gladystonps Gladyston Santana

"A depressão é o último estágio da dor humana". - Augusto Cury. Essa é a história. 👆


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20 dias...

A caixa amaçada de Rivotril ao lado da cama, me lembrou da promessa que fiz: "Viverei por 20 dias".


Essa droga fazia parte da minha vida há pelo menos 3 anos, até funcionava, mas de um tempo pra cá, nenhum efeito esperado. Passei a noite de hoje com os olhos passeando, sêcos, a mente carregada e a solidão zoando comigo dizendo que era minha melhor companhia.


“Companhia? Porra nenhuma!” — rebati de imediato, enquanto minha mente fervilhava como um vulcão prestes a entrar em erupção.


Eu não conseguia me concentrar em nada. Típico do afogamento emocional que me encontrava. A única forma? Fazer o que tinha que ser feito. Entregar-me ao que sempre tilintou em meus ouvidos esse tempo todo: “Dê um fim nisso tudo".


Ah, que fim era esse? Você já deve imaginar. Tem momentos que percebemos que chegamos realmente no fundo do poço quando sentimos que a morte deixa de ser temida e passa a ser desejada.


Antes de comprar a caixa de Rivotril, quando seguia para a farmácia, decidi atender ao chamado de pôr fim a minha angústia, ao cansaço diário que enfrentava, em tentar sorrir sem vontade e de comprar essa merda todo mês.


”20 dias, esse será o meu tempo" — veio essa "brilhante" ideia repentinamente. Não sei porquê pensei isso e de onde veio essa ideia de contar a minha existência a cada comprimido ingerido. 1 por dia, 20 comprimidos, 20 dias. Pronto! Apenas 20 dias.


Se durante esse período nada acontecesse, seria a resposta que precisava para descansar.

Hoje foi o último comprimido. A caixa que amassei e joguei ao lado da cama, me fez lembrar disso. As coisas não mudaram, permaneciam perfeitamente desorganozadas.


"Chegou o dia e não fiz nenhum discurso de despedida. Como não me lembrei disso? Todo mundo escreve alguma coisa antes de partir" — pensei no automático.


Saltei da cama, estava escuro, liguei a luz. Minha cama ficava próxima do janelão de vidro. Não me recordo de ter passado um dia sequer sem deitar e ficar olhando para o céu que ultrapassava aquele janelão de vidro, esforçando-me a ter alguma esperança que tão rapidamente como chegava, a via sair sem ao menos sentir uma centelha do que poderia ser esse sentimento.


“Sendo o universo tão imenso, claro que um ser tão pequeno e insignificante como eu, ninguém se importaria” — sentenciava meu destino, todas as vezes.


Alguns míseros segundos me separavam da cama para o interruptor, onde liguei a luz. Era tudo o que precisava saber sobre a vida. Levamos meses para nascer, anos para amadurecer e uma vida toda para envelhecer. Diante da morte, a vida vale míseros segundos.


Entre a faca, apontada para seu pescoço e o esforço empregado em empurrá-la leva milésimos de segundos até consumar o ato.


“E se demorar para morrer?” — Pensei.


Talvez não fosse o tipo de morte que queria, não sei se morreria rápido ou ficaria agonizando por um tempo. Isso poderia prolongar o sofrimento apenas.


— Foco. — Falei alto mais parecendo um grito de guerra. As ideias de uma mente perturbada se misturam e se confundem muito rapidamente.


Procurar papel e caneta e escrever minha despedida. Esse era o foco.


21 de Outubro de 2021 às 21:38 0 Denunciar Insira Seguir história
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