ismallia111 IsMallia 111

Curin é uma menininha muito curiosa, que fugiu de casa por razões fúteis, nas ruas de São Paulo alheia a toda hostilidade ela irá encontrar sete pessoas que lhe ajudarão não só a voltar para casa, mas iram mudar toda a sua vida, ela encarara pela primeira vez realidades diferentes da sua, vidas arruinadas e pessoas que mesmo não tendo nada são felizes e tem muito a ensinar, te convido a entrar nessa emocionante história contada através do olhar inocente de uma criança, em volto a uma realidade não tão inocente assim... 🚨ATENÇÃO🚨 Gatilhos da história: ☢drogas ☢insinuação de sexo ☢linguagen imprópria Facha etária +13↩


Drama Impróprio para crianças menores de 13 anos.
0
386 VISUALIZAÇÕES
Em progresso - Novo capítulo Todas as Segundas-feiras
tempo de leitura
AA Compartilhar

Cap1 – A Boneca De Dois Mil Reais

— Isso é uma grande injustiça! – Grito balançando os braços para ver se chamo mais atenção, mas ninguém olha para mim.
Estávamos ainda no estacionamento, antes de entrarmos no carro eu paro e ameaço voltar para o shopping, mamãe corre na minha frente e agarra meu braço sem dizer nada, eu detesto quando ela faz isso, comecei a gritar feito uma louca como se estivesse sendo sequestrada, ela foi me empurrando o caminho inteiro, todos ali por perto olhavam, mas ninguém fazia nada, que irresponsabilidade dos adultos; e se eu estivesse mesmo sendo sequestrada ninguém iria se manifestar?
No final todo aquele escândalo no estacionamento não adiantou de nada, eu fui arrastada até o carro sem a minha boneca, isso não é justo, eu estou a meses dizendo que quero uma bebê reborn, idaí se é caro dinheiro nunca foi um problema, meus pais estavam sentados na frente e eu sozinha atrás com minha mãe ao volante, no rádio tocava uma música que o papai ouvia sempre que estava muito estressado, já a ouvi tantas vezes que até decorei a letra, os dois conversavam sem nem olhar na minha cara, como se eu não estivesse ali, também detesto quando fazem isso, eles pareciam bravos e não era só porque eu não parava de fazer perguntas como; “quando vocês vão comprar a minha boneca? ” ou então “porque não a compraram assim que a vimos no shopping? ”
— Era a mesma boneca que eu já havia escolhido a meses, a que Kiara tem, vocês prometeram para mim que iriam comprar.
Mais uma vez só me ignoram, do jeito que sempre fazem quando já estão cansados de responder minhas perguntas, mamãe aumenta a música do rádio, eu grito, esperneio, faço chilique até cansar, mas ninguém olha para mim, me senti invisível como se não tivesse importância.
Em pouco tempo estávamos na estrada a viagem do shopping Ibirapuera até a nossa casa não costuma levar mais de cinco minutos, nós vamos lá quase todos os dias depois da minha aula, mas hoje parece estar levando mais tempo que o normal, o carro andava lento quase parando, mamãe tem uma regra pessoal de nunca levar trabalho nem assuntos pesados para dentro de casa e todos tem que segui-la, talvez seja o assunto da conversa que está deixando o carro lento, meu pai deve está falando de trabalho, eu até gosto de escutar as conversas, vou prestando atenção nas palavras que não conheço e depois procuro o seu significado, mas a música estava tão alta que eu não conseguia entender nada, de qualquer forma para mim, foi apenas um tempinho extra que eles aproveitaram para ignorar minha existência.

Quando chegamos em casa eu é quem não quis falar com eles nem com ninguém, a empregada veio com toda simpatia do mundo me perguntar como foi meu dia, Mônica a minha babá já me esperava na sala para que eu chegasse correndo e a abraçasse toda animada para lhe contar os detalhes do passeio no shopping e oque comprei de novo, como fazíamos todos os dias, mas em vez disso passei correndo sem falar com ninguém, subi as escadas e fui direto para o meu quarto, assim que tranquei a porta desatei a chorar, mas antes de me jogar na cama disse para mim mesma em voz alta:
— Isso não vai ficar assim de jeito nenhum!
Em pouco tempo a angústia virou raiva, eu fui direto para o meu closet, peguei a maior mochila que consegui encontrar e coloquei dentro dela meu dicionário e meus livros preferidos, algumas roupas, alguns brinquedos, meu diário, basicamente tudo que é importante para mim, depois foi só ficar na janela esperando meus pais saírem, não levou mais de uma hora, acredito que a parte mais difícil será distrair a Mônica e a Josimaria para conseguir pegar comida na cozinha e fugir, já que eu não tenho nenhuma importância para eles então não precisam de mim aqui.

— Curin vem almoçar mulher, eu fiz aquela lasanha com carne moída que tu gosta – Mônica me chama da porta do quarto com seu sotaque marcante e uma voz tão estridente que ecoava até nos prédios ao lado.

— Vai embora Moni! Não quero comer! – grito por trás da porta a espiando pela fechadura, às vezes a Mônica finge que está indo embora, mas fica ali me esperando até eu sair, nunca consigo negar nada quando ela me olha com aquele olhar frio de desaprovação.

— Tudo bem, quando quiser conversar me chama ta… – dessa vez ela só foi embora sem me contestar nem nada, me senti até um pouco culpada, não gosto de ser grossa com a Mônica, muito menos de recusar comida. Moni é minha melhor amiga, cuida de mim desde que cheguei nessa casa, mamãe e papai trabalham muito então foi ela quem me criou, tive que esperar mais um tempinho para sair com aquela mochila nas costas, deci as escadas na ponta dos pés, a Mônica é muito sagaz sempre foi difícil de enrolar ela, por sorte não a encontrei na sala, já a Josimaria faz tudo que quero já trabalha aqui faz anos e acho que nunca conheci ninguém tão engraçada quanto ela, quando cheguei na porta da cozinha larguei aquela mochila pesada no chão e já comecei a montar na cabeça uma boa desculpa pra tirar a Josimaria dali, que estava concentrada na louça da pia.

— Josi tem como você pegar pra mim uma mochila roxa que tá lá na parte alta do meu closet, to precisando pra guardar meus brinquedos. – pedi o favor tentando parecer o mais natural possível

— Claro amor deixa eu só terminar de lavar essa louça.

— Não tem que ser agora! – respondo bruscamente

— Oxi por quê?! – pergunta já com início de desconfiança

— É… Porque... Meu pai pediu para eu arrumar isso rápido e você sabe como ele é né… Não gosta de bagunça. – tentei forçar um sorrisinho froxo para desfaçar o nervosismo, mas naquela hora tava suando frio, não sou boa com mentiras, Josimaria me encarou com um olhar cerrado cheio de desconfiança por uns cinco segundos, mas para mim, pareceu uma hora inteira.

— É você tem razão, se o senhor Lacierra mandou é lei. – disse largando a louça na pia e indo em direção as escadas, Josemaria e uma mulher gorda com um passo passado, dava pra escutar todo o caminho que ela percorria do segundo andar, quando a vi atravessando a porta da cozinha respirei fundo aliviada, nem percebi que estava segurando a respiração, depois fui correndo pra geladeira e peguei tudo o que eu mais gostava, chocolate, sanduíche, suco, depois peguei uma vasilha e fui no forno atrás de um pedaço bem generoso daquela lasanha que ainda tava quentinha, de jeito nenhum que eu iria embora sem provar pela última vez o meu prato preferido que só a Moni consegue fazer.
Tive que descer pelas escadas de incêndio, fiquei com medo de encontrar alguém conhecido no elevador, consegui chegar no térreo rapidinho, já estava no horário de almoço do porteiro então não tinha ninguém ali, foi só pegar minha bicicleta na garagem e ir embora, estava um pouco difícil de pedalar com aquela mochila passada, eu sai me sentindo um gênio das trapaças, conseguir enrola todo mundo e ninguém me viu, sai da garagem tirando vantagem da minha espertice toda orgulhosa.
Fui seguindo por rua e vielas aleatórias, não tinha exatamente uma direção e nem sabia muito para onde ir, quanto mais eu fui seguindo mais estranhas foram ficando as ruas ao meu redor, às vezes eu parava para fotografar os lugares com o meu celular e ver onde eu estava exatamente, fiz isso até a bateria acabar, nesse ponto eu já estava completamente perdida, mas mesmo que eu soubesse o caminho não iria adiantar de nada eu não tinha para onde ir, pedalei por uma hora e meia até parar em uma avenida estranha em frente ao sinal nunca passei por esse lugar e já estava cansada, arrependida e com fome, agi totalmente por impulso e agora nem sabia mais onde eu estava também não lembro o caminho de volta, parei com a bicicleta em uma causada em frente a um estabelecimento qualquer, olhei para um lado olhei pro outro e completamente tomada pelo desespero sentei no chão e comecei a chorar, cheguei a pensar que ficaria ali chorando naquela avenida para sempre, que todos iriam se esquecer de mim e eu nunca mais veria a Moni nem meus pais, chorei tanto que nem enxergava nada ao meu redor, até que sinto uma mão passada tocando meu ombro.

— Ei menininha está tudo bem…?

19 de Outubro de 2021 às 14:52 0 Denunciar Insira Seguir história
0
Continua… Novo capítulo Todas as Segundas-feiras.

Conheça o autor

Comente algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~