz provido de algo divino, irá prever o futuro de alguém que nunca nem viu? E não apenas o meu, mas, também, de milhares de outras pessoas que terão acesso a estas folhas de noticiários. Francamente, acredito que tenho melhores coisas para me preocupar do que com um destino incerto.

A luz do dia pouco entra em meu quarto, já que a janela está coberta com uma pesada cortina anil. O café da manhã reforçado que comi agora pouco é para que eu tenha, ao menos, uma aparência saudável durante a entrevista de emprego que comparecerá daqui a poucos minutos.

Examinando o rosto moreno no espelho do banheiro, arregalo os olhos extremamente azuis, procurando imperfeições na pele ou desalinhamento nos dentes brancos. Os cabelos loiros e lisos caem levemente sobre os ombros da jaqueta escura, trazendo um aspecto mais jovial do que os meus vinte e quatro anos na carteira de identidade.

Com tudo verificado, começo meu caminho para o estacionamento, já para começar a dirigir em direção à Editora Hands of the Gods. O friozinho na barriga é inevitável, mas não que essa seja minha primeira entrevista, no entanto, sempre há aquele nervosismo de querer causar boa impressão; afinal, a primeira delas é a que fica.

Seguindo pelo trânsito livre da manhã, consigo chegar cedo à frente do prédio colossal. Entregando as chaves do carro para o manobrista, me apresso para dentro da grande estrutura imponente. Tomando o elevador, me encaro no espelho de fundo, enquanto a música instrumental suave que embala a subida até o trigésimo andar.

Quando o clássico ‘plim’ para avisar sobre a chegada ao destino soou, me projetei para fora da máquina, caminhando pelo largo corredor em direção à única sala do andar. Do outro lado das grandes portas de vidro transparente, localizei a ruiva que ocupa a cadeira de recepcionista atrás do balcão. Erguendo o queixo, tentando parecer mais confiante do que realmente me sinto, adentro a sala sem delongas.

Os olhos da moça rolam dos papéis para a tela do computador em uma constante e somente depois de um pigarreio é que sou notado.

— Ah, me desculpe. — Ela deixa um sorriso simples dançar em sua boca quando dita: — Bom dia. Pois não, o que deseja? — Endireitou os ombros, olhando diretamente para o meu rosto.

— Bom dia. Eu tenho uma entrevista para hoje. — Tentei não gaguejar ou sequer tremular a voz para não transparecer o que sinto por dentro.

— Seu nome, por favor. — Sorria docemente, apertando os arredores dos vibrantes olhos castanhos por detrás das lentes dos óculos, quando ergueu os lábios rosados em um sorriso que levantou suas bochechas coradas de maquiagem.

— Uzumaki Naruto. — Desviando os olhos para o crachá no bolso do blazer que ela veste, identifiquei o nome da mulher: Maki Karin.

— Pode sentar e aguardar, Senhor Uzumaki. Irei avisar sobre a sua chegada.

Fazendo o que me foi aconselhado, sentei, e enquanto estou sentado, observo a mulher falar ao telefone com o olhar sobre mim, murmurando coisas na linha telefônica.

Em minha cabeça, me sinto um pouco mais relaxado, ao menos, até encontrar com o Chefe. Essa é sempre a parte intimidante. Principalmente quando eles se acham soberbos, por costume, somente pelo fato de sentarem na cadeira mais alta de uma empresa.

Alguns minutos de espera e o ‘tec-tec’ que a moça faz em seu computador praticamente sincronizam com o ritmo aleatório em que meus dedos tamborilam sobre a perna. Esperar não é uma das minhas maiores dádivas, ainda mais quando estou nervoso. E parecendo que a mulher lia os meus pensamentos, ela me alertou:

— Senhor Uzumaki, o senhor Uchiha te espera. — Mantinha um sorriso sem dentes.

— Obrigado. — Levantei, esticando a camisa para ajustar o que já se encontra justo, respirando fundo logo em seguida. Espanando a poeira imaginária de alguns lugares do pano das roupas, parecia que eu me sentia pronto para adentrar a sala em frente.

— O senhor está ótimo. — A ruiva tentou me encorajar.

— Obrigado. — Sigo em direção às portas duplas de madeira e com duas leves batidas, esperei a sentença para que eu pudesse entrar.

Depois que finalmente a escutei, a surpresa veio logo que consegui visualizar o homem atrás da mesa. Não era um velho barbudo e de barriga saliente como quase todos os Chefes são, mas ali estava um jovem moreno de bela aparência. Meu primeiro pensamento foi esperar não ter feito qualquer feição de espanto.

— Uzumaki Naruto. — Levantou, estendendo a mão para a minha. Os olhos negros do moreno me encarando de maneira gentil. Lindo, pensei sem perceber.

— Senhor Uchiha — respondi confiante.

— Sente-se. — Apontou à cadeira.

Acomodando-me, a entrevista estava para ser iniciada.

Enquanto respondia às perguntas do meu, quiçá, futuro Chefe, não pude deixar de notar alguns detalhes. Sua voz era calma, ouvindo com atenção e parecendo refletir cada palavra que sai de minha boca, pois uma breve pausa era feita antes de seguirmos para o próximo tópico.

Os cabelos escuros sobre os ombros alheios me pareceriam tingidos tamanha é a escuridão, se não fossem as sobrancelhas de mesma cor, contrastando perfeitamente com a pele branca. Definitivamente ele é o tipo de cara para enlouquecer. Muito mais quando sorri, entregando um juvenil sorriso de dentes brancos e perfeitos.

Os minutos passaram rápido enquanto eu residia dentro da sala bem decorada. A cadeira que me acomoda é de couro, macia, e que com toda a certeza eu poderia ficar por horas, ou enquanto o moreno à minha frente me quiser dentro de seu ambiente de trabalho. A mesa é de madeira quase cor de ébano, com um laptop, impressora, uns pesos de papel que poderiam ser usados como decoração e muitos documentos, além das portas-canetas dispostas ao alcance de seu braço. O vaso de Bonsai no chão de piso branco dá um ar calmo ao ambiente, além das paredes claras.

Não pude deixar de analisar o colo branco por baixo dos dois primeiros botões abertos da blusa do meu talvez futuro patrão. A gravata pouco folgada, juntamente com a postura perfeita. Ele deve saber como seduzir a quem quiser, tem os atributos em todos os mais corretos lugares para isso. Fazendo um pouco de esforço, reprimo meus pensamentos que se desviam do curso da entrevista, para não perder nada do que me é perguntado.

Ele torna a analisar os papéis, seus olhos não nos meus por um momento. Tomo o cuidado de não me perder em seu jeito elegante e acabar sendo taxado de distraído.

— Obrigado, senhor Uzumaki. — Levantou-se da cadeira, mão direita estendida.

— Eu que agradeço o seu tempo. — A segurei, tentando demonstrar firmeza.

Me desviando da cadeira, me despedi, pedindo licença para me dirigir à porta. Senti seus olhos em minhas costas ao longo de todo o caminho que fiz até a saída da sala.

— Até mais, senhorita Maki — falei com a recepcionista.

— Até, e boa sorte, Senhor Uzumaki.

— Obrigado. — Sorri de leve para ela, seu telefone tocou.

— Claro, é para já, senhor — respondeu após ouvir.

Entrei no elevador, tendo todos os sons do lado de fora isolados e somente a música de fundo tocando novamente. Soltei um fundo e longo suspiro. Me encarando no espelho mais uma vez.

— Acalme-se, você foi bem. — Sorri para o reflexo.

Segurando nas lapelas de minha jaqueta, a ajeito, escutando em seguida o ‘plim’ que me dá passagem para fora. Pisei com confiança, acenando de leve com a cabeça para as pessoas que entram no cubículo. Me distanciando de onde estava para aproximar-me da saída. O manobrista quando me avistou, partiu para o estacionamento a fim de pegar de volta o meu veículo. Tudo certo, estou no caminho de volta para casa, o que resta agora? Somente esperar o que for, seja um e-mail, uma ligação, qualquer coisa que me diga se serei ou não contratado.

O telefone tocou após dois dias. A voz do outro lado logo foi reconhecida por mim, era Uchiha Sasuke. Meu coração disparou, aquela ligação, claro, só poderia significar uma coisa. Ou isso, ou eu estaria errado sobre a suposição.

— Pois bem, senhor Uzumaki, mais uma vez dizendo, terei o prazer de aceitar você em minha empresa.

— Muito obrigado, senhor Uchiha. Não irei decepcioná-lo.

— Ah, não, tenho certeza de que não. — Senti um leve riso em sua voz.

Reprimi um sorriso enquanto as instruções de que eu poderia começar já no outro dia eram me passada. Com o nervosismo à flor da pele, eu escutava tudo com atenção dobrada.

— Às oito horas?

— Às sete e meia seria mais recomendável. Passe em minha sala, iremos conversar um pouco.

— Está bem, obrigado pela oportunidade.

— De nada, você tem potencial.

A conversa no telefone não se estendeu, mas o frio em minha barriga permaneceu até a hora em que deitei a cabeça no travesseiro. Tudo agora aponta para uma bela noite mal dormida, proveniente do nervosismo e ansiedade do dia seguinte, e, assim, do primeiro dia de trabalho.

Um suspiro pesado deixou minhas narinas, a rapidez com que a ligação veio me deixou feliz, claro, mas ainda assim, me peguei pensando na pergunta se não houve outros candidatos além de mim. Porém, quem se importa quando o emprego é seu? O que me resta agora é somente me preocupar e conciliar tudo isso. A Karin parecia uma boa pessoa e, aparentemente, tê-la como colega de trabalho e ajudante para me adaptar pode ser algo proveitoso. Mas não me agarrarei a isso, preciso criar minha independência na execução do trabalho.

Com aquele homem sendo o diretor, trabalhar com ele poderá ser o inferno no paraíso. Seus olhos negros de encaro firme, mas ainda assim gentil e o belo palavreado. A minha sexualidade não deveria agir diretamente nesse assunto, mas admito logo de cara que ele chame atenção. E deve ter namorada. Um espetáculo como ele não fica solteiro, a não ser que queira.

Mas sobre o que eu estou pensando? Balancei a cabeça, afastando os pensamentos. Isso é carência afetiva, admito que ando um pouco assim nos últimos tempos.

— Ah... Eu preciso arranjar alguém. — Sorri com o meu próprio comentário, mas não um sorriso de contentamento, apenas um de pura graça a ele.

Namoros nunca foram o meu forte. Desde a adolescência, sempre fui “o virgem, não pega ninguém” da turma, e não que eu me importasse com isso, afinal, para mim, isso não é uma coisa a se ficar brincando de “teste para ver se vai”, tem que vir de dentro. Muito clichê, soa como livros e filmes de romance, mas é o que eu acredito, e espero que dê certo.

Como era esperado, a noite não seguiu nada bem. De manhã, a cama estava mais bagunçada que de costume, pela quantidade de rolamentos que dei enquanto tentava pegar no sono. Entretanto, a disposição não foi totalmente roubada de minha pessoa. Não tenho olheiras pelo sono mal dormido e o corpo não está tão reclamão.

O primeiro dia de uma rotina de, espero eu, muito tempo está apenas começando. O suspiro que deixou meus lábios foi prazeroso o suficiente para me proporcionar um bom gás para começar a manhã. Apoiando as mãos na pia, eu estava nervoso, sentindo o coração tamborilando forte dentro do peito.

— Acalme-se, droga! — Olhei para o reflexo no espelho. — Respire, vamos. Você já fez isso outras vezes. Não muitas, mas está valendo... — Dei de ombros. — Qual é, é por causa do moreno gostoso? Gostoso. — Acabei me permitindo rir pelo comentário, intrometendo-me embaixo d’água.

Um banho para despertar melhor, seguindo para o café da manhã. Em meu relógio tenho o horário das seis e quarenta, tempo de sobra para caso de acabar em um engarrafamento.

A brisa matutina lá fora ainda não está totalmente aquecida, obrigando quem sair a levar agasalhos. Pelo ar-condicionado que senti naquele escritório, parece que também precisarei levá-los independente da estação ou apenas ir com roupas mais quentes. Ao menos, vestimentas formais ajudam nesse quesito.

Já na estrada, o pouco de trânsito que peguei não me fez atrasar a vista do prédio que já desaponta no meu campo de visão. As entranhas em meu estômago afloram. Novamente, as chaves são dadas ao manobrista. O ‘plim’ do elevador e estou no andar desejado.

Karin não está em seu posto, mas a porta já está destrancada. Bato duas vezes no escritório do moreno e tenho a permissão de entrar.

— Bom dia. — Cruzei os dedos para que a minha voz tenha saído em tom normal.

— Ora, ora. Bom dia, Naruto. — Elevou os olhos dos papéis sobre a mesa, descansando a caneta que segurava. — Venha, sente-se.

Passei completamente meu corpo para dentro do cômodo, fechando a porta atrás de mim.

— Quero lhe fazer algumas perguntas extracurriculares. — Sorria ternamente. — Se era isso que lhe intrigava quando pedi que viesse um pouco mais cedo para conversarmos.

— Bem, eu nem sequer havia pensado em algo. — Sentei na mesma cadeira de antes.

— Tudo bem. A Karin já chegou?

— Não, lá fora está vazio.

— Então, Naruto — juntou as mãos em um enlace, apoiando o cotovelo sobre a papelada, e as palmas juntas na frente de sua boca —, você tem algum tipo de relacionamento?

— Não.

— Quando pergunto isso, me refiro a qualquer um, seja ele fixo ou não, apenas para caso tenha de ficar um pouco mais além da sua hora por questões burocráticas — explicou. — Poderia ser um transtorno ter alguém esperando pela sua volta, caso haja algo de última hora.

— Sim, eu compreendo. — Acenei um positivo com a cabeça.

— Seus pais moram aqui? — perguntou com descontração.

— Não, vivem em minha cidade natal. Berlim, Alemanha.

— O tom de seus olhos, seu leve sotaque, além do loiro de seus cabelos não o deixa negar a nacionalidade — brincou.

— E nem pretendo. — Acompanhei seu simples sorriso.

— Bem, apesar de ser apenas o seu primeiro dia, tenho grandes planos para você, Naruto. — Alargou o riso por trás das mãos que o cobria. — Novamente, seja bem-vindo.

Ainda envergonhado, só pude agradecer.

Hoje comemoro meus primeiros dois meses desde que comecei a trabalhar aqui.

Como era de esperar, a Karin é uma boa colega, me dá ótimas dicas de como proceder e está sempre pronta para ajudar. O que percebi também é que mesmo namorando um cara chamado Hoshigaki Suigetsu, ou algo assim, ela não deixa de descaradamente dar em cima do Sasuke. Eu queria ter coragem suficiente para perguntar como ela consegue ser tão assanhada, mas o bom-senso ainda é uma coisa que me domina, feliz ou infelizmente, nessas horas. Pergunto-me se o Sasuke não se sente incomodado com os assédios da ruiva. Certamente, eu ficaria, mais ainda por saber da existência de um companheiro.

Meu trabalho por enquanto não é tão simples, mas também nada complicado. Anotar compromissos, tráfego de documentos, marcar reuniões/convencer certas editoras a tê-las, fazer balanceamento de vendas das novas publicações... Algo por esses caminhos.

Como era de se esperar, o Uchiha é ótimo Chefe, rigoroso na medida certa e responsável em seus afazeres, além de estar sempre impecável a cada dia. Perco a conta de quantos suspiros a ruiva, agora ao meu lado, dá quando desliga o telefone da recepção após uma ligação dele.

— Sei que você é homem e provavelmente eu não deveria estar fazendo esse tipo de pergunta, mas — apoiou o cotovelo sobre a banca do computador — o que acha do Sasuke?

— O que devo achar? Ele é meu chefe. — Franzi a testa.

— Acho-o tudo de bom, em todos os sentidos, sabe? Principalmente o contraste da pele com o cabelo.

— Você não namora ou algo assim?

— Sim, mas o Suigetsu é só... — Parecia pensar nas palavras certas para usar. — Alguém com quem eu gosto de passar o tempo, talvez essa seja uma boa definição.

— Creio que seu alvo seja o Sasuke — apontei.

— Por aí, mas não acho que ele repare em mim. — Fez bico com os lábios rosa de batom. — Você vê as secretárias e diretoras que vão às reuniões, são lindas.

— Nunca reparei. — Dei de ombros. — Estou indo para minha sala, vejo você no almoço.

Ainda são sete e meia, Sasuke só chega daqui a em média vinte minutos. Uma coisa que não havia reparado, devido ao meu nervosismo na entrevista, era a porta ‘camuflada’ que dá para meu pequeno escritório. Uma réplica quase perfeita do original, a não ser pelo seu tamanho reduzido e a cor da mesa, branca. Há duas portas, uma que dá direto no Chefe e outra na sala da recepção.

Outra coisa que descobri quando comecei aqui é que não... Deus, não há como conhecer todos nesse lugar enorme. Sasuke me leva para cima e para baixo a fim de que eu conheça cada cantinho, dessa forma, o mapa já está decorado, mas são muitos rostos e nomes. Isso me deixará louco daqui a um ano.

— Naruto, bom dia. — A porta que dá para seu escritório foi aberta.

— Bom dia.

— Irá almoçar comigo. Temos assuntos a tratar — começou.

— Está bem.

— Avise à Karin, e diga para ela remarcar os compromissos para outro dia.

— Posso fazer isso.

— Não, não pode. Trabalharemos em outra coisa — disse sem se importar.

E cá estou eu, com algumas pilhas de papéis para pôr em ordem. Tenho que acabar até às onze horas. Por que almoçar às onze? Massageei minhas têmporas, pondo as mãos na massa.

— Sasuke? — Bati na porta, a abrindo.

— Sim?

— Está tudo pronto. — Trouxe os papéis dentro de um classificador dividido por urgências e os coloquei sobre a mesa.

— Se tem algo para pegar, faça agora, sairemos em cinco minutos.

— Mas não era um almoço? — questionei, franzindo a testa.

— Apenas faça. — Sorriu de leve, vi quando pegou sua pasta.

Voltei à minha sala, pegando apenas o celular e segui para o elevador. Encontrei com o moreno no estacionamento. Ainda me perguntando o porquê de sairmos tão cedo se ainda faltam uma hora e meia para o almoço normal. Isso se saíssemos realmente às doze, o que seria difícil.

Dentro do restaurante, seguimos para uma sala particular. Estava quase vazio, o que é esperado, afinal, ainda não deu nem onze da manhã.

Na salinha privada que estamos há somente duas cadeiras e uma mesa, sobre ela, uma toalha bege e cobrindo-a, uma vermelha pouco mais curta.

— Começaremos após o almoço. E já que estamos em um ambiente social, socializaremos um pouco. — Mantinha os olhos nos meus enquanto falava, parecia estar se divertindo. — Me chame de Sasuke quando estivermos fora do prédio. Ou Sasu, se quiser.

— Sasuke... Sasu... — Provei nos lábios. Um garçom bateu na porta de vidro, trazendo uma bandeja com duas taças e uma jarra de água, o homem à minha frente fez sinal para que ele entrasse. — Bem, me chame de Naruto. Eu não uso um apelido — continuei depois de o outro sair.

— Ninguém te chama de Naru? — Parecia estranhar.

— Naru? — indaguei.

— Uma abreviatura bem óbvia para o seu nome. — Bebeu da água.

— Os meus pais, sim. Mais a minha mãe, para ser sincero. Porém, não é algo que acontece com frequência. — Dei de ombros. — Digamos que os nossos supostos apelidos não são lá tão criativos.

— De fato, preciso concordar com você nesse quesito. — Me analisava, remexendo a mão que segurava o copo, fazendo a água ir à sua borda. — Vinte e quatro anos, não é?

— Sim — confirmei.

— Aberto a experiências, das mais variadas? — perguntou com tons de diversão na voz.

— Se estiverem dentro de minhas condições de executar, por que não arriscar? — Fui sincero.

— Esse é o tipo de resposta que espero e gosto de ouvir. — Sorria largamente; e que sorriso. Consigo entender o interesse da Karin nesse cara. — Pergunto apenas pelas razões de que, muitas vezes, precisamos ir a lugares diferentes, a fim de conseguir contratos ou particularidades para algum livro — explicou e acenei em concordância. — Sobre as suas relações na empresa... — começou novamente. — Você e a Karin são bem próximos, vocês saem?

— Ela tem namorado — enfatizei.

— Isso é um não sobre a possibilidade de vocês, um dia, saírem?

— Sim, é. Ela não faz meu tipo, em diversos quesitos, ainda que eu não seja exigente sobre isso.

— Exigências, você diz? — investigou.

— Realmente não me importo com essa coisa toda de estar escolhendo, apenas isso. Se gostar de mim, estarei satisfeito — respondi sem delongas.

— Gosto de pessoas ruivas — apontou.

— Isso quer dizer que gosta da Karin? — Juntei as sobrancelhas.

— Não — ria com escárnio. — Usando suas palavras, ela não faz o meu tipo, em diversos quesitos. Mas não sou exigente sobre, também. Gosto bastante de loiros, por exemplo. — Me entregou um sorriso de cumplicidade.

— Pois bem, ela gosta do senhor. — Joguei os ombros para cima outra vez.

— Você — corrigiu. — Me chame de você. — Levou novamente a taça nos lábios.

— Ela gosta de você.

Sei muito bem disso, ela não é discreta nesse quesito — argumentou.

— Isso não te incomoda?

— Por que deveria? Não lhe dou atenção e isso é o mínimo que posso fazer, não a demiti ainda por ser boa funcionária. Por que acha que te contratei? É meu secretário particular, além de precisar de um, não queria ao meu lado, o tempo todo, alguém que se sente completamente atraído por mim e que não se importa em demonstrar isso.

Me remexi um pouco na cadeira. Okay, se é assim que ele pensa, seguiremos.

— No que viemos trabalhar, exatamente? — Troquei o assunto.

— Na reunião de amanhã — explicou.

— Mas o assunto já não foi definido? Falta algo?

— É o que veremos, mas não agora. — Abanou a mão em frente ao rosto. — Então, você estava com seus pais?

— Eu passo todo Natal e Ano Novo com eles, virou rotina. Você não visita os seus?

— Não, a não ser seus túmulos — falou. — Meus pais morreram quando eu fiz vinte anos. E por isso tomo conta do que era de meu pai.

— Sinto muito, eu não sabia. — Senti o tom de minha voz ficar mais baixo pela surpresa.

— Não, tudo bem.

— Posso perguntar como aconteceu? — investiguei.

— Foi um acidente de avião. Íamos à Inglaterra, mas preferi ficar por aqui. E então, na tarde do outro dia, eu soube que, perto de Londres, o avião caiu. A polícia local acha que foi sabotagem, devido ao que foi encontrado na perícia. Ou seja, eu não estaria aqui se houvesse acompanhado — concluiu.

— Isso é horrível. — Pisquei várias vezes.

— Algumas pessoas queriam destruir o negócio. E teriam conseguido, se eu embarcasse naquele dia, mas felizmente aqui estou. — Deu uma leve batida com a ponta do dedo na taça, fazendo a água tremular. — Não foi a primeira vez que eles atentaram contra a nossa família, mas tiveram êxito após muitos fracassos. — Suspirou. — Okay, okay, chega de relembrar o passado dessa maneira melancólica, vamos almoçar? — Seus olhos se iluminaram novamente naqueles ônix.

Admito que não tinha notado que o tempo já havia passado desse jeito, já sendo quase doze da tarde. Comemos a especialidade da casa: Tempurá de Camarão e Legumes, com Chá Verde para acompanhar.

Reviramos os papéis que foram tirados de dentro da maleta que o moreno trouxe, em busca de algo que estivesse fora do lugar e, felizmente, estava tudo lá, como deveria.

— Pode ir para casa, vou fechar a empresa mais cedo por causa da reunião. Amanhã, esteja lá um pouco antes amanhã, posso passar para lhe pegar — caminhávamos em direção à saída do restaurante, já são por volta de quatro da tarde —, e levar você agora, já que deixamos seu carro no edifício.

— Não se incomode, eu pego um táxi. Obrigado.

— Venha, entre. — Abriu a porta do carro, parei por um momento, olhando para a porta aberta, logo, me senti quase na obrigação de entrar.

— Eu disse: não se incomode. Mas parece que você não me ouviu. — Ele já dava partida depois que me acomodei.

— Ouvi, sim — olhou para mim —, mas fiz questão de ignorar. Não posso deixá-lo ir para casa de táxi se veio comigo — concluiu.

— Obrigado pela sinceridade — resmunguei.

— E então, para qual endereço estamos indo? — perguntou com graça na voz.

É, eu não teria feito o caminho tão rápido quanto ele foi feito. E olha que moro aqui há um tempo razoável. Acredito que multas por velocidade não faltam na caixa do correio dele.

Agradeci o almoço de hoje e tive que aceitar sua carona no outro dia. Não que eu estivesse me sentindo mal por isso, é só que poderá soar estranho chegar com o Chefe depois de ter saído para almoçar com ele.

Passei o resto do dia lendo um livro, assim como fui para cama mais cedo a fim de que, no amanhecer, eu não aparente com qualquer coisa que não deve parecer politicamente correto para se ser quando levantar da cama. Podendo causar falsas ilusões nos empregados da empresa.

Meu primeiro pensamento da manhã foi: dias como o de ontem poderiam se repetir. Porém, fui obrigado a me estapear pelo pensamento desnecessário que invadia minha mente. O relacionamento Chefe/Empregado é tudo o que devemos manter. Então, delimitar suas barreiras e mantê-lo saudável é o melhor a ser feito. E, também, não é como se eu fosse deixar a minha carência afetiva atrapalhar as coisas. Apesar de que tenho o dom para me deixar levar com pequenas mostras de atenção, por mais corriqueiras que ela seja.

Às seis e meia, meu telefone tocou em uma ligação, desci pelo elevador, encontrando com o outro à minha espera na guarita. Me senti levemente desconcertado com esse acontecimento.

— Bom dia. — Me recepcionou com um sorriso.

— Bom dia — cumprimentei de volta.

Seguimos rapidamente pela via principal, realmente estou surpreso com o quão rápido ele dirige. A conversa dentro do automóvel foi pouca e superficial, apenas, na sua grande essência, sobre qual sala deveremos usar para a reunião e quais podem ser os horários de intervalos.

— Bom dia, Maki — Sasuke disse quando chegamos na recepção de sua sala. Karin também já estava lá, são poucas as vezes que a vi chegar mais cedo que eu. — Ligue para o Deidara e pergunte quando irão chegar — falou para ela. — Naru, vá preparar as atas.

— Estou indo. — Me dirigi ao meu escritório, mas antes que minha porta fosse aberta, a ruiva chamou.

— Vem aqui. — Balançava a palma freneticamente em convite.

— Bom dia, para você também. — Ergui as sobrancelhas, sorrindo de leve. — O que foi?

— Por que veio com ele? — investigava. — E o que é Naru?

— Porque ontem, quando saímos para almoçar, fui para casa e meu carro ficou aqui. E Naru é meu apelido, achei que não poderia ser mais óbvio. — Pus a mão na testa, reprovando. — Eu preciso preparar as coisas da reunião, está bem? Conversamos depois.

— Claro, claro. — A vi franzindo o cenho.

Não conheço quem é o Deidara. Somente dei uma rápida olhada em sua ficha quando fiquei sabendo da reunião, no então, sei que ele é secretário de alguém chamado Obito, um dos empresários que faz parceria com o Sasuke. E essa reunião é para ver os novos produtos que tendem a dar mais lucro, além do que deve sair do mercado. Coisas as quais eu não participo, apenas organizo.

A reunião está marcada para às dez horas. Porém, é certo que, ao menos uma hora antes, os dois estejam estacionando no subsolo.

— Naru, Obito e Deidara chegaram. Leve-os até a sala de reuniões. — A porta secundária de meu escritório foi aberta e não notei, somente quando escutei sua voz.

— Sim, farei. — Me atrapalhei ao levantar, ouvindo o riso gentil do outro.

Ao chegar à sala de espera, me deparei com um moreno aparentemente um pouco mais alto do que eu. Em seu rosto eu conseguia ver traços bem definidos e suaves, a pele alva, assemelhando-se a brancura da de Sasuke, assim como seus cabelos são extremamente negros e revoltos; os olhos seguem as mesmas cores de seus fios, ele veste um terno cinza escuro e com as mãos dentro dos bolsos da calça. Ao seu lado se encontra um loiro de longos cabelos e um pouco menor, de pele pouco bronzeada, olhos grandes e de um azul céu que parecem o espelho dos meus; seu terno é quase tão escuro quanto o de seu parceiro.

Os dois pareciam discutir a seu modo, e o que ouvi foi algo assim:

Vamos, Obito, tire essas mãos dos bolsos e pareça apresentável — o loiro, Deidara, falou.

— Eu sou e estou apresentável, Deidara. Não enche — respondeu o moreno, Obito.

Pigarreei para chamar ambas as atenções, inclusive de Karin, que parecia perdida diante deles e do modo como estão interagindo.

— Bom dia — intervim —, sou Uzumaki Naruto, secretário do senhor Uchiha e irei levá-los à sala de reuniões.

— Bom dia. — O loiro virou-se com um enorme sorriso, mas logo ele desfaleceu de seus lábios quando me encarou, olhando rapidamente para o rapaz ao seu lado, como se pedisse respostas para algo, não continuou a falar.

— Bom dia. Podemos subir agora? — Obito tomou a frente.

— Claro. — Passei por eles, seguindo e fui seguido para o elevador.

O silêncio aqui dentro é no mínimo constrangedor e desconfortável. Primeiro, porque é a primeira vez que estou conhecendo os dois, e segundo, que depois daquele sorriso que morreu nos lábios do Deidara, eu simplesmente desabei. O que foi? Tem algo de errado em meu rosto?

— Acomodem-se, Sasuke irá subir em minutos — comecei quando chegamos na porta da sala de reuniões.

— Espero que ele não se atrase igual à última vez — o moreno resmunga enquanto passa por mim para sentar-se em uma das cadeiras dispostas ao redor da mesa.

A sala retangular contém uma enorme mesa de madeira oval em seu centro, com dezoito cadeiras dispostas, oito de cada lado e duas em suas cabeceiras, um telão de slide está preso em uma parede de frente; além disso, há bebedouro, uma máquina de café e lixeira.

— Não seja assim, Obito. Você reclama de tudo e todos — comentou Deidara. — Naruto — virou-se para mim —, trabalha para ele há muito tempo, para o Sasuke? — Seu tom é simples.

— Não muito. Há dois meses, somente.

— Enquanto a reunião acontece, será que poderíamos conversar? Já que não iremos participar. ─ Vi Obito olhá-lo de cima, seus olhos miúdos como se reprovasse tal convite, mas não interferiu. — Podemos? — insistiu.

— Claro, por que não? Irei chamar o meu chefe. Com licença. — Dei meia volta.

Qual o problema desse homem?! Pensei enquanto seguia para o elevador mais uma vez.

Falei com Sasuke sobre subir logo, avisando que estavam reclamando sobre ele atrasar sempre para comparecer aos compromissos com o Obito.

— Ele deveria morder a língua. — Recolheu algumas folhas da mesa. — Não nos damos muito bem, acredito que já percebeu. Mas admito que seja um belo empresário, a mesma coisa parte dele para comigo. Porém, como seres sociais, não conseguimos conviver. Acredite, não daria certo. — Olhou para mim. — Agora, leve isso para que ele leia enquanto não subo. — Estendeu a mão para que eu pegasse a resma.

E refiz o meu caminho. Os dois homens conversavam lado a lado quando bati na porta e adentrei a sala. Entregando a papelada para o moreno, Deidara chegou próximo de mim na intenção de me seguir para a saída do cômodo, já que Sasuke acaba de fazer sua entrada.

— Vamos? — Ele sorri para mim, e só pude dizer sim.

Não antes de ver o olhar de advertência silenciosa que recebeu do moreno. Senti o clima levemente sombrio passando por cima de todos os presentes.

— Deidara — Sasuke começou. — Há quanto tempo, ultimamente você não vem acompanhando o Obito nas reuniões — continuou.

— Sim, faz um ano desde que vim aqui pela última vez. — Ele encara o moreno com uma grande quantidade de sentimentos que não consegui identificar quais são.

— Como vai? — perguntou.

— Ele vai bem. — Obito aproximou-se. — Você não ia levar o Naruto para um café? Podem ir. — Jogou o queixo na direção da saída.

— Nos vemos por aí, Deidara. — Sasuke nos acompanhou até a porta, mantendo os olhos atentos em mim.

Ouvi a porta fechar quando chegamos perto do elevador e a atmosfera dentro dele também não era das melhores. Enquanto seguimos para o térreo, onde há uma pequena lanchonete, os intensos olhos do outro sobre mim são de abalar as estruturas.

25 de Outubro de 2021 às 06:08 0 Denunciar Insira Seguir história
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