welchpoesie Arthur Martins

Depois de muito tempo sem ver ninguém cara a cara, Taehyung começa a ter surtos psicóticos que, se pararmos para pensar, até que fazem muito sentido!


Fanfiction Bandas/Cantores Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#terror #horror #seokjin #hoseok #namjoon #Yoongi #Jimin #Taehyung #jungkook #bts #taekook
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DOMINGO

Eu não estou muito certo do porque estou escrevendo isso no papel e não no computador. Eu acho que notei algumas coisas estranhas. Não é que eu não confie no computador... eu só... preciso organizar meus pensamentos. Eu preciso repassar todos os detalhes de forma objetiva, de um modo que o que eu escreva não possa ser apagado ou... alterado... não que isso tenha acontecido. Só que... tudo parece estar meio confuso aqui, e a memória deixa as coisas meio enevoadas...


Começo a me sentir confinado aqui nesse pequeno apartamento. Talvez seja esse o problema. Eu tinha que escolher o apartamento mais barato, o único no porão. A falta de janelas aqui embaixo faz com que dia e noite passem como se fossem uma coisa só. Eu não saio já faz alguns dias porque estive trabalhando intensamente em um projeto de programação. Eu acho que só queria terminar isso logo. Horas sentado e olhando pra um monitor faz qualquer um se sentir estranho, eu sei, mas não acho que seja isso.


Não estou certo de quando comecei sentir que algo estava estranho. Eu nem mesmo sei dizer o que é. Talvez seja o fato de eu não conversar com ninguém já faz um tempo. Essa foi a primeira coisa que me incomodou. Todos com quem eu geralmente converso online enquanto programo estiveram apáticos ou nem mesmo estavam logados. Minhas mensagens ficavam sem resposta. O ultimo e-mail que eu recebi era de um amigo que disse que falaria comigo quando ele voltasse da loja, e isso foi ontem. Eu ligaria do meu celular, mas o sinal é horrível aqui. É, isso mesmo. Eu só preciso ligar pra alguém. Vou sair um pouco.


-


Ok, isso não funcionou muito bem. Conforme a tensão do medo desaparece, eu me sinto meio ridículo por ter ficado assustado. Eu me olhei no espelho antes de sair, mas não fiz a barba que cresceu nesses dois dias. Eu assumi que só ia sair rapidamente pra fazer uma ligação. Mas eu troquei a camiseta, porque era hora do almoço e eu poderia encontrar algum conhecido. Isso não aconteceu. Eu queria que tivesse acontecido.


Quando eu fui sair, abri a porta do meu apartamento lentamente. Uma pontada de apreensão tinha se fixado em mim, por alguma razão desconhecida. Eu atribui isso ao fato de não ter falado com ninguém por uns dois dias. Dei uma olhada no corredor cinzento e sujo, que ficava mais sujo ainda porque era o corredor de um porão. No final, do outro lado, havia uma grande porta de metal que levava à sala da fornalha do prédio. Estava trancada, claro. Ao lado dela havia duas máquinas de refrigerante abandonadas. Eu comprei uma latinha no dia em que me mudei pra cá, mas ela estava vencida havia dois anos. Eu tenho certeza de que ninguém sabe que essas máquinas estão aqui, ou minha senhoria mão de vaca simplesmente não liga pra reabastecê-las.


Eu fechei a minha porta suavemente e caminhei na direção oposta, tomando cuidado pra não fazer barulho. Eu não tinha idéia do porque decidi fazer isso, mas era divertido ceder ao impulso de não atrapalhar o zumbido das máquinas de refrigerante, pelo menos naquele momento. Eu cheguei às escadas e subi os degraus até a porta da frente do prédio. Olhei pela janelinha quadrada da porta e fiquei bastante chocado. Definitivamente não era hora do almoço. Escuridão pairava sobre a rua lá fora, e as luzes do semáforo à distância piscavam amarelas. Nuvens escuras, púrpuras e negras pelo brilho da cidade, flutuavam acima. Nada se movia, exceto as poucas árvores na calçada que balançavam ao vento. Eu me lembro de tremer, apesar de não estar frio. Talvez fosse o vento lá de fora. Eu podia ouvi-lo vagamente pela porta pesada de metal, e sabia que era aquele típico vento noturno, daqueles constantes, frios e silenciosos, exceto pela música ritmada que ele fazia conforme passava por incontáveis folhas de árvores.


Eu decidi não ir lá pra fora.


Ao invés disso, eu levei meu celular até a janela da porta e verifiquei a qualidade do sinal. As barrinhas encheram o medidor e eu sorri. Eu me lembro de pensar, aliviado, "hora de ouvir a voz de outra pessoa". Foi tão estranho, ter medo de nada. Eu balancei a cabeça, rindo de mim mesmo em silêncio. Eu apertei a discagem automática do número do meu melhor amigo, Jungkook, e segurei o telefone junto ao ouvido. Tocou uma vez... mas parou. Nada aconteceu. Eu escutei ao silêncio por vinte segundos, então desliguei. Eu franzi as sobrancelhas e olhei para o medidor de sinal - ainda cheio. Eu ia ligar pra ele de novo, mas o telefone tocou na minha mão, me assustando. Eu o coloquei na orelha.


"Alô?" eu disse, lutando contra o choque de ouvir uma voz pela primeira vez em dias, mesmo sendo a minha. Eu tinha me acostumado ao zumbido das máquinas do prédio, meu computador e as máquinas de refrigerante no corredor. Não houve resposta à minha saudação de início, mas finamente uma voz veio.


"Ei", disse uma voz claramente masculina, obviamente da mesma idade universitária que eu. "Quem é?"


"Taehyung", eu respondi, confuso.


"Oh, desculpe, número errado", ele respondeu, então desligou.


Eu baixei o telefone devagar e me encostei contra a parede do corredor. Aquilo foi estranho. Eu olhei pra minha lista de chamadas recebidas, mas o número não me era familiar. Antes que eu pudesse me aprofundar nisso, o telefone tocou, me assustando de novo. Dessa vez, eu olhei o número antes de atender. Outro número desconhecido. Dessa vez eu segurei o telefone próximo ao ouvido e não disse nada. E não ouvi nada, exceto o ruído de fundo de um celular. Então uma voz familiar quebrou minha tensão.


"Tae?" foi a única palavra dita pela voz de Jungkook.


Eu suspirei de alívio.


"Oi, é você", eu respondi.


"Quem mais seria?", ele respondeu. "Ah, o número, estou em uma festa na Rua Sete, e acabou a bateria do meu celular bem quando você me ligou. Esse telefone é de outra pessoa, obviamente."


"Ah, ok", eu disse.


"Onde você está?" ele perguntou.


Meus olhos passaram pelas paredes brancas feitas de blocos cilíndricos e pela pesada porta de metal com sua janelinha.


"Estou no meu prédio", eu suspirei. "Me sentindo meio confinado. Não sabia que era tão tarde."


"Você devia vir pra cá", ele disse, rindo.


"Não, não to a fim de ir sozinho pra algum lugar desconhecido no meio da noite", eu disse, olhando da janela para a rua silenciosa que, secretamente, me assustava um pouco. "Acho que vou trabalhar mais um pouco ou vou dormir."


"Sem chance!" ele respondeu. "Eu posso passar aí pra te buscar! Seu prédio fica perto da Rua Sete, certo?"


"Você tá bêbado?" eu perguntei, descontraído. "Você sabe onde eu moro."


"Ah, claro", ele disse abruptamente. "Então eu acho que dá pra ir até aí andando, né?"


"Você poderia, se quisesse perder meia hora", eu disse a ele.


"Certo", ele disse. "Ok, tenho que ir, boa sorte com o trabalho!"


Eu baixei o telefone novamente, olhando para os números piscando na tela quando a chamada terminou. Então o zumbido repentinamente voltou aos meus ouvidos. As duas ligações estranhas e a rua sombria lá fora trouxeram à tona minha solidão nessa escadaria vazia. Talvez por ter visto filmes de terror demais, eu tive a idéia súbita e inexplicável de que alguma coisa poderia olhar pela janela e me ver, algum tipo de entidade que vagava pela fronteira da solidão, só esperando para se aproximar de algum inocente que se desgarrou pra longe dos outros seres humanos. Eu sabia que esse medo era irracional, mas não havia mais ninguém por perto, então... eu desci as escadas com um salto, corri pelo corredor até o meu quarto e fechei a porta o mais rápido que pude, permanecendo em silêncio. Como eu disse, me senti meio ridículo por ter medo de nada, e o medo já tinha ido embora. Escrever isso ajuda bastante - me ajuda a perceber que não há nada de errado. Isso filtra pensamentos mal formados e medos, e deixa apenas fatos puros e simples. Está tarde, eu recebi uma chamada por engano, o telefone do Jungkook ficou sem bateria e ele retornou minha ligação de outro número. Nada de estranho está acontecendo.


Ainda assim, havia algo fora do lugar naquela conversa. Sei que poderia simplesmente ter sido o álcool que ele bebeu... ou foi ele próprio que pareceu estranho pra mim? Ou será que... sim, foi isso! Eu não havia percebido até esse momento, escrevendo essas coisas. Eu sabia que escrever iria ajudar. Ele disse que estava em uma festa, mas só havia silêncio ao fundo! Claro, isso não significava nada em particular, porque ele poderia simplesmente ter saído pra fazer a ligação. Não... não poderia ser também. Eu não ouvi vento nenhum! Eu preciso ver se o vento ainda está soprando!



25 de Outubro de 2021 às 05:21 0 Denunciar Insira Seguir história
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