autoracarolfurtado Carol Furtado

O que pode dar errado, quando uma mulher fecha acordo com um demônio para que ele seja seu namorado falso por um dia?! . Aurora é uma moça sofrida que deu a volta por cima e agora se vê presa a Alastor, um demônio que não entende como Deus pode amar a humanidade com tanta maldade. . Um encontro inevitável, mas que mudará a vida de ambos.


Romance Erótico Para maiores de 18 apenas.

#amor #demonio #alma #anjo #humano #desejo #acordo
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Em progresso - Novo capítulo Todas as Segundas-feiras
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Capítulo 01

Aurora

Meus passos soam apressados e ecoam ao longe. Passo a mão nos cabelos lembrando da pequena conversa que tive com Eleonora Martins que não me deixou em paz.

A praça está bastante iluminada e pouco movimentada. Algumas pessoas caminham com seus cachorros, outros passeiam com seus namorados, consigo até ouvir ao longe o barulho de uma moto se aproximando.

Os postes ao redor do coreto é o centro principal do local a céu aberto no qual me encontro. Respiro fundo mais uma vez.

Não consigo acreditar que eu fui muito imatura inventando uma história de relacionamento, sendo que eu não tenho nenhum.

Não acredito!

Por que eu tinha que inventar participar disso? Agora não tenho cara de aparecer na festa de halloween da minha antiga escola, odeio sair por baixo. Nunca menti na minha vida, e comecei por que não aguentei uma provocação? Por que aquela loira sem graça tinha que passar na minha cara os meus anos de fracasso?

Ela tinha que lembrar de como eu era desajeitada e de como meus óculos eram grandes demais no meu rosto. Fora as espinhas e a parte em que eu me atrapalhava ao falar em público. Mas o que eu consegui, ninguém viu, como o prêmio de biologia e de química que ganhei por três anos seguidos, que eu consegui entrar na faculdade sem precisar de nota complementar. Minha nota era a mais alta da turma. Meu currículo acadêmico é impecável.

Devia ter me valido disso, mas não. Tinha que mentir, porque não consegui suportar a ideia de ser ridicularizada mais uma vez. Droga!

Ando pela rua, achando que não tem mais salvação para mim. Não devia ter mentido e agora que o fiz, preciso fazer algo para sair dessa! De jeito nenhum, vou dizer na frente daquela horrorosa que não tenho namorado. Que, na verdade, eu estou encalhada desde a época da faculdade.

Não posso dizer que existe outro culpado disso, a não ser eu mesma. Passei todos os dias da minha vida enfiada naquele laboratório, procurando novas fórmulas de vacinas, procurando a cura de diversos cânceres diferentes.

Sento no primeiro banco que encontro vago na praça e afundo o rosto nas mãos, sentindo o ar faltar. Minha respiração fica mais acelerada e sinto como se o oxigênio não entrasse nos meus pulmões. Meu coração pulsa dolorosamente contra minhas costelas, como se quisesse abrir um buraco e passar por ele.

Suor frio molha o meu rosto e a aflição parece não ter fim. Busco o ar, mas parece que não tem mais oxigênio no mundo. Ergo a cabeça e continuo inspirando, e nada funciona e com isso, me sinto mais desesperada. A única coisa que penso é que vou morrer por causa de uma mentira idiota. Meu coração agora acelera muito mais, dificultando qualquer pensamento coerente.

— Você está tendo um ataque de pânico. Melhor se acalmar. — Uma voz grave e masculina fala muito próxima e não controlo o movimento do meu corpo, por isso, não tenho forças para encarar quem está ao meu lado.

Tenho certeza de que o banco estava vazio quando me sentei. E por um momento penso que pode ser apenas uma voz na minha cabeça. No entanto, sendo imaginação ou não, o homem tem razão.

— Prenda a respiração por dois segundos e solte devagar. — Instrui-me ao colocar uma de suas mãos em minhas costas. Sua voz era calma e suave aos meus ouvidos. Principalmente diante da confusão que estava na minha cabeça. Meu coração se acalma lentamente, segundo a segundo, conforme me concentro em suas palavras, realmente a respiração me vem e me sinto um melhor. — Isso. Mais uma vez. — Comanda de novo e repito o processo voltando cada vez mais ao normal, com um cansaço no corpo, sentindo como se tivesse corrido uma verdadeira maratona.

A mão nas minhas costas é quente de uma forma reconfortante. Levanto o rosto e me deparo com o homem mais lindo que eu já tive o prazer de ver pessoalmente. Sabe o Henry Cavill? É como se fosse ele, com seus olhos claros e rosto anguloso, mas tem algo mais em seu rosto que não me deixa desviar a minha atenção.

— Obrigada. — Consigo dizer em um fio de voz e, na verdade, não sei como eu encontrei as palavras, mas graças à Deus que elas vieram.

A expressão dele muda drasticamente, me deixando receosa e faz uma cara de desagrado. É como se tivesse lido meus pensamentos e apenas responde-os.

— Por que Ele sempre leva o crédito por tudo? — Reclama e torce a boca mais uma vez, retirando a mão quente das minhas costas, no entanto, continua ao meu lado.

O clima entre nós fica pesado e desconfortável, por isso começo a reparar um pouco mais nas coisas ao meu redor.

O ar da noite está frio. E eu não devia estar na rua uma hora dessas, contudo a reunião semanal do laboratório, no qual eu trabalho, demorou demais hoje. Ela serve para alinharmos procedimentos e avanços em pesquisas e experimentos relacionados a doenças que seguem sem uma cura ou melhoria nas que já possuem um tratamento funcional.

Ainda tive a genial ideia de me vestir como se fosse para um encontro, e nada poderia ter dado mais errado. Entretanto, o fato dele parecer ter lido a minha cabeça volta a rondar a minha mente. Viro-me para ele e pergunto:

— O que disse?

— Deus. Ele sempre leva o crédito por tudo que eu faço ou que qualquer ser humano faz. — Ele fala de uma forma amargurada, como se tivesse rancor.

— O que isso quer dizer? — Ele se vira de frente para mim, apoiando o braço no encosto do banco, encarando-me com intensidade que me deixa atordoada.

— O ser humano é completo e é capaz de coisas incríveis, como salvar uma vida com um simples comando de respiração. Mas quando dá certo é graças à Ele. — Fala apontando para o céu, com certa repulsa e desdém no ato.

— Mas ele é o criador de tudo, então… — Tento encontrar um argumento válido para dizer, mas em vão, pois ele continua com sua analogia.

— E o médico que estudou a vida inteira para salvar as pessoas? O professor que entende as melhores técnicas de ensino? Tudo isso não é graças a Deus. É graças ao trabalho duro e esforço das pessoas. — Ele se levanta irritadiço e eu pude dar uma boa olhada em suas costas largas.

— Você é ateu? — Pergunto curiosa.

— Não. — Responde, mexendo os ombros de forma relaxada.

— Agnóstico? — Tento de novo e dessa vez ele se vira para me encarar.

— Isso é besteira. — Ele leva as mãos aos bolsos de sua calça, voltando seu olhar para frente. Agora que eu posso dar uma boa olhada nele e sabe que não é de se jogar fora? É realmente uma versão melhorada do Henry.

Ombros largos, alto e forte. Cintura fina e definitivamente deve ter músculos definidos sob aquelas roupas. Nunca vi um homem desta postura e estrutura física perfeita, sem músculos.

— Obrigado. — Ele volta sua atenção para mim e pude ver um sorriso matreiro tomar os seus lábios, e este fazendo um arrepio se espalhar por todo o meu corpo. Deixando-me levemente excitada. Não percebo que estava com os olhos fixos na bunda redonda dele até então. Bom, não tinha muito o que fazer, já que ela está na linha da minha visão.

Porém, fico tão atordoada com seu físico e beleza que demoro a processar que, de novo, ele estava fazendo aquele negócio de adivinhar o que eu estou pensando, mas provavelmente devo apenas estar ficando louca.

— Desculpe. O que disse? — Digo tentando retomar a minha atenção na conversa. Levanto arrumando o vestido justo que eu usei para a nossa reunião de trabalho.

Nunca me arrumo, mas tenho um grande fraco pelo Dave, meu colega de trabalho e eu queria passar uma boa impressão. Ele é gato, do tipo charmoso e bastante inteligente. Mesmo não sendo muito musculoso, ele é atraente da sua forma. Fora que o sorriso torto que ele me lança, do outro lado da mesa no dia da reunião semanal, deixa as minhas pernas bambas, mas com certeza, esse cara é muito mais e preenche melhor o meu quesito de B.G.D. (Bonito, Gostoso e totalmente Sentável).

— Eu estou agradecendo o seu elogio! — Ele ergue a sobrancelha e seus olhos azuis ganham um brilho mais intenso, quase neon.

Engulo em seco e opto por fingir demência e fugir de seus olhos.

— Eu não disse nada. — Dou de ombros.

— Não foi com a boca. — Ele fala em um tom bem-humorado, e meu coração erra uma batida. A forma como a palavra “boca” sai dos seus lábios é incrivelmente sensual. — Foi com o seu olhar. Faz tempo que uma mulher não me escaneia de forma tão direta.

— Sinto muito. — Quero desviar os olhos, mas não consigo e meu rosto se incendeia. É mais forte do que eu. Penso.

— Já faz algum tempo que estou muito entediado, e se você quiser, posso realizar o seu desejo. Mas é claro que não vai sair de graça. — O sorriso descontraído se transforma em sua face, para um mais intenso e que em conjunto com o seu olhar, me deixa muda. Ele se vira totalmente de frente para mim, me deixando mais consciente de que é um homem muito alto e cheiroso. Seu olhar me fita em um tom de desafio e me vejo refém do seu orgulho novamente.

— O que o faz pensar que eu precise de um desejo? — Cruzo os braços, fitando-o com a sobrancelha erguida.

Pude ver sua língua passando sutilmente pelos seus dentes e então, num estalo, o seu se tornou astuto.

— Eu sei que você mentiu para não sair por baixo em uma conversa sobre relacionamentos e que você não quer parecer muito com a nerd que sempre foi. — Disse debochado, e minha mento foi rapidamente para o pensamento de: como demônios ele sabe disso? — Posso ser o seu par a noite toda e deixo você dizer por aí que sou seu namorado. Mas em troca, você vai me dar o que eu quiser.

Isso parece um pacto com o diabo. Não é uma boa ideia. O sorriso dele se alarga, quando penso e mais uma vez não sei como ele faz essas coisas. Ele já está me irritando e nem o conheço há tempo suficiente para isso.

— Quem disse que eu quero um namorado falso? — Insisto, orgulhosa e levemente aborrecida.

— Tudo bem. Se você não quer, direito seu. — Disse em tom de pouco caso, enquanto dava de ombros. Ele se afasta um passo, levando consigo o conforto que seu corpo me trouxe. — Boa sorte com a sua mentira.

O homem misterioso me olha de soslaio e meu corpo todo retesa na sua última fala.

— Espera. — A palavra sai mais rápida do que o processamento do que eu realmente quero com ele. — Como você sabe? — É a única pergunta que me vem à mente, quando seus olhos azuis me fitam com intensidade.

— Eu só sei. É um dom dado por Deus! — Ele fala com deboche.

Pensando na humilhação que vou passar quando aparecer na festa sem um namorado que eu tanto me orgulhei em ter, amargo a derrota, relaxando os braços e os deixando cair ao lado do corpo em completa derrota.

— Você pode mesmo me ajudar?

— É só você desejar. — Sua voz sai sedutora, envolvente e hipnótica, conforme voltava a se aproximar.

— O que vai querer em troca? — Minha voz sai sussurrada, ansiando pelo seu toque, por mais da sua aproximação, ao mesmo tempo, um medo se fazia presente no fundo do meu coração.

— O que eu quiser. — Disse ele, mas apenas coisas pecaminosas vieram à minha mente. No entanto, um pequeno fio de razão sussurra em meu ouvido para tomar cuidado.

Ele é um completo estranho, Aurora. E se ele quiser te matar? Ou te sequestrar?

Se ele fosse fazer qualquer uma dessas coisas, não estaria aqui negociando comigo. Estaria? Mais uma vez, seu sorriso perigoso se apresenta em seus lábios muito bem desenhados.

— E como eu vou saber se não é uma coisa ilícita?

— Vai ter que aceitar primeiro. — Responde de imediato, soando como um cafajeste. — Topa?

Seu convite é tentador, seu cheiro e beleza são maiores ainda. Sinto-me compelida para concordar com isso, mas não sei se vai ser um bom negócio.

Novamente, ele parecer ler a minha mente e isso fica claro em suas feições.

— Não tenho todo tempo do mundo. — Fala de forma grosseira e se afasta, mas não deixo que vá longe. Antes que esteja longe demais, o seguro pelo braço e seu olhar volta a repousar em mim.

— Eu aceito. — Digo, vencida por fim. — Mas se for algo que vá contra os meus princípios, eu cancelo o contrato.

— Tudo bem. — Ele parece ponderar por uma fração de segundos. — Posso fechar o acordo?

— Pode. — Disse simplesmente, soltando seu braço, deixando minhas mãos caírem ao lado do meu corpo.

Em um rompante, ele enlaça minha cintura e pegando-me de surpresa, puxa-me com força contra si e antes que eu possa assimilar o que estava acontecendo, o toque suave, macio e quente dos seus lábios, chegaram aos meus em um beijo ardente e apaixonado.

Algo queima no fundo da minha mente, como um sinal de alerta, mas não me importo. Entrego-me ao beijo levantando as mãos até que pudesse enfiar meus dedos em seus cabelos escuros, enquanto ele se aproxima mais, colando nossos corpos, quase nos transformando em um só. O homem misterioso, em meio ao beijo mais intenso que eu poderia imaginar, passeia suas mãos por meu corpo e cabelos, fazendo-me arfar e pedir por mais contra a sua boca. Sinto a sua resposta aos meus pedidos quando ele levanta levemente minha perna e me puxa ainda mais contra ele.

Quando nos soltamos para tomarmos fôlego, seus olhos estão muito mais acesos que antes, seus lábios levemente inchados com o contato das nossas bocas.

— Precisava de tudo isso? — Pergunto arfante com a respiração entrecortada.

— Não. Era preciso só um beijo simples, mas a sua vivacidade me contagiou. — Sua fala sai falhada assim como a minha, com o seu olhar passeando pelo meu rosto, indo para os meus olhos e deslizando de um jeito sedutor até meus lábios novamente.

Ele me olha nos olhos mais uma vez e vejo seu sorriso se abrir para mim, quase de forma demoníaca.

— Precisamos acertar os detalhes. — Digo e não consigo desviar minha atenção de seus lábios grossos e inchados. A vontade que eu tenho é de agarrá-lo mais uma vez.

— Eu te procuro. Não se preocupe.

— Como?

— Relaxa. — Ele sussurra e me dá um selinho.

Fecho os olhos aproveitando mais um pouco da sensação deliciosa que o seu beijo me causa e de repente, acaba.

Abro os olhos e estou em casa. Sinto-me atordoada, olhando para os lados, tentando entender o que houve.

Jogo-me sentada na minha cama, levo a mão à cabeça. Se tudo aquilo não foi fruto da minha imaginação, tenho certeza de ter feito um péssimo negócio. É como se eu tivesse realmente fechado acordo com um demônio e que esse vai acabar roubando minha alma.

13 de Setembro de 2021 às 14:53 1 Denunciar Insira Seguir história
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Leia o próximo capítulo Capítulo 02.1

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Camila Almeida Camila Almeida
Menina!!!! Amei o primeiro Capítulo 🤩 já estou ansiosa pelo próximo
September 13, 2021, 17:18
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