lslauri Liura Sanchez Lauri

Meu pai, certa vez, caminhando comigo perto de casa, viu um cãozinho muito feliz com a cabeça pra fora da janela de um carro, latindo, orelhas ao vento, língua de fora e, ele então disse: Sabe, filha, acho que os cães são seres extraterrestres que se aproveitam da carência dos seres humanos... Olhei pra ele, incrédula e disse que isso daria um excelente conto! Como meu pai decidiu fazer a viagem de volta no dia 04/08/2021, eu resolvi terminar de escrever esse curta, esperando que vocês gostem e se divirtam, tanto quanto eu! :D Aubraços, Liura.


Conto Todo o público.

#extraterrestres #conto #origem #cães
Conto
0
360 VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

capítulo único

E auí, galera! Tudo bem? Meu nome é Aumir e eu sou um, dentre os bilhões que existem no planeta Terra, da minha espécie. Mas pra contar isso direito eu preciso retroagir uns 30 mil anos na história de vocês, quando o então abrutalhado e medroso Homo sapiens sapiens se escondia o quanto podia dos predadores.

Esquece tudo que você conhece sobre a interação dos humanos com os lobos e o quanto isso foi a diferença entre a sobrevivência do H. sapiens em detrimento do H. neanderthalensis! Foi nauda disso não!

Há 30 mil anos atrás, nosso planeta ancestral, AuterEgon, estava no fim dos seus dias. Nosso Sol, que por tantos bilhões de anos, nos aqueceu e nutriu estava morrendo e era imperativo conseguirmos encontrar outro planeta onde a vida fosse à base de carbono e houvesse água potável em abundância. Claro, tínhamos a noção da ocupabilidade do novo planeta, mas jamais imaginaríamos ser por uma raça tão serviçal! Uma benção!

Nossos ancestrais chegaram com um planejamento de diversificar nossa raça, aperfeiçoar nossas qualidades inatas e, assim, além de ganharmos um novo lar, fossemos capazes de subjugar as formas de vida presentes. Colocamos todos os Aus – pois era assim que nos chamávamos – em cápsulas criogênicas com casais, junto com o plano traçado e evacuamos o planeta alguns anos antes da notificação de sua morte.

As cápsulas continham as diretrizes do mínimo necessário para nossa sobrevivência e aportariam em planetas com possibilidades de vida, em vários sistemas solares. Os sensores de alta sensibilidade presentes nessas incríveis máquinas nos permitiram ficar em estase ad aeternum, até o momento de nos acordar já na atmosfera do planeta e, caso nossas avaliações fossem positivas, realizávamos a aterrisagem em local seguro para iniciar a infiltração.

Há uns 10 mil anos soubemos do sucesso de alguns outros casais em outros sóis, mas a grande maioria, infelizmente, ou pereceu ou ainda está em estase... O interessante é: nenhum deles conseguiu o mesmo sucesso que tivemos com a infiltração no planeta Terra e exatamente por isso enviamos um sinal de chamado aos outros tantos em estase com as coordenadas da Terra. Nossos mais recentes levantamentos mostram a possibilidade de crescimento exponencial, ainda mais depois da notícia sobre alguns países terem mais cães que bebês!

Aqui, os humanos, estão mesmo aceitando sem questionar todo nosso planejamento de subjugação. Os mais antigos diziam: “cachorro só serve pra guarda e fica no quintal!”. Os mais novos, dizem: “cachorro é tão fofinho!” ou “Dá menos trabalho que um bebê e pode ficar até no sofá de casa!” ou “Eu quero um cachorro, mas não tenho mais quintal!” e, com esse crescimento vertical dos grandes centros urbanos estamos aproveitando mais do que nos últimos 500 anos, quando conseguimos até fazer as incríveis viagens oceânicas com os exploradores! Eles nos deram o nome de “pets”, fizeram vários locais aceitarem nossa presença e o mercado de itens, que vão desde o básico, passando por brinquedos, roupas, casas e festas, seja de aniversário ou de casamento, só cresce.

Isso porque, nesses 10 mil anos de convívio, fomos incutindo no ADN dos humanos os aunites, são nanitos robotizados capazes de ampliar a capacidade de produção de serotonina em todos aqueles que possuem cachorros e passam tempo com eles, pois é necessário ter a troca de olhares como gatilho epigenético para as células humanas responderem de modo programado à presença dos cães, recompensando o humano por estar conosco, nos tratar bem, nos querer e cuidar. Quanto mais eles fazem isso, mais hormônio da felicidade eles têm liberado e o ciclo não para.

Claro, como estamos mexendo com o ADN de uma espécie, isso ainda requer alguns ajustes, mas nada que mais alguns mil anos não consigam resolver e aqueles excessos, em tratar aos cachorros como se fossem realmente humanos: colocando roupas todos os dias, colocando sapatos (au! Nós precisamos das almofadinhas para transpirar! Não façam isso!...), dando banhos em excesso, fazendo endocruzamentos (que horror!), criando algumas raças para seu prazer e nosso sofrimento ou nos colocando em carrinhos de bebês ou nos impedindo de ter contato com a Natureza (nossa real Mãe e provedora, Aumém!), podem ser reagrupados em outros costumes, que sejam benéficos tanto para os cães quanto para os humanos.

Estamos aqui para ficar, e queremos que os humanos tenham qualidade de vida mental para termos todos os nossos direitos! Ou seja: tudo! Lambermos o que quisermos, comermos sorvetes, massas e doces (sem chocolates, por favor! Pois têm teobromina e isso pode intoxicar alguns da nossa espécie!), tomarmos banho quando tivermos vontade e, acima de tudo, andarmos muito de carro, com a cabeça pra fora do vidro, com sentimento total de liberdade!

Enquanto esse equilíbrio não chega, vamos incutindo nos mais sensíveis as questões do bem-estar animal, mesmo sabendo a briga inicial que isso dará, os frutos serão muito proveitosos... Nossos aunciãos já fizeram as análises decenais e mesmo dividindo o amor dos humanos entre as aves, os gatos e os peixes, ainda teremos o suficiente para nossa raça prosperar. Isso mesmo com a chegada dos nossos irmãos perdidos em estase pelo Universo.

Eu imagino o quanto isso possa ser confuso para você, humano, que nos lê. Mas não se preocupe, não viemos com a intenção de exterminar, mas de conviver pacificamente, sendo mimados, agradados e reverenciados por vocês como merecemos, diante do nosso adiantamento moral e das inúmeras possibilidades de avanço tecnológico que podemos propor aos nossos assessores humanos, sempre fazendo-os pensar sobre eles serem os reais descobridores dessas maravilhas. Agradeçam a nós se hoje existe internet e Alexa. Queríamos o nome de Aulexa, mas não conseguimos intuir de modo correto os envolvidos no processo...

Viemos pra explorar essa carência humana por afeto incondicional, pois isso é o cálice sagrado para nós. Buscamos através desse afeto chegar mais perto do nosso Austero Deus. E temos conseguido milagres nesse quesito. Nossos templos de Fé, espalhados por todo o mundo, hoje são tão numerosos quanto a maior religião humana e temos nossos encontros, de maneira virtual, muito antes de vocês começarem essa prática pelo Sars-Cov-2. Acreditamos ser algo místico esse encontro entre nossas raças, pois nós damos o que podemos para evoluir e vocês nos dão uma vida de reis e rainhas, na grande maioria dos casos.

Claro, em vários países em desenvolvimento, os cães ainda não conseguiram sair totalmente das ruas e muitos de nós são maltratados e mortos, mas esses irmãos encontram o grande Céu cheio de árvores, ossos e lebres primeiro que nós; sabemos disso... E oramos por eles! Portanto, comportem-se. Parem de preferir os gatos a nós e vamos ser bons amigos, sempre. Ou comecem a nos deixar em segundo plano, a preferir felinos em seus apartamentos e corações e veremos onde uma revolução de cães é capaz de deixar este planeta. Afinal, para nós, não custa nada destruir e entrar em nossas naves novamente, em estase, buscando um novo lugar ao Sol...

19 de Setembro de 2021 às 22:48 0 Denunciar Insira Seguir história
0
Fim

Conheça o autor

Liura Sanchez Lauri Gosto do universo dos quadrinhos. Em especial aquele onde está inserido o Wolverine. Apesar de ter gostado de alguns filmes, os quadrinhos são mais ;)

Comente algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~