antonio-stegues-batista Antonio Stegues Batista

Aldo vai a uma festa com amigos e lá, uma garota procura seduzi-lo, mas ele não da bola para ela porque está acompanhado por outra garota. Ele não imagina que ela é uma mulher que não gosta de ser desprezada e que tem uma índole vingativa. Ela se vinga, mas de um jeito bem curioso.


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Naja Hollander

UMA GAROTA CHAMADA

NAJA HOLLANDER

Aldo atravessava a rua em direção à rodoviária de Jacutinga do Sul, quando uma moto freou de repente às suas costas. Voltou-se a tempo de ver o motociclista tombar de lado. Ele correu para ajudá-lo. O piloto sentou no chão e tirou o capacete. Era uma garota de olhos verdes e cabelo avermelhados, cortado curto. Uma pequena argola de prata enfeitava a aba do nariz.

─ Você se machucou? - perguntou ele, agachando-se.

Ela respondeu colocando a mão no flanco direito. ─ Aqui do lado, dói um pouco.

─ Quer que chame uma ambulância?

─ Não, não é preciso. Só me ajuda a estacionar moto e me sentar ali.

Ele ajudou-a a se levantar e sentar num banco em frente à rodoviária e depois ergueu a moto e estacionou na beira da calçada. Voltou para junto da jovem.

─ Eu quase atropelo você – disse ela, ainda assustada.

─ Está tudo bem.

─ Você não é o Aldo, primo da Rebeca?

─ Sim, e você?

─ Fui colega da Rebeca e da Sandra no colégio. Sou a Naja. Eu vi vocês no baile do clube.

─ Sim, eu me lembro de você. Por que não se juntou a nós?

─ Eu estava com uns amigos. Moro em Chapecó, mas já morei aqui. Vim visitar uma tia e aproveitei para participar das festas da cidade.

─ É a primeira vez que conheço alguém com esse nome, Naja.

─ Naja Hollander. Meu pai era descendente de árabes e me colocou o nome da avó dele. Significa aquela que brilha, ou, aquela que está fadada a ter sucesso. Estou batalhando para isso, vencer na vida. Nada cai de graça em nossas mãos. Não vou ficar esperando a fortuna bater na porta da minha casa.

Aldo a interrompeu. Precisava pegar o ônibus das 22 horas. ─ Eu tenho que pegar o ônibus para Porto Alegre. Tá quase na hora.

─ Pode ir. Vou ficar bem, não se preocupa.

─ Então tá. Tchau!

Ele entrou no saguão e foi direto para o box pegar o ônibus. Ao olhar para o relógio na parede, viu que já eram 22:10. Correu para o box, mas o ônibus já tinha saído. O próximo só sairia à meia-noite! O jeito era esperar.

Sentou-se num banco. Naja surgiu logo depois, mancando levemente e mascando chicletes.

─ Pensei que já tinha ido!

─ O ônibus já saiu. Agora só à meia-noite.

─ Eu vou para Lages, quer uma carona? Lá você pega outro ônibus. Assim não fica esperando aqui.

Ele considerou a oferta. Teria que esperar duas horas, mas se fosse com a jovem, ganharia tempo.

─ Olha, acho que vou aceitar.

Naja sorriu. ─ Então vamos! Só vou passar na casa da minha tia para pegar o celular que esqueci lá. Fica no caminho.

Aldo colocou o capacete reserva e sentou-se atrás dela, na moto, confiando que a garota fosse boa no volante, pois o veículo era robusto e possante.

Minutos depois, com desenvoltura e habilidade, Naja deixou a cidade, seguiu pela rodovia e entrou em uma estrada de chão batido. Logo após, virou para a esquerda entrando no que parecia ser apenas uma trilha. A noite estava escura, sem lua. Aldo só via o que as luzes dos faróis revelavam, mata dos dois lados do caminho.

Logo chegaram a uma casa. Por um momento ele pensou que estivesse caindo em uma cilada, mas concluiu que Naja não tinha nenhuma aparência de criminosa. A queda dela em frente à rodoviária foi um acidente real. Ou não?

Ela desceu, tirou o capacete e colocou no guidão. A casa era de madeira, pintada de branco. Havia luz atrás da veneziana de uma das janelas e na varanda, onde havia uma cadeira de balanço e um vaso de samambaia pendurado por uma corrente.

─ Só vou pegar o celular e já volto.

Ele apeou, tirou o capacete e olhou ao redor. Só havia escuridão. O céu estava estrelado. A lua havia tirado folga àquela noite. Naja não demorou muito. Voltou com um celular na mão e uma garrafa de água na outra.

─ Minha tia já está dormindo. Tá com muita pressa?

─ Quanto mais cedo, melhor. Tenho que trabalhar amanhã.

Ela estendeu a garrafa. ─ Quer um gole? Água mineral sem gás.

Ele pegou e tomou dois goles.

─ No que você trabalha?

─ Sou escriturário. Trabalho num escritório de contabilidade. – respondeu ele, devolvendo o recipiente.

Ela começou a falar da vida dela, disse que os pais moravam no Paraná e como não se dava bem com eles, mudou-se para Chapecó. Ele não conseguiu se concentrar na conversa, começou a ficar sonolento.

A voz e a imagem dela foram sumindo aos poucos. Suas pernas fraquejaram, seus pensamentos se esvaíram e a consciência lentamente apagou.

***

Quando acordou, levou algum tempo para conseguir se lembrar os momentos anteriores ao desmaio. A primeira coisa que tomou consciência foi que estava sem roupas e preso por tiras numa cadeira reclinável de estofo puído. Os pulsos estavam atados nos apoios para os braços e os tornozelos na base do assento.

Naja estava sentada diante dele, encarando-o passivamente. Logo concluiu que foi dopado e amarrado à cadeira. Ficou apreensivo quanto às intenções dela. O lugar era uma sala com parcos móveis cobertos de pó. Uma lâmpada de luz mortiça brilhava, pendurada por um fio no teto de forro manchado.

─ Está bem confortável? – perguntou Naja. Erguendo-se, aproximou-se dele. ─ Você deve estar se perguntando; por que ela está fazendo isso comigo?

Fez uma pausa e espetou um dedo na testa dele. Falou num tom duro.

─ Não gosto de ser contrariada, evitada, desprezada. Estou acostumada a ter o que desejo. Lembra da festa? Lembra que eu olhava para você a todo momento? Eu estava me oferecendo e você se fez de desentendido.

Apreensivo, ele olhou ao redor e ela recomendou:

─ Não faça escândalo, por favor. Estamos num lugar isolado, não tem ninguém para te ouvir, a não ser eu, é claro.

Hesitante, ele respondeu ─ Eu não fiquei com você porque estava acompanhado. Você viu que eu estava com outra garota.

─ Mas eu sou melhor do que ela. Muito mais bonita e gostosa, como você bem pode ver.

Naja despiu-se sem nenhum pudor. Girou lentamente para que Aldo pudesse apreciar seu corpo nu. Sua pele era clara, o corpo bem torneado, seios médios. Ela tinha raspado o púbis.

Aproximou-se mais dele e agarrou o pênis, masturbando-o. Ele sentiu um arrepio no baixo-ventre e não conseguiu impedir a ereção. Naja começou a massagear os testículos.

─ Sabe, aprendi num livro que massagens nos testículos aumenta o nível de testosterona na corrente sanguínea. Hummm! Que maravilha!

Ela agarrou um pote de plástico e abriu a tampa. Tirou um pouco do conteúdo com a ponta dos dedos e começou a lambuzar o membro dele.

─ É mel. Eu sempre quis fazer isso. – disse ela e começou a sugá-lo. Aldo sentiu o prazer percorrer seu corpo. Naja calculou o tempo necessário e depois montou sobre ele. Ela ajeitou-se, colocando-o dentro de si. Agarrou a cabeça de Aldo com as duas mãos e beijou-o, movimentando os quadris.

Depois da explosão de prazer e de um breve relaxamento, a garota desceu e se afastou. Quando voltou, trazia uma seringa na mão direita. Aldo assustou-se.

─ O que é isso? O que vai fazer?

Mas a garota não respondeu e aplicou-lhe a injeção. Ele achou que iria morrer, porém não teve tempo para pânico, perdeu a consciência novamente.

***

Ao recuperar a consciência viu-se preso a uma mesa. Estava inclinado, os braços amarrados e estendidos, o rosto sobre a mesa, os pés no chão, também amarrados aos pés da mesa. Continuava nu, numa posição não tão agradável. Naja surgiu em seu campo de visão. Ficou surpreso ao vê-la ainda nua, mas com algo amarrado ao quadril, um pênis de borracha!

A garota colocou-se atrás dele.

─ Você viu e sentiu o que de melhor eu tenho e agora vai sentir a minha vingança por ter me desprezado.

─ Você é louca!

Ele tentou se soltar, mas foi inútil.

─ Vai doer só no início – disse Naja e movimentou o quadril

Ele gritou, tanto pela dor quanto pela humilhação que estava passando. Ela não demorou muito naquilo. Deu três estocadas e afastou-se. O que vem agora? Pensou ele. Então, sentiu nova picada na nádega e perdeu os sentidos... de novo!

***

Despertando, viu-se num lugar escuro e apertado. Não podia virar-se, tampouco erguer os joelhos, mas conseguia erguer as mãos até certo ponto. Pelo contato das pernas e o tato das mãos, ele percebeu que estava no que parecia ser um...caixão? Agora sim, o medo começou a invadi-lo. Levou um susto quando o celular anunciou uma mensagem chegando. Apalpando ao lado do corpo, encontrou o aparelho e abriu a pasta de mensagens.

“Não tenha medo, você não está enterrado. Isso é só para assustá-lo, por ter me desprezado naquela festa. O que eu queria já tive e a partir de agora, me esqueça. Se você fizer bastante força, vai conseguir sair do caixão, como a Beatrix Kiddo fez naquele filme do Tarantino. ”

Ele desligou o telefone e colocou ao lado. Se a garota estivesse falando a verdade, ele podia sair dali. Tinha visto o filme, só que, em filme são efeitos especiais, ou coisa do tipo. De qualquer forma, ele começou a fazer força na tampa e percebeu que a cada esforço, a madeira cedia um pouco. Com um empurrão mais forte, a tampa abriu-se.

Quando saiu do caixote, viu que ainda estava na mesma sala, a caixa sobre o assoalho de madeira. Pegou as roupas que estavam sobre uma cadeira, vestiu-se rapidamente, meteu o celular no bolso e saiu.

Naja havia desaparecido. Estava amanhecendo quando ele seguiu pela estradinha até a rodovia. Depois de várias tentativas fazendo sinal com o dedo, um caminhão parou.

- O senhor vai prós lados de Porto Alegre?

- Sim, Entra.

Ele entrou e sentou-se.

Dali a pouco, o motorista olhou para ele.

- O que foi? Tá ruim o assento?

- Não! Não é nada.

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Aldo olhava para o copo de refrigerante, como se ali estivesse a resposta para o Sentido da Vida. Por um momento ele permaneceu concentrado em seus pensamentos, alheio ao que se passava ao redor.

Rui o conhecia bem, eles eram amigos desde o colegial, amigos íntimos que compartilhavam seus problemas, seus sonhos, esperanças e segredos. Eles tinham a mesma índole, tinham os mesmos gostos e divergiam em pequenas coisas, como as bebidas, Rui gostava de cerveja, mas ele não preferia refrigerante.

Rui esperou paciente, bebericando sua cerveja enquanto Aldo processava a pergunta que ele havia feito, como um pai que interroga o filho. E Aldo se sentiu como o filho pego de surpresa depois de fazer uma traquinagem. Tentou desfazer a expressão de culpa. Não se considerava culpado por sentir o que quer que fosse. Quem pode controlar um sentimento que é tão independente e xucro, quanto um cavalo bravio?

─ Você se apaixonou por ela? - repetiu, Rui.

Aldo queria negar, mas desde aqueles acontecimentos em Jacutinga do Sul, depois de quase dois meses, vez por outra ele tinha se lembrado de Naja Hollander. Contou a Rui o encontro que teve com ela naquela casa abandonada. Só não disse que ela usou uma prótese peniana nele. Sentia até vergonha ao pensar naquilo.

─ Claro que não! Acontece que a encontrei trabalhando num restaurante aqui no centro. Entrei para almoçar e quando me sentei a uma mesa, a vi no outro extremo, vestida com um uniforme da casa. Não tenho dúvidas que era Naja Hollander.

─ E o que tu fizeste? Falou com ela?

─ Capaz! Claro que não! Depois do que ela me fez?

─ Tu não gostou de ela ter feito sexo contigo amarrado?

─ Da transa sim, só não gostei do fato de ela ter me sequestrado e trancado dentro de um caixão. Você nem sabe a angustia que passei. Eu achava que estava debaixo da terra!

─ Essa parte tu não me contou, cara!

─ Tá, então escuta só. Tudo começou quando fui visitar meus pais. Eu ainda estava namorando a Jane.

Aldo tornou a contar toda a história do sequestro.

─ Que nome estranho esse, Naja! − exclamou Rui.

─ Naja, significa de pele brilhante, aquela que brilha, ou coisa parecida.

─ É nome de cobra também.

─ Pois é, e ela também é traiçoeira como uma serpente. E é por isso que quero me vingar e preciso da tua ajuda.

Rui franziu o sobrolho. ─ Pra fazer o quê?

─ Quero prende-la em algum lugar escuro, um porão, um freezer desativado, coisa do tipo. Quero que ela sinta medo, a mesma angustia que senti dentro daquele caixão.

─ Por que se vingar? A garota só te deu um susto, cara!

─ Vamos usar roupas velhas e touca ninja para que não nos reconheça, pelo menos no início. Não vamos machucá-la, só dar um susto.

Rui não gostou da proposta. ─ Nós vamos sequestrar a garota e isso pode acabar mal − ele sacudiu as mãos. ─ Não, não conte comigo. Não quero me meter em encrenca.

─ Ok. Vamos esquecer isso. Foi uma ideia boba.

─ Você está é apaixonado por ela.

─ Claro que não! Esquece, faz de conta que não te falei nada.

Mas Aldo estava determinado a colocar o plano em ação. Precisava fazer aquilo. Precisava sequestrar a garota e prendê-la em algum lugar. Não podia ser no apartamento dele. O prédio possuía câmeras de segurança e porteiro. Naja não podia ver o rosto dele e ela não o acompanharia por livre vontade. Precisaria dopá-la com algum produto para faze-la adormecer. Teria que colocar numa bebida para ela beber. Mas como faria isso?

Ele passou a vigiar a garota no local de trabalho dela. Ficou escondido em frente ao restaurante. Ela tinha trocado a moto por um carro, um celta vermelho. Naquela noite, quando Naja saiu do trabalho, às 23 horas e 15 minutos, ele a seguiu para saber onde morava. Não pensava nas consequências, só queria colocar o plano em ação. Estava obcecado, o bom senso, a razão fora sufocada.

Os anseios o impeliam a praticar um crime. Não, ele não considerava um crime. Para ficar tranquilo com sua consciência, era necessário ser radical, fazer o mesmo com ela.

****

Eram quase 7 horas e 30 minutos da manhã, quando Naja Hollander chegou ao estacionamento do restaurante onde trabalhava. Ela descia do carro quando o homem encapuçado saiu do seu esconderijo atrás do muro, e correu para ela, apontando-lhe uma pistola. Naja soltou um grito de susto.

─ Cala a boca ou você morre! − disse o mascarado e a segurou por um braço. ─ Entra no carro, depressa!

Ela voltou a entrar e o sujeito entrou pela porta traseira. Sentando-se atrás dela, encostou a arma em sua têmpora. ─- Pega o celular, liga pro teu patrão e diz que está com dor de dente e que não vai trabalhar hoje, porque precisa ir ao dentista.

Ela fez o que ele mandou.

─ Liga o carro e segue pela avenida.

Naja obedeceu. Estava com muito medo, mas se reagisse, ou se tentasse fugir, sabia que poderia ser o seu fim. Talvez ele quisesse apenas o seu cartão de crédito.

Alguns minutos depois o homem mandou que ela entrasse numa rua sem calçamento. Rodaram por algum tempo pela via deserta.

─ Diminua a velocidade e pare atrás daquele prédio à direita.

O prédio estava parcialmente em ruínas e parecia abandonado. A garota imaginou que seria estuprada, possivelmente morta. Ficou angustiada, tentando visualizar um meio de fuga segura. O homem mandou ela parar o carro, descer e entrar no prédio.

─ Entra por aquela porta. − disse ele, gesticulando com a arma. Ela obedeceu. O lugar parecia ser um antigo frigorífico com restos de um maquinário velho e enferrujado, uma mesa comprida de metal estava junto à parede, havia ganchos pendurados nas traves, e no fundo do salão, uma câmara frigorífica com a porta aberta.

─ Entra ali. - ordenou o homem encapuçado. Naja tentou imaginar qual era a intensão dele. Estava trêmula, com medo, mas procurou ficar calma. Entrou na câmara, notando que havia manchas avermelhadas nas paredes.

─ Tira a roupa.− ordenou o bandido. Ela obedeceu e enquanto se despia, pensou na possibilidade de pegar o homem desprevenido, talvez desarmá-lo, pegar a arma e descarregar a munição no pinto dele.

Ele não era muito alto e nem tão forte. Ela se sentia em forma, sempre malhando e seria capaz de derrubá-lo com um chute. Mas a arma, a pistola na mão dele era o problema, a principal vantagem dele. Talvez ele largasse a arma para transar com ela, ou pelo menos desvia-la de seu corpo, e seria nesse momento que ela decidiu agir.

Naja despiu-se, ficando totalmente exposta. Por um momento o homem admirou o corpo dela, a pele clara, os seios não tão grandes, nem pequenos, as coxas grossas, as ancas graciosas, o púbis raspado. Ela não gostava dos pelos pubianos. Uma vez decidiu raspa-los, se acostumou e nunca mais deixou de fazer.

O homem fez um gesto com a arma. ─ Ergue as mãos até aquela argola.

Naja ergueu o rosto e olhou para cima. Viu uma argola presa ao suporte dos ganchos e na argola, um par de algemas. Ele tinha tudo preparado.

─ Coloca as algemas nos pulsos.

Ela obedeceu, achando estranho aquele pedido. Aliás, a atitude do homem era estranha, ele não estava indo direto ao objetivo. Parecia estar preparando um ritual. Seria ele um sadomasoquista? Pegaria um chicote para espancá-la?

Naja ficou presa e vulnerável, tensa, sem saber o que viria a seguir. Se teve uma oportunidade para fugir, desperdiçou-a. Agora o homem faria dela o que quisesse. Mesmo que, se gritasse, ninguém iria ouvir. Só esperava que o sujeito a deixasse viva depois de se satisfazer.

O homem ficou olhando para ela por um momento e depois saiu, trancando a porta. A câmara ficou em completa escuridão. Naja ficou surpresa de início, não esperava aquilo, não estava entendendo qual era a intensão daquele psicopata. Agora sim, ela começou a ficar apavorada. Mas a porta voltou a se abrir e a claridade entrou e com ela, o homem. Ele ainda segurava a arma, com o braço pendido ao longo do corpo.

Ele jogou a arma para um canto, se aproximou dela, ergueu as mãos e afagou seus seios. Ela retesou o corpo, com aquele toque ofensivo. Achou que o homem decidiu satisfazer-se antes de executar algum outro plano. Após acariciar os seios dela, ele soltou um gemido e caiu de joelhos. Foi então que ela reparou num detalhe que antes não tinha visto.

Quando Aldo saiu, fechando a porta, ele se sentiu mal. Decidiu que não queria mais fazer aquilo. Era uma loucura! Ele gostava dela, e era aquele desejo insano que o fazia agir assim.

Ele não era bandido, era um homem pacífico, bom, incapaz de fazer mal a alguém, mesmo sendo uma brincadeira. Brincadeira de mau gosto, seja lá o que era aquilo. Não era de sua índole agir daquela forma. A paixão é uma mão cruel que esmaga o coração e a mente, extirpa da cabeça do sujeito o bom senso.

Não tinha coragem de continuar o seu plano. Rui tinha razão, ele estava apaixonado por Naja Hollander. Decidiu soltar a garota e deixar ir embora. Ele se surpreendeu quando ela falou:

─ Então, decidiu se vingar, seo Aldo?

Ele ergueu o rosto, surpreso. Como? Como ela o reconheceu se estava com o rosto encoberto pela touca? Naja esboçou um sorriso.

─ Foi essa mancha de nascença que você tem na mão direita. Só agora percebi que só pode ser você.

Ajoelhado diante dela, ele tirou a touca e ergueu o rosto.

─ Aí está você! − exclamou Naja, triunfante. ─ Ficou com saudades de mim? Ficou com saudades "dela"? Vai, chupa!

Aldo segurou-a pelos quadris e mergulhou o rosto entre as pernas da jovem. De repente soou um som estranho do lado de fora da câmara.

- rrrrrrrrrrrr!

Ele ergueu-se, assustado. Foi até a entrada e olhou ao longo do salão. Então, viu o sujeito parado na porta. Vestia um macacão amarelo, encardido. A luz do sol, por um buraco no teto, incidindo sobre ele em meio às partículas de poeira suspensa no ar, davam-lhe um aspecto sinistro.

Com a serra circular ligada, ele começou a se aproximar da câmara. Parecia o personagem do filme, Massacre da Serra Elétrica!

Aldo ficou apavorado. Era por isso que as paredes da câmara estavam sujas de sangue! O homem era um serial Kíller, assassinava suas vítimas ali dentro. Ele pensou em correr, procurar outra saída nos fundos, mas lembrou-se de Naja, indefesa, presa naquela argola.

─ O que está acontecendo? - perguntou ela. De onde estava, não conseguia ver o homem. Aldo procurou raciocinar, tentando planejar alguma coisa. Não podia simplesmente fugir e deixar a garota ali, amarrada, a mercê daquele psicopata. Ele deu meia volta, pegou a chave no bolso e livrou Naja das algemas.

─ Vamos, depressa! Tem um cara que quer nos matar!

-─ Que cara? -perguntou ela, inclinando-se para pegar as roupas no chão.

─ É o maníaco da serra elétrica. − disse ele e puxou-a pela mão, sem mesmo dar-lhe tempo para se vestir. Não havia tempo, era preciso correr.

Saindo da câmara, Naja viu a figura fantasmagórica se aproximando. Ela raciocinou rápido. Se desvencilhou da mão de Aldo, voltou e pegou a arma que ele havia jogado no chão. Aldo agarrou-a pelo braço.

- Deixa isso, vamos embora!

Naja correu acompanhando-o e enquanto corria, apontou a arma para o brutamontes e apertou o gatilho diversas vezes. Nada aconteceu.

─ É de brinquedo. -disse Aldo, enquanto procurava ver alguma saída nos fundos. Tinha uma porta estreita, de metal. Ele tentou abrir, mas estava enferrujada e emperrada. O homem se aproximava, movimentando a serra ligada, o som ecoando pelas paredes bolorentas.

Naja tropeçou em alguns caixotes e caiu. O sujeito avançou contra ela, apenas cinco passos faltavam para atingir seu objetivo. Aldo pegou um tijolo do chão e atirou contra ele. O tijolo bateu do lado da cabeça e o sangue começou a escorrer do ferimento.

O monstrengo pareceu não sentir dor, mas sua atenção foi desviada para Aldo, que se expunha para salvar a garota. Aldo retrocedeu e desta vez foi ele quem tropeçou e caiu. Ao cair, bateu a cabeça na quina da mesa e ficou tonto. A vista nublou, as forças diminuíram, o raciocínio ficou lento.

Enquanto isso, Naja se erguia, largando as roupas. Aquilo era um empecilho em suas mãos. Aquele homem doido nem dava bola para sua nudez. Naja viu um moitão, um gancho de ferro com roldanas pendurado numa corrente presa a uma calha. Era uma peça pesada que ela agarrou com as duas mãos, puxou para trás, fez mira e jogou, impulsionando com toda força de que era capaz.

O moitão com a corrente deslizou pela calha, ganhando velocidade por causa do peso, bateu na cabeça do maníaco.

O gancho entrou pelo olho direito do homem. As pernas fraquejaram, ele perdeu o equilíbrio e o próprio peso do corpo fez com que a ponta do gancho penetrasse ainda mais na cabeça, enterrando-se em seu cérebro. As mãos se abriram largando a serra ainda ligada. A serra bateu no chão, fez uma reviravolta e decepou as duas pernas do sujeito. O sangue esguichou para todos os lados.

Naja correu para Aldo, e ajudou-o a erguer-se. Com um galo dolorido na cabeça, ele olhou para o grandalhão pendurado no gancho.

─ Ele tá morto?

─ Não quero ficar aqui para ver. ─ ela pegou as roupas, agarrou Aldo pela mão e conduziu-o para a saída.

Naja vestiu-se rapidamente. Aldo recostou-se no carro.

─ Eu quero te pedir perdão por essa ideia estúpida que tive em te sequestrar. Eu só queria te dar um susto. Te prender num lugar escuro como você fez comigo.

─ Tá bom. Agora entra no carro, que eu vou te levar a um hospital, examinar esse ferimento na cabeça.

─ Você não está zangada comigo?

─ Claro que não, seu bobo! − respondeu Naja Hollander e deu-lhe um longo beijo.

10 de Setembro de 2021 às 12:49 0 Denunciar Insira Seguir história
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