mdsousa Maria Desidere

O mundo acredita que anjos são seres divinos, servos fiéis de Deus. Mas não para Meena, ela sabe muito bem que eles não passam de aves que servem a divindade... Meena é "babá" de leões e vive com um jovem descendente de Árabes muito rico, Fox, a quem jurou proteger e servir. Desde criança, Meena vê coisas do além: almas, demônios, fantasmas, e... Anjos, além de poder se comunicar com os animais. Ela tenta apenas ignorar as aparições e viver uma vida normal, mas tudo muda quando conhece seu anjo da guarda, John. Uma coruja encrenqueira que enxerga nela a oportunidade de subir de nível e virar um Arcanjo, mas algo em seu plano não se encaixa com seus sentimentos, e os dois começam à sentir uma atração um pelo outro. Mas tudo muda quando encontram um anjo caído, que, após eventos estranhos e uma missão a vista, está determinado a separá-los por um misterioso motivo.


Fantasia Fantasia urbana Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#sobrenatural #fantasia #mitologia #Deus #divindade #mitologiagrega #mitologiacoreana #Anjosedemonios #mitologiajaponesa
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↑Prólogo↓

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Não sabia ao certo onde estava. Uma forte neblina, pintando a escuridão, pairava ao meu redor impedindo-me de ver o que quer que fosse. As estrelas e a lua cheia, eram a única fonte de luz ali. Minha visão se revirava de vez em vez, com uma dor perfurando todo meu corpo. Bem, — ao que parecia — no meio de uma estrada, cercada por altas sequóias que descreviam uma sombria floresta, exibindo sua superioridade.


O medo, a dúvida e a apreensão invadia toda minha consciência, dificultando minha percepção de diferenciar o real do pesadelo.


Os dois pareciam ter a mesma lógica para mim.


Mas havia algo que estava me dando esperanças, aquele toque quente da pequena mão apertando a minha.


Flashbacks vieram aos meus olhos, em um passar de imagens borradas... O rosto horrorizado, mas preciso, do papai perdendo o controle do carro... Eu no banco de trás apavorada, olhando atentamente a cena. Acreditava que estava enlouquecendo ao pensar que papai estava fazendo isso de propósito.


De repente, uma forte luz dourada se colidiu com o carro.


E, atravessando o portal incandescente, o automóvel bateu-se abruptamente contra uma árvore. Como se tivéssemos sido teletransportados para uma floresta desconhecida.


Havia perdido a consciência nessa altura.


Lembro-me de acordar e sentir um líquido quente descer pegajosamente sobre minha fronte, junto com um zumbido tomando de conta da minha audição. Me surpreendi que uma criança de sete anos tenha sobrevivido à uma batida daquelas.


Passando a má sensação da tontura, percebi que papai não estava lá, minha inquietação só aumentou, e, ainda mais quando uma voz distante e rouca e abafada veio aos meus ouvidos, repetindo meu nome de vez em vez.


Pelo timbre, percebi que não era um ser mortal.


Sem hesitar, movida pela adrenalina e pelo medo, arranquei o cinto de segurança emperrado e saí o mais rápido que pude pela janela quebrada do carro. Ao pular, bati meu rosto contra o chão frio e folheado, levantei-me fraquejando e olhei para o Toyota preto: sua frente estava totalmente destruída, a árvore o tinha partido no meio, deixando apenas sua traseira intacta.


Um arrepio percorreu minha espinha ao ver aquela incrível e horrorosa cena.


Ignorando a dor na cabeça e nos membros, me voltei para o redor, buscando indícios daquela voz que parara de repente.


A floresta estava trevosa. Trevosa como um quadro pintando por alguém deprimido. Sem sinal do ambiente urbano, a única luz fixa que via, eram as do carro, com alguns vagalumes distantes. As copas das árvores enfatizavam o céu que exalava sua soberania por meio dos pontos brilhantes, as estrelas. Se não fosse pela situação, admiraria a beleza do universo, pois pelo menos uma vez na vida, não estava ofuscada pela luz da cidade.


"Que tipos de seres habitam esta floresta?" — pensei comigo mesma.


Raposas mágicas? Fadas e goblins? Ninfas?


Nunca tinha visto um deles, mas sentia uma necessidade de acreditar.


Se existiam anjos e demônios, por que não existiriam mais seres do tipo?


Enquanto deslizava meu olhar ao redor, avistei uma forma humana branca ao pé de uma árvore próxima.



Meu coração acelerou.



Ela estava de costas e sentada com a cabeça apoiada nos joelhos. Me aproximei vagarosamente. Era uma criança, e estava... Estava chorando. Senti uma empatia tomar de conta dos meus sentidos, levando gradualmente meu medo para longe. Me aproximei mais, reparando mais de perto o garoto em prantos.


Contive um suspiro ao perceber que não era um fantasma ou um ser sobrenatural, mas um menino humano.


Mal pus a mão em seu ombro quando o garoto a pegou abruptamente puxando meu braço, gritei quando ele me tacou de bruços no solo frio, um movimento perfeito para colocar meu braço torcido atrás de minhas costas e me imobilizar.


— Ei! O que está fazendo!? Me solta, eu só quero ajudar! — berrei surpresa.


— Quem é você? Veio aqui para me levar de volta!? Eu não vou ceder! Vou fugir de todas as pessoas que querem me fazer mal entendeu!? — gritou ele entre soluços e lágrimas.


— Eu não quero fazer mal, você não ouviu o barulho do carro?


— De que carro está falando? Pretende me sufocar no porta-malas como fez há algum tempo!? — ele pressionou ainda mais meu braço tampando minha circulação sanguínea.


— Ai! Isso dói! — reclamei com o rosto enterrado nas folhas.


— Deveria dizer isso ao seu chefe quando colocaram aquelas algemas em mim!


— Do que está fa...


Foi aí que percebi, aquele garoto podia ter sido sequestrado ou algo do tipo, fugiu e muito possivelmente se perdeu nesta floresta.


O que era exatamente aquilo? Destino? O que papai queria com isso?


Só sabia de uma coisa.


Aquela criança precisava de ajuda, ele estava com medo e sua única forma de se defender era atacar.


— Escuta —, comecei tentando soar em um tom confortável — se me soltar, posso te ajudar a sair dessa floresta, estou tão perdida quanto você, não sei onde está meu pai, e sei que você deve estar passando por algum perigo. — Dei um longo suspiro — Mas, prometo que vou nos tirar daqui. Mesmo com carro arrebentado, ainda há chances de nos salvarmos.


O menino se calou por um tempo, fungando e com a respiração forte.


— De que carro está falando? Como veio parar aqui? — As lágrimas tinham indo embora, para dar lugar a um ar de desconfiança.


— Vire para trás e verá o carro!


Ele o fez e logo em seguida soltou meu braço e ficou hipnotizado com a imagem atrás de nós.


Engoliu a seco e desviou o olhar espantado para mim:


— C... Com... Como aquele carro veio parar aqui? Quem é... Quem é você?


Me levantei ainda sem notar aquela adição dor no meu braço dormente.


Coloquei-me na frente dele e segurei seus ombros. Apesar de parecermos ter a mesma idade, eu era um pouco mais alta. Olhei no fundo de seus olhos cor smaragdine.


Cerrei a vista ainda cética com a aparência dele. Pisquei duas vezes, talvez fosse pela fraca luz do carro um pouco longe de onde estávamos, mas não. Ele realmente era daquele jeito.


Papai disse, há alguns anos, que eu viria de me encontrar com um garoto de cabelos negros e grossos, olhos verdes e profundos, lábios corados e delicados como as pétalas de uma rosa, um "menino bonito". E o mais importante, ele não teria uma aura, assim como eu.


Isso significava que nenhum de nós dois tinha um guardião, um anjo da guarda.


O tal garoto... Estava na minha frente.


Ele estava na minha frente.


Sim, eu o tinha encontrado. — Embora meu pai possivelmente sabia que ele estava nesta floresta.


Me lembrei então, das palavras de papai naquele dia:



"— Esse garoto é o meu senhor, Meena. Seu dever é protegê-lo assim como eu o protegi no passado, você cuidará dele no meu lugar. Pode me prometer isso, minha filha?

— Mas como irei protegê-lo paizinho? Nem sei se vou encontrá-lo.

— Acretide em você mesma. Irá conseguir."



— Eu vou tirar a gente daqui — arfei sorrindo — e quando sairmos, irei explicar tudo. Acredite eu não quero lhe fazer mal, confie em mim e irá sobreviver, entendeu?


Ele me olhou confuso pela reação, mas algo se fechou em seus olhos. Como se não importasse quem eu era ou deixava de ser, como se não importasse se eu estava mesmo falando a verdade ou apenas o enganando.


Parecia cansado e farto.


Abaixou a cabeça apenas... Aceitando.


Aquele olhar me atingiu. Queria dar esperanças para aquele "menino bonito".


Ele usava um terno branco todo sujo de terra, e com algumas folhas presas nas extremidades. E tinha perdido um dos sapatos.


Rasguei, então, uma faixa do meu vestido e me abaixei aos seus pés, enrolando o pano em seu pé descalço. Senti um carinho por ele naquele momento. E no final, eu iria cuidar dele a partir de agora.


"Meu irmãozinho". Pensei.


— Use isso, ou vai se ferir. — O pequeno príncipe me olhou de uma forma tímida, com suas bochechas coradas. Sorri.


Peguei em sua mão suada e o levei comigo até o carro.


Mais uma vez, ouvi meu nome, de novo e de novo, a voz parecia não se cansar, andei na direção oposta do carro. Seguindo a voz.


— Aonde está nos levando? — perguntou enquanto eu o arrastava comigo, sabia que ele não podia ouvir o mesmo que eu.


Afinal, ninguém "normal" e mentalmente estável podia ver ou ouvir as mesmas coisas que eu.


— Olha... Eu sei que pareço uma louca...


— Você é louca. — sussurrou ele, me seguindo obedientemente.


— ...Mas sei o que estou fazendo ok? Disse que iria confiar em mim.


Nos calamos por alguns segundos, até que me lembrei que não sabia o nome do menino bonito.


— E a propósito, meu nome é Meena, Meena Jeffreys, tenho sete anos, e você...?


— Fox, Fox Ali Al-Makki, — Fox se calou por alguns segundos, e começou novamente — Eu tenho oito anos.


Parei de andar e o olhei céticamente de cabeça a baixo.


— Como é? Oito anos? — impus sarcástica, brinquei bagunçando seu cabelo macio — E é tão baixinho?


Ele tirou minha mão abruptamente com um tapa e fez uma carinha de raiva, franzindo as sobrancelhas.


— Não sou baixinho, ainda sou criança, e ao contrário de você, eu não sou uma girafa!


— Ah! Se você diz. — Virei o rosto e sorri largamente.


Papai nunca me disse que Fox era como um ursinho de pelúcia.


Nos concentramos em andar, mesmo tropeçando em pedras e esbarrando em galhos a medida que o chão parecia afundar mais e mais pelo excesso de folhas.


O som dos grilos e sapos eram os únicos ruídos que ainda me deixavam acreditar naquela situação.


Andamos até pisarmos em um local mais concreto e reto.


Na estrada que cruzava a floresta.


A voz, que chamara meu nome até então, se perdeu, e não a ouvi mais. Comecei a me desesperar.


Fosse quem fosse, essa era a única esperança, eu com certeza não saberia sair dessa sozinha.


— O que foi? Por que paramos? — Fox perguntou intrigado.


— Só um minuto.


Aquela tensão familiar subiu na minha garganta.


Foi aí que nos assustamos com o som do bater forte de asas de alguma ave. Minha espinha congelou e Fox deu um grito nada másculo, me virei rapidamente a tempo de ver uma sombra, no meio da neblina, voando para longe. Abaixei o olhar e algo brilhava.


Abaixei-me e a peguei.


Era uma pena branca e castanha do tamanho de uma mão adulta, com as pontas levemente douradas.


— Parece ouro, que tipo de ave tem penas com ouro? — Fox disse analisando a pena com os olhos arregalados e instáveis do susto.


A ficha tinha caído. O que tinha nos guiado, quem estava pronunciando meu nome, era um anjo.


— Senhor!? Aonde... Aonde devemos ir!? Pode nos ajudar!? — gritei tentando obter respostas.


Fox estranhou.


— Com quem está falando? Não tem ninguém. — sussurrou.


— Sei o que estou fazendo, vamos!


Peguei sua mão e seguimos na mesma direção que a sombra havia ido. Fox estava hesitando.


— Já chega! — ele se soltou abruptamente e se afastou — Quem diabos é você!? O que veio fazer aqui!?


— Olha aqui! Eu não tenho tempo de explicar agora, precisamos ir ou perderemos a única chance que temos de sobreviver! — Gritei de volta.


— E quer que eu te siga como um cachorro? Quem você pensa que é?


— Sou a pessoa que vai cuidar de você — disse diminuindo o tom gradualmente.


Ele grunhiu dolorosamente. Apesar de só ter oito, Fox demonstrava ter um grande passado.


— Cuidar de mim? Acha que eu preciso ser cuidado? — Fox lançou um olhar profundo para mim, enquanto o observava andar em círculos — O que passei até aqui sozinho, não é o suficiente para dizer que eu sei cuidar de mim mesmo?


— O mundo é mais complicado do que imagina, você não faz ideia do...


— Não! — interrompeu-me — Você não faz ideia do quanto este mundo é injusto, um mundo onde os mais fortes sobrevivem, e os fracos são soprados como grãos de areia. — Fiquei parada onde estava, ouvindo aquele desabafo de alguém que não tinha nem uma década de vida.


"Quando tinha quatro anos, perdi a única pessoa que se importava comigo, minha mãe. Ela tentou me salvar do louco do meu tio. — Lágrimas amarguradas surgiram em seus olhos — E o que ela ganhou com isso?"


Ele parou um instante para respirar fundo e fechar os olhos. E ao abrí-los novamente, me olhou como se eu fosse um monstro:


— Em uma enorme mansão lotada de familiares, empregados, animais e seguranças, ela foi a única que cuidou de mim.


"E eu a perdi. Prometi para eu mesmo que não me apegaria a mais ninguém. Era melhor do que ter que sofrer novamente com alguém especial morto por minha causa."


— Não foi sua culpa — sussurrei.


— Nem adianta tentar me dizer isso, me convenci há muito tempo a aceitar a verdade.


— A verdade! — exclamei — A verdade é que você foi uma vítima desse mundo, mas não precisa mais ser assim. Só... Só vem comigo. — lhe estendi a mão, a espera de que pudesse ser recebida, mas não foi.


— Se ser a presa é assim... Prefiro ser o predador e não confiar em garotas que ouvem e vêem coisas — Fox veio com um tom acusatório, um amargo subiu na minha garganta.


Engoli seco. Fox também conseguia ver o além?


— Como sabe...?


— Já fui perseguido por uma criatura demoníaca — ele enfiou a mão dentro da camisa do terno, e tirou para fora uma correntinha envolta no seu pescoço.


Nela tinha uma pequena cruz prateada.


— Ele sussurrava todas as noites no meu ouvido, me dizendo que eu era o único culpado pela morte da minha mãe, e que não merecia ter uma vida como aquela. Nunca o vi fisicamente, mas sentia fortemente sua presença —, Fox sorriu tristemente — ele até mesmo me fez cair das escadas. No entanto, minha mãe guardava esta corrente desde sempre, então a peguei e ameacei a besta, dizendo que se ele aparecesse novamente, iria mandá-lo para os quintos dos infernos de onde veio.


"Percebi que eu não merecia morrer. Me livrar dessa vida seria uma benção divina, e eu quero pagar pelo que causei à pessoa mais carinhosa e amorosa do mundo, vivendo até os meus últimos dias nesta mentira que chamam de Terra."


Só queria realmente entender como alguém tão jovem tinha esses tipos de pensamentos.


Olhei para cima procurando algum vestígio daquele acontecimento ser apenas um sonho, mas era... Real.


Suspirei.


— Entendi. — disse baixinho.


— O quê? — olhei no fundo de seus olhos, mergulhando naquele mar verde.


Me aproximei e coloquei a pena em sua mão, o fazendo sentir a superfície macia e texturada.


— Penas com bordas douradas, pertencem à aves celestiais, em outras palavras, à anjos. Eles não são como todos imaginam, são aves que assumem a forma sagrada e a forma humana, em prol das regras e comandos da Divindade.


— Então... Estamos seguindo um... Um anjo? — perguntou interessado.


— Você o ouviu também, não ouviu?


— Na verdade não vi nem escutei nada, só... Sinto quando algo não humano está por perto, como um sinal da minha alma. Eu... Eu não sei explicar.


— Entendo, nós somos parecidos. — sorri levemente — Eu sou capaz de ver essa parte do mundo.


— Então um anjo está mesmo nos guiando?


Concordei com a cabeça, sorrindo.


— Vamos, vou nos tirar daqui.


Estendi-lhe a mão mais uma vez, e foi recebida com um aperto firme, mas carinhoso de uma mão doce e delicada.


Seguimos na direção apontada, em silêncio.


Havia muito o que ser falado naquele momento, mas o que viria depois exigia mais da nossa atenção.


Pensando em todo aquele incidente, lembrei de algo que papai me falava sempre...



"Se no futuro, algum anjo lhe chamar em uma situação perigosa, siga-o, pois ele fará o impossível para te ver segura, porque precisam de você, Meena. Mas ouça, nunca se envolva diretamente com algum deles, a Divindade é muito cruel para permitir isso."


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8 de Agosto de 2021 às 23:08 0 Denunciar Insira Seguir história
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