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Park Jimin. 26 anos. CEO da Park Company, a maior editora de livros da Coreia, e milionário. Aos olhos da sociedade, Jimin tem a vida perfeita e nada lhe falta. Ele tem tudo o que todos querem, mas... será que ele tem tudo mesmo? Após um acidente, Jimin acorda em um lugar totalmente diferente do que se lembrava e acaba recebendo uma ajuda inesperada.


Fanfiction Bandas/Cantores Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Capítulo único

Escrito por: @writtenforbts/@writtenforbts

Capa por: @je0n


Notas Iniciais: Oooi, espero que gostem!

Boa leitura.


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— Park Jimin, eu tenho uma ótima novidade para você! — disse Taehyung, entrando no meu escritório sem sequer bater na porta. — E você não pode escapar dessa vez.

Ergui meus olhos até conseguir vê-lo completamente. Os cabelos castanhos agora estavam vermelhos, combinando com seu terno também vermelho. Ele estava muito bem vestido, o que não era exatamente uma surpresa. Taehyung era um modelo muito bem pago e eu não duvidava que ele tinha acabado de sair de alguma reunião importante.

— Oi para você também, Taehyung — resmunguei, encostando-me na minha cadeira. — O que faz aqui tão cedo?

— Vim para lhe avisar que você tem um encontro neste domingo com Yi Daiyu — disse ele, sentando-se na cadeira à minha frente.

— Yi Daiyu? Ela não é a atriz de “Um Sopro de Amor”? — Tae assentiu, sorrindo. — Por que eu tenho um encontro com ela?

— Porque eu marquei.

— E por que você faria isso sem me perguntar se eu quero?

— Jimin, meu amado amigo, meu soulmate querido, você tem vinte e seis anos e ainda não encontrou sua alma gêmea. — Revirei os olhos. — Olha, eu sei o que você pensa, mas você nunca vai encontrar alguém desse jeito. Sua vida é essa empresa. Diga-me a última vez que você namorou ou apenas ficou com alguém.

Não era difícil lembrar a última vez que me relacionei com pessoas que não fossem meus amigos, meus parentes ou meus funcionários. Exatos quatro anos atrás, eu terminei um relacionamento de dois anos. Eu sabia que havia uma grande chance do nosso namoro não dar certo, afinal, ele não era minha alma gêmea.

Todo o conceito sobre “pessoas destinadas” era muito vago, pelo menos para mim. Eu não sabia como isso funcionava ou o porquê, mas sabia que existia. Meus pais sempre me contavam como se conheceram no meio de uma multidão na faculdade e como, quando se tocaram, uma sensação de estar em casa invadiu seus corpos. Eu amava ouvir a história deles, especialmente quando eles mostravam a marca que estava gravada em suas peles.

No pulso da minha mãe havia o desenho de uma constelação — de acordo com ela, era Andrômeda — enquanto no pulso do meu pai havia uma frase do livro favorito da mamãe. Era algo simples, mas que me deixava hipnotizado por horas.

Quando eu era pequeno, costumava imaginar como seria minha marca ou quando eu conheceria minha alma gêmea. Seria uma garota ou um garoto? Ele ou ela seria mais alto ou mais baixo que eu? Como seria sua risada? Seríamos completos opostos como meus pais ou teríamos gostos parecidos? Eu acabava dormindo com essas perguntas na minha mente infantil, sempre imaginando diferentes cenários e pessoas com quem eu passaria o resto da minha vida.

No entanto, o tempo foi passando e eu… não encontrei o pedaço que faltava em mim. Namorei algumas pessoas, mas a marca nunca surgiu e meus relacionamentos sempre acabavam quando a outra pessoa encontrava seu destino. A minha fantasia de criança perdia cada vez mais sua cor, até que ela sumiu.

Eu não procurava mais minha alma gêmea e por isso comecei a evitar qualquer romance em minha vida, focando apenas em minha empresa. Fiquei rico e famoso, a Park Company cresceu mais do que o esperado e eu era feliz. Ou quase.

— Tae, eu não quero ir a um encontro — choraminguei — Se eu gostar dela e ela de mim, vamos começar um namoro e eu vou me apegar ainda mais. Então, quando eu estiver completamente apaixonado, ela vai encontrar a alma gêmea dela e eu vou ser abandonado, com um puto coração partido.

— Mas, Chim…

— Eu entendo que queira me ajudar, Tae. Você encontrou o Ggukie e está feliz, quer que todos se sintam como você está se sentindo agora, mas não é assim que eu vou encontrar meu destino. Eu agradeço por você tentar, mas eu realmente prefiro ficar sozinho, ok?

Ele suspirou e fez um pequeno bico, como uma criancinha. Acabei sorrindo. Taehyung era meu melhor amigo no mundo inteiro, ele sempre cuidava de mim e tentava me animar nos meus dias sombrios, mesmo quando eu tentava afastá-lo. Eu o amava muito e estava feliz por, ao menos ele, ter encontrado seu verdadeiro amor.

— Tudo bem, eu desmarco com a Yi, mas você não quer, ao menos, sair para beber comigo e com o Ggukie? — perguntou ele, praticamente me implorando com os olhos. — A gente paga tudinho.

— Você vai pagar tudo? — Ergui uma sobrancelha.

— Tudinho!

— Ok. Mas você vai pagar tudo o que eu beber.

Ele abriu um sorriso quadrado e se levantou, aproximando-se de mim. Só tive tempo de me levantar antes de ser esmagado pelos seus braços ao meu redor. Não pude evitar a risada que escapou quando senti seu cabelo fazendo cócegas em meu pescoço.

Demorou um pouco para ele me largar, dizendo que precisava ir para outra reunião e que só havia passado ali para me ver e falar sobre o encontro.

— Tudo bem, Tae. A gente se fala depois para marcar a nossa saída, ok? — disse, sorrindo.

— Certo — disse ele, assentindo. — Eu preciso mesmo ir. Cuide-se, Chim.

Assenti e acenei para ele, que saiu um pouco apressado.

Quando a porta fechou, eu voltei a me sentar na cadeira e encarei a tela do meu computador, onde eu lia um original que foi selecionado para ser lançado pela minha empresa, que, entre tantas coisas, era uma editora. Eu sempre fui apaixonado por livros e por suas histórias, eu podia ser quem eu quisesse, onde eu quisesse, como eu quisesse. Eu já fui alto, baixo, magro, gordo, com poderes mágicos ou sem, já fui mulher, rei e escravo. Já tive várias vidas em uma só; já tive muitas idades em apenas vinte e seis anos.

O poder dos livros me fez querer cuidar deles, escolher novos mundos e espalhá-los, para que todos pudessem ter a mesma experiência que eu tive. Então eu abri minha própria editora de livros, que se tornou uma das maiores em todo o país.

— Senhor Park? — Minha secretária me chamou, abrindo minimamente a porta. — Posso entrar?

— Claro, senhorita Kang. — Ela entrou e se curvou após fechar a porta.

— Desculpe interrompê-lo, mas o senhor tem uma reunião em dez minutos com a equipe editorial e, às cinco, uma visita à linha de produção.

— Certo. Obrigado por me lembrar — agradeci. — Senhorita Kang, tenho algum compromisso depois das seis?

— Não, senhor.

— Obrigado.

Ela se curvou novamente e saiu, me deixando sozinho. Cocei meus olhos, já cansados de ficar tanto tempo em frente ao computador, mas eu não podia parar. Tinha bastante coisa para ser feita e revisada. Já podia sentir que ficaria com dor de cabeça assim que terminasse tudo.

— Espero que Taehyung pague por todas as minhas bebidas, porque eu não vou voltar sóbrio para casa — resmunguei.

Pelo resto do dia, trabalhei apenas pensando em como iria relaxar à noite.


•••


Já se passavam das sete quando Taehyung apareceu no meu apartamento, acompanhado por Jeongguk, seu namorado. Eles estavam com roupas casuais, o que me deixou um pouco sem jeito de estar usando roupas tão… sociais. Talvez Tae estivesse certo, eu estava tão obcecado com o trabalho que eu nem sabia mais como sair e manter o contato com as pessoas.

— Ei, Chim. Está pronto?

— Oi, Tae. Estou sim — disse, fechando a porta do apartamento.

— Oi, Jimin-ssi — cumprimentou Jeongguk, um pouco formal demais.

— Ggukie, eu já disse que você não precisa ser formal comigo. Me chame de hyung.

Ele apenas assentiu. Desde que nos conhecemos, ele era bastante tímido, ainda que não tivesse um motivo exato para isso. Tae dizia que ele era daquela forma com quase todo mundo, especialmente se fosse um “desconhecido”. Pelo que meu amigo havia me contado, eles se conheceram em uma palestra que Tae participou e Jeongguk estava na plateia. Não me lembrava bem, mas eles se esbarraram depois disso e foi quando descobriram que eram almas gêmeas.

A marca deles era muito bonita. Na clavícula de Jeongguk havia várias manchas coloridas que formavam uma bela aquarela, representando o amor secreto do Tae pela pintura. Já na clavícula do meu amigo, havia o desenho de uma lente de câmera.

Os dois eram apaixonados por arte e acabaram se apaixonando.

— Chim, vamos ficar bêbados! — disse Tae, agarrando-me pelos ombros. — E aproveitar a noite.

— Você já parece estar bêbado — comentei, vendo Jeongguk rir.

— Estou sóbrio!

Não demoramos muito a chegar no bar, que já era o nosso “ponto de encontro” e entramos sem sermos incomodados. Eu não era uma celebridade como o Tae, mas muitas pessoas me conheciam e acabavam tentando me ver de perto. O fato de eu ter vinte e seis anos e ainda não ter conhecido minha alma gêmea causava surpresa nas pessoas, especialmente por eu ser rico e bem-sucedido.

Taehyung sequer esperou sentarmos e já pediu garrafas de soju, bastante carne de carneiro e kimchi, apenas para acompanhar. Ele tinha pouca resistência ao álcool, mas isso não significava que ele bebia menos. Na verdade, ele bebia bem mais do que deveria.

Pouco mais de uma hora depois, ele e Jeongguk estavam tão embriagados que começaram a se pegar na minha frente, só faltava tirarem as roupas e chegarem nos finalmentes. Eu não estava como eles, além da minha alta resistência a bebidas, tinha decidido não beber muito, afinal, alguém precisaria cuidar das crianças.

— Ei, parem de se pegarem na minha frente! — resmunguei, separando os dois enquanto ouvia reclamações. — Eu não vim para cá para ser babá de dois adultos.

— Hyung, você não quer participar também? — perguntou Jeongguk, suas bochechas coradas. Provavelmente do álcool.

— Eca, não. Vamos, eu vou pagar a conta e pagar um táxi para vocês — disse, chamando o garoto que estava nos servindo.

Eles continuaram resmungando por algum tempo, dizendo que eu era sem graça e me comparando ao professor de química que eu e Tae tínhamos no ensino médio. Tive um pouco de dificuldade em pagar a conta porque eu tinha dois idiotas bêbados comigo que não paravam de cantar e esbarrar nas pessoas. Se eu não os amasse muito, eu teria os largado no primeiro mico que me fizeram pagar.

— Ei, idiotas — os chamei. — Já chamei um táxi para levar vocês para casa.

— E você, Chim?

— Vou com o carro de vocês. Está tarde e eu preciso ir para casa.

Nenhum dos dois respondeu, então apenas os guiei até a saída, onde um carro já nos esperava. Tirei uma nota de cinquenta e paguei ao motorista, dizendo qual era o endereço que ele deveria deixar o casal. Eu só esperava que eles não fizessem nada inapropriado dentro do carro.

— Entrem — ordenei. — Ele vai levar vocês.

— Uhu, vamos viajar! — gritou Jeongguk, animado. — Para onde vamos, hyungie?

— Para casa.

— Casa? Mas lá em casa é tão chatooo — disse ele, fazendo um biquinho, que não durou muito até ele encarar Taehyung. Mais especificamente, algo dentro de sua calça. — Deixa para lá, eu posso usar o pau do hyung como pula-pula.

Eu poderia ficar chocado com a frase dita pelo mais novo, mas eu estava tão acostumado com a sem-vergonhice dos Taegguk que apenas ignorei. No entanto, eu não fui o único que ouviu o que o mais novo disse. O motorista parecia um pouco chocado e eu estava rezando que os idiotas não falassem mais do que deveriam. Tae estava mais quieto, provavelmente já estava ficando sonolento. Dei um beijo na testa dos dois e esperei o carro se afastar para poder ir até o veículo do casal.

Estava cansado, com dores nas costas e morrendo de dor de cabeça. Queria ter bebido um pouco mais, talvez não estivesse tão estressado como eu estava.

— Nunca mais saio com esses dois — resmunguei, dando partida. — Na verdade, nem sei por que ainda aceito sair com eles. Ou eu fico de vela, ou de babá.

Eu não estava bravo com eles de verdade, só estava com a mente cheia de coisas e aquela era a forma que eu encontrei para desabafar. Apesar da empresa estar estável e não ter nenhum grande problema, ainda era estressante ter que cuidar de tantas coisas ao mesmo tempo. E ainda lidar com uma cobrança constante para que eu tivesse um parceiro ou parceira, mesmo que não fosse minha alma gêmea.

Tudo isso era cansativo. Toda a pressão que colocavam em cima de mim, dizendo “Você é dono de um império e precisa de alguém ao seu lado”. É claro que eu sabia que existiam pessoas que não tinham almas gêmeas, também sabia que, mesmo que encontrasse a minha, não significava que, necessariamente, nós teríamos um romance, mas eu tinha tantas esperanças...

— Será que eu vou conhecer minha outra metade? — sussurrei, voltando a acelerar quando o sinal abriu.

Fechei os olhos por alguns segundos, apenas para respirar fundo e voltei a abri-los, ficando um pouco confuso ao notar que havia neblina na estrada, o que era muito estranho já que eu estava praticamente no coração de Seul. Olhei ao redor e não vi nenhum outro carro, na verdade, eu comecei a perder a visibilidade de qualquer coisa ao meu redor. Tentei forçar minha vista, mas tudo estava terrivelmente branco.

— Mas que porra? — resmunguei, aumentando o farol.

Decidi acelerar, talvez eu conseguisse sair daquela neblina mais rápido. Assim que comecei a pegar velocidade, uma sombra apareceu no meio do caminho e eu, num reflexo, joguei o carro para o lado. Eu esperava uma batida de alto impacto, mas pude ouvir o som de algo partindo e, logo em seguida, eu estava caindo.

Não fazia ideia de como eu havia parado numa ponte, mas era tarde demais para pensar naquilo. Eu estava afogando.


•••


Frio.

Eu estava sentindo muito frio.

Tinha algo grudado em meu corpo, mesmo que eu ainda não fosse capaz de sentir completamente todos os meus membros. Eu não conseguia abrir meus olhos, eles estavam pesados demais — ou estavam grudados com cola, quem sabe —, o que me deixava assustado por não saber onde estava. A única coisa que dava para identificar era o barulho de água indo e vindo.

“Água?”, pensei, forçando-me a lembrar o que havia acontecido e onde eu estava. A última lembrança que eu tinha era de ter ido beber com Taehyung e Jeongguk, que ficaram soltinhos até demais e eu... Droga, minha cabeça doía só de tentar lembrar.

Não sei por quanto tempo eu fiquei ali, onde quer que fosse, mas quando pude finalmente abrir meus olhos, o céu estava claro, como se fosse de manhã cedo. Tentei erguer meu corpo, mas estava dolorido demais para conseguir de primeira, então precisei tentar algumas vezes antes de conseguir me sentar.

Olhei ao redor e notei que eu estava sentado perto de um rio — muito bonito, por sinal — e, atrás de mim, havia um campo aberto. Estreitei os olhos, havia um lugar assim em Seul? E se existia, como eu havia parado ali? Eu estava muito confuso e dolorido, sequer sabia o que fazer. Será que alguém estava fazendo uma pegadinha comigo? Essa parecia a única explicação para toda aquela situação bizarra.

Uma rajada de ar me acertou enquanto eu estava absorto em pensamentos, fazendo-me tremer com o frio que se apossou do meu corpo. Foi só então que eu percebi que estava completamente encharcado.

— Se isso for coisa sua, Kim Taehyung, você vai se ver comigo! — murmurei, irritado.

Demorou um pouco para que eu conseguisse me levantar, mas assim que o fiz, percebi que meu corpo não estava tão dolorido. Eu só queria entender o que tinha acontecido e o porquê de eu estar ali.

Comecei a caminhar pelo campo, procurando alguém que pudesse me explicar o que diabos estava acontecendo, no entanto, a única coisa que eu encontrei foi uma placa de madeira indicando que eu estava perto da cidade de... Hanseong.

Hanseong era o nome de Seul na era Joseon.

— Puta merda! — Se eu estivesse um pouco tonto, teria caído.

Era verdade que a ciência não sabia explicar o fenômeno das almas gêmeas, mas eles haviam descoberto algumas coisas. Existiam pessoas que não possuíam outra pessoa destinada, assim como havia pessoas que tinham mais de uma. Havia uma descoberta, no entanto, que eu nunca parei muito para saber sobre. Às vezes, muito raramente, duas pessoas destinadas nasciam em tempos diferentes e, por isso, uma das duas era enviada para o tempo da outra.

Como eu acreditava que isso era uma chance muito improvável de acontecer comigo, nunca pensei em pesquisar mais sobre aquilo, então eu não fazia ideia do que fazer. Se a minha teoria estava certa, eu estava em Seul, de cento e vinte e cinco anos atrás, e eu precisava encontrar a minha alma gêmea.

Porém, eu tinha dois pequenos problemas: 1) a minha pessoa poderia estar em qualquer lugar e ser qualquer um e 2) eu não fazia ideia de como achá-la.

— Parabéns, Park Jimin, você já começou bem.


•••


Eu estava andando fazia quase uma hora quando avistei a cidade. Diferente de Seul, Hanseong não tinha prédios enormes, ruas pavimentadas ou telões de LED por todo lugar. Na verdade, era completo oposto. Havia muitos animais espalhados pelas ruas, além de muitas crianças que corriam umas atrás das outras. De certa forma, era uma paisagem bonita. Pude ver várias mulheres usando vestidos tradicionais e os mais variados frutos sendo vendidos em pequenas barracas.

Certo, eu precisava pensar numa forma de saber exatamente onde eu estava, ou conseguir qualquer informação sobre onde e quando eu estava. Eu estava tão arrependido de não ter estudado mais sobre viagens no tempo — e talvez ter prestado mais atenção nas aulas de história — porque eu não fazia ideia do que fazer. Ou para onde ir.

Respirei fundo. Eu precisava de informações e, obviamente, as pessoas dali tinham muito mais do que eu. Com cuidado, aproximei-me de uma mulher que vendia algumas frutas muito apetitosas, mas eu sabia que não era bem-vindo quando ela estreitou os olhos na minha direção. Acabei desistindo de me aproximar, sabendo que meu estado não era muito favorável.

Minhas roupas e pele estavam sujas de lama, além de eu ainda estar úmido.

Voltei a caminhar, vendo que eu estava perto do centro. Mais e mais barracas tomavam conta das ruas, por onde inúmeras pessoas passavam. Vi aquilo como uma oportunidade de tentar encontrar minha alma gêmea. Eu só precisava esbarrar nas pessoas, certo? Ali estava cheio de pessoas, o que eu precisava fazer era entrar no meio e esperar tocar o destino.

Em pouco mais de dez minutos, várias pessoas, homens e mulheres, esbarraram em mim — e algumas me xingaram —, mas não senti nada diferente. Nenhuma conexão, nenhum sentimento de felicidade ou pertencimento. Nada.

— Que coisa estúpida... — murmurei, olhando ao redor. — Que caralhos eu estou fazendo aqui se eu já esbarrei com metade das pessoas daqui e não senti nada?

Havia muitas pessoas gritando, oferecendo frutas, carnes e tecidos. Era uma típica feira, mas tudo aquilo estava me deixando ainda mais agitado e tonto. Eu precisava sair dali, mesmo que eu não tivesse conseguido nenhuma informação nova.

Eu já sabia que estava em outro século. Também sabia que estava em Hanseong, a Seul de 125 anos atrás. Eu tinha que encontrar minha alma gêmea para voltar? Tinha alguma missão antes disso?

Eu não fazia ideia.

Comecei a andar, procurando um lugar mais tranquilo. Minha cabeça estava começando a doer e meu corpo estava dando indícios de que eu estava ficando sem forças. Enquanto eu caminhava, vários vendedores me ofereciam suas mercadorias, mas eu recusava o mais educadamente que eu podia. Eu só queria encontrar algo que me dissesse o porquê de eu estar ali.

Pouco depois, consegui sair da parte mais movimentada e encontrei um caminho que me levou até um campo aberto, parecido com o que eu havia acordado. Ali era bem mais silencioso e o máximo que eu podia ouvir era algumas crianças correndo e brincando, além do som dos pássaros. Fiquei olhando ao redor por algum tempo, tentando achar algo que fosse familiar, mas meu olhar se fixou em um homem que estava encostado numa árvore de cerejeira. Ele parecia estar dormindo, porque seus olhos estavam fechados e parecia muito sereno.

Notei, no entanto, que segurava um livro. Pelo jeito, era um livro antigo porque a capa estava amassada e amarelada. Não era como os livros que eu estava acostumado, com uma capa bonita e letras chamativas, mas ainda era um livro.

Decidi me aproximar, afinal, ele parecia a pessoa mais normal desde que acordei totalmente molhado, em um século totalmente diferente.

Quando me aproximei, vi que ele era bonito, tinha feições estranhamente jovens e uma pele pálida demais para um coreano. Como eu pensei, ele realmente estava dormindo. E sua boca estava aberta. Como alguém podia dormir em público e com a boca aberta como ele estava fazendo?

— Ele está babando? — perguntei-me, segurando o riso. — Será que é falta de educação acordar alguém nessa situação?

Aproximei-me mais, a ponto de tocar sua testa, quando uma pequena folha da flor de cerejeira flutuou até a boca do homem, que abriu os olhos de repente e soltou um gritinho. Ele acabou caindo para o outro lado, junto com seu livro, e começou a cuspir, provavelmente achando que algo tinha entrado em sua boca.

Meu Deus, o cara parecia estar morto uns segundos antes e depois começou a surtar por causa de uma pétala. Onde eu fui me meter?

Assim que ele parou o pequeno surto, seus olhos se fixaram em mim, parecendo um pouco confuso. Eu não sei se estava explícito no meu rosto o quão desnecessário era aquele ataque que ele teve.

Ficamos nos encarando por algum tempo e eu tinha quase certeza que ele estava desconfiando de mim, talvez pensasse que eu era um ladrão. Eu não tirava a razão dele, eu estava imundo e podia apostar que estava fedendo.

— Posso... ajudar? — perguntou ele, e, meu deus, que voz era aquela?

— Ah, s-sim... Por favor, me desculpe se eu te assustei, não era minha intenção — respondi, um pouco tímido.

— Tudo bem... — Com certeza, ele estava desconfiado. — Como posso te ajudar?

— Estou perdido, não sei exatamente onde eu estou... — Suspirei. — Na verdade, não sei nem para onde ir.

— Você é estrangeiro? — perguntou o homem, já se levantando. — Hum... Você não parece ser estrangeiro.

— Não exatamente. Sou coreano, mas moro muito longe daqui.

Ele não pareceu muito satisfeito com a minha resposta, mas não falou nada depois disso. Com isso, desviei meu olhar de seu rosto e pude dar uma boa olhada em suas roupas. O tecido fino denunciava que era um tecido de qualidade, caro. Na verdade, pelas minhas aulas de história, aquilo era um uniforme.

— Você é algum nobre? — perguntei, percebendo, tarde demais, o que tinha feito.

— Sou filho do general Min Youngsoo — respondeu ele, parecendo levemente orgulhoso. — E você?

Eu sabia que talvez ele não acreditasse em nada que eu dissesse, eu estava fedendo e malvestido, mas decidi contar meias verdades.

— Eu trabalho com livros, sou apaixonado por eles — respondi, tentando ser o mais honesto possível.

— Você trabalha com livros? Sério? — Podia jurar que vi seus olhos brilharem. — Eu amo livros!

De uma hora para outra, o homem, que descobri se chamar Min Yoongi, passou de desconfiado para animado. Não fazia ideia de quando ele ficou tão excitado sobre o assunto, mas quando me dei conta, estávamos conversando sobre nossos livros favoritos. Inclusive o que ele segurava, que era um clássico — na minha época — e também era um dos meus favoritos.

Falar sobre histórias sempre me deixava bobo e eu adorava conversar com outras pessoas sobre minha paixão. Yoongi tinha bom gosto, mesmo que a maioria de suas histórias favoritas eu nunca tenha nem ouvido falar. Em pouco tempo, ele já não parecia mais um desconhecido. Eu me sentia completamente confortável em estar com ele, sua presença me fez esquecer a minha situação atual.

De vez em quando, eu perguntava coisas sobre Hanseong, tentando descobrir alguma informação importante, então eu escutava atentamente tudo o que ele dizia, mesmo as coisas mais bobas. Ainda assim, não descobri nada que fosse útil.

— Jimin-ssi, você não possui nenhuma mala? Ou tem algum lugar para dormir? — perguntou ele, franzindo a testa.

— Eu... Hã... Não. — Como eu poderia explicar que eu era do futuro sem parecer louco? — Eu não trouxe nada comigo e eu estou num lugar que nunca estive antes...

Yoongi demorou a responder, ele apenas ficou me olhando, como se estivesse me analisando. Havia algo no seu olhar que me deixou tímido e, mesmo que fôssemos do mesmo tamanho, eu me sentia minúsculo ao seu lado. Ele cruzou os braços e continuou me olhando por mais algum tempo, antes de suspirar e balançar a cabeça.

— Espero não me arrepender... — murmurou ele antes de voltar a me olhar. — Você pode ficar na minha casa até conseguir um lugar para ficar ou descobrir para onde ir.

— Eu agradeço, mas eu não posso — Que merda eu estava falando? Eu precisava de lugar para ficar.

— Olha, Jimin-ssi, você não tem para onde ir e é muito perigoso à noite — explicou ele. — Não quero que você corra perigo quando eu posso te dar abrigo.

Mordi meu lábio e o encarei, sentindo meu peito se contrair. Não era um sentimento ruim, era só... diferente. Parecia que eu confiava em Yoongi, mesmo sem conhecê-lo de verdade. No que pude conhecer até aquele momento, ele não era uma pessoa ruim.

Foi impossível não sorrir enquanto eu assentia. Pela primeira vez, eu me senti seguro.

— Yoongi-ssi? — perguntei, vendo como ele estava com o olhar perdido. — Tem alguém aí?

— O quê? — Ele piscou algumas vezes antes de voltar a falar. — Desculpe, eu... me distraí.

— Eu aceito ficar na sua casa, por enquanto — disse, sorrindo.

— A-Ah. Certo, então... Vamos para minha casa. Preciso te mostrar tudo.

Com isso, eu o segui pela cidade. Enquanto caminhávamos, meu coração bateu mais forte. Eu só não sabia o porquê.


•••


A casa de Yoongi era grande, digna de um rei. E não era para menos, durante nossa conversa no caminho até lá, descobri que, além do filho de um general, Yoongi era um dos sobrinhos favoritos do rei. Isso explicava o porquê de seus trajes serem tão caros — para a época — e porque ele tinha tantos guardas e criados.

Não tivemos dificuldade de entrar lá, afinal eu estava com o dono da casa, mas percebi os olhares de desconfiança e nojo sobre mim. Eu tinha certeza que estava imundo e fedido.

— Vamos, Jimin-ssi. Irei te mostrar onde você vai ficar e você vai poder se livrar desses... trajes — disse ele, guiando-me pelos corredores do lugar. — Após o seu banho, eu o levarei para a cozinha, onde você poderá comer algo.

— Obrigado, Yoongi-ssi — agradeci, curvando-me levemente.

Pouco tempo depois, entramos em um quarto. Era simples, exatamente como os dramas que eu assistia mostravam. Não havia uma cama, apenas um colchão antigo dobrado e um biombo, onde provavelmente eu poderia trocar de roupa.

— Pedirei que tragam água para você se lavar e roupas limpas.

Antes que eu pudesse falar algo ele saiu e logo em seguida algumas mulheres — criadas — surgiram segurando baldes de água, que elas despejaram no que parecia uma banheira. Yoongi falou algo e saiu novamente, deixando-me sozinho com as quatro criadas, que encaravam o chão, como se estivessem esperando algo.

— Hum... Vocês vão ficar aí? — perguntei, um pouco tímido.

— Yoongi-ssi nos mandou lhe dar toda assistência — respondeu uma delas.

— Não precisa. Sério, eu sei me virar — eu disse, quase gritando.

Elas se entreolharam e se curvaram, saindo do quarto em fila. Notei que elas haviam deixado dois potes perto da “banheira” e agradeci mentalmente ao notar que eram sais de banho. Sem mais delongas, eu tirei minhas roupas, aliviado por finalmente poder me livrar de toda a sujeira, e entrei na água morna. Meus músculos relaxaram quase que imediatamente e eu quase gemi com a sensação gostosa.

Adicionei os sais e comecei a me lavar devagar, apenas apreciando o banho. Estava tão gostoso...

Não demorei muito, especialmente quando a água começou a esfriar. Assim que fiz menção de sair da banheira, uma das criadas de antes entrou no quarto, segurando alguns tecidos — provavelmente alguma roupa de Yoongi. Pedi novamente para ela sair enquanto eu me trocava. Era constrangedor tem alguém me olhando nu, especialmente alguém que eu não conhecia.

Foi um pouco complicado colocar a roupa, não era como no meu tempo. Os trajes tradicionais tinham muitas camadas e o fato de não ter uma cueca — uma simples cueca — me deixava um pouco desconfortável.

Bastou eu estar completamente vestido para Yoongi entrar no meu quarto, segurando uma bandeja lotada de comida. Havia muitas frutas, alguns pedaços de carne — eu tinha quase certeza — e arroz. Também tinha um líquido parecido com sopa, mas não tive como dizer na hora.

— Pedi para prepararem algo para você, mas não tinha muita coisa.

— Não tinha muita coisa? Isso é mais do que eu como o dia inteiro.

— Minha roupa serviu em você — disse ele, colocando a bandeja numa mesa perto de si.

— Sim, temos o mesmo tamanho — concordei, amarrando a parte final do traje. — Obrigado, Yoongi-ssi.

— Pela roupa?

— Por tudo. Eu estava bem perdido e ainda estou, mas me sinto mais seguro estando aqui.

Ele pareceu um pouco sem jeito, mas assentiu.

— Bem, coma, tenho que te apresentar o resto da casa.

Assenti, feliz de poder finalmente comer.


•••


Quase uma semana depois, eu estava me acostumando com a vida no passado. Era chato, de vez em quando, não tinha internet nem nenhum tipo de tecnologia, além de ser quente para um senhor caralho, mas eu não tinha nenhum estresse relacionado ao trabalho e podia aproveitar a companhia de Yoongi.

Durante o tempo que fiquei na casa dele, não vi nem a sombra de seu pai — de acordo com o mais velho, o general estava numa viagem diplomática com o rei — e me senti muito aliviado por isso. Não sabia como poderia explicar que eu era do futuro e que eu não fazia ideia do que estava fazendo ali.

De qualquer forma, eu estava gostando dali. Claro, eu sentia falta dos meus amigos e da minha empresa, mas estar ao lado de Yoongi era algo que eu não queria perder tão cedo.

Ele era o oposto do que parecia. Seu jeito indiferente e até mal-humorado quando estava na frente de outras pessoas era apenas uma máscara, que caía sempre que estávamos a sós. Yoongi era muito fofo, tinha o sorriso mais doce e infantil que já tinha visto, além de ser extremamente carinhoso e gentil. Nossas conversas tinham como foco os livros que líamos ou algo que gostávamos, mas também começamos a falar sobre nós mesmos.

Descobri que ele não gostava do que as pessoas pensavam dele, havia um boato que ele era antipático e cruel por causa de seu pai, além de ser esnobe por ser sobrinho do rei. Ele odiava que o conhecessem apenas por “Min Yoongi, filho do general e sobrinho do rei”. Ele tinha sonhos e nenhum deles se encaixavam no seu futuro.

Mesmo assim, ele não deixava de ter esperanças. Era fofo ver como ele tinha sonhos de viajar o mundo, conhecer coisas novas e poder ser conhecido por ele mesmo, não ser a sombra de sua família.

— Hyung, podemos arrumar algo para comer? Estou faminto — sugeri, vendo o mais velho assentir.

Fizemos nosso caminho até a cozinha, que estava vazia. Eu sabia que não teria ninguém, estava muito tarde para alguém estar trabalhando, e eu amava isso. Eram nesses momentos que eu e Yoongi podíamos conversar livremente. Começamos a vasculhar o lugar, encontrando uma garrafa de soju e alguns biscoitos de mel, provavelmente eles haviam sido feitos para o café da manhã.

Pegamos algumas frutas e fugimos até o jardim, onde nos sentamos para admirar as estrelas. Ficamos em silêncio por algum tempo, revezando entre olhar o céu e comer. Comecei a pensar, então, como seria quando eu voltasse para o meu tempo. Como Yoongi ficaria? Ele sentiria minha falta? Ele se esqueceria de mim?

— O que foi, Jimin-ah?

— Hyung... Como vai ser quando eu tiver que ir embora? — perguntei, encarando meus dedos. — Porque, eu não sei, eu sinto que pode acontecer a qualquer minuto.

Só o pensamento de ir embora e ficar sem o cheiro de Yoongi, a comida que ele preparava, o sorriso dele, a voz, sem ele me deixava desesperado. Criamos uma conexão tão forte em tão pouco tempo e eu não queria perder aquilo.

E ainda tinha o fato de que eu não havia encontrado minha alma gêmea. Será que eu tinha alguém mesmo? Será que tudo aquilo não era apenas um erro do destino?

— Eu não queria pensar nisso, mas é inevitável. Eu não posso fazer nada para impedir a minha volta.

Yoongi parou de olhar para o céu e me encarou. Eu sentia o peso do seu olhar sobre mim e aquilo me fez querer chorar. Eu sentiria tanta falta daquilo, da nossa conexão...

Olhei-o, sentindo meu peito se contrair. Ele também não queria me deixar ir. E isso doía. Eu não quis pensar, durante o tempo que estávamos juntos, mas um sentimento forte havia nascido entre nós dois. Era algo intenso, algo que eu não poderia controlar. E era desesperador.

— Como você sabe disso? — Pisquei. Do que ele estava falando? — Como você tem tanta certeza que você vai embora?

— Eu só... eu só sei. — murmurei. — E eu vou para muito, muito longe. Tão longe que nunca mais iremos nos ver. O pior de tudo é que... eu nem sei por que estou aqui, mas... cada segundo aqui valeu a pena porque eu conheci você, hyung. Isso fez meus vinte e seis anos valerem cada segundo.

Ele ficou calado por algum tempo, antes de se aproximar de mim a ponto dos nossos narizes quase se tocarem. E aquilo destruiu o meu coração porque, mesmo nunca tendo o tocado, eu sabia que não existiria ninguém, nem mesmo minha alma gêmea, que me fizesse sentir como eu estava me sentindo.

Nem senti quando as lágrimas caíram, mas o soluço que escapou da minha boca fez Yoongi abrir os olhos. Ele encarou as gotas que escorriam pela minha bochecha e deu um sorriso fraco antes de começar a esfregar seu nariz, levemente, por ali. Seu toque era tão leve que eu mal podia sentir.

— Não chora, Jimin-ah... Você fica muito mais bonito sorrindo, sabia?

Aquilo só me fez chorar ainda mais porque eu não queria ir embora. Não queria deixar Yoongi sozinho, não queria me separar dele. Eu seria capaz de trocar todos os milhões em minha conta, a minha empresa, minha casa, tudo só para poder ficar com ele. Eu sabia, lá no fundo, que, desde o momento em que falamos embaixo daquela árvore de cerejeira, estávamos conectados, mesmo que não estivéssemos destinados a ficarmos juntos.

Destino filho da puta. Como pode ter me mandado até ali para encontrar Yoongi, que sequer era minha alma gêmea, e tirá-lo de mim? Como o destino pôde brincar com meus sentimentos daquela forma?

Eu imaginei, algumas vezes, Yoongi e eu como almas gêmeas. Aquela nossa conexão era tão profunda que me deixava imaginando como seria se nós dois fossemos destinados.

— Hyung... Você também sente? — perguntei, num sussurro.

— Desde o momento que você sorriu para mim. — E eu chorei mais um pouco, afastando-me minimamente dele para poder limpar o rosto. — Ei, não chora. Isso faz meu coração doer...

Eu queria poder gritar, queria xingar o destino e mandá-lo se foder, mas eu nem tinha forças para isso. Tudo o que eu mais queria era aproveitar o pouco tempo que eu tinha com Yoongi. Por isso, eu apenas voltei a encará-lo, vendo que ele tinha um pequeno sorriso nos lábios.

Ah, aqueles lábios... Eu precisava experimentá-los, nem que fosse uma única vez.

Sem hesitar, ergui minhas mãos e envolvi o rosto dele, voltando a chorar quando senti uma corrente quente subir por minha coluna e embalar meu coração. Eu não sabia como descrever aquele sentimento. Era como chegar em casa depois de um dia cansativo, como tomar banho quente para relaxar os músculos, como comer minha comida favorita. Era um sentimento tão bom e... intenso.

Nunca imaginei que fosse encontrar minha alma gêmea numa situação daquela, muito menos com um desfecho tão triste. Naquele momento, mais do que nunca, eu sentia que estava prestes a ir embora.

— Hyung...

— Meu tempo é onde você está, Park Jimin, e mesmo que você não esteja comigo amanhã, meu coração sempre estará com você e ele não será de mais ninguém.

Yoongi segurou meu pulso e o olhou, vendo duas pequenas luas minguantes surgirem ali. Desviei meu olhar para o pulso dele, onde o desenho de um livro, o meu favorito, apareceu.

Era oficial, Yoongi era a minha alma gêmea, a pessoa por quem eu esperei tanto tempo e quem eu perderia mesmo antes de poder ter.

Não discutimos sobre, sequer abrimos a boca. Apenas ficamos ali, olhando-nos, conectando-nos. Em algum momento, nós nos inclinamos até nossos lábios se tocarem. E todas as emoções que eu estava sentindo se multiplicaram, porque além de nossas almas terem se conectado, agora nossos corações também.

Naquele momento, eu não precisava de nada. Eu tinha Yoongi comigo.


•••


Quando abri meus olhos, no dia seguinte, eu senti uma vontade enorme de chorar. Meu peito estava doendo e eu sabia, já não estava mais em Hanseong. O bip das máquinas que monitoravam o meu coração me fez ter certeza que eu estava de volta para o meu tempo e isso só fez as lágrimas caírem, sem que eu pudesse evitar.

— Chim? Aí meu deus, você acordou! — A voz de Taehyung soou aguda. — Ggukie, chama o médico!

Eu tentei me levantar, mas meus músculos reclamaram, como quando acordei, antes de encontrar Yoongi.

Yoongi.

— Não, não — murmurei, enquanto chorava, cada vez mais alto. — Yoon!

— Jiminnie, ei — Taehyung segurou meus ombros e meu rosto. — Acalme-se, Chim. Estou aqui.

— Tae, eu preciso... O Yoon, eu preciso vê-lo.

— Yoon? Do que você está falando, meu amor? — perguntou ele, tentando me acalmar. — Olha, respira fundo. Você sofreu um acidente ontem e estava desacordado desde então.

— Ontem? Você... você está dizendo que só se passou um dia?

— Sim... Você parece estar confuso, Jiminnie. Fica aqui, o médico já deve estar chegando.

O meu amigo se afastou, indo até a porta, e eu aproveitei enquanto ele não me olhava e ergui meu pulso, sentindo meus olhos marejarem quando notei as duas luas minguantes no meu pulso, exatamente como eu lembrava.

— Não foi um sonho, não foi um sonho, não foi um sonho... — continuei murmurando, sem saber se eu estava feliz ou triste. — Você foi real, Yoon...

“Meu tempo é onde você está, Park Jimin, e mesmo que você não esteja comigo amanhã, meu coração sempre estará com você e ele não será de mais ninguém.” Sua frase se repetia em minha mente, e foi isso que me fez ter esperança.

Esperança de que, um dia, eu o veria de novo.

23 de Junho de 2021 às 19:59 1 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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2Min Pjct Projeto de fanfics do shipp Yoonmin (Yoongi & Jimin) do grupo sul coreano BTS Nos encontre também no wattpad, sweet, spirit e twitter.

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Mimi 2320ls Mimi 2320ls
Aí, eu amei tanto essa fic. Será que o Ji vai encontrar o Yoon de novo? Queria tanto uma continuação. 🥺💜😭
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