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DIÁRIO DE UM PORTEIRO

DIÁRIO DE UM PORTEIRO


O ano era 2005, o desemprego se alastrava na classe trabalhadora metalúrgica, um dos motivos críticos, porém realista era a idade elevada para o mercado de trabalho.
O que não foge muito da nossa realidade, pede-se anos de experiência na área e a idade física já quanto menor melhor e o único mercado de trabalho que abraça nossa geração é o de Segurança e Telemarketing, onde não se coloca na balança, aparência e cabelos grisalhos.
E foi por uma situação dessas, após um período longo de desemprego que me fez buscar novos horizontes e assim como alguns amigos, fui atrás do que o mercado oferecia, investi o pouco que tinha em um Curso de formação de Segurança.
Após a formatura, os melhores eles encaminhavam para uma entrevista, que pra minha surpresa deu certo, onde o salário não era satisfatório, mas garantia sua dignidade, com os benefícios básicos para um pai de família.
Permaneci neste emprego por dois anos, porém, mesmo me dedicando tanto como todos da equipe, a empresa perdeu o contrato para outra por motivos de redução de custo por parte do contratante.
Com a experiência adquirida na área, tínhamos mais mercado, mais exposição, o que não demorou muito para ser admitido em outra empresa na área de portaria.
Quando fui apresentado no "Posto" como é conhecido os locais de trabalho, percebi uma certa resistência por parte de alguns moradores do prédio, que tinham desconfiança da responsabilidade de uma empresa terceirizada à frente de seus patrimônios, família, bens materiais.
O tempo foi passando e aos poucos fui conquistando meu espaço, a confiança se fortaleceu, expunha minhas opiniões, conquistei o respeito de todos desde zelador a condôminos, não importava a diferença de idade nossos assuntos se nivelavam.
Participava de eventos no salão de festas como convidado, frequentava apartamentos como se fosse da família, participei de festa de debutantes, aniversários de crianças em Buffet, meus filhos iam me buscar e eram recepcionados por morador até que cumprir meu horário de serviço.
O serviço era gostoso, gratificante, havia empatia de ambos os lados, recebia muito carinho de todos, mas a vida nos ensina que não devemos ficar estacionados e isso despertava em mim o desejo de buscar melhoras.
Passei a manter-me sempre atualizado, através de tantas revistas e jornais que passavam em minhas mãos todos os dias, ouvia noticiários, além é claro de me dedicar a pratica de exercícios simulados .
E quando por incentivo de uma cunhada que me inscreveu em um concurso público, coloquei em prática toda minha dedicação e conhecimento, o que me fez garantir uma vaga, com um salário superior, mais benefícios e carga horária bem menor da que me fazia cumprir 12h com folgas corridas.
Fiz todo o trâmite para a admissão e quando tive que me desligar da empresa, comunicar aos moradores minha saída, fiquei surpreso com tantos pedidos para que eu não os abandonasse, mas por entenderem que era o melhor pra minha vida, me desejaram Boa sorte.
Foram 3 anos e meio de muita entrega, dedicação e também de reconhecimento, muitas alegrias e bons amigos, algo digno pra nunca ser esquecido.
Moral da história " Não estacione, se reinvente o seu melhor pode estar perto".

Ailton

F I M



15 de Outubro de 2021 às 01:10 0 Denunciar Insira Seguir história
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