veronica_miller Verônica Miller

Por quanto tempo você pode se sentir culpado por algo que aconteceu na infância? As vezes quando você menos espera tudo parece se resolver, mas nessa história vou mostrar a vocês que nem tudo pode ser curado apenas com o tempo...


LGBT+ Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#problemas #arte #dança #jikook #infância #coreia-do-sul #seul #firststorie
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Capitulo 1

- Acha que está falando com que?!

- O ratinho acha realmente que pode gritar conosco?


Ambos os garotos riram divertidos com a situação enquanto jogavam as sapatilhas cor-de-rosa do jovem deitado ao chão.


- Eu estou implorando! Me devolvam e prometo não contar nada!


As suplicas desesperadas do garotinho loiro fazia com que todos ao seu redor rissem de seu ato considerado patético.


-E você acha mesmo que vamos correr esse risco? é melhor te batermos até arrancar a sua língua!


O mais novo engoliu seco em alta preocupação, seu coração estava acelerado, a saliva se encontrava mais grossa do que o normal e sangue escorria por suas bochechas depois dos socos dados pelos garotos mais velhos.


- Escute bem o que diremos a você, Park Jimin - Fez uma pausa para que pudesse se aproximar do menor ainda caído sobre a terra - O lugar... De aberrações como você... Nunca será aqui.


Antes mesmo que o mais novo pudesse pensar em dizer algo recebeu um soco forte em sua bochecha fazendo com que abaixasse a cabeça quase desacordado. Seu agressor riu divertido e virou o pobre garoto para se apenas puxando seus fios loiros.


- Eu vou fazer da sua vida um verdadeiro inferno, seu pivete!

- Te... Eu te... - Parafraseou em um sussurro.

- O que? Ainda está tentando falar?

- Eu te...


O sangue que escorria pelo cante sua boca apenas piorava a situação que o menor se encontrava, todos os garotos mais velhos observavam a cena com expressões malvadas em suas rostos e não pareciam sentir remorso algum com tudo aquilo.


- EU TE ODEIO, JEON JUNGKOOK!!


Park Jimin gritou com todas as energias que ainda restavam em seu corpo e no momento em que abriu os olhos pode perceber a reação assustada de Jeon que o soltou segundos depois.


- Você me odeia, Park? - Disse entredentes - Eu não acho que tenha te dado motivos o suficiente para isso, mas...


O moreno se aproximou de forma rápida e chutou fortemente o lado direito da cabeça do loiro.


- Apenas entre na fila, bichinha!


Os amigos de Jeon riram maldosos junto ao moreno não percebendo o estado em que Park Jimin se encontrava nesse instante. Do lado esquerdo possuía um zumbido alto e estridente enquanto em seu ouvido direito foi instalado uma pressão absurdamente grande o impossibilitando de ouvir qualquer ruído a sua volta.


- Vamos embora logo, os alunos do turno da noite chegarão logo... - Um dos amigos de Jungkook pronunciou com um tom baixo para não irritar o moreno.

- Espero que tenha aprendido a lição, mas, caso não, me procure e terei o prazer de te ver apanhar de novo. - Jeon disse enquanto chutava o chão com desdém a frente do rosto abatido de Park.


O pequeno grupo de garotos se afastou rindo e sem nem mesmo olhar para trás, Jimin foi deixado ali, sem esperança algum e com apenas um pingo de consciência que ainda lhe restava, mas seus pensamentos clamavam por um desmaio por conta da dor de cabeça fortíssima que vinha acompanhada de um zumbido agudo no ouvido esquerdo e a pressão em seu ouvido direito.


2 dias depois...


- O que eu estou querendo dizer, senhor Park, é que seu filho agora possui uma deficiência auditiva unilateral, ela pode se fazer presente por conta de um acidente de carro, exposição a barulhos muito altos ou até mesmo golpes dependendo da força. - O homem de jaleco disse em alto e bom som para que o pequeno garotinho loiro pudesse escutar também - E é por esses motivos que chamar a policia para averiguar a situação do seu filho.

- O senhor já sabe que ele foi achado na escola! - A mulher de cabelos escuros se pronunciou.

- Já passava do horário, senhora. É apenas um protocolo.

- Nós ficamos presos no trabalho e pedimos ao nosso motorista que fosse busca-lo, mas o transito não ajudou...


Senhora Park disse passando a mão nos cabelos claros de seu filho com um pequeno sorriso nos lábios, mas por baixo segurava a intensa vontade de chorar por conta do sentimento de culpa que estava a carregar.


- Senhor e senhora Park, eu realmente sinto muito por tudo isso e creio que são pessoas muito boas que amam seu filho, mas entendam que eu não tenho o direito de quebrar as regras do hospital.

-N-nós entendemos....


O Pai de Jimin disse em um tom desanimado e passou a mão no rosto antes de se virar para o doutor novamente.


- O senhor nos explicou a condição auditiva, mas por que ele não fala desde que chegou aqui?

- Senhor, eu acredito que seja estranho para o seu filho não escutar claramente a própria voz, perder a audição, mesmo que apenas de um lado, pode ser um choque para um criança da idade dele.


Tanto o pai quanto a mãe de Jimin o olharam preocupados enquanto o garotinho apenas sorria com os pequenos olhinhos fechados formando pequenos risco.

Alguns dias em que Park Jimin ficou em observação se passaram e finalmente seus pais o puderam levar de volta para casa, um lindo e enorme apartamento em Seul, Seoul-teukbyeolsi, um dos bairros mais caros da região.


- Chegamos, Jimin. Estamos finalmente em casa, querido - O pai do mais novo disse com um sorriso nos lábios enquanto segurava em sua mão.

- Papai, poderia falar um pouco mais alto? - Perguntou ao pai de forma envergonhada.

-Claro, Minie.... Me desculpa.


Ambos adentraram o grande prédio junto a senhora Park e subiram até a cobertura onde moravam.


-Jimin, que bom vê-lo novamente! - A babá do loiro disse contente ao vê-lo - Sentimos muito a sua falta por aqui.

- E-eu também senti, senhora Chen. Estava muito chato no hospital - O tom desanimado do mais novo fez com que a mulher se entristecesse por inteira.

- Olha, Jiminie, eu e seu pai temos que sair por um tempinho para resolver algumas... Coisas do trabalho, então pedimos a senhora Chen que cuide de você e dos seus remédios, ok?


O menor apenas concordou com a cabeça e abraçou fortemente sua mãe como de costume, Jimin sempre foi muito carinhosos com seus pais, tanto dentro quanto fora de casa, ele realmente não se preocupava com o que seus colegas diriam sobre seu comportamento 'infantil" e isso era um grande problema em vista de seu estado agora...


-Podem ficar tranquilos, cuidarei bem dele!

-Sabemos disso, senhora Chen!


As mulheres se cumprimentaram brevemente antes que o casal saísse do apartamento deixando apenas o filho e a babá no enorme espaço.


-Vamos para o quarto, pequeno? Os médicos disseram que você precisa de muito descanso e...

-Podemos passar no meu estúdio antes? - Jimin a interrompeu fazendo com que a senhora o encarasse surpresa - Por favor, eu só quero testar uma coisa.

- Olha, eu não acho que seja uma boa ideia...

- Por mim, senhora Chen! Juro que não contarei a meus pais - O loiro estendeu o mindinho em direção a mais velha que riu minimamente antes de segura-lo de volta.

- 5 minutinhos e para o quarto, ok?


O loiro concordou alegre com a cabeça e segurou na mão da mulher para que pudessem ir juntos até o lindo estúdio no final do corredor, a grande sala foi inteiramente planejada pelo pai do menor depois que Jimin se apresentou sozinho em um teatro para um evento de final de ano.

No instante em que ambos adentraram a sala, Park se afastou da mais velha e seguiu em direção a caixa de som ao lado do espelho, depois de apertar alguns botões que já havia decorado uma música calma ocupou a sala iluminada pelo sol que entrava pelas janelas, a melodia era a preferida do pequeno, mas... Ele não conseguia ouvi-la completamente.


-Está tudo bem, pequeno? - A senhora Chen perguntou um pouco receosa após ver o semblante triste do reflexo no espelho - O que aconteceu, Minie?

- Eu... Eu não consigo ouvir... Não importa o volume da música ou o quão grande a sala é, eu simplesmente não escuto...


Naquele momento a ficha de Park Jimin parecia ter caído, o menino entrou em uma tristeza tão grande em meio a seus pensamentos que quase se esqueceu de onde estava e de com quem estava, depois de alguns segundos o loiro apenas desligou os aparelhos e se afastou dos espelhos indo em direção a porta.


-Vamos sair daqui...


O coração da mulher se apertou em seu peito ao ver tamanha triste em um garoto que praticamente iluminava lugares com seu sorriso, era muito raro ver Park angustiado ou até mesmo cansado por isso Chen estava ainda mais preocupada.

Assim que entraram no grande quarto Jimin seguiu até a cama onde se sentou calmamente depois de pegar sua pelúcia favorita de cima da poltrona.


-Quer que eu faça alguma coisa?

- Você pode ficar aqui comigo? Só um pouquinho... - Pediu de forma manhosa fazendo com que a mulher fosse incapaz de recusar.

- Claro, não se preocupe - Proferiu de forma calma antes de se sentar na poltrona, antes ocupada pelo cachorrinho de pelúcia que vestia um moletom amarelo e agora estava envolta por Jimin - Eu posso te perguntar uma coisinha?

-Uhum.

-Você sabe quem fez isso, não é?


A pergunta fez com que Jimin se lembrasse do motivo de não querer contar a ninguém a situação, as pessoas poderiam simplesmente presumir que ele estava com medo de seu colega ou de que coisas piores pudessem acontecer com sigo, mas era muito pelo contrário...

Park Jimin tinha medo de causar problemas para Jeon Jungkook, pois o loiro sabia de coisas que outras pessoas nunca nem poderiam imaginar...


-Eu sei sim...

-E por que não conta? Poderiamos resolver isso.

-Eu não posso.

-Eles te disseram isso?

-Não...

-Então, o que aconteceu, Minie?


Um pequeno conflito interno acontecia nos pensamentos do mais novo, a vontade de contar tudo a alguém estava quase vencendo sua promessa, um tanto antiga, que havia feito para si.


-Promete não contar a ninguém?

-Claro...

-Não! Eu quero que você realmente prometa para mim, senhora Chen. - O tom autoritário do loiro fez com que a mulher se assustasse, mas acabasse concordando em seguida - A pessoa que fez isso comigo, não tem culpa alguma... Ele é a vitima no meio de tudo isso...

-Como pode?!

-Os pais dele são maus, senhora Chen! Eu vi com os meus próprios olhos quando tentei devolver o caderno dele... Pedi ao motorista que me levasse até o endereço que os amigos dele me passaram e acabamos indo para Guryong...

- A favela de Guryong?! Jimin isso foi muito perigoso e...

-Senhora Chen, aquele lugar é assustador e nenhuma criança deveria morar lá. O garoto que fez isso comigo só estava tentando parecer legal para os outros, ele não teve a intenção de me deixar assim.

-Jimin, eu não posso deixar que você minta para os seus pais assim.

-Não estou mentindo, só não quero contar a eles porque sei que as coisas ficarão ruins para o outro lado. - Park abaixou a cabeça se sentindo um pouco culpado.

-Pelo menos me diga o nome desse garoto, por favor.

- O nome dele é Jeon... Jeon Jungkook.






20 de Setembro de 2021 às 14:34 0 Denunciar Insira Seguir história
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