koosou Isadora Miranda

Jungkook não acreditava em alma gêmeas até um garoto loiro que tinha como filme favorito “A garota e o porquinho” entrar na livraria em que trabalhava.


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Um olhar.

ELE entra na livraria e mantém a mão na porta para garantir que ela não bata. Sorri, constrangida por ser um garoto legal, suas unhas estão sem esmalte, seu suéter de gola em forma de V.


Ele é tão limpo que chega a ser sujo, e murmura sua primeira palavra para mim.


─ ”olá” ─ quando a maioria das pessoas simplesmente passaria por mim, mas não você em seu jeans rosa largo, um rosa saída de A menina e o porquinho, e de onde você veio? Ele é clássico e compacto, meu próprio pequena Natalie Portman quase no final do filme Closer — Perto demais, quando está de rosto lavado, se cansou dos caros britânicos maus e segue para os Estados Unidos.


Ele veio para mim, finalmente entregue em uma terça-feira, 10:06. Todo dia eu me transporto da minha casa em Bed-Stuy para esta loja no Lower East Side. Todo dia fecho sem, encontrar alguém como ele. Veja ele, nascido em meu mundo hoje.


Estou tremendo e tomaria um lorazepam, mas ele está lá embaixo, e eu não quero tomar um lorazepam. Não quero ficar mal. Quero ficar aqui, inteiramente, vendo ele roer suas unhas sem esmalte, virar a cabeça para a esquerda, não, morder o mindinho, arregalar aqueles olhos, para a direita, não, rejeitar biografias, autoajuda (graças a Deus) e desacelerar ao chegar à ficção. Isso! Deixo ele desaparecer nas prateleiras — Ficção F-K — e ele não é a ninfa inseguro padrão caçando um Faulkner que nunca vai terminar, nunca vai começar; Faulkner que irá endurecer e calcificar, se é que livros podem calcificar, em sua mesinha de cabeceira; Faulkner servindo apenas para convencer aventuras de uma noite de que você falou sério quando jurou que não fazia esse tipo de coisa.


Não, você não é como aqueles garotos. Ele não encena Faulkner, seu jeans é largo, você é bronzeado demais para Stephen King e desligado demais da moda para Heidi Julavits, e quem, quem você irá comprar? Ele espirra, alto, e imagino quão alto é quando goza. ─ Deus o abençoe! ─ digo. Ele ri e grita de volta, garoto safado. ─ Você também, camarada. Camarada. Ele está flertando, e se eu fosse o tipo de babaca que faz Instagram, fotografaria a placa F-K, filtraria a coisa e colocaria a legenda: “F-K sim, eu a encontrei.” Calma, Jungkook. Eles não gostam quando um, cara chega forte demais, lembro a mim mesmo. Graças a Deus por um cliente, e é difícil escanear o previsível Salinger dele — mas sempre é difícil fazer isso.


Esse, cara tem o quê, 36, e só agora está lendo Franny e Zooey? Vamos lá. Ele não está lendo. É só uma cobertura para os Dan Brown no fundo da cesta. Trabalhe em uma livraria e aprenda que a maioria das pessoas no mundo se sente culpada por ser quem é.


Coloco na sacola primeiro o Dan Brown, como se fosse pornografia infantil, digo que Franny e Zooey é do cacete, ele concorda, e ele ainda está em F-K, pois consigo ver, ligeiramente, seu suéter bege através das prateleiras. Se ele se esticar um pouco mais para cima, verei sua barriga. Mas ele não faz isso. Ele pega um livro e se senta no corredor, e talvez passe a noite toda ali. Talvez seja como o filme de Natalie Portman Onde mora com o coração, adaptado sem qualquer fidelidade do livro de Billie Letts — melhor que a média para aquele tipo de lixo —, e o encontrarei no meio da noite. Todavia você não estará grávido e eu não serei o homem submisso do filme. Eu me inclinarei sobre você e direi: “Desculpe, senhor, mas estamos fechados”, e você erguerá os olhos e sorrirá. “Bem, eu não estou fechada.” Um respiro. “Estou totalmente aberta. Camarada.” ─ Ei ─ corta Salinger-Brown. Ele ainda está aqui? Ele ainda está aqui.


─ Consigo um recibo? ─ Sinto muito. Ele o arranca da minha mão. Ele não me odeia. Odeia a si mesmo. Se as pessoas conseguissem lidar com o ódio a si mesmas, o atendimento ao cliente seria mais suave.


─ Quer saber, garoto? Quem pensa que é? Você trabalha em uma livraria. Você não faz os livros. Não escreve os livros e, se fosse bom em ler os livros, provavelmente não trabalharia em uma livraria.


Então tire essa expressão de superioridade do rosto e me deseje um bom dia. Aquele homem poderia me dizer qualquer coisa no mundo e ainda seria aquele que compra Dan Brown envergonhado. Você aparece, agora, após ouvir o babaca, com seu sorriso íntimo de Portman. Eu olho para você. Você olha para ele, que ainda está me encarando, esperando.


─Tenha um bom dia, senhor ─ digo, e ele sabe que não falo a sério, odeia ansiar por platitudes de um estranho. Quando ele vai embora, eu grito novamente porque você está escutando.


— Aproveite o Dan Brown, babaca! Você se aproxima, rindo, e graças a Deus que é de manhã, não acontece nada de manhã e ninguém vai se meter no nosso caminho. Você pousa a cesta de livros no balcão e provoca.


─ Também vai me julgar?


─ Que babaca, não é?


─Ah, provavelmente só está de mau-humor. Ele é um doce. Ele vê o melhor nas pessoas. Ele me complementa.


─ Bem ─ digo, e me calo, e quero me calar, mas você me faz querer falar.


─ Aquele, cara é a razão pela qual a Blockbuster não devia ter quebrado. Você olha para mim. Está curioso e eu quero saber de você, mas não posso perguntar, então apenas continuo a falar.


─ Todo mundo está sempre lutando para melhorar, perder três quilos, ler três livros, ir a um museu, comprar um disco de clássicos, escutar e gostar. O que eles realmente querem é comer rosquinhas, ler revistas, comprar discos de ‘pop’. E livros? Fodam-se os livros. Arrume um Kindle. Sabe por que os.


Kindles fazem tanto sucesso? Ele ri, sacode a cabeça e está me escutando até o ponto em que a maioria das pessoas divaga e pega seu celular. E você é bonita, e pergunta: ─ Por quê? ─ Vou lhe dizer. A ‘internet’ leva pornô até sua casa… Acabei de dizer pornô, que idiota, mas você ainda está escutando, que bonequinha. ─ E você não precisa sair para conseguir. Não tem de fazer contato visual com o cara na loja que sabe que você gosta de ver garotas sendo espancadas. O contato visual é o que nos mantém civilizados. Seus olhos são amêndoas, e eu continuo. ─ Expostos. Você não usa aliança, e eu continuo.


─ Humanos. Você é paciente e eu preciso calar a boca, mas não consigo. ─ E o Kindle, o Kindle elimina toda a integridade de nossa leitura, exatamente o que a ‘internet’ fez com o pornô. Os controles desaparecem. Você pode ler seu Dan Brown em público e privadamente em simultâneo. É o fim da civilização.


Mas… ─Sempre há um, mas ─ ele diz, e aposto que vem de uma grande família de pessoas saudáveis e amorosas que abraçam muito e cantam músicas ao redor da fogueira.


─, Mas sem lugares para comprar filmes ou discos, sobraram os livros. Não há mais locadoras de vídeo, então não há mais ‘nerds’ que trabalham em locadoras de vídeo e citam Tarentino, brigam por causa de Dario Argento e odeiam pessoas que alugam filmes de Meg Ryan. Aquele ato, a interação entre vendedor e comprador, é a rua de mão dupla mais importante que tínhamos. E você não pode simplesmente eliminar ruas de mão dupla assim e não esperar um efeito ruim, sabe? Não sei se você sabe, mas você não me manda parar de falar como as pessoas algumas vezes fazem, e assinto.


─ Hã!hã. ─ Veja, a loja de discos era o grande equalizador. Dava poder aos ‘nerds’. Você realmente está comprando Taylor Swift? Mesmo que todos aqueles ‘nerds’ fossem para casa e tocassem uma para Taylor Swift. Pare de falar Taylor Swift. Você está rindo de mim ou comigo?


─ Enfim… ─ digo, e vou parar caso você mande. ─Enfim ─ ele diz, e quer que eu termine. — A questão é que comprar coisas é uma das poucas atividades honestas que fazemos. Aquele, cara não entrou aqui devido a Dan Brown ou. Salinger. Aquele, cara entrou aqui para se confessar. ─ Você é padre? ─ Não. Sou uma igreja. ─ Amém. Você olha para sua cesta, eu pareço um solitário perturbado, e olho em sua cesta. Seu celular. Você não o vê, mas eu sim. Está rachado. Tem uma capa amarela. Significa que você só cuida de si mesmo quando está além da redenção. Aposto que toma zinco no terceiro dia de um resfriado. Pego seu telefone e tento fazer uma piada.


─ Você roubou isso daquele cara? Você pega o celular e fica corado. ─ Eu e este telefone…─ ele diz.


— Sou um papai ruim. Papai. Ele é um safado, ó se é. ─ Não. Ele sorri, Tira os livros da cesta, coloca a cesta no chão e olha para mim como se fosse completamente impossível, para mim, criticar algo que você fizesse. Seus mamilos endurecem. Ele não os cobre. Perece os Twizzlers que guardo ao lado da registradora. Aponta, com fome.


─ Posso? ─ Sim, ─ digo, e já o estou alimentando. Pego seu primeiro livro, Impossible Vacation, de Spalding Gray.


─ Interessante. A maioria das pessoas leva os monólogos. Este é um grande livro, mas não um livro que as pessoas costumem comprar, particularmente jovens que não parecem pensar em suicídio, considerando o destino do autor.


─ Bem, algumas vezes você simplesmente quer ir a um lugar escuro, sabe? ─ É ─ digo.


─ É. Se fôssemos adolescentes, eu poderia beijar você. Mas estou em uma plataforma atrás de um balcão com uma plaqueta de identificação, e somosnvelhos demais para sermos jovens. Movimentos noturnos não funcionam de manhã, e a luz penetra pelas ‘vitrines’. Livrarias não deveriam ser escuras?


Lembrete: dizer ao Sr.Becker para colocar venezianas. Cortinas. Algo. Pego seu segundo livro. Desesperados, de uma de minhas autoras preferidas, Paula Fox. É um bom sinal, mas você poderia estar comprando por ler em algum “blog” idiota que ela é a mãe biológica de CourtneyLove. Não tem como ter certeza de que você está comprando Paula Fox por chegar a ela pelo caminho certo, um ensaio de Jonathan Franzen. Você enfia a mão na carteira.


─ Ela é a melhor, certo? Fico arrasado por não ser mais famosa, mesmo com Franzen babando por ela, sabe? Graças a Deus! Eu sorrio.


─ A Costa Oeste. Você desvia os olhos. ─Ainda não fui lá ─ ele diz. Eu olho e você ergue as mãos, se rendendo.


─Não atire. Você dá um risinho e eu desejo que seus mamilos ainda estivessem duros. ─ Vou ler A Costa Oeste algum dia, e Desesperados eu já li zilhões de vezes. Este é para um amigo. ─ Hã!hã ─ digo, e as luzes vermelhas de perigo piscam. Para um amigo.


─ Provavelmente é perda de tempo. Ele nem sequer vai ler. Mas pelo menos ele vende um livro, certo? ─ Verdade. Talvez ele seja seu irmão, ou seu pai, ou um vizinho, mas sei ser um amigo, e bato na calculadora.


─ São 31,51. ─ Deus do céu. Olha, é por isso que os Kindles mandam ─ diz enquanto abre a carteira rosa-porco de Zuckerman e me dá o cartão de crédito, embora tenha dinheiro suficiente nela para pagar. Quer que eu saiba seu nome, eu não sou maluco, pego o cartão e o silêncio entre nós está ficando mais alto, e porque não coloquei música hoje e não consigo pensar em nada a dizer.


─ Aí vamos nós ─ digo, e ofereço o recibo. ─Obrigada ─ ele murmura.


─ Está é uma ótima livraria. Ele está assinando, e é Park jimin. Seu nome é um poema e seus pais são cretinos, provavelmente, como a maioria dos pais. Park Jimin. Qual é? ─Obrigado, Park Jimin.


─ Eu realmente prefiro apenas jimin. Park Jimin é meio que comprido e ridículo, sabe?


─Bem, jimin, você parece diferente pessoalmente. E Midnite Vultures é impressionante. Ele pega sua sacola de livros e não rompe o contato visual porque quer que eu o veja me olhando.


─Legal, Jeon Jungkook. ─ Não, é apenas Jungkook. Jeon Jungkook é meio que comprido e ridículo, sabe? Estamos rindo, e ele queria saber meu nome tanto quanto eu queria saber o seu, ou não teria lido meu crachá.


─Tem certeza de que não quer levar A Costa Oeste, enquanto está aqui? ─ Isso pode parecer maluquice, mas estou guardando. Para a lista da casa de repouso.


─ Quer dizer o que fazer antes de morrer. ─ Ah! não, é totalmente diferente. Uma lista de casa de repouso é uma lista de coisas que você planeja ler e ver quando estiver na casa de repouso. Uma lista do que fazer antes de morrer é mais como… Visitar a Nigéria, pular de um avião. Uma lista de casa de repouso é como ler A Costa Oeste, ver Pulp Fiction e escutar o último álbum do Daft Punk. ─ Não consigo imaginar você em uma casa de repouso. Ele enrubesce. Ele é A menina e o porquinho e eu poderia amar você.


─ Não vai me desejar um bom dia?


─ Tenha um bom dia, jimin. Ele sorri.


─ Obrigado, Jungkook. Ele não entrou aqui devido aos livros, . Ele não precisava dizer meu nome. Não precisava sorrir, escutar ou me dar atenção. Mas fez isso. Sua assinatura está no recibo. Essa não foi uma transação em dinheiro e não foi um débito. Isso foi real. Eu aperto o polegar na tinta fresca de seu recibo e a tinta de suja minha pele. Park jimin.


Você será meu.


notas do autor:

foi isso obrigada por lerem, leiam outras fics no meu perfil e me sigam 💜

20 de Setembro de 2021 às 19:19 0 Denunciar Insira Seguir história
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