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O TIRO SAIU PELA CULATRA

O TIRO SAIU PELA CULATRA


Estávamos em 2015 experimentando novos sistemas de avaliação na empresa, dessas que respondemos algumas questões de comportamento, conhecimento e comprometimento com notas que posteriormente seriam revistas junto a supervisão.
A idéia era que houvesse um consenso de ambas as partes, que apresentasse veracidade das informações, justificando a pontuação final e valorizasse os funcionários gerando uma gratificação salarial, ajudando os mais novos a atingir o topo da carreira, desde que essa nota ultrapassasse o valor mínimo de 7.0 , mesmo que sugerisse melhoras.
Aparentemente nada tão impossível de atingir assim, para quem se dedica e cunpre suas atividades de programação diária, além de ser muito participativo em sugestões de melhorias constantemente e colaborador com os colegas de trabalho.
O que ninguém esperava é que algumas pessoas se utilizariam dessa ferramenta para controlar os custos do departamento a que tinha sob seu comando, ou seja, valorizava as notas de quem já não pegaria a gratificação e retendo os que poderiam ser beneficiados, controlando assim os custos da área.
Em 2018 a empresa precisava reduzir custos e como sempre a primeira solução era demitir, reduzir o quadro de funcionários, o que levou a supervisão a buscar dentro do grupo meios que se justificassem tal ação, então a ferramenta em questão entrou em prática.
Foi então que o supervisor tentou se vangloriar, iria reduzir o quadro, os custos e ainda se livraria de pessoas pelas quais ele se sentia incomodado, porém ele não contava que o argumento utilizado para justificar uma demissão, se virasse contra ele mesmo.
O alvo dele era ninguém menos que esse que relata o ocorrido, fui convocado a encontrar o coordenador, sempre em minha companhia ele não conseguia me olhar nos olhos, fazia comentários de elogio sobre a atividade de acompanhamento na semana anterior.
Quando me apresentei onde deveria, já meio desconfiado do que estava para acontecer, não me surpreendi, fui recepcionado muito secamente e a abordagem foi direta e objetiva, estava sendo dispensado, deveria assinar o comunicado, fazer exame demissional e já me pediram o crachá.
A justificativa estava estampada na comunicação "Baixa produtividade", assinei, fotografei e enviei para os amigos do grupo e a resposta foi imediata, comecei a receber apoio e orientações.
O grupo de forma unida e organizada, combinou de se reunirem na base em horário pré determinado para se manifestarem em meu favor, os que estavam de serviço debandaram, os que entrariam a tarde e a noite se anteciparam e os que estavam de férias ou afastados adivinha, compareceram em massa, inclusive um dos técnicos que fazia nossa programação e nos acompanhava em algumas atividades em campo.
Recebemos o apoio de alguns membros do sindicato, que interviram o conseguiram marcar uma reunião para mesmo dia com a diretoria da empresa e alguns amigos que apresentariam em minha defesa.
Diante da diretoria, ficou nítida que a justificativa da supervisão não tinha base, pois, quando saíamos em atividades trabalhávamos em grupo, ou seja, não poderia ter uma baixa produtividade sem sobrecarregar os demais.
E quem se sente sobrecarregado, prejudicado, jamais vai defender alguém, e essa postura dos amigos, levantou o alerta de perseguição e a diretoria então resolveu, se reunir com todo o grupo no local se trabalho, dando ouvidos a todos os participantes.
Após três dias de reuniões, debates e lavagem de roupa suja, chegou-se ao óbvio, funcionários estavam sendo coagidos, perseguidos, era nítido o abuso de poder, eram várias reclamações contra a supervisão, inclusive na ouvidoria.
Com o intuito de amenizar a exposição do superior envolvido, diante de tantas manifestações de repúdio, rasgaram minha comunicação de demissão, arrumaram transferência para outros perseguidos e aos poucos remanejaram o supervisor para uma área esquecida por muitos.
Durante um bom tempo, fui rotulado de Lenda o grupo fortaleceu a idéia de união, as perseguições diminuíram muito, ninguém queria ficar em evidência, esse fato ocorreu a uns quatro anos e os amigos envolvidos continuam firmes e fortes.
Moral da história: "Nunca tente prejudicar quem não te fez nada, pois, o tiro pode sair pela culatra".


Ailton


F I M





15 de Outubro de 2021 às 01:21 0 Denunciar Insira Seguir história
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