B
Bereu Chan


Nesse dia doloroso, Serena entendeu de uma vez por toda o que suas irmãs sempre lhe diziam: os seres humanos são frágeis; quando menos esperamos eles viraram apenas lembranças...


Drama Todo o público.

#fantasia #drama #tragédia
Conto
0
413 VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

Serena

Em um planeta anos luz distante do terceiro planeta do sistema solar, se encontrava em uma grande rocha, perto de uma ilha tropical, Serena; uma criatura marítima e mística, muito conhecida pelos viajantes que se aventuram nos vastos oceanos.


Com seus longos cabelos loiros voando ao vento, seus olhos azuis, como as águas dos mares, estavam fixos no horizonte onde vira Michael pela última vez; um capitão pirata de pele bronzeada pelo sol, longos cabelos pretos e olhos da mesma cor.


Em uma de suas longas viagens, com seus tripulantes, o homem de bela aparência avistara a loira perecendo, afastada da beira da praia. A mulher que aparenta seus dezoito a dezenove anos tinha sido jogada fortemente nas areias esbranquiçada da ilha, numa assombrosa tempestade, quando se arriscara em busca de sua mascote, uma tartaruga, que não encontrava em lugar algum.


O homem que tinha por volta dos vinte cinco anos, logo ao avistar aquela bela sereia de cauda esverdeada, foi direto ao seu socorro e, diferente do que ela imaginava, lhe devolveu ao mar ao invés de lhe vender a um bom preço como alguns fizeram com algumas de sua espécie.


Logo se apaixonou pelo o homem, e enquanto ele explorava a ilha em busca de ouro e pedras preciosas, ela vinha todos os dias, quando ele voltava para descansar em seu navio, lhe ver. Mas esses dias maravilhosos não demoraram muito e logo sua partida chegou, a deixando então com o coração partido.


Ela lhe pediu para que ficasse; disse que lhe amava, mas logo o homem lhe contara que já tinha alguém em seu coração — era uma bela mulher da aldeia a qual ele nasceu e cresceu.


Com a partida do homem, todos os dias a sereia ia até uma das grandes rochas, perto da ilha, ficando com uma parte de sua cauda na água e seu corpo fora dela.


Todos os dias fazia isso com a esperança de vê-lo pelo menos mais uma vez.


Suas irmãs, que possui mais senso da realidade que ela, lhe aconselhou a esquecer o tal homem, visto que tudo conspirava contra a relação deles. Para começar, ele já tinha alguém em seu coração. Depois, vinha algo fundamental que impedia de vez o amor entre eles: enquanto ela podia viver centenas de anos com sua aparência jovem, vindo a envelhecer lentamente e só morrendo depois de milhares de anos, o homem só podia viver cem, passando, no máximo, poucas décadas da idade máxima que um ser humano pode viver.


Ele era um humano, e todos os seres humanos eram como flores que iam murchando rapidamente, chegando então, num piscar de olhos, o momento de sua morte. Outro problema era o fator habitat natural. Mesmo podendo ficar fora d'água, ela não podia ficar o tempo todo, nem mesmo podia se locomover direto por causa de não ter pernas. Já na situação dele, mesmo podendo ficar dentro d’água, não podia ficar o tempo todo, aguentando assim míseros minutos embaixo dela.


Sendo assim, existir algo entre eles era completamente impossível. Mas mesmo sabendo disso tudo, a loira não deixou de sonhar em vê-lo novamente. E, assim, passaram anos e anos ela tendo a mesma rotina de ir para aquela rocha e esperar por o homem que fisgou seu coração.


Já estava desesperada, perdendo a esperança de vê-lo novamente, quando um navio longe, desgastado pelo tempo e de velas negras, lhe chamou atenção. Um sorriso largo brotou em seus lábios e todo seu corpo ficou agitado, esperando logo que o tão esperado navio se aproximasse.


Sem paciência de ficar esperando, e com a ânsia de logo ver aqueles belos pares de olhos negros, foi nadando rapidamente até lá, vendo em seguida um homem com chapéu de capitão, o mesmo que aquele homem usava, se aproximar da amurada do navio — era o mesmo de antes, ela tinha certeza, assim como o chapéu.


Logo notou que os cabelos negros do homem estavam mais curtos e seus olhos... Seus olhos estavam verdes? Como podia ser?


E aparência dele... Ele não deveria estar mais velho? Logo a voz do belo moreno de olhos verdes chamou sua atenção. Mesmo depois de mais de vinte anos, ela jamais esqueceria aquela voz terna que tanto adorava ouvir. Esse homem... Esse homem não era ele, mesmo tendo o mesmo rosto, cor de cabelo e tom de pele.


Hesitante, o perguntou onde estaria o senhor Michael e seus olhos azuis se encheram d'água a ouvir que o belo e bondoso rapaz morrera jovem, aos seus trinta e seis anos, em um ataque que aldeia que ele vivia sofreu — morreu salvando sua mulher, uma parte de seus tripulantes que ainda estão vivos e seu filho que seguiu os passos dele.


Nesse dia doloroso, Serena entendeu de uma vez por toda o que suas irmãs sempre lhe diziam: os seres humanos são frágeis; quando menos esperamos eles viraram apenas lembranças...


30 de Julho de 2021 às 19:47 0 Denunciar Insira Seguir história
0
Fim

Conheça o autor

Comente algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~