brina Sabrina Leone

Filha de Rachel Gibson e Victor Green, Sharon é uma jovem cujos dotes foram herdados não de seus pais biológicos, mas sim do excêntrico detetive particular Sheldon Cooper. Ela carrega o legado do herói adiante, desvendando os mais complexos e surreais crimes de Nova York. Logo no início de sua carreira, após os incidentes que cometeu, ela é obrigada por Alfred Cooper a dividir seu apartamento com a Dr. Erick Lodge, que perdeu a licença quando um paciente morreu. Daí, uma improvável amizade nasce.


Suspense/Mistério Todo o público.
0
635 VISUALIZAÇÕES
Em progresso - Novo capítulo Toda semana
tempo de leitura
AA Compartilhar

PRÓLOGO

Nova York amanheceu como em todas as suas manhãs: úmida e fria. Mas isso não impediu Erick Lodge de se levantar de sua cama.

Ele estava ansioso. Depois de quase três sete sem trabalho, ele finalmente saia de casa com um objetivo.

Não era um serviço no qual seus anos de medicina seriam aplicados, mas, ao menos, lhe serviria para pagar suas contas.

Ele colocou uma camiseta social de botões negros, uma calça também social, de azul escuro que combinava com seu paletó. Antes de sair, Erick observou seu reflexo: era um homem alto, em seus quase quarenta anos. De pele pouco bronzeada, cabelos castanhos escuro em um corte moderno, maxilar quadrado, e expressões bem desenhadas. Ele lavou seus olhos castanhos, escovou os dentes brancos e partiu.

Erick desceu as escadas de seu prédio com empolgação. Ele ouviu falar só o que precisava de Sharon Green. Sabia que ela era uma espécie de estudante, mas não tinha ideia alguma de qual era a intenção de carreira dela. Stamford, seu antigo conhecido da faculdade, a quem lhe apresentou este cargo, disse que Sharon tinha bons conhecimentos em anatomia, além de ser uma química de primeira linha; porém, até onde ambos sabiam, ela nunca havia frequentado nenhum curso regular de medicina. Seus estudos eram excêntricos, muito pouco sistemáticos, mas ela acumulara conhecimento por vias não convencionais em quantidades suficientes para surpreender Stamford.

—Sinto que tenha perdido sua carreira, Erick— ele lembrava de Stamford lhe dizer encarando-o por cima da taça de vinho —Mas, talvez tenha algo que possa se interessar, pelo menos, a curto prazo

—Sim, e o que seria?— Erick Lodge havia demonstrado total interesse, sem conseguir se esquecer das contas acumulando em sua cômoda.

—Tenho um amigo no governo— começou Stamford —Soube que ele procura uma pessoa com formação, um profissional para lhe ajudar com sua sobrinha

—Quer contratar um médico particular?

—Não exatamente, e nem mesmo isso, pelo que sei, poderia fazer sem sua licença. Meu amigo procura o que ele chama de "companhia sóbria". Ele quer alguém que ponha a sobrinha de volta nos eixos. A garota acabou de vir de Londres, e precisa que alguém cuide dela e impeça-a de ingerir tais substâncias

—E este homem está disposto a pagar alguém apenas pra fazer companhia a sua sobrinha e mantê-la longe de bares?— ele indagou, desacreditado.

—Sim. Eu mesmo aceitaria a função se não estivesse tão bem encaminhado no Mount Sinai. Por isso, pensei em você. Meu amigo especificou que deveria ser alguém cujos conhecimentos possam ser atribuídos no caso de um pequeno desvio da parte da garota, ou até mesmo, diante de uma crise de abstinência

—Compreendo... bom, Stamford, diga-me até onde devo ir!

Mesmo após ter tido essa conversa a uma semana, ela ainda viva na mente de Erick conforme ele chegava ao seu destino.

Como o combinado, parou na frente de um prédio desmanzelado no Bronx. Tratava-se em dois quartos de dormir confortáveis e uma sala de estar ampla e arejada, com decoração quase nula. Só havia o necessário, nada que pudesse dar um toque de personalidade ao apartamento.

A espaçosa sala de estar tinha apenas uma lareira que Erick julgava nunca ter sido acesa, um sofá negro de três lugares, com estofado macio e generoso. O sofá, no entanto, parecia ter sido carbozinado. Porém, o fato do móvel estar em pé, fazia Erick acreditar que só aparentava mesmo. Fora isso, havia mais um ou dois abajures no cômodo quase vazio. Os abajures, com a ausência de mesas ou suportes, estavam no chão, e ligados à tomadas acima dos rodapés. As cortinas das grandes janelas aparentavam carregar muito mais poeira do que o indicado para a saúde de qualquer ser humano. Uma rápida olhada para a cozinha lhe permitiu ver uma geladeira, um fogão e armários embutidos. A pia possuía um copo sujo e um limpo, e apenas isso. O quarto de Erick, em todo caso, contava com uma cama e um armário. A falta dos móveis naquela casa, ou até mesmo de algumas decorações, faziam o apartamento parecer muito maior do que realmente era.

Erick parou no umbral entre a sala e o corredor que levava aos quartos e banheiro. Ali estava Sharon Green. A loira, de quase trinta anos, possuía um rosto que lhe podia atestar dez anos a menos. Ela parecia delicada. Os olhos castanhos, as maças vermelhas, os lábios pequenos. Ela parecia uma bonequinha frágil. As roupas dela fugiam totalmente ao clima — ou a falta de — do local. Abaixo de uma jaqueta púrpura, uma camiseta social roxa era empregada. A mini saia também levava os meus tons escuros do roxo, e as meias-calças de lã não fugiam a isto.

Totalmente imóvel, a garota o encarou por alguns segundos.

—Oi— ele cortou o silêncio antes que ficasse constrangedor —Seu tio me contratou como sua companhia sóbria. Ele disse que ia te mandar mensagens falando sobre mim...

Com a boca pouco aberta, Sharon levantou-se do sofá. Os pés envolvidos pela meia-calça tocaram o piso de madeira e se arrastaram com lentidão até Erick. Ela encarou Lodge, como se tentasse, a muito custo, ler sua mente.

—E-eu vim para amenizar a transição entre a sua reabilitação e sua rotina diária— explicou ele, incomodado por tê-la tão perto —, então nós iremos morar juntos por seis meses, o que significa que estarei disponível 24 horas por dia...

—Você acredita em amor à primeira vista?— Sharon Green perguntou, franzindo as sobrancelhas e o encarando com curiosidade.

Abalado, Erick fugiu, dando a volta na garota e ficando no centro da sala. Incrédulo, ele tentou dizer algo enquanto ela voltava a observá-lo.

—Sei o que está pensando— ela falou antes dele —O mundo é um lugar cínico e eu devo ser uma mulher cínica acreditando que você cairia numa cantada dessas. Mas não é uma cantada— ela começou a se aproximar novamente —Então, preste muita atenção quando digo que nunca amei ninguém como amo você agora...

Ela o olhou nos olhos. Sharon era um pouco mais baixa que Erick, então ele conseguia contemplar o angelical rosto dela de cima. Ele suou. Não esperava este tipo de recepção, e não esperava pelas mãos dela tocando seus braços.

Ele se inclinou, como se estivesse sendo atraído pelos belos olhos de Sharon, e pela sua boca. Antes que pudesse tocá-la nos lábios, Sharon pisou no controle remoto que ele não havia enxergado. De imediato, a televisão acima da lareira ligou e a atriz de cinema dissera:

O mundo é um lugar cínico e eu devo ser uma mulher cínica acreditando que você cairia numa cantada dessas. Mas não é uma cantada. Então, preste muita atenção quando digo que nunca amei ninguém como amo você agora...

No susto, ele deu um passo para trás e caiu no sofá, comprovando o quão confortável ele parecia.

—Na mosca— sorriu Sharon, contente por ter deduzido a fala da mulher da TV —Oi, sou Sharon Green— ela estendeu a mão à ele —Por favor, não fique à vontade. Nós já vamos sair

Ela desligou a televisão e foi apressadamente até a cozinha.

—Escuta, senhorita Green, o seu tio falou de mim ou não?— ele perguntou, seguindo-a.

—O tio Alfred mandou mensagem— respondeu ela, pegando uma torrada que estava esquecida sobre uma frigideira e a mastigou rapidamente —Disse pra esperar uma "babá de viciados"

—Então, ele explicou as condições de sua abstinência— supôs Erick.

—Se está se referindo à ameaça de me expulsar da menor e mais velha das quinze, e sim, eu disse quinze, propriedades que ele tem em Nova York; sim. Ele deixou suas condições bem claras. Se eu me drogar ou me encher de álcool, acabo na rua. Se rejeitar sua "ajuda"— ela gesticulou as aspas —, acabo na rua

—Exatamente— ele concordou, vendo-a calçar um tênis que estava, curiosamente, guardado dentro do forno.

—No meu entendimento, a maioria dos acompanhantes de viciados também são viciados em recuperação. Mas você nunca teve problemas com drogas ou álcool— ela afirmou sem ter dúvida alguma.

—Pra onde estamos indo?

—Tédio— ela pegou o copo limpo da pia e o encheu de água —Estou entediada agora. Acontece muito, você vai se acostumar— ela virou o copo garganta abaixo e virou-se para ele —Acredito que entenda o que é não poder fazer algo que quer. Afinal, é médico

—Eu não sou um médico

—Cirurgião, pelas suas mãos— ela tomou outro copo d'água e bateu o copo na pia —Seu carro está aí fora?

—Como sabe que tenho um carro?

—Ticket de estacionamto— Sharon apontou para a minúscula ponta amarela do papel que estava exposta pelo bolso do paletó de Erick —Não dá pra ter um sem o outro, não é?

Ela sorriu e caminhou até a sala. Sharon usou o espelho da televisão para ajeitar seu cabelo é deu uma rápida olhada pela janela.

—Na verdade, esqueça o carro— ela disse —A ponte de Manhattan está com uma pista só. Vamos pegar o metrô

—Como sabe que está com uma pista só?— indagou ele, boquiaberto —E pra onde estamos indo?

Sharon correu os olhos pela sala de estar como se estivesse caçando algo. Após alguns segundos, ela olhou seriamente para Erick.

—Esse lugar está uma bagunça— disse ela —Mal posso esperar para que você o arrume

Estarrecido, Erick Lodge não acreditou na ousadia da garota. Ele a seguiu rapidamente, sem compreender o desdém no qual ela banhava suas falas.

No metrô, tiveram que ficar em pé ante a lotação que lhes era tão familiar. As roupas roxas de Sharon atraíam os mais julgadores olhares.

—Antes de ser presa por uso de drogas, eu trabalhava como consultora pra Scotland Yard— comentou Sharon —Um emprego que a minha mãe conseguiu para mim quando completei meus dezoito anos

—Sei tio contou que era uma detetive— assentiu Erick.

—Eu era uma consultora, na verdade. Seguindo os passos de Sheldon Cooper... mas as coisas ficaram...— ela suspirou —difíceis

Eles chegaram na estação, e desembarcaram junto com mais inúmeras pessoas.

O celular de Erick tocou, Sharon consegui ver a foto de um casal no contato que ele salvou como "mãe". Erick encarou o celular por meio segundo e o desligou.

—E Londres?— perguntou Erick, tentando extrair mais detalhes sobre a vida passada de Sharon. Quanto mais soubesse sobre sua paciente, melhor e mais rápido sairia que diagnóstico.

—O que tem Londres?— ela indagou, enquanto subiam as escada do terminal.

—Seu tio disse que foi lá que atingiu o fundo do poço— disse Erick —Que aconteceu alguma coisa lá, ele só não sabe o que foi...

—Bela mulher a sua mãe— desconversou Sharon —Bem generoso da parte dela aceitar seu pai após aquele caso

Erick parou de andar. Ele congelou e a encarou com olhos apertados.

—Como você...?

—Vamos, estamos atrasados!— ela o apressou.

—Você nem me disse onde estamos indo!— exclamou ele.

Erick era um homem paciente, mas não gostava que encondessem coisas dele, mesmo que por menor que fossem. E Sharon Green era o mistério encarnado.

—Acho que você e Alfred Cooper ficarão felizes em saber que estabeleci um modo de vida que me manterá bastante ocupada. Decidi continuar meu trabalho como investigadora aqui: em Nova York

Assim que saíram da estação, depararam-se com um prédio cercado por viaturas da polícia, ambulância e fitas de isolamento. Peritos andavam de um lado para o outro, junto com os guardas e paramédicos.

Sharon sorriu ante a cena do crime, aquilo era um lugar-comum para Green.

12 de Setembro de 2021 às 12:39 0 Denunciar Insira Seguir história
0
Continua… Novo capítulo Toda semana.

Conheça o autor

Comente algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~