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Em meados do século XVII, enquanto poderosos e inabaláveis reinos eram hegemonia em conquistas e domínio de territórios, havia uma vasta região conhecida como Hugeland, dominada por distintos reis. Em volume territorial e influência socioeconômica estava o mais importante dentre ambos, o reino de Mountains governado pelo sábio e temido rei Michael Lewis VI que tinha por herdeiro, o príncipe Duke Oliver Lewis VII.  Sua alteza real era dotado de inúmeros feitos heróicos, vitórias e conquistas, no entanto, ainda não havia alcançado a honraria de ser reconhecido e mencionado por seu próprio nome, antes, era chamado pelo sobrenome monárquico, atribuído ao título herdado pelos descendentes do fundador e primeiro líder de Mountains, Oliver Lewis.           Sutilmente equiparado a ele, via-se o reino de segunda maior importância e poder armamentista Saint Price, governado por Joseph La Blanc I. Sua majestade não possuía herdeiro homem, todavia, tinha como futura sucessora sua única filha, a Princesa M. Isabelle. Uma moça em idade matrimonial, que despertava o interesse de muitos monarcas, em parte por sua extrema beleza e singularidade e muito por conta da condição de futura rainha. Desde pequena foi educada e instruída nas mais diversas matérias e atividades que compõem um bom governante, sobressaindo-se como uma notável lider. O rei em pessoa cuidava de sua educação e instrução, certificando-se sempre da proteção de  sua amada filha. Desestruturando a passividade que Hugeland desfrutava, uma grande armadilha estava sendo montada pelo poderoso império Unterdrücker, liderado pelo Imperador Heiko Deutsch III, na intenção de destituí-los de sua hegemonia, tomando o território que os pertence e expandindo suas conquistas para além. Saber disso fará com que Michael e Joseph tomem a decisão de formar aliança entre ambos os territórios unindo em matrimônio seus herdeiros. A despeito dessa decisão, mal sabia eles que essa seria uma indiscutível armadilha do destino na vida de Duke e Isabelle, que talvez não estivessem dispostos a colaborar para fazer com que esse acordo seja bem sucedido, tendo que abrir mão de seus ideais e desejos, a favor de um bem maior. A partir disso; Eles irão descobrir que no amor e na guerra, vale tudo.     


De Época Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Prologue



Tempos difíceis marcam a chegada de uma nova era em toda a vasta região de Hugeland. Desafiador para grandes e poderosos reinos, sobretudo, monarquias menores e desfavorecidas pelo tempo e inúmeras batalhas perdidas.


O suave canto dos pássaros despertava o sono daqueles que ainda descansavam no conforto de seu leito real.

A costumeira movimentação no enorme castelo Saint Price começava a ganhar vida, juntamente com os primeiros raios de sol que apareciam tímidos pela fria manhã de outono. As tropas armadas iniciaram ante o canto do galo, uma nova leva de treinos em preparação para qualquer que fosse o desafio que pudessem vir a enfrentar em nome do rei, a favor de honrar a bandeira sustentada por seu pavilhão. Comerciantes de diferentes especialidades abriam seus comércios esperançosos por suas vendas, afinal, o reino era próspero a tempos. À parte aos rituais de seus súditos, o rei Joseph e a princesa Marie Isabelle apreciavam calmamente seu desjejum ricamente preparado, antes de partirem para seus compromissos oficiais.


Saint Price era um reino que apesar de extensas terras, encontrava- se pacífico, graças a todo o trabalho árduo do generoso monarca, em criar harmonia e paz no território de seu domínio, visando o bem estar de seus incontáveis colaboradores.


As folhas escurecendo-se e caindo periodicamente, deixava em evidência que o outono se encontrava em sua fase final, para em seguida dar espaço a um inverno rigoroso como há tempos não se tinha notícia. Em breve uma grossa camada de neve cobriria os campos, como um tapete felpudo de lã. Era comum naquela estação que nevasse muitos dias por semana.

Sua majestade, juntamente de sua alteza real agasalharam-se com trajes propícios para enfrentar o frio intenso.


. . .



Enquanto os servos do castelo real de Mountains seguiam apressados em cumprir suas tarefas de maneira eficiente e ligeira, ansiando agradar o exigente monarca, em contrapartida, o príncipe permanecia entretido envolto nos lençóis macios e atrativos de sua amante Lady Vivian, viscondessa do condado de Waterfalls. A anfitriã, uma ruiva belíssima e jovem, ainda que desqualificada nos padrões de juventude exigidos em tal época para um casamento, denotava todo o seu aparente sentimento amoroso ao herdeiro do trono, utilizando das mais eficazes armas de sedução feminina, palavras doces e floreios, ao entregar-se sem restrições ou pudores, levando-o ao delírio do prazer libertino.


Ao atingir o ápice, Lewis escutou as três palavras que o levaram até ali, desafiando seu soberano, arriscando sua reputação “Eu te amo” Ele sorriu satisfeito, beijando-a com fervor e dando início a sua despedida. Iria tomá-la uma última vez antes de partir, sabia que demoraria a voltar para os braços da fogosa viscondessa, uma vez que tinha conhecimento de uma viagem solicitada pelo pai, a qual ele ainda não sabia o destino.


. . .



Uma brisa gélida soprava constante balançando a bandeira da casa real que ficava presa na haste do centro, no pátio principal do palácio Granite.

O brasão de Lewis destacava-se na forma de um lobo enroscado em um globo terrestre, com suas patas segurando-o de maneira possessiva, simbolizando sua força impiedosa para com seus inimigos. O animal de garras afiadas e expressão furiosa, transmitia a quem olhava, toda a implacabilidade e imponência dos Oliver Lewis.


Desde muito cedo, o rei ditava inúmeras ordens a seus imediatos, preparando tudo que antecedia sua partida, acompanhada por seu herdeiro. Haviam muitos protocolos a serem cumpridos, uma vez que os principais líderes sendo rei e príncipe estariam fora. O terceiro no comando, o Duque de Trench, que ocupava o posto de comandante do exército de Mountains, Ethan Armstrong, assumiria o posto de liderança temporária ou permanente no caso de eventual fatalidade. O nobre por consequência do cargo, jamais deixava os domínios do reino em ausência dos soberanos. Estava presente no castelo desde muito antes do sol se fazer presente, orientando a guarda que faria a escolta e proteção dos monarcas até o destino. Ethan tinha ciência da ausência do príncipe no palácio, o jovem herdeiro havia partido no crepúsculo do dia anterior visando alcançar as terras da amante, nos arredores da residência real. Aquela altura já estaria voltando, no entanto, não lhe foi surpresa o descontrole do rei ao indagar o paradeiro do filho e descobrir sobre sua recente façanha.


Rei Michael estava furioso, amaldiçoando o comportamento salaz do primogênito. Duke Oliver era o braço direito do rei, ajudava-o a governar com estratégias inteligentes e eficazes, mas em questões pessoais deixava a desejar, principalmente a respeito de sua paixão latente por Lady Vivian. A ruiva era a "menina dos olhos" do príncipe, fato que era de conhecimento de grande parte do reino. Não obstante, tanto o rei quanto a simpática rainha Marylinn, desaprovavam essa relação.


As leis em Mountains eram rígidas quanto a participação de mulheres em questões diplomáticas e poucas atividades lhes foram permitidas, mesmo esta sendo membro da família real, como a própria rainha. Lady Marylinn, não tinha permissão para interferir nas decisões do soberano, tão pouco, do herdeiro do trono, ainda que fosse sua progenitora. Ela observava o caminho perigoso que o filho estava trilhando ao se relacionar com a senhorita Vivian, todavia, nada podia dizer a respeito.




Duke tinha participação direta em inúmeras conquistas do reinado de seu patriarca. Conquistas estas, que se deviam a excelente habilidade de fazer alianças produtivas e usar seu poderio militar quando necessário. Em matéria de perspicácia o monarca seria um ótimo sucessor, o que de fato já deixava seus pais tranquilos. O reino de Mountains era tido como o maior em toda parte leste do continente e suas terras eram de uma riqueza inestimável, o que despertava o interesse em muitos outros, trazendo perigo de tentativas de invasão e conquista por parte de forças opositoras que em sua maioria não ofereciam perigo real ao reinado dos Lewis.


. . .



Após cumprir alguns dos compromissos de mais importância, Rei Michael ordenou que o deixassem a sós com seu herdeiro. Teria que abordar o assunto que se tornou de extrema urgência, devido à crescente movimentação de tropas inimigas ao norte do continente. Era notório tal exército tornando-se cada vez mais numeroso.



— Sente- se Duke– pediu, apontando a poltrona à sua frente. Uma mesa entalhada de madeira e coberta por uma camada de verniz em tons escuros, os separava por longos centímetros. — O que tenho a lhe falar é demasiado importante e envolve todo o reino e o futuro que nos espera.



— Do que se trata majestade? O que puder fazer, certamente não hesitarei em cumprir.


Embora achasse desnecessário tamanha formalidade com o próprio pai, o príncipe sabia que esse era o protocolo correto, em se tratando do rei.



— Dispense a formalidade filho, não precisamos dela agora– declarou, removendo a coroa e depositando sobre o móvel.


Michael explicou-lhe tudo o que acontecia nas extremidades do reino, a movimentação que o estava preocupando, em se tratando de uma possível aliança com seus os inimigos.


O príncipe tinha noção de algumas coisas a respeito, salvo, os detalhes que lhe fora dito pelo pai. Determinados acontecimentos eram relatados somente ao soberano.



— Meu pai, isso é sem dúvidas muito grave! Devemos buscar apoio dos nossos amigos mais próximos, o quanto antes– ponderou cauteloso. — ...Talvez, até com alguns reinos imparciais?!


Era esse o ponto ao qual rei queria chegar.


— Deliberar a respeito, foi a primeira medida que tomei e creio ter encontrado uma solução que será em extremo favorável a todos os envolvidos.



— Qual?– indagou aflito, inclinando o corpo ansioso pela resposta.


Michael suspirou, era chegada a hora.


— O soberano de Saint' Price, Joseph I, tem como herdeira a princesa Isabelle e pelo que me foi dito, está em idade matrimonial, então, podemos informá-lo sobre o que se passa, caso não saiba e sugerir uma aliança através do casamento de sua filha..– O rei examinava a face do príncipe enquanto expunha seus planos, não encontrando hesitação ele prosseguiu, todavia, algo intrigante como descrença, tomou a feição do filho.



— Deseja casar-se com a princesa? – interrompeu-lhe, estupefato com a possibilidade.


— Oras! Duke! Pelo que me tomas?! Estás louco? Essa moça tem idade para ser até mesmo minha neta. E sua mãe jamais aceitaria, ou sequer me perdoaria– ralhou incomodado.

— Digo a respeito de ti! És um excelente partido para a princesa, além de poder protegê- la de aproveitadores... Tenho conhecimento do zelo que o rei tem por sua unigênita, de certo que não a entregaria para qualquer um.



— Sem querer lhe faltar com respeito meu pai, mas, o que o faz pensar que rei Joseph entregará a filha em matrimônio a um reino teoricamente rival?



— Não somos considerados rivais, por vias de fato– respondeu prontamente. — E você, dentre todos os candidatos, mesmo se tratando de alguns soberanos que se mostraram interessados, é o melhor por muitos motivos. Certamente que Joseph ficará feliz ou até mesmo lisonjeado com a proposta.



— E o que faremos? Pretende que isso seja de imediato?Até onde me consta, nunca conheci a princesa e creio que em relação a ela, seja a mesma coisa. – deliberou se levantando e servindo-se de uma dose de licor, tomando um cálice e oferecendo ao pai.



— De fato. É bem verdade que a princesa não frequenta bailes ou confraternizações gerais, aos quais estamos acostumados– afirmou, sorvendo o líquido amarelado com o doce sabor de pêssego. — Todavia, não temos tempo para perder com essas trivialidades românticas. Partiremos o quanto antes, falarei pessoalmente ao rei sobre essa proveitosa aliança.



Duke tomou o restante da bebida e respirando fundo virou-se de costas para a parede, contemplando a pintura do avô, rica em detalhes. Não havia como evitar, teria que falar o que estava nas entrelinhas desde o início do assunto. — Como fica meu relacionamento com Lady Vivian? Imagino que saiba, que não pretendo abrir mão dela.


Michael pressionou as têmporas e em seguida levantou-se encarando a estrutura grandiosa do filho.


— Me diga se há razão plausível para querer pôr em risco tudo que conquistamos, por uma… Senhorita, como ela? – proferiu irando-se. Michael frisou a palavra, deixando claro que gostaria de dizer algo muito menos respeitável a respeito da viscondessa.



— Meus sentimentos não são o bastante?! Mas, engana-se meu pai. Jamais disse que não aceitaria me casar, o que perguntei foi como fica nossa relação?



— Duke… – murmurou buscando calma. — Acredito que não tenha ciência sobre como funcionam as leis em Saint Price, então, irei deixá-lo a par. Rei, rainha, príncipe ou princesa jamais se relacionam com terceiros tendo compromisso com alguém, seja casamento ou noivado, não importa. É contra a lei fazê-lo!



— Bem, somente haveria problemas se eu fosse pego em flagrante, mas, não pretendo deixar que tal coisa aconteça. Manterei total discrição!



— Você é tão sutil quanto um pavão querendo acasalar. Esqueça-a.



— Sinto muito meu pai, mas não o farei.



— Certo, se é o que pretende, que assim seja! Mas, sob nenhuma circunstância, deixe que isso prejudique nossa aliança. E isso é uma ordem!


O príncipe anuiu concordando com o pai. A partir dali, a vida jamais seria a mesma e suas certezas nunca mudariam tanto.

17 de Agosto de 2021 às 01:14 0 Denunciar Insira Seguir história
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