mari-tagarro Sandy Lane

Ana Paula Lange é uma atleta da ginástica artística que planeja estar em sua última Olimpíada enquanto tenta acertar sua vida amorosa e familiar.


Histórias da vida Todo o público.

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Capítulo 1

Participar de uma Olimpíada é o sonho de qualquer atleta. De quatro em quatro anos, todos os esforços, as dores, as dificuldades, os exercícios repetidos, toda pressão psicológica envolvida, tudo, tudo passa a valer a pena a partir daquele instante, diante do tablado, respirando fundo e compassado, tentando relaxar como puder, já que sua ansiedade não podia mais atrapalhar sua concentração e movimentos. Não mais.

Não de novo.

Ana Paula Lange vivia para a ginástica artística desde que se entendia por gente. Aos cinco anos entrou em um ginásio, levada por sua mãe, uma ex-atleta semi-profissional que nunca conseguiu realizar o sonho de competir pela seleção brasileira, o que a frustrou enormemente. Ana Paula era sua segunda chance e Regina Lange se esmerou para que sua filha compartilhasse sua paixão pelo esporte. Ou quase. Por muito pouco, Ana Paula não se tornou jogadora de futebol.

'Pra quê? O futebol feminino nesse país é quase inexistente, só se lembram em grandes competições e ainda querem resultados! – Regina argumentou – 'É uma piada! Não. Definitivamente você não vai jogar futebol, Pê. Já a ginástica é vista como algo lindo, plástico, quase um balé...' – sorriu com um ar sonhador. – 'As pessoas amam. A torcida apóia. Claro que cobram muito, mas aqui no Brasil se é cobrado o tempo todo quando se é atleta, ainda mais em um esporte com maior visibilidade...'- deu de ombros. – 'O Maurício falou que você é um talento a ser lapidado, Pê. E vamos transformar você num diamante.'- acariciou o cabelo preto e encaracolado da filha.

'Mas depois de fazer ginástica, eu posso jogar futebol?' – ainda insistiu a pequena.

'Pra quê?!' – Regina exclamou e depois revirou os olhos. – 'Tá bem, você pode, mas primeiro tem que treinar muito, mas muito mesmo a ginástica, competir, ganhar títulos, que eu sei que você vai ganhar, daí, depois, quem sabe, o futebol.'

Só que jogar futebol tornou-se só um hobbie, algo que Ana Paula fazia quando não estava treinando ou competindo, o que era raro, já que sua dedicação era quase que integral. Mal tinha uma vida pessoal. O importante era vencer, colecionando medalhas e troféus para encher a estante que Regina arrumava com tanto carinho e não deixava ninguém tocar.

O que Regina não sabia era que, aos 20 anos, Ana Paula tinha novos planos. Ela já tinha dado muitos anos de sua vida para a ginástica, para agradar a mãe, mas agora iria agradar a si mesma.

Ana Paula se arrumou e passou batom vermelho nos lábios. Achava que valorizava sua boca. Sorriu para si mesma no espelho. Adorava quando tinha uma noite livre para sair com as amigas e se divertir. E o melhor é que poderia reencontrar Diogo. Sabia que ele tinha retornado da Europa para voltar a jogar num clube brasileiro. Os dois haviam se conhecido em uma das peladas de fim de semana em que Ana Paula conseguia sair da marcação cerrada de Regina.

'Vai sair a essa hora, Pê?' – Regina parou na porta do quarto da filha.

'Sim. Vou sair com a Flavinha, a Dora e a Luísa. Hoje é aniversário da Flavinha, a gente quer comemorar.' – explicou Ana Paula, pegando a bolsa e a chave do carro.

'Você não pode só mandar um presente pra ela? Você tem treino amanhã!'

'Não tenho. Sabe que nunca saio quando tenho treino.'

'Mas tem que descansar!' – bufou ao ver que a filha iria sair do mesmo jeito. 'O que eu sempre digo pra você, Pê? Seu corpo é o seu templo e você tem que cuidar muito bem dele! Suas amigas não entendem isso, elas não são atletas, quer dizer, exceto a Flavinha, mas aquela dali é uma irresponsável, não é a toa que só tem dois troféus na carreira e nenhuma medalha olímpica! Aliás, ano que vem é ano de Olimpíada! Agora você precisa estar 100% focada e...!'

'Eu estou 100% focada, agora tenho que ir. Beijo. Não me espere, devo voltar tarde.'

'Escuta aqui, Ana Paula...!'

Ana Paula nem ouviu o resto, pois logo fechou a porta. Regina não sabia, mas aquela seria sua última Olimpíada, seu último ano como atleta e sabia que seria como um tsunami quando a mãe descobrisse.

Dirigiu até o bar e entrou no local, que já estava bem agitado, com música, conversa, bebidas e muitas risadas. Viu Dora e Luísa numa mesa e foi até elas, abraçando as amigas.

'Meninas!'

'Ainda bem que você veio, pensei que a sua mãe te deixaria em cárcere privado!' – falou Dora meio brincando, meio séria.

'Ai, para, ela só cuida demais da minha carreira.' – minimizou Ana Paula, pedindo uma bebida. 'E a Flavinha?'

'Já está vindo, vai ser uma surpresa.' – Luísa sorriu, animada e seus olhos azuis brilharam ao olhar para a porta. – 'E ela já chegou!'

Ana Paula olhou e seu sorriso e olhar eram confusos. Flavinha havia chegado ao local acompanhada por Diogo e os dois estavam de braços dados.

O que estava acontecendo ali?

10 de Setembro de 2021 às 21:21 0 Denunciar Insira Seguir história
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