frandscript Fran Dscript

Depois de ser traída pelo namorado que também era seu melhor amigo, Ayla está tentando seguir em frente, a partir desse momento algumas coisas na vida dela se transforma em um clichê Acompanhe a partir desse livro gêmeas que não são idênticas e uma amiga louca encontrando o amor e e tropeçando durante o caminho **Capítulo 1 atualizado


Romance Para maiores de 18 apenas.

#romance #amor #bebê
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Ayla

Faltava menos de um mês para o meu contrato acabar, fiquei nesse emprego por dois anos para completar o dinheiro de comprar uma casa e eu ainda tinha a minha loja online que estava funcionando a todo o vapor. Mesmo com toda essa loucura eu ainda conseguia dar atenção ao meu noivo.

Nosso relacionamento tinha passado por uma fase morna, tinha dias que ele nem conseguia responder as minhas mensagens. Eu já estava pensando em ter uma conversa séria com ele se devíamos realmente continuar juntos, mas então tudo mudou, Gabriel passou a me dar mais atenção e a me levar para jantar com mais frequência.

Por mais que eu estivesse amando as atitudes dele, comecei a perceber que algo estava errado. Gabriel e eu éramos melhores amigos antes de namorar, tínhamos o sistema de sempre fazer alguma coisa legal ou dar um presente para pedir desculpas um para o outro e nos últimos meses, ele sempre aparecia com um presente e sempre era algo caro ou realmente grande.

Eu perguntava o motivo e ele simplesmente dizia que era por que estava com vontade ou dava a desculpa de que achou que tinha sido grosseiro demais comigo em algumas das nossas conversas, mas tinha sido apenas uma conversa normal. Como eu era a esquentada da relação, eu estava evitando tocar no assunto e acabar perdendo o controle. Mas eu sempre deixava claro que eu queria que ele fosse sincero caso algo o estivesse incomodando.

Liguei para ele antes de ir para a academia, Gabriel me disse que estava gripado e que estava em casa descansando, resolvi fazer uma visita a ele depois do treino. Como eu tinha a chave do apartamento, não me preocupei em tocar a campainha. As cortinas estavam fechadas, de início não achei estranho pois do jeito que ele é dramático devia estar no quarto debaixo de uns quinhentos lençóis.

Fui em direção ao quarto, mas aí as coisas começaram a ficar estranhas. No caminho para o quarto tinha várias peças de roupas, masculinas e femininas, isso fez soar um alarme na minha cabeça, silenciosamente implorei para a minha conclusão está errada.

Abri a porta do quarto lentamente e encontrei Gabriel com Melissa, a minha irmã mais nova. Quando me viu na porta, ele arregalou os olhos pelo susto.

-Ayla!?

Melissa se virou para a porta puxando o cobertor até os ombros com um olhar totalmente despreocupado.

-Não é o que você está pensando.

-Claro que não é. -debochei. -Você estava tentando descansar e Melyssa sendo uma excelente pessoa apareceu aqui para saber se você estava bem, ela te ajudou a tirar as roupas e só está deitada ai para te esquentar por que provavelmente você está com frio por conta da febre. -falei cruzando os braços e mantendo toda a minha ironia.

-Abra o jogo com ela, Gabriel. -Melissa falou se levantando enrolada no lençol.

-Pois é Gabriel, abre o jogo. -continuei me segurando para não voar no pescoço dele.

O olhar dele era de medo da minha reação, ele sabia que eu estava me controlando ao máximo para não bater nele, provavelmente nesse momento ele estava lembrando das aulas de boxe que eu fiz.

-Se você não falar, eu falo. -Melissa disse com um sorriso maldoso. -Nós dois estamos tendo um caso a meses e ele me prometeu que terminaria com você.

Olhei para ele esperando por uma confirmação.

-Ayla, vamos conversar com calma. -ele disse levantando da cama e vindo em minha direção.

Dei um soco na cara dele fazendo com que ele caísse, Melissa correu em minha direção tentando me segurar e eu a empurrei para o outro lado.

-Vamos conversar e resolver isso sem escândalo. -Gabriel falou tampando o olho atingido.

-Não tem nada para resolver, apenas aproveite a situação e termine com ela. -Melissa exigiu cruzando os braços. -Você não dá a Gabriel o que ele precisa. -ela me olhou em desafio.

Respirei fundo e olhei para Gabriel, minha vontade era bater nele até toda a raiva que eu estava sentido passasse.

-Já que Melissa é tudo que você precisa, pode ficar com ela. -falei séria. -Não vale a pena brigar com nenhum de vocês dois. -completei sentindo os meus olhos inundar com lágrimas.

Em qualquer outro dia eu realmente teria feito o mais escândalo, mas apenas saí do quarto e comecei a andar na direção da porta, eu precisava ir embora de lá para não explodir.

-Ayla, vamos conversar. -Gabriel chamou.

-Conversar o que? -falei me virando. -Conversar sobre como você me enganou nos últimos meses?

-Eu ia terminar com ela, eu juro. -ele segurou minha mão. -Pensei em tudo que nós tínhamos planejado e percebi o meu erro, mas...

-Eu te dei a oportunidade de me contar a verdade várias vezes e você está me dizendo que percebeu o seu erro agora?

-Não, eu não sabia como te contar a verdade, eu estava tentando reunir a coragem necessária.

-Enquanto estava reunindo essa coragem, você deixou de se encontrar com ela pelo menos uma vez?

Ele ficou em silêncio.

-Você não se arrependeu, apenas está se sentindo mal por que eu descobri.

-Não é isso...

-É sim. -eu cruzei os braços. -Antes de sermos namorados éramos amigos e sempre contamos a verdade um para o outro.

-Eu realmente sinto muito. -ele me olhou desesperado, mas eu não conseguia acreditar naquela reação. -Me perdoa, por favor?

-Eu fiz grandes mudanças na minha personalidade por você, eu passei a me controlar mais e evito o máximo possível começar conflitos. -falei ainda mantendo o controle. -Te dei várias oportunidades para me contar a verdade e você lembra o que me disse?

-Ayla...

-VOCÊ DISSE QUE NÃO TINHA PROBLEMA NENHUM. -finalmente gritei. -Então você vai calar a boca e aceitar o fim desse relacionamento, por que eu não consigo confiar mais em você. -falei firme.

Me virei e fui embora de lá me sentindo um tanto idiota, se ele fosse um cretino cafajeste, eu não me surpreenderia, mas fui enganada pelo cara que era o bom moço. Dirigi até a casa dos meus pais, toquei a campainha e a diarista atendeu, me avisou que eles estavam com meus avós e Aurora, a minha gêmea na área externa.

-O que foi querida? -minha mãe perguntou quando percebeu que eu estava irritada.

Meu pai, minha irmã e meus avós olharam para mim.

-Você não parece bem.- Aurora comentou.

-Eu vim comunicar que terminei com Gabriel. -falei me mantendo séria.

-O que você fez de errado para isso acontecer? -vovô riu.

-Por que tem que ser culpa de Roberta? -minha avó perguntou em tom de reclamação.

-Ela tem uma personalidade difícil de lidar Mariana e você sabe disso. -ele deu de ombros.

-Realmente, eu tenho uma personalidade horrível e mereço tudo de ruim que acontece comigo. -debochei. -Mas não foi culpa minha. -falei séria.

-Então simplesmente conte o motivo. -vovô insistiu.

-Então vamos fazer assim, quando Mel chegar em casa vocês perguntam a ela o motivo. -cruzei os braços.

-Sua irmã saiu com as amigas dela. -vovô afirmou confuso.

-Se o passeio dela for na cama do meu ex-namorado vovô, então ela estava tendo uma ótima tarde de compras.

Eles arregalaram os olhos com a minha afirmação.

-Gabriel estava me traindo com Melissa a meses, -soltei a história de vez.

Ouvimos a campainha e uns segundos depois Melissa apareceu na porta, todos na sala estavam sérios.

-Isso é verdade Melissa? -meu pai falou sério.

-Sim. -ela disse sorrindo. -Ayla não merecia alguém como Gabriel.

Perdi totalmente o meu controle e levantei a mão para bater nela, dei um tapa bem dado na cara dele e a marca da minha mão ficou em seu rosto nitidamente.

-E quer saber mais, -ela riu. - eu estou grávida, Gabriel vai ter que casar comigo pois eu não vou ser mãe solteira.

-Por mim não tem o menor problema. -falei tirando o anel de noiva do meu dedo. -Isso é seu, espero que seja feliz.

-Nós duas sabemos que eu vou ser. - ela sorriu largo.

Entreguei o anel na mão dela e ri.

-Apenas lembre que quem tem coragem de trair, não faz isso uma vez só.

Ela me olhou séria e foi a minha vez de sorrir.

-Já que tudo está resolvido, -falei voltando a minha pose normal, mesmo sentindo o ódio ferver dentro de mim. -Eu estou indo embora.

Enquanto eu me dirigia à saída, ouvi minha meu pai e meu avô começarem a reclamar com Melissa enquanto minha avó e mamãe me acompanharam até a porta.

-Sinto muito querida. -vovó segurou a minha mão.

-Não tem problema vovó, eu vou seguir em frente, como sempre faço quando as coisas dão errado.

-Só não faça nenhuma bobagem. -mamãe avisou.

-Eu não vou, estou em choque demais com isso.

Acho que o amor realmente não era para mim, eu me senti extremamente destruída. Fui para o apartamento que divido com a minha amiga totalmente desolada, eu sempre fui do tipo briguenta e que tinha uma resposta na ponta da língua, mas dessa vez eu não sentia vontade de fazer outra coisa além de chorar.

POV. Aurora

A revelação que Ayla fez não me surpreendeu tanto, sempre achei que em algum momento Mel faria algo assim. Fiquei na sala vendo meu avô e meu pai reclamarem com ela até perder a voz, quando os dois se sentaram secando o suor do rosto, levantei calmamente e segurei o rosto dela.

-Aurora você esta me machucando.- ela reclamou.

-É para machucar. -falei calma. -Por que quero que olhe nos meus olhos e anquanto eu te digo algumas coisas.

-Aurora...

-Pai, por favor só escute o que vou dizer a essa fedelha mimada.

Senti Mel tremer e não me importei.

-Sabe por que eu e Ayla não nos damos mais tão bem?

-Por que vocês tem personalidades diferentes? -ela disse confusa.

-Não, a culpa é sua. -falei apertando um pouco mais a minha mão no rosto dela.

-Que!?

-É. -ri amarga. -Seu nascimento acabou com as amizade que eu e Ayla tínhamos.

-Não estou entendendo.

-Você vai entender. -ri. -Eu orava todos os dias para você ser um menino, por que eu me recusaria a dividir meus pais com outra irmã que não fosse a minha gêmea, mas quando mamãe disse que era outra menina, Ayla comemorou e disse que ia te amar.

Senti as lagrimas tomarem meus olhos.

-Eu disse a Ayla, que na primeira oportunidade eu ia te matar, por que eu não queria mais uma irmã além da minha gêmea para ter o amor de todos. -continuei. -Ayla nunca esqueceu isso, quando você nasceu, ela dormia todas as noites em frente ao seu berço para evitar que acontecesse algo com você.

Meus pais e avós ouviam a historia com os olhos arregalado.

-Ela disse que no dia que te fizesse mal, ela esqueceria que somo irmãs e me daria a maior surra da minha vida. -chorei finalmente. -Eu disse a ela que você seria a maior decepção da vida dela e depois disso nós duas nunca mais conseguimos ter paz , passei a tratar ela como a gêmea esquisita e ela me via apenas como a patricinha.

-Eu não sabia disso.- mamãe me olhou assustada.

-Não era pra ninguém saber e Pedro só descobriu por me viu chorar quando Ayla começou a trabalhar e só comprou presentes para Mel. -expliquei. - Só que agora eu quis contar pra essa cretina, ordinária, essa...garota ridícula saber que ela acabou de partir o coração da irmã que a amava incondicionalmente. -falei largando o rosto dela finalmente.

Me recompus e arrumei a minha roupa.

-Só espero que você realmente esteja grávida, por que se eu desconfiar que seja mentira, vou bater muito em você. -falei saindo de perto dela. -Vou até o apartamento de Ayla, não me esperem para o jantar. -falei antes de sair.

Enquanto isso...

Ainda me sentia entorpecida por causa da situação, mas mesmo assim dirigi até o apartamento que eu dividia com a minha amiga. Depois de um banho gelado, me sentei no chão olhando para o nada, então a porta do apartamento abriu e eu vi Lucy entrar. Ela sentou ao meu lado e esperou que eu contasse tudo.

-Me diga que você socou ele? -Lucy perguntou quando terminei de contar tudo.

-Claro que eu dei um soco nele e dei um tapa em Melissa.

-Um sonho realizado. -ela riu.

-Não entendo como tio Eduardo e tia Sofia não perceberam.

-Melissa é sonsa e dissimulada. -respondi.

-Mas seu Alberto e dona Mariana, deviam ser mais difícil de enrolar do que seus pais.

-Melissa sabe enrolar meu avô muito bem e minha avó mesmo que desconfie de alguma coisa, ela evita falar na frente do meu avô. -suspirei. -Eu apenas quero me calmar e seguir em frente agora.

A campainha tocou e Lucy atendeu, para a minha surpresa era Aurora. Ela tirou os sapatos e se ajoelhou ao meu lado e me abraçou em seguida.

-Eu devia ter te escutado.- sussurrei.

-Vamos deixar isso para trás.- ela apertou o abraço.

-Vamos nos distrair um pouco, isso vai ajudar. -Lucy sugeriu.

Assistimos filmes aleatórios, demos risadas e secamos duas garrafas de vinho, no fim dormimos no chão da sala.



Já havia se passado quinze dias desde toda a confusão, o teste confirmou a gravidez Melissa e que ela estava perto de completar três meses. Gabriel pediu o teste de DNA pois jurava que o bebê não era dele e ainda ficava correndo atrás de mim, mas eu já tomei minha decisão e eu não ia voltar para ele. Eu e Aurora no reaproximamos, ter aquela ânimo positivo dela por perto me ajudava bastante e ela passava mais tempo comigo no apartamento do que em casa.

Eu estava me reerguendo aos poucos, eu precisava continuar a tocar minha loja. Voltei a dar mais atenção a minha loja costurando os conjuntos de lingerie que estavam em alta para aumentar o estoque , eu estava dando o acabamento em um sutiã quando meu celular tocou.

-Alô?

-Ayla, eu preciso de sua ajuda. -a voz de Amanda, a mãe de Gabriel soou do outro lado da linha.

-O que aconteceu? - apesar de saber o que ele ia me pedir.

-Gabriel está ameaçando se matar.

-Tia quem quer se matar não avisa, se ele tá tentando pular da janela outra vez, ele mora no sexto andar e quando ele se jogar vai morrer bem rápido.

-Ele quer tomar veneno. -ela disse em desespero.

-Pior ainda, se ele quisesse fazer isso a senhora já o encontraria caído no chão.

-Eu sei, mas ele está sozinho no apartamento dele.

-Tia...

-Você precisa voltar para ele.

-Isso não, eu dei todas as chances para ele me dizer qual era o problema e me senti mal durante meses. -falei séria. -Mesmo quando ele pareceu mudar, percebi que tinha algo de errado e implorei para ele me explicar qual o problema, ele continuou dizendo que não tinha nada, então não tem a menor possibilidade de volta.

-Mais por favor, converse com ele.

-Eu vou falar com ele, mas não tem volta. -falei séria.

Peguei o meu carro e em meia hora eu estava na frente do prédio onde Gabriel mora, o porteiro liberou a minha entrada e como eu ainda não tinha devolvido a chave, abri a porta e ele estava sentado no chão.

-Gabriel. -chamei da porta.

-Ayla...

-Vamos acabar logo com isso. -falei séria.

-Volta pra mim ou eu me mato. -ele disse levantando do sofá.

-Fica a vontade, se mata. -falei cruzando os braços. -Você quer ajuda?

Andei até as portas de vídeo da sacada, abri as cortinas e em seguida a porta.

-Se você correr da de onde você está e se jogar, vai morrer bem rápido. -expliquei enquanto ele me olhava se reação. -Desistiu de se jogar, prefere beber algum veneno? Acho que se você beber água sanitária com um pouco de sabão em pó vai morrer bem rapidinho.

Ele parecia não acreditar na minha reação.

-Agora que você desistiu do suicídio, vamos continuar a conversa. -falei ainda séria. -Mesmo que o bebê não seja seu, nós dois não temos volta, eu não vou conseguir confiar em você.

-Ayla...

-Ainda não terminei. -interrompi ele. -Se aquele bebê for seu, acho bom você assumir e não se esconder da responsabilidade.

-Eu não sei se consigo seguir em frente sem você.

-Você vai conseguir, tenho certeza.

-Nós não podemos nem ser amigos outra vez?

-Você sabe muito bem a resposta para isso.

-Eu realmente sinto muito.

-Eu também, agora eu preciso ir.

-Ok. -ele desviou os olhos de mim. -Nos vemos por aí.

-Tchau.

-Tchau.

No caminho de volta para casa eu me senti mais leve, eu ia manter minha decisão sem olhar para trás. Voltei para o apartamento e liguei para Amanda.

-Alô?

-Oi dona Amanda.

-Oi.

-Falei com Gabriel, ele está bem.

-Vocês...

-Não voltamos e não vou voltar. -afirmei.

-Ok...obrigado por falar com ele.

-Não tem de que.

Desliguei o celular e me sentei no sofá um pouco e em uns dez minutos Aurora chegou.

-O que aconteceu?

-Tive uma conversa séria com Gabriel hoje.

-Você não devia ter ido lá. -Aurora reclamou. -Mas por favor, me diga que vocês não voltaram.

-Não, mas eu percebi uma coisa.

-O que?

-Nossa amizade criou uma dependência emocional e isso confundiu os nossos sentimentos. -falei sincera.

-Ou seja, vocês dois não se amavam e bem, eu sempre achei isso.

-O pior é que agora estamos emocionalmente bagunçados.

-Isso vai passar e você vai ser mais a mais feliz do mundo.

-Eu sei e espero que seja logo.

O celular de Aurora tocou.

-Quem é que esta mandando tantas mensagens para você ultimamente?

-Digamos que estou conhecendo alguém.

-Quando ia me contar isso?

-Você já tem muita coisa para lidar, não quero que fique preocupada comigo logo agora que as coisas estão ficando bem entre a gente. -ela deu um sorriso.

-Você tem um dedo muito podre. -eu ri.

-Eu sei. -ela riu também.- Só que o importante agora é que você fique bem e arrume sua bagunça pessoal.

Entendi o que ela quis dizer, mas eu ainda não sabia por onde começar a arrumar essa bagunça.



Três meses de término, o exame de DNA confirmou que o bebê de Mel realmente é de Gabriel. Ele estava tentando ficar junto com ela enquanto tudo que eu fazia era trabalhar sem parar pois toda vez que eu saia para algum lugar eu encontrava os dois juntos.

Eu passei a odiar os lugares que mais amei ir, apesar de ser os restaurantes estranhos que qualquer casal evitava e até aquele maldito podrão que só era frequentado por adolescentes. Apenas se salvava a minha livraria favorita e a confeitaria onde tia Eva é sócia.

Hoje estranhamente acordei cedo e em vez de sentir pena de mim mesma, levantei e comecei a colocar algumas roupas numa mochila, coloquei itens de higiene pessoal e a minha câmera profissional. Tomei banho, vesti algo confortável e fui para a cozinha.

Fiz o café da manhã mais incrível possível , meia hora depois Aurora e Lucy apareceram na cozinha coçando os olhos.

-Bom dia. -eu sorri.

Elas murmuraram um bom dia e se sentaram.

-Eu gostaria de dizer que estou cansada de sentir pena de mim mesma, já faz quase dois meses que terminei o meu relacionamento e preciso sair para limpar a mente. -iniciei. -Coloquei alguns itens importantes na minha mochila de viagem e finalmente vou passar uns dias em Vale Azul.

-Finalmente você esta voltando ao normal.- Aurora riu. -Aproveita e conhece algum gatinho lindo.

-Quero distância dos gatinhos lindos.

-Ela não tá pedindo para namorar e casar, tá pedindo para você se divertir. -Lucy reclamou.

-Não sei se isso vai ser uma boa ideia.

-Vai ser ótimo. -Aurora sorriu.

-Vê se vocês não ficam trazendo os boys misteriosos de vocês para cá e se trouxerem, tenha o mínimo de juízo. -avisei as duas e Lucy quase engasgou. -Não pense que eu não notei dona Lucy. -eu ri.

-Pode deixar. -as duas reviraram os olhos.

-Quando vou conhecer eles mesmo em?

-Falamos nisso quando você voltar da viagem. -Lucy riu.

-Vocês são demais, sabia?

-Vamos nos concentrar em você e nesse momento. -Aurora sorriu.

-Não foge do assunto. -eu gargalhei.

-Se aparecer alguma entrega da loja, pode deixar que eu faço. -Lucy avisou.

-Obrigado as duas por tudo.

Depois do café elas me acompanharam até o carro.

-Não esqueça de avisar a tia Sofia que você esta viajando. -Lucy lembrou.

-E tenha juízo, mas não faça nada que nós não faríamos. -Aurora piscou.

-Ok. -eu ri.

Entrei no carro e dirigi até o posto de gasolina que ficava umas duas ruas depois da minha, quando estacionei para completar o tanque, fui até a loja de conveniência comprar algumas coisas e liguei para a minha mãe.

-Alô?

-Oi mãe.

-Oi meu amor, aconteceu alguma coisa?

-Não é nada demais, só estou ligando para avisar que vou viajar.

-Isso é ótimo meu bem. -ela disse animada. -Aproveita bem meu amor.

-Obrigado.

-Nos vemos quando você voltar.

-Ok.

Desliguei o telefone e finalizei as minhas compras, logo eu estava indo para o melhor resort de Porto Verde. Assim que eu chegasse lá, ia ligar para tia Eva também, tenho certeza que ela vai pular de alegria quando souber que finalmente fiz a viagem que ela me deu de presente.

Uma hora de estrada e a minha melhor playlist estavam me deixando mais do que feliz, eu me sentia voltando ao meu normal. Em alguns minutos o meu celular tocou novamente.

-Alô?

-Bom dia para a sobrinha mais doida que tenho.

-Oi tia Eva.

-Sua mãe me mandou uma mensagem avisando que você estava viajando, imagino que finalmente resolveu usar meu presente.

-Eu senti que finalmente estava na hora de sair um pouco de casa.

-Espero que aproveite cada segundo.

-Eu vou aproveitar.

-Até a volta.

-Até.

O sonho de tia Eva era ter uma filha, mas infelizmente ela não pode ter filhos. Ela ficou arrasada quando descobriu isso e para não ficar tanto na tristeza dessa notícia, então ela se dedicou a cuidar e mimar a mim e a Aurora. Quando ela casou com tio Fabiano, ela deu o mesmo tratamento aos sobrinhos dele que amavam muito ela.

Finalmente eu estava na frente do resort, fui até a recepção e depois de fazer o check-in, fui para o meu chalé. Hoje ia ser apenas para descansar pois eu ainda teria mais uns dias para aproveitar o lugar.



Eu realmente estava aproveitando o passeio, fiquei o dia na piscina e depois andei um pouco pela praia, por fim voltei para o meu chalé, almocei e quando fui descansar, recebi uma ligação de Aurora.

-Alô?

-Oi maninha.

-Oi princesa.

-Como estão as coisas?

-Estão ótimas, nunca relaxei tanto na minha vida. -eu ri. -Fui no spa e no salão de beleza.

-O que você aprontou?

-Eu finalmente consegui ir no cabeleireiro e dei um trato na unhas.

-Finalmente tirou um tempo para se cuidar.

-Praticamente você esta uma nova mulher, deve estar arrasando corações.

-Que nada, não recebi nem uma cantada.

-É só uma questão de tempo. -ela riu e ouvi a campainha tocar. -Depois eu ligo, estou indo fazer um trabalho da faculdade.

-Esse é o código para sair com o boy?

-Bem que eu queria, mas realmente estou atolada de trabalho.

-Até depois então.

-Até.

Depois que troquei de roupa fui para o restaurante, pedi uma água de coco. Enquanto eu tomava minha água de coco, peguei o livro que estava na minha bolsa, essa era uma das coisas que definitivamente eu mais amava.

Olhei brevemente por cima do livro e vi um cara lindo andando na direção que eu estava, era o mesmo que tinha visto mais cedo enquanto caminhava na praia . Ele é moreno com o cabelo ondulado para cacheado e minha estimativa é que ele tenha uns 1,90 de altura e aquele corpo de quem malha todos os dias, infelizmente não dava para ver a cor dos olhos dele naquela distância.

Sinceramente entre todas as mulheres que estavam no mesmo ambiente que nós com certeza eu seria a última para ele notar. Voltei a me concentrar no livro e ri da cena que eu estava lendo, eu realmente estava amando os clichês do livro.

-Você tem um sorriso lindo. - ouvi uma voz rouca e penetrante.



-Obrigado. -falei dando uma leve abaixada no livro e me surpreendi ao ver que era o Sr. Tudo de bom.

-Como é o seu nome? -ele sorriu e que sorriso maravilhoso, mas eu tinha que me fazer de difícil.

-Lua Martin. -ele não precisava saber meu nome de verdade.

-Prazer Lua, meu Alexander Berdinazi. -ele sustentou o sorriso.

-Legal. -comentei mantendo o ar de desinteresse

-Você não parece espanhola. -ele riu.

-Meu sobrenome é Francês. -dei de ombros.

-Sempre imaginei que fosse um sobrenome comum apenas na Espanha.

-Não, não é.

-Sinceramente eu estou me perguntando por que uma garota tão bonita esta lendo em vez de nadar na piscina ou estar passeando por aí? -ele mudou o assunto.

-Ler ajuda a enriquecer o vocabulário. -passei a página do livro calmamente.

-Minha irmã diz a mesma coisa. -ele falou e eu me forcei manter os olhos no livro. -Eu tenho um iate na marina aqui perto, quer da uma volta? -ele disse de repente.

-Eu não sou muito fã de barcos, -falei passando mais uma página do livro. - e você acabou de se apresentar para mim, é contra a minha política ir para um lugar com poucas pessoas acompanhada por alguém que acabei de conhecer.

-Então eu posso pagar o almoço? -ele deu de ombros.

-Não.

-Chá da tarde?

-Não.

-Um jantar? -ele perguntou como se fosse algo genial.

-Você não vai desistir, não é? -abaixei o livro para olhar diretamente para ele e o olhar dele combinado ao sorriso me fez sentir como se uma corrente elétrica tivesse atravessado o corpo.

-Não. -ele sorriu confiante.

-Sinto muito, mas a resposta se mantém. -falei piscando e levantei.

Ele ficou totalmente sem reação enquanto eu pegava as minhas coisas e ia embora. Eu não estava me fazendo de difícil, eu realmente queria ficar um pouco sozinha.

Assim que cheguei no meu chalé, tomei um banho e me deitei no sofá lendo meu livro tranquilamente. Algumas horas depois o meu celular tocou e era Lucy.

-Boa tarde amiga.

-Boa tarde.

-Como você está se sentindo agora?

-Em paz. -eu ri. -E dei um fora num cara super gato.

-O que!? -ouvi a voz de Aurora ao fundo.

-Aurora esta com você? -perguntei rindo.

-Esta, encontrei ela almoçando sozinha e com cara de abandonada. -Lucy riu.

-Eu não estava com cara de abandonada, só estou cansada. -Aurora se defendeu. -Vamos a história do gato que você deu o fora, acho que o término fez você enlouquecer.

-Tenho que concorda com Aurora, você esta solteira a exatos três meses, esta na hora de conhecer alguém.

-Eu tenho certeza que apesar do fora, ele vai vim atrás de mim outra vez. -eu ri.

-Ui! Ui! A única gata do cesto. -Aurora brincou.

-É sério.

-Ok, então vamos tornar as coisas interessantes. -Lucy riu. -Se ele não for atrás de você, quando voltar para casa queremos um jantar de luxo com as suas melhores receitas.

-E se ele vier atrás de mim, vocês vão se virar e fazer um jantar para mim.

-Fechado. -Aurora gritou.

-Eu não vou querer macarrão instantâneo sabor costela. -eu ri.

-Acho melhor você ir se arrumar para chorar quando a gente ganhar. -Lucy comemorou.

-Vão sonhando,-falei rindo. - amanhã eu ligo para vocês.

Desliguei o telefone e fui até a minha mala. Eu tinha levado um dos meus vestidos favoritos e que usei poucas vezes. É um vestido vermelho feito de cetim, ele tinha um corte bem simples pois costurei destacando o lado brilhoso do tecido, coloquei ele sobre a cama e fui cuidar das outras coisas.

Depois de um longo banho e lavar o cabelo, hidratei a minha pele e resolvi usar o cabelo em um coque simples. Fiquei de olho no relógio e quando já estava próximo das sete horas, coloquei o vestido e fui para o restaurante. Andei calmamente até uma mesa vazia e fiz o pedido do que eu queria jantar, eu estava resistindo a vontade de olhar ao redor e ver onde estava Alexander estava.

Quando eu já estava perdendo a minha esperança de ganha a aposta com as meninas, a cadeira em minha frente foi puxada.

-Boa noite. -ele sorriu.

-Boa. -falei rindo. -Você não desiste.

-Sou contra ver uma moça bonita sozinha. -ele sorriu.

-Aposto que não esta aqui sozinho.

-Estou com o meu irmão e um amigo, é companhia masculina demais para mim.

-Que pena. -eu continuei rindo.

-Está aqui de férias?

-De certa forma, sim.

-Pela sua resposta posso presumir que esta tentando esquecer alguém.

-Agora vai começar a tentar adivinhar coisas sobre mim? -eu ri.

-E eu estou tenho certeza de que estou certo. -ele riu. -Mas aposto que você não quer falar sobre isso, até por que acabamos de nos conhecer e seria péssimo começar a conversar com um cara tão legal como eu, falando sobre o passado.

-Você tem uma alto estima bem elevada em?

-É o meu charme.

-Você também esta de férias?

-Sim, vou fazer uma grande mudança e quero fazer isso relaxado.

-Interessante, mas acho melhor relaxar quando termino as minhas mudanças.

-É o que esta fazendo agora?

-Também.

-A cada coisa que eu digo parece que voltamos ao ponto de por que você está aqui.

-Pois é. -eu ri. -Por isso eu queria ficar sozinha.

-É uma história muito complicada?

-Não. -soltei um suspiro. -Eu estava noiva do meu melhor amigo, mas peguei ele me traindo com a minha irmã mais nova e ela está grávida. Fizeram um teste de DNA o bebê realmente é dele e agora ele está tentando ficar junto com ela.

-Uau! Isso...é bem louco.

-Muito. -eu ri. -Eu realmente superei ele, mas o estresse emocional foi muito alto e eu precisava de um lugar para relaxar.

-Escolheu um ótimo lugar.

-Verdade. -eu ri. -Falamos demais de mim, e você para onde vai mudar?

-Só estou voltando para Porto Verde.

-É um ótimo lugar para viver, vai ficar perto da sua família?

-Sim, eu vou morar perto da minha mãe e dos meus irmãos. -ele mordeu os lábios levemente em sinal de nervoso.

-Sua mãe precisa de ajuda para criar seus irmãos?

-Não, eles vivem bem sem a minha ajuda. -ele suspirou. -Mais agora que vou trabalhar de casa, quero fazer isso perto deles.

-Isso é um bom pensamento.

Mesmo depois de jantar nós continuamos conversando, mas como eu estava ficando sonolenta, resolvi que era a hora de ir embora.

-A conversa esta ótima, mas o meu sono esta chegando.

-Quer companhia até o se chalé?

-Não precisa.

-Podemos almoçar juntos amanhã?

-Amanhã de manhã eu vou fazer um dos passeios não sei que horas eu volto. -expliquei. -Então não vou deixar nada marcado.

-Então se nos encontramos por acaso, faço um pouco mais de companhia para você. -ele sorriu.

-Ok.

27 de Setembro de 2021 às 13:33 0 Denunciar Insira Seguir história
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