vizlawren Viz Lawren

Laços de amizade sempre se reinventam com passar do tempo, tudo pode mudar quando menos se espera. O caminho de uma única pessoa, pode se separar ou se cruzar com o de várias outras. Depois de se envolverem em uma intriga escolar, inscientes de que isso sucederia um atentado cruel na escola em que estudavam, devido as circunstâncias obscuras que permeavam por trás toda a trama; os irmãos gêmeos, Ririe e Hisuke Okamura, e o amigo de infância deles, Zenni Yasutake, acabam descobrindo através de um dos envolvidos da tragédia, que se meteram em uma encrenca muito maior do que imaginavam. Além de terem que superar o abalo sofrido, eles precisarão procurar minunciosamente as peças para montar o complexo quebra-cabeça e entender os fatos que intercorreram o acontecido.


Drama Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Confissão Precedente

“Tenham cuidado, ninguém conhece ninguém no mundo afora.”


Disse meu pai uma vez para mim e para o meu irmão, quando tratou a respeito das amizades e das pessoas que encontraríamos ao longo da vida.

Levando em consideração o escasso discernimento que possuíamos naquela idade, qual seria a possibilidade de duas crianças de 4 anos compreender um dogma como aquele? Certamente nenhuma.

Todavia, diferente do Hisuke, que preferiu deixar aquilo de lado, eu fiquei preocupado por não ter entendido o que meu pai quis dizer, lembro até que conversei com minha mãe depois sobre isso, supliquei a ela para que explicasse a mim o significado por trás daquele dito, o que foi claramente uma tentativa desesperada e prematura da minha parte; tentar absorver algo que jazia fora do alcance da minha pobre compreensão.

Agradeço até hoje a mamãe por ter sido esperta diante daquela situação, ela me aconselhou que guardasse a mensagem de meu pai comigo, pois algum dia quando estivesse maduro o suficiente, seria capaz de refletir e captar o sentido dela.

Complementou ainda que eu não precisava ficar ansioso ou preocupado, visto que esse dia poderia chegar mais cedo ou mais tarde, em um momento do qual menos esperaria. Não vendo outra escolha, decidi seguir o conselho dela, meu irmão inclusive concordou que seria o melhor a se fazer, quando pedi um palpite dele a respeito disso.

Sem dúvidas, esse foi um passo importantíssimo para o futuro em que me encontro atualmente. Porém, quem diria que por causa de um estranho presságio, somente agora eu viria começar a me recordar e raciocinar o que meu pai disse a um bom tempo atrás, considerando tudo que ocorreu do ano anterior para cá?

Não sei se isso aconteceu porque estou nervoso em relação ao que vai acontecer na semana que vem, talvez seja só uma loucura da minha cabeça. Mas e se aquele presságio for real? Será que irei presenciar um terrível exemplo daquele dogma que escutei aos 4 anos?

Isso com certeza é algo que não dá pra se afirmar, o que vi naquela antevisão foi muito breve e superficial; uma faca ensanguentada sobre uma mesa, qual era o significado daquilo?

Essa era apenas uma das várias questões sem respostas que pairavam na minha cabeça.

Parando pra pensar, a essa hora o coitado do Zenni deve estar tão confuso quanto eu, anteontem conversamos sobre isso, ele me relatou que também tinha tido uma premonição bizarra enquanto cochilava, disse que em sua visão havia conseguido ver apenas uma foto sobre uma carteira; sua descrição sobre tal fotografia se consistiu em uma imagem do líder e dos membros do clube de música com seus rostos riscados, porém o detalhe que mais me chamou atenção, foi a frase escrita citada por este na borda branca da foto, do qual dizia “Ele vai pagar um preço muito mais alto que o meu.”

No mínimo, uma expressão bem obscura decerto.

Porém, embora essa antevisão possuísse particularidades bem mais explicitadas em comparação a minha, ainda era algo enigmático pra gente. Não dava para fazer assimilações, muito menos conclusões, o máximo que conseguimos fazer discutindo um com o outro, foi chegar em uma hipótese de aquilo estaria provavelmente relacionado com o Hiki.

Se pareceu uma maluquice no primeiro momento, mas quando lhe pedi para botar em consideração a natureza recôndita do Hiki, isso ajudou sustentar e estabilizar a suspeita.

Contudo, havia um contraponto; falta de fundamentação, por ter sido originada a partir de predições inusitadas que nós dois tivemos, a suspeita que havíamos formulado certamente não passaria de um palpite controverso para o Hyuzel e seus associados.

Em resposta ao Zenni, que sugeriu que compartilhasse aquela suspeição com eles, eu lhe disse “Se contarmos isso para eles, certamente seremos chamados de loucos. Acho melhor ficarmos em silêncio e continuarmos a exercer nossa função de ficar de olho no Hiki, e vigiar a retaguarda deles. Hyuzel me disse que o plano que ele bolou, vai finalmente entrar em ação na semana que vem, quando a próxima reunião de pais acontecer... Não sei o que vão fazer, mas espero que não seja nada perigoso, afinal não sabemos que tipo de pessoas estão por trás do Hiki.”

Depois disso, encerramos aquele assunto ali. Como uma medida pra não alarmar o Hisuke, que por sua vez não estava conosco no dia em que conversamos sobre isso, pedi ao Zenni para que não contasse nada a ele, pois era algo meio que, grave, e eu não queria preocupar o meu irmão a respeito.

Já fazia quase 10 meses que havia me metido naquela história protagonizada pelo Hyuzel, e olha que nunca foi do meu feitio me envolver em intrigas. Poderia ter negado seu convite quando entrei para o clube de música em junho do ano passado, mas como ele me prometeu que não teria problemas se eu fizesse tudo certinho com prudência, acabei cedendo e aceitei o seu chamado, junto com Hisuke e o Zenni que também concordaram em fazer parte disso.

Mas não foi só por isso que concordamos em participar daquela trama, tinha o motivo da parte dele é claro, este queria ajudar um amigo que estava com problemas pessoais.

Amigo este que não era nada mais, nada menos que o Hiki.

Hyuzel me contou que já havia tentando ajudá-lo diretamente uma vez, no entanto não tinha dado certo e desde então ele estava bolando um plano com alguns colegas para tirá-lo dos “maus lençóis” em que o Hiki se encontrava.

Perguntei a ele que plano era este, e o mesmo disse que, era um segredo, e que me seria revelado em partes com passar do tempo; algo que não aconteceu até hoje, pois a única coisa que sei é que o Hiki está envolvido com um pessoal perigoso.

Uma polêmica que apesar de contestável, sempre me pareceu verídica, até porque desde que comecei a exercer minha função de vigiar ele, agindo como seu amigo, Hiki nunca me contou muito sobre si, dizia só que a vida deste era como a de qualquer um, e negava-se a responder as demais perguntas com respeito ao mesmo.

Lembrando bem, talvez meu irmão tivesse razão sobre o que disse em relação a ele uma vez “Esse cara é esquisito, eu sinto que ele não é essa pessoa pacata e gentil que aparenta ser, ele parece ser no mínimo bem perturbado e triste. Consigo perceber isso quando a gente se despede na hora da saída, o semblante dele quase sempre fica abatido, como se estivesse aflito com algo. Parece até que ele não gosta de ir pra casa, sei lá. Me passa a impressão de que os problemas dele não são pessoais, mas sim familiares ou possivelmente, ele pode até ter problemas com essas tais essas pessoas perigosas que citaram, acredito que seja esse o motivo dele não gostar de falar sobre si.”

Confesso que fiquei meio espantado quando ouvi aquela observação do Hisuke, foi uma análise bem intrigante, porém ainda que fosse uma informação bastante relevante, tivemos que manter aquilo entre nós, como toda e qualquer discussão que tínhamos sobre o Hiki ou com referência as reuniões “privadas" do Hyuzel.

Fazíamos aquilo seguindo o conselho de um dos membros ligados a ele, que no início nos disse que ficássemos quietos quanto ao que descobríssemos, pois se contássemos alguma coisa que sabíamos ao Hyuzel ou aos seus demais afiliados, a gente poderia acabar arranjando encrenca por estar metendo o nariz aonde não devíamos, o que em nossa convicção sempre foi bem estranho e questionável, mas como não queríamos contrariedades, resolvemos apenas acatar o que nos foi dito.

Por vezes nem consigo acreditar que esse ano letivo passou tão rápido, hoje já é praticamente sexta-feira da penúltima semana de aula, e eu estou aqui escrevendo esse desabafo em um caderninho de anotações, uma coisa que nunca fiz desde que me tornei um escritor mirim aos 8 anos.

Estou começando a me sentir como aqueles caras que escrevem diários sobre a própria vida... Pensando bem não seria uma má ideia escrever um diário sobre a minha, seria interessante até.

Já até mesmo imaginei um título agora; diário de um fedelho carrancudo.

Zenni com certeza vai cascar o bico de rir, do jeito que ele é caçoador, não duvido nada, mas pelo menos este vai querer ler, se olhar pelo outro lado.

Quanto ao meu irmão, provavelmente ele só vai ficar surpreso e me elogiar por ter a começado a me empenhar em algo “novo.”

É, realmente não é uma má ideia, será que devo levar isso adiante, mesmo sendo tão inusitado?

Hmph, acho melhor não, vou continuar mesmo é a me dedicar as minhas crônicas e meus contos por enquanto, esses gêneros textuais são os únicos do qual me dou bem.

Pra falar a verdade, eu estou bem cansado, quero apenas que tudo isso acabe logo e a minha vida escolar volte ao normal, esse jogo do qual me meti e estou jogando somente pelas regras há um bom tempo, está me deixando bem desgastado ultimamente.

Até quando o Hyuzel vai esconder o contexto real dessa trama? Qual é o motivo dele e do pessoal de não confiar em mim, nem no meu irmão e muito menos no Zenni? Pra que tanto mistério em algo que era pra ser só uma ajuda a um amigo?

Sei que poderia ter feito isso bem antes, mas agora estou decidido; assim que esse tal plano for sucedido e ele conseguir resolver os problemas que o Hiki está enfrentando, eu vou cobrar explicações dele e o mesmo não vai conseguir fugir de mim, Hyuzel terá de contar toda a verdade.

Espero não ter que brigar pra que isso aconteça, porque valorizo muito a amizade dele, foi graças a este que aprendi a tocar violino com meu irmão, durante os dias em que o clube de música não ficava de fachada para os compromissos internos do mesmo.

Agradeço profundamente o apoio do Hisuke e do Zenni que estiveram comigo nisso desde o início, se não fosse por eles, eu já teria desertado do meu papel nessa palhaçada na primeira oportunidade.

Desejo de coração que nada de mal aconteça com eles.

Também torço para que aqueles presságios, não tenham sido sinais de um acontecimento terrível que está por vir.

14 de Julho de 2021 às 20:38 6 Denunciar Insira Seguir história
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