brina Sabrina Leone

Elizabeth é uma garota que viveu muito bem em um orfanato. Ao contrário do que se imagina da maioria das crianças que não tem pais, Elizabeth não era infeliz. Conforme o passar do tempo, ela aprendeu a se adaptar com sua realidade. Sem melancolia, cansou de esperar por sua adoção. No entanto, seu mundo é virado de cabeça para baixo quando ela atrai a atenção das sinistras Irmãs Cooper, que apresentam um mundo novo para ela. Determinada a absorver tudo o que o mundo místico tem a lhe oferecer, Elizabeth mergulha de cabeça numa escola especializada em educar jovens com habilidades sobre-humanas. Ela então entra em uma busca frenética para tentar descobrir mais de seu passado enquanto enfrenta os problemas cotidianos de uma escola sobrenatural.


Fantasia Todo o público.
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A Adoção

The Cooper; Livro 1:

Cap. 1. A ADOÇÃO



A Idade Média foi um período indispensável na história da humanidade. Incontáveis mulheres da ciência foram taxadas como bruxas e, assim, mortas de diversas maneiras por serem acusadas de possuir pacto com entidades maléficas. A grande maioria das mulheres forma vítimas do julgamento imoral da sociedade média. No entanto, nem todas as alegações e acusações eram descabidas e ignorantes. A realidade é que as bruxas existem, e têm seus poderes em origem maléfica, vivendo lado a lado aos mortais, escondidas por séculos, vivendo suas vidas em perfeita e pacífica liberdade.

Elizabeth sempre temeu ao amanhecer de uma segunda-feira. Ela teria que acordar cedo depois de ter ido dormir lá pelas 01:00hrs da manhã. Aquele livro que ela havia lido em um único dia era realmente muito interessante, e prendeu sua atenção a noite toda. Quando ela se levantou, sentiu seus cabelos negros ainda mais pesados do que de costume, ela logo imaginou o tamanho do embaranhamento que eles estavam. Elizabeth suspirou e pegou o livro debaixo de seu travesseiro.

—Virou a noite lendo outra vez?— alguém perguntou. Elizabeth virou-se e pôde ver, ao lado de sua cama, Tânia. Uma de suas "irmãs", afinal, aquele orfanato não proporcionava uma privacidade aceitável.
—Sim— ela apenas respondeu, pegando seu livro debaixo de seu travesseiro e o abrindo na última página.
—Você vai acabar ficando cega de tanto ler— debochou Tânia, enquanto penteava seus cabelos castanhos.
—Antes cega tendo lido tudo, do que cega de conhecimento— respondeu, arrancando a última página de seu livro.
—Por que está o rasgando?— indagou Tânia, de boca aberta.
—Eu nunca leio a última página de um livro— respondeu calmamente, enquanto pegava uma caixinha de madeira na primeira caveta de seu criado mudo —Assim, eles não tem finais... Eu não gosto de finais.
—Você é estranha....—comentou Tânia, observado-a guardar a página arrancada junto com milhares de outras páginas na caixinha.
Logo em seguida, as meninas ouviram um bater na porta, que logo foi aberto pela Diretora Hildegar.
—Bom dia, meninas— ela as cumprimentou sorridente —Espero que estejam animadas com a visita após o almoço. Lembrem-se que uma de vocês podem ser adotadas hoje
Embora todas as outras garotas tenham ficado imensamente empolgadas, Elizabeth em si não sentiu coisa alguma. Era uma notícia de praxe para ela, logo, simplesmente a aceitou e voltou ao seus afazeres.
—Não parece animada com a ideia, Betty— comentou Tânia, observando-a —Por que?
—Por que uma família iria se preocupar em adotar uma garota da nossa idade, Tânia?— perguntou ela, penteando seu cabelo.
—E por que não adotariam?— indagou ela.
—Talvez seja pelo fato de que todas as famílias que vem aqui se preocupam-se em adotar bebês e não adolescentes de 16 anos como nós— respondeu um tanto ríspida.
—Betty, tem razão...— disse Tânia, pensativa —Por que uma família desejaria adotar uma garota que logo será adulta? Não faz sentido...
—Por isso não estou muito interessada nessa possível adoção- ela jogou os ombros.
—Não me diga que não tem mais vontade de ser adotada?!
—Eu gosto daqui— respondeu Elizabeth —Essa é minha casa, e só deixará de ser quando eu fizer 18 anos e conseguir um emprego para me sustentar lá fora. Ser adotada não está mais na minha lista de desejos há muito tempo.
Sem mais conversa, Elizabeth tomou seu banho, vestiu o uniforme do orfanato e, após o café, teve suas aulas de sempre. Depois das aulas da manhã e após o almoço, a Diretora Hildegar reuniu todas as garotas entre 14 e 17 anos. Ela disse para que se vestissem bem, pois a tal família que viria não era como as demais.
—Mais besteiras— Elizabeth sussurou para Tânia —Aposto que nenhuma de nós será escolhida no fim. Eles apenas vão nos iludir dizendo que teremos uma vida maravilhosa, um quarto só nosso, teremos irmãos, amor e carinho... E depois vão sumir como muitas famílias que já passaram por aqui
—Por que acha isso?— perguntou Tânia —Não têm mesmo nem um pouquinho de esperança de ser adotada?
Como resposta, ela sorriu. Deveria ser um sorriso de deboche, mas saiu um sorriso um tanto triste.
—Eu já cansei de esperar a família perfeita...— respondeu Elizabeth, melancólica.
Ela agarrou o pequeno colar que possuía, a única pista de quem poderiam ser seus pais. Tratava-se de um cordão negro com um pingente de pentagrama de uma rosa prateada. Fora deixada com ela, obtendo uma escritura em seu verso, seu nome "Elizabeth".
Enquanto todas as outras meninas corriam de um lado para o outro com suas roupas e maquiagens, Elizabeth encarou seu reflexo no espelho. Ela era extremamente pálida, seus cabelos incrivelmente negros, seus olhos, verde esmeralda. Ainda estava em seu uniforme e não tinha a menor pretensão de tirá-lo.
Em menos de duas horas, todas as meninas estavam enfileiradas, sentadas em cadeiras iguais uma ao lado da outra. Todas elas, com exceção de Elizabeth, estavam perfeitamente bem arrumadas e maquiadas, enquanto ela apenas vestia o uniforme da instituição. Ela viu suas colegas ansiosas pela visita, enquanto ela mesma não tinha sequer empolgação.
De repente, as portas do salão se abriram. Todas as garotas, quietas, encararam a entrada. Rapidamente, e andando com segurança, uma mulher entrou. Alta, loira e de olhos verdes, tendo um estilo de moda glamoroso que lembra o de uma antiga estrela de cinema de Hollywood, elegantes colares, pele pálida e óculos escuros, uma mulher entrou.Ela usava um tailleur chanel de cor escura, que parecia sob medida, meia calça vintage e um grande chapéu floppy negro. Ela entrou com determinação, fazendo seus saltos baterem forte contra o piso. Tinha uma postura invejável, assim como a ondulação perfeita de seus cabelos e seu porte físico para uma mulher que claramente já havia passado dos quarenta anos. Logo em seguida, uma segunda mulher entrou. Ao contrário da primeira, ela era baixa e arredondada, com cabelos curtos e tingidos loiros, pois suas raízes eram visivelmente escuras.Diferente do glamour da primeira, a segunda usava uma maquiagem bem simples e modesta, tendo seu senso de moda excêntrico com um toque terreno constante (o que levava a crer sempre estar cuidar de algum jardim) e mais colorido em comparação com a que entrou antes.
Enquanto a mais baixa parecia ser imensamente simpática, dando tchauzinhos e sorrindo para todas as garotas, a mais alta portava-se forma superior, com um olhar elevado, cabeça erguida, autoritária e triunfante.
—Meninas, recebam as irmãs Cooper— apresentou a Diretora Hildegar, intrigando a todas. Geralmente, elas recebiam a visita de casais, não de irmãs.
As garotas responderam com um "oi" em coral, causando um largo sorriso na mais baixa das irmãs.
—Vocês são tão lindas— comentou a irmã mais nova, arrancando sorrisos bobos e falsos da maioria das garotas, enquanto a outra irmã tirava seus óculos escuros e os guardava em sua bolsa.
—Obrigada— agradeceram algumas garotas.
—Veja quanta criança, irmã— disse a mais nova empolgada.
—É um orfanato, Wanda, o que você esperava?- perguntou a mais velha, secamente, destruindo a empolgação da outra no mesmo instante.
Elas começaram a se aproximar. Pelo vasto salão, a única coisa que podia ser ouvida era o som do salto da irmã mais velha ao pisar no chão. Elas caminharam em frente às garotas, seguindo a enorme fileira. A irmã mais nova elogiava e conversava com cada uma delas, enquanto a mais velha as olhava e rapidamente encarava a próxima, como se escolhesse alguma peça de roupa pela vitrine de uma loja. Ela parecia decidida e seu silêncio deixava Elizabeth perplexa, mesmo que não esteja tão envolvida com a situação.
A mais velha, lentamente, passou por Elizabeth. Ela a encarou por alguns segundos e, após direcionar seu olhar para a garota ao lado, voltou imediatamente para Elizabeth. A Cooper parecia espantada. Pasma, ela se recompôs e limpou a garganta.
—Irmã— chamou a mais velha e a pequena veio rapidamente.
—Sim?— ela perguntou com um largo sorriso.
—Veja— a mais alta disse, sem olhar para a cara perplexa de Elizabeth.
A mais nova das Cooper abaixou sua cabeça e também parecia impressionada.
—Por Freya—murmurou a baixinha, surpresa.
—Podemos falar com elas em particular?— perguntou a outra para a Diretora Hildegar.
—Claro— permitiu a Diretora —Venham por aqui, senhoras
—Perfeito— elogiou a mais velha —Começaremos por esta- disse aprontando diretamente para Elizabeth.
Intrigada, ela torceu o nariz enquanto as irmãs Cooper dirigiam-se para o escritório ao lado. Um tanto quanto nervosa, ela as seguiu minutos depois. Quando entrou no escritório da diretora, ela viu a mais velha sentada na cadeira de Hildegar, enquanto a mais nova estava em pé ao seu lado, sorridente. Elizabeth sentou-se em frente à elas, apoiando seus cotovelos sob a grande mesa que as separavam.
—Ainda assim, a semelhança é gritante— dizia a irmã mais velha quando Elizabeth entrou na sala. Ao ser avistada, as duas cortaram o assunto rapidamente, ficando em perfeito silêncio, causando algumas dúvidas em Elizabeth —Muito bem— a mais velha bateu a caneta clipe botão contra a mesa —Meu nome é Verônica Cooper e esta é minha irmã, Wanda
—Olá— respondeu Wanda, simpática.
—E você seria...?— perguntou Verônica.
—Elizabeth— respondeu ela, prontamente —Antes de começarmos com essa entrevista, acho que deveriam saber que eu não quero ser adotada
—Como é...?— murmurou Wanda, com uma voz fina, paralisada em um sorriso cerrado.
—Eu não quero ser adotada— repetiu Elizabeth —Essa não é minha primeira entrevista, já passei por muitas delas e eu... Cansei...
—Oh, querida— Wanda se aproximou dela em um tom acolhedor —Se tudo der certo, essa será a última
—Quantos anos tem?— perguntou Verônica, juntando as mãos sob a mesa.
—Dezesseis— respondeu Elizabeth, fazendo com que ambas troquem olhares suspeitos.
—E você tem alguma ideia de como chegou aqui?— voltou a perguntar Verônica.
—A Diretora Hildegar disse que fui deixada na porta em uma cesta— contou Elizabeth —E... Com isso...
Lentamente, ela removeu seu colar, o que deixou as irmãs Cooper com olhos arregalados.
—Acho que isso é o bastante— afirmou Verônica —Nós iremos te adotar
Imediatamente, uma expressão de indignação surgiu em Elizabeth, o que fez com que Wanda toque seus ombros para tentar acalmá-la.
—Oh, chuchu, não há com o que se preocupar— disse Wanda, ajoelhando-se diante a ela, segurando firme em suas mãos —Eu imagino o quanto isso possa ser difícil e assustador para você, mas... Eu sinto que é você, querida
—Mas vocês nem falaram com as outas garotas...— disse Elizabeth.
—Não perderíamos esse tempo— respondeu Verônica, seriamente —Está decidido
—Mas... Vocês poderiam falar com as outras meninas— sugeriu ela —Todas elas adorariam estar no meu lugar agora
—Infelizmente esse privilégio é seu— respondeu Verônica, levantando-se.
—Querida— Wanda a chamou, levantando-se também —Por que não vai conosco só para... Ver como é? Sair um pouco deste orfanato. Se não gostar, volte...
Após refletir por um dia inteiro, Elizabeth chegou a conclusão de que seria uma boa alternativa passar por tal experiência. Mesmo que tenha perdido as esperanças de ser adotada, não se lembrava de quando fora a última vez que saiu desta instituição. Além de morar, havia estudado lá por dezesseis longos anos. Decidiu a arriscar uma noite fora e fez suas malas. Dando tchau à suas amigas, ela seguiu as irmãs Cooper que vieram buscá-la ao pôr do sol. No entanto, assim que saiu do orfanato, Elizabeth surpreendeu-se ao ver o longo carro negro dos anos 60 na rua.
—Isso é...— tentou Elizabeth.
—Um carro fúnebre— respondeu Verônica, colocando seu chapéu de volta.

30 de Agosto de 2021 às 00:57 0 Denunciar Insira Seguir história
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