underidisui Hotaru Shroud Nanami

Tudo que um dia você conheceu, já não fazem mais sentido. Em um mundo onde eu crio as regras e movo as peças, uma nova história é criada, com um novo protagonista. Me acompanhem nessa jornada, onde eu conto a história de Ryo, o novo aluno da Night Raven College. De onde ele veio? O seu passado? Como irá sobreviver nesse mundo repleto de magia, mistério e onde atua um certo diretor incompetente que não cuida do próprio colégio? As peças estão sobre o tabuleiro. Está na hora do primeiro round. E patrocinem o narrador, pois nem ele vai aguentar o que está por vir.


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00. Prólogo




"Não importa o que aconteça, nunca solte essa mão.”

[...]

??? - Noite

Uma noite repleta de estrelas embelezando o escuro céu. O vento soprava fortemente sobre Night Raven College, trazendo um ar gélido que mostrava sua chegada.

Entre todos que estavam presentes naquele colégio, não existia ninguém mais feliz do que o homem encapuzado que dançava alegremente em frente ao seu querido amigo, o espelho mágico.

— O que lhe traz tanta emoção em uma noite como essa? — Perguntou o curioso espelho.

— Ah! Não é óbvio, meu caro amigo? Essa noite será especial! Vai acontecer algo inacreditável, você vai até ficar surpreso.

— E o que seria esse acontecimento inacreditável? Eu já acompanhei muitos dos maiores eventos deste colégio, é impossível que aconteça algo grande o bastante que seja no mínimo curioso. Com a direção deste lugar, não me surpreendo com mais nada.

— Eu devo concordar com você, porém não subestime o poder das minhas palavras. O tabuleiro está pronto, as peças estão posicionadas em seus devidos lugares e falta apenas o jogador número dois entrar no meu pequeno joguinho. Vai ser o início de algo que vai mudar tudo! Confie em mim, você sabe que eu não sou de mentir quando se trata de jogos.

O homem encapuzado sapateava como nunca. Sentia como se aquela noite fosse o melhor dia de sua vida. Uma delas, afinal, a diversão só estava começando.

— Eu vou aguardar por hora. Já está quase na hora do início da cerimônia, sugiro que você vá embora. — Aconselhou o espelho, desaparecendo logo em seguida.

— Apenas relaxe, meu caro amigo, essa noite será muito longa...

[...]

Corredor ??? - Noite

Aquele ambiente era marcado pelo silêncio profundo. Um corredor que antes passavam estudantes andando apressados de um lado para o outro, agora era cercado por um vazio amedrontador que podia assustar qualquer desavisado que andasse por aquele lugar.

O que aqueles estudantes faziam tão apressados anteriormente? Existe uma resposta simples para essa pergunta.

Naquele dia estava sendo organizada a tão aguardada cerimônia de entrada para os novos estudantes da Night Raven College. A ansiedade dos veteranos não podia ser contida tão facilmente. E os professores não ficavam para trás quando se tratava de emoção com esse dia tão especial para o colégio.

Um novo ano letivo, trazendo novos jovens com sonhos diferentes e com o mesmo objetivo: Frequentar uma das melhores escolas de magia de todos os tempos.

A cerimônia estava prestes a começar, não teria uma alma viva sequer naquele corredor que ousasse perder um dos eventos mais esperados de Night Raven College.

Ou teria?

— Nha, onde estão todos aqueles caras? Não posso demonstrar minha poderosa magia para os meus futuros seguidores se não tiver nenhum aqui!

Uma pequena criatura aparecia do outro lado do corredor, quebrando o silêncio que antes ali reinava.

Com um corpo que lembrava um gato cinza com o tronco branco e orelhas com o que poderia ser chamas azuis, a criatura corria por todo o local procurando um sinal de vida.

— Ah! Escutei vozes! Agora eu encontro vocês! Farei vocês me alimentarem com todos os tipos de atum que vocês tiverem!

Correu desesperadamente em direção a uma porta grande. Tentou abri-la, mas estava trancada.

— Porcaria, queria usar minha magia só na entrada triunfal. Vamos apelar pro lado mais quente!

O que aquela criatura não sabia, é que por trás daquela porta, estava acontecendo uma importante cerimônia de entrada. Porém, não é agora que poderemos acompanhar este evento… o convidado principal ainda não está presente.

[...]

??? - Noite

— …

O que?

Tentou se mexer, mas algo à sua frente estava lhe impedindo de movimentar seu corpo com liberdade.

Onde eu estou?

Empurrou com mais força, seja lá o que aquilo fosse para ele. Continuou e continuou, mas não conseguiu resultados. Não era forte o suficiente.

— O que raios é isso? Me tirem daqui! – Gritou para si.

Deu um chute em sua frente, finalmente conseguindo sair. Por um momento, a luz do lado de fora ofuscou sua visão, mas rapidamente recuperou seus sentidos, podendo ver o que aquela escuridão escondia. Estava em um lugar parecido com um pátio. Haviam bancos, algumas macieiras e uma fonte no centro do local.

— O que raios é isso?

A figura se levantou, percebendo o lugar em que estava preso. Notou o formato de um caixão preto, e a parte superior estava largada ao lado, onde existia uma espécie de fechadura bem no meio.

— Eu morri?

Passou suas mãos desesperadamente pelo corpo, procurando descobrir se ele ainda estava lá. Suspirou aliviado ao sentir sua pele quente novamente. Nunca sentiu tanto a felicidade de saber que seu pescoço ainda estava preso à cabeça.

— Jesus amado. Eu estou vivo, menos mal.

Quando se acalmou, reparou no manto que estava vestindo, preto e com detalhes dourados. Apesar de sua mente estar desorientada, sua memória lhe dizia que nunca viu aquela veste. Não queria se preocupar com isso agora, existiam outros assuntos dessa história que ele precisava entender primeiro. Se esticou um pouco, aquele caixão estava realmente apertado.

Olhou ao redor, procurando alguém para pedir informações de onde estava.

— Será que eu fui sequestrado? Mas eu não sou famoso, e não tenho um único centavo comigo.

Seus olhos acabaram encontrando algo se movimentando perto de uma macieira. Imaginou que era uma pessoa, logo decidiu de aproximar. Suas pernas demoram para responder, quase caindo no meio do processo de caminhada.

Quando chegou, respirou fundo e abriu seus lábios com o intuito de chamar a figura. No entanto, seu movimento foi bruscamente interrompido quando seu olhar se fixou no que estava vendo.

Encostado naquela enorme macieira, havia um homem dormindo.

Um jovem homem com o mesmo manto preto que aquele que o observara estava usando. Fios claros prateados que caem sobre a grama, juntamente com uma pele tão clara quanto o luar que os iluminavam, os lábios estavam semi-abertos, dando um ar adicional àquela beleza nunca antes vista; pétalas de flores espalhadas por todo o seu rosto, como se tivessem sido colocadas intencionalmente para o momento peculiar. A única iluminação daquele pátio eram as estrelas cintilantes do céu, mas ele possuía seu brilho único que o permitia ser visto mesmo em meio a escuridão.

Nosso convidado de honra não conseguiu parar de admirar aquele garoto que dormia tranquilamente em uma das noites mais importantes daquele colégio. Sequer se mexia perante a visão que poderia ser facilmente confundida com a visão de anjos…

Exagerei? Me perdoem, estou animado.

Vamos continuar.

Saiu de seu transe no momento em que aquele jovem dorminhoco abriu lentamente os olhos, revelando um olhar sonolento. O de cabelos prateados piscou algumas vezes antes de olhar atentamente para o seu observador.

— Eu caí no sono novamente… — Bocejou.

Um pulinho de susto foi a única resposta que o jovem de fios prateados recebeu.

Esfregou seus olhos lentamente, deixando todas as pétalas de flores caírem no chão. Fez um momento de que estava prestes a se levantar, obrigando o curioso a se afastar para dar espaço.

Seus olhos beiravam entre o azul claro e o violeta, uma mistura parecida com uma aurora boreal.

— Sinto que terei que aguentar mais gritos desnecessários de Sebek esta noite. É tão difícil controlar isso…

Passou suas mãos por todo o manto para limpar a terra. Após isso, direcionou seu olhar para o garoto silencioso, mostrando uma expressão séria.

Peço desculpas novamente por interromper a narração automática. Talvez você esteja curioso a respeito da aparência do nosso pequeno convidado de honra.

Com fios tão roxos como a mais bela e solitária lavanda de um jardim, e olhos tão amarelos como o mais brilhante girassol ao amanhecer; seu corte de cabelo? Um grande rabo de cavalo alto, que de extra escondia seu olho esquerdo por trás de uma enorme franja, mantendo um ar misterioso.

Oh, vocês querem ver o desenrolar da conversa? Tudo bem, vou parar com isso.

— Eu não conheço você...

Nosso convidado quase tropeçou para trás quando ouviu aquelas palavras. Tratou logo de endireitar sua postura, ficando cara a cara com o rapaz.

— Sobre isso… Eu não sei onde eu estou, cara. Eu ‘tô perdido. Eu estava procurando alguém para pedir informação, e acabei encontrando você dormindo nessa árvore.

O indivíduo apenas colocou a mão no queixo.

— Hum, eu devo ter perdido a cerimônia de entrada enquanto estava dormindo. Você se separou do seu grupo? Posso levar você ao seu dormitório.

— Dormitório? Grupo? Cerimônia de entrada? Olha, não sei se você entendeu. Eu não sei como eu vim parar aqui, até pouco tempo atrás eu estava preso na porcaria de um caixão que nem confortável era! Não consigo lembrar das coisas direito! Se isso aqui for um programa de televisão, podem parar com essa palhaçada. Haha, é muito legal ser sequestrado do nada e levado para lugar nenhum, isso que eu chamo de entretenimento- Ei!

Parou de falar quando notou que o jovem a sua frente adormeceu mesmo estando de pé, ignorando todas as suas palavras. Seu corpo começou a sentir a fúria de ter falado tanto para simplesmente não servir de nada.

— Opa, bom dia, bela adormecida. Vamos acordar, por favor? O sol já nasceu lá na fazendinha, está na hora de acordar! – Segurou os ombros do prateado com força e começou a balançá-lo, na esperança dele acordar. Parou quando os olhos foram subitamente abertos, conseguindo seu objetivo.

— Ah, eu dormi de novo.

— Você dorme direito? Acabou de sair de um sono no chão e agora em pé? Que loucura.

O rapaz apenas suspirou, constrangido.

— Peço desculpas pela primeira que você teve de mim. Eu tenho esse problema de acabar caindo no sono contra a minha vontade, e isso acontece repentinas vezes ao longo do dia.

— Senhor, eu estou lascado. – Posicionou as mãos em sua cabeça, demonstrando preocupação.

— Se você não sabe do que eu estou falando, então você não participou da cerimônia?

— Que cerimônia?

Arregalou os olhos, surpreso. Permaneceu em silêncio por alguns segundos, logo tratando de dar a palavra.

— Como você se chama?

E com essas palavras, nosso convidado entrou em choque.

...Nome?

— Meu nome, claro. Eu me chamo...

Qual o meu nome?

Se afastou um pouco, se apoiando na árvore. Por um momento, se sentiu tonto por não conseguir pensar em uma resposta sequer.

Eu tenho um nome?

Sua mente se remexia buscando desesperadamente uma resposta para aquela pergunta. “Nome” se repetia inúmeras vezes, deixando-o mais confuso. Seus pensamentos se assemelhavam a um navio preso em uma tempestade, balançando sem destino algum.

Ryo!

Ryo?

Uma voz desconhecida ecoou de repente. A voz de uma garota. Não conseguiu identificar se ela passou pelos seus ouvidos ou se suas memórias decidiram voltar apenas para finalmente revelar uma informação importante. Porém, ela veio em boa hora, e só podia confiar na tal voz mágica que lhe ajudou.

— Ryo, meu nome é Ryo.

— Certo.

Com um movimento rápido demais para Ryo acompanhar, o jovem de cabelos prateados o puxou pelo pulso, lhe obrigando a mover as pernas sem sincronização.

— O que você está fazendo? Ta doido? – Tentou se libertar, mas aquele homem era bem forte e não soltaria tão fácil assim.

— Me desculpe, senhor Ryo. Mas eu terei que levar você comigo por precaução.

— O quê?

Não que tivesse adiantado de algo. No final das contas, queria apenas pedir ajuda para um garoto aparentemente bonito de início, mas acabou sendo arrastado para um lugar ainda mais longe de onde estava.

Com certeza, ele não teria paz essa noite. Fufufu~

[...]

Corredor ??? - Noite

Minutos que pareciam horas, corredores que seriam infinitos na visão de Ryo, e principalmente, uma pequena queda de audição para o moço que trazia consigo o maior gritão que poderia conhecer.

— Não há ninguém pelos corredores, a cerimônia ainda deve estar em andamento, precisamos chegar logo.

— Vem cá, você vai me dizer para onde está me levando? Eu estou quase perdendo o meu pulso aqui e se duvidar vou perder meus pés também!

— Para um cara que até pouco tempo atrás estava confuso e perdido, você fala bastante.

— E estou tudo isso! Podia me dizer pelo menos que tal cerimônia é essa? Não me diga que é algo satânico porque eu tenho muito amor pela minha vida e não curto essas coisas!

— Você poderia, por favor, ficar quieto por um único minuto? – Engrossou sua voz demonstrando ameaça, fazendo Ryo calar-se quase que imediatamente.

No entanto, o jovem sonolento parou bruscamente, e como consequência, o dono de olhos amarelados bateu de cara nas costas do rapaz, quase caindo para trás se não estivesse sendo segurado pelo pulso.

— O que aconteceu com essa porta? — Observou atentamente, a mesma estava com muitas partes queimadas, e julgando pela expressão do garoto, pareciam ser recentes.

— O que tem atrás dessa porta? Você vai me queimar vivo?

— Não sou capaz de fazer essas coisas, não hoje. Venha comigo.

O que acontecia lá dentro, vocês já devem imaginar. Uma surpresinha os aguardava.

[...]

Câmara dos Espelhos - Noite

Sim, haviamos chegado no tão aguardado local. As portas foram abertas, revelando a figura de dois garotos. Todos olharam atentamente, curiosos a respeito dos novos convidados.

Isso, se não fosse um pequeno caos que estava acontecendo naquele exato momento.

— Peguem aquele animal!

Assim que entraram, um forte brilho ofuscou os dois por alguns segundos, revelando em seguida o que seria um mar de chamas azuis. Três pessoas utilizando o mesmo manto que Ryo estavam correndo desesperados para tentar alcançar um pequeno gato cinza.

— O que está acontecendo? — Perguntou o de cabelos prateados, se aproximando de uma pessoa.

— Silver! Que bom que chegou! Estavamos o procurando mais cedo, o senhor sumiu!

— Então o nome dele é Silver... que criatividade para alguém que tem cabelo dessa cor. – Sussurrou Ryo, que ganhou uma pisada de pé bem forte após isso vindo de seu companheiro.

— Eu acabei dormindo no pátio, não se preocupe, estou bem.

— É, ele está bem, muito bem.

— Você quer que eu lhe cale novamente?

— Quer testar? Oh meu Deus, o grande senhor Silver quer me parar.

Apesar dos dois estarem prestes a começar uma discussão novamente, o aluno à frente estava começando a perceber o perigo que rodeava aqueles dois.

— Senhor…

Apontou timidamente para a mão esquerda de Silver, que depois de tantos vai e vem com o perdido, percebeu que seus dedos estavam entrelaçados com a do rapaz ao seu lado. Quando notaram isso, o de cabelos prateados rapidamente se soltou, e ambos desviaram seus olhares.

— Me conte os detalhes, por favor. – Pediu Silver, ignorando a situação.

— S-Sim senhor! O familiar de alguém invadiu a cerimônia e colocou fogo no diretor Crowley e nos caixões. Alguns alunos da Heartslabyul estão tentando apagar o incêndio, enquanto os líderes vão atrás do animal!

Ryo olhou por trás do garoto, vendo o tal familiar pulando pelas cadeiras enquanto um aluno usava uma espécie de caneta para lançar algo luminoso o bastante para fazê-lo parar. Reparou também nos caixões que estavam lá atrás, igualmente ao que ele estava preso dentro, exceto pelo fato de que eles estavam flutuando no ar e em chamas.

— Será que ainda estou dormindo? Ou eu morri e estou em um inferno diferenciado?

Estava prestes a finalizar sua frase quando percebeu o gato correndo em sua direção, estava tão veloz que não conseguiu desviar, e a criatura atingiu em cheio sua cabeça, dando uma forte cabeçada que o fez ir ao chão com tudo.

— Filho da pu-

— Saia da frente, escravo! Não atrapalhe meu plano de fuga! – Gritou a criatura.

— Que merda é essa? O gato tá falando!

— Eu não sou um gato! Eu sou o maior, o melhor, o mais poderoso mago que já existiu! Gravem minhas palavras!

Em um vulto, o aluno que estava atrás dele se jogou em cima de Ryo, segurando a criatura com força para que não fugisse novamente. O de fios arroxeados gemeu de dor após o impacto, como se tivesse perdido suas costas.

— Consegui! Peguei ele! – O aluno estava entusiasmado com a conquista, tanto que nem notou quem estava abaixo de si. Enquanto isso, Ryo estava afundado no chão sofrendo de dor, como se tivesse caído um piano em sua barriga.

— Socorro…

Com um toque dramático, apontou sua mão em direção a Silver, implorando para que ele o ajudasse, este que apenas riu e ignorou o pedido. Teria certeza de dar uma lição nele assim que conseguisse respirar direito.

— Me solte imediatamente! Você está cometendo um crime! — O gato se debatia, mostrando suas garras afiadas. Infelizmente, quem estava sendo o alvo de sua arma natural era o pobre Ryo que nem conseguia se mover mais.

— Para com isso inferno!

— Finalmente, capturamos o familiar, bom trabalho alunos.

Uma voz ecoou por todo o local, trazendo o foco de Silver e dos demais estudantes.

— Hello? Alguém tira ele daqui! Ele vai me matar!

Depois de muito sofrimento, Ryo foi libertado da “criatura feroz” de do matador de gente, e saiu de brinde com uma dor nas costas que não iria embora tão cedo. O aluno entregou a fera para um garoto de estatura baixa, mas que conseguiu conter o gato estranho com facilidade colocando uma coleira estranha nele num passe de mágica. Me pergunto se vocês sabem de quem eu estou falando, apesar de não detalhar sua aparência.

Quando Ryo se levantou, reparou uma enorme figura à sua frente, quase caindo de novo por conta do susto.

— Diretor, é desse garoto que eu estava lhe falando. – Silver se aproximou, segurando os ombros de Ryo, apenas para impedir que ele aproveite a situação para fugir. Não que fosse adiantar de algo, o garoto estando de pé já era um esforço enorme visto a situação do seu corpo.

Nosso querido convidado estava diante da presença do tão amado, ou odiado, diretor da Night Raven College. Sua marca registrada é uma máscara preta que se assemelha bastante a um corvo, escondendo seus olhos como se quisesse ser misterioso. Usava uma espécie de terno preto, onde o mesmo utilizava uma capa preta e azul, e seu visual misturava penas negras em seu design. A diferença é que o mesmo estava com pequenas partes do tecido queimadas, causadas pelo gato mais cedo.

Eu detalharia melhor se eu gostasse desse homem. Talvez vocês entendam o motivo de nem o narrador querer chegar perto dele, mas descubram isso por si só.

— Você deve ser o aluno que estava faltando na lista, visto que está usando o manto cerimonial da escola e é o único que não compareceu à cerimônia.

— Opa, vamos com calma, tio. Eu não me recordo de nenhuma inscrição escolar! É impossível eu ser a pessoa que você está procurando.

— Tenha um pouco de respeito. – Apertou mais os ombros de Ryo, dando seu primeiro sinal de ameaça.

— Enfia esse respeito no seu rabo, eu falo o que eu quiser.

— Fale isso de novo.

O segundo sinal. Silver puxou bem forte o cabelo do Ryo, e passou a segurar as mãos do garoto para trás, como se fosse um policial prendendo um bandido.

— Merda!

O homem à sua frente soltou uma tosse falsa, para chamar a atenção dos dois estudantes que se matariam caso pudessem.

— Tenho total certeza de que isso não é um engano. Nossa carruagem não iria trazer um desconhecido para nosso colégio. Talvez o efeito não tenha passado ainda, por isso você está confuso. Mas não se preocupe! Eu sou um homem gentil demais para deixar um pobre garoto como você esperando por tanto tempo.

Antes que Ryo comentasse com suas palavras não tão agradáveis para o público em geral, Silver segurou com mais força seus cabelos, para deixar avisado suas intenções.

— Olhe os meus modos! Esqueci de me apresentar. Me chamo Dire Crowley, diretor da Night Raven College, e um homem muito bom. Prazer em conhecê-lo, caro aluno.

— Você tem cara de sequestrador.

— Podemos prosseguir com a cerimônia? Já detemos o familiar, e os outros estudantes estão esperando para serem conduzidos até seus devidos dormitórios. Não aceitarei uma quebra de regras da rainha de copas, mesmo se for por uma cerimônia de entrada importante!

O garoto que estava segurando a criatura se aproximou, tirando o capuz de seu manto e revelando fortes fios de cabelo avermelhados.

— Oh, não se preocupe, Riddle. Continuaremos imediatamente!

— Assim espero.

Crowley andou calmamente até um grande espelho no meio do salão, e Silver, Ryo e outros alunos se aproximaram.

— Pronto, agora eu vou ser obrigado a ver um velho se admirando no espelho. Isso que é entrada.

— Você quer mesmo que eu te cale da pior forma possível?

— O quê? Nunca nem vi, to calmo e suave.

Pertos o suficiente do espelho, uma luz esverdeada começou a surgir do outro lado do vidro. Quando menos se esperava, apareceu algo…

Uma máscara, estilo aquelas antigas que se usavam em teatro. Ryo ficou surpreso de início, mas logo ficou arrepiado quando aquela máscara abriu seus olhos, como se estivesse viva.

— Caralho… – Sussurrou para si. O de fios prateados escutou, mas preferiu não fazer nada.

— Diga o seu nome, pobre criança.

— O espelho está falando… Eu usei drogas?

— Ele está falando com você, idiota!

— Ah, certo. – Silver o levou para mais perto, dando um pouco de liberdade para Ryo se aproximar no lugar certo.

— Eu ainda tenho algumas dúvidas, mas de acordo com minhas memórias que já foram para o caralho faz algum tempo, meu nome é Ryo.

— Tenha modos quando for falar com o espelho mágico!

— Vai para a merda, Silver.

Apesar de suas ações, nosso querido prateado não estava sendo nem um pouco sério em seus avisos. Porém, não podia suportar mais aquela criatura irritante, e logo o colocou para beijar o chão mais um pouco.

— Você pode parar de tentar me matar por um único minuto, inferno?

A mão que antes segurava o cabelo daquele garoto, estava sendo posicionada bem na nuca de Ryo, assegurando que ele não conseguisse enxergar nada mais do que a poeira daquele piso.

— Silêncio. – O último aviso.

Mais uma tosse forçada saiu, dessa vez vinda do espelho.

— Por favor, espelho mágico, mostre a cor da alma deste jovem. – Pediu encarecidamente o diretor.

Eu estava sentindo que tinha sido sequestrado para virar sacrifício de ritual satânico, só não achei que ia morrer tão cedo. Pensou Ryo.

Apesar do pedido de Crowley ao espelho, o mesmo permaneceu calado e de olhos fechados por bastante tempo, preocupando os alunos que estavam ao redor.

— O espelho mágico não costuma demorar tanto para ler a alma de alguém, o que está acontecendo? — Uma nova voz apareceu na festa, grossa e sonolenta, como se estivesse entediado, mas Ryo não podia sequer ver quem era por conta de sua posição nem um pouco confortável.

— Espelho mágico? Está tudo bem? – Crowley, de certa forma, era o mais ansioso para a resposta.

Abriu os olhos lentamente, pronto para mostrar a cor da alma de Ryo. O que isso significava? Vocês ainda não estão prontos para saber. No entanto, todos ali não estavam preparados para a resposta que ele estava trazendo.

— Eu... não sei.

— Como?

— A magia desta criança.... É tão confusa. Parece que nunca foi usada, como se fosse inexistente, como se não houvesse vida nenhuma, tão… perigosamente escura. – Sussurrou — Ao mesmo tempo, é algo colorido, como se não houvesse uma cor fixa. É muito complexo para eu mesmo compreender. Não posso decidir a cor da alma deste jovem. Ele não está qualificado para entrar em nenhum de nossos dormitórios.

A câmara dos espelhos, tão silenciosa anteriormente, se tornou uma grande bagunça de alunos gritando e comentando sobre o assunto.

— Todos, mantenham silêncio, ou eu irei cortar a cabeça de todos!

— Impossível, isso é impossível.

Devastado, essa era a reação do querido diretor daquele colégio.

— Eu falei! É impossível que eu tenha me inscrito em uma escola com doidos feito essa! Até o espelho ali concorda comigo. Circulando pessoal, vou embora.

— Não é como se eu fosse deixar você fazer isso.

Não é como se eu fosse deixar você fazer isso, olha como eu sou forte gente, eu faço academia todo dia. Uau! – Imitou Silver com uma voz de criança. Não se arrependeu de ter levado um chute nas costas, queria sentir a irritação daquele cara, nem que seja um pouco, visto que a dor nem incomodava mais.

Entretanto, o gato que estava nos braços do garoto de cabelos avermelhados, conseguiu escapar novamente, correndo para encarar o diretor da Night Raven College.

— Me inscreva no lugar desse cara! Se ele não quer ocupar a vaga, então eu vou.

— Voltamos com a palhaçada.

— Por que aceitaríamos um gato como nosso aluno? — Debochou Silver.

— Quantas vezes irei repetir! Não sou um gato! Sou Grim, o mago mais poderoso que já existiu!

Um silêncio curto reinou no salão, dando espaço em seguida para uma chuva de risadas causada pelos estudantes.

— Agora sim eu já vi de tudo! — O chão não o incomodava mais, apenas ria como se aquele comentário fosse a melhor coisa que ele tivesse visto.

— Isso… é uma ideia genial!

— Como?

O diretor se abaixou para encarar a criatura, que também estava surpreso pelo comentário de Crowley.

— Como eu falei mais cedo, eu sou um homem muito gentil! Não posso deixar um garoto perdido simplesmente largado por aí. E se ele se machucasse? Não poderei me perdoar se isso acontecesse. Além disso, não temos onde colocar essa criatura, e pude ver claramente que esses dois podem se dar muito bem juntos! Eu já sei o que eu irei fazer com vocês! A cerimônia está encerrada.

— Eu não acredito… – Um loiro, que se Ryo pudesse vê-lo, diria que estava com cara de deboche ou com algo preso em seus buracos anais, se irritava cada vez mais com a visão da cerimônia.

— Isso! Eu consegui! Agora todos vocês se curvem diante de mim, meus escravos!

— Nem fodendo. – O mesmo cara da voz tediosa respondia ao chamado de Grim.

Apesar dos muitos alunos contradizendo o diretor, o mesmo estava certo de sua ideia. O pequeno gato Grim conseguiu o que queria, e Ryo seria o mais afetado dali. Queria apenas descobrir onde estava, e acabou virando aluno de uma escola que nem conhecia, com pessoas suspeitas demais para serem normais.

No entanto, sua jornada estava prestes a começar.

[...]

Câmara dos Espelhos - ???

O espelho mágico estava descansando um pouco. Aquela noite não lhe trouxe boas emoções, e o choque que sentiu ao ler a mente daquele garoto dava calafrios mesmo agora. Mas, ele não estava sozinho. Seu companheiro encapuzado estava presente, desfrutando de um conjunto de chá flutuante que ele mesmo havia trazido.

— E então?

— Eu ainda estou processando a informação.

O homem apenas riu. Já sabia a reação que o espelho teria, apesar disso, adorou acompanhar a cerimônia, mesmo que ninguém percebesse sua presença. Seu convidado especial lhe tirou boas risadas, e novamente, o incompetente diretor caiu na armadilha, colocando seu plano em perfeito andamento.

— Nunca vi alguém como aquela criança, ele é especial.

— Não diria especial, apenas… diferente, e interessante, de fato. Vai ser muito divertido acompanhá-lo.

Tomou um pouco de chá, antes de fixar o seu olhar no espelho.

— Está pronto? Não posso assegurar de que o plano siga totalmente como o esperado, nem que dê para voltar atrás, contudo, será deveras prazeroso. Isso eu tenho certeza.

O espelho recuou um pouco. Mesmo sendo conhecidos, encarar os olhos daquele homem, tão vazios, e ao mesmo tempo tão vivos, era horripilante. O sorriso estampado no rosto do encapuzado podia ser a afirmação de que ele era louco demais para esse mundo.

Arrepiante, porém exultante. Não existia ninguém como ele.

— Você sabe minha resposta.

— Maravilha!

Com um estalar de dedos, o conjunto de chá desapareceu. Levantou-se do chão em um salto, passando a sapatear novamente.

— Meu amigo, você irá presenciar uma história extraordinária.

[...]

??? - ???

Do alto de uma torre, um forte vento sopra suavemente, deixando as vestes daquele homem balançando com delicadeza e maestria, como se estivessem dançando no ar.

Seu rosto era escondido pelo escurecer do céu, e tudo que se podia enxergar eram aqueles olhos vibrantes, mais dourados que qualquer ouro valioso.

Ninguém era mais feliz do que aquele encapuzado.

E ninguém podia ser mais anormal.

Ainda sim, seu tabuleiro estava completo, pronto para jogar o jogo que mudaria a vida de todos da Night Raven College.

Estamos apenas começando.

[...]

Infelizmente, terminamos nossa conversa por aqui. Estou voltando para minha posição de personagem, e não narrarei até o próximo passo.

Nos vemos em breve, caros espectadores.

E…

Sejam bem-vindos ao nosso querido paraíso distorcido, onde todos os jogos do mestre são divertidos e insanos demais para você conseguir escapar. Fufufu~

18 de Setembro de 2021 às 17:38 0 Denunciar Insira Seguir história
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