anjosnegros Ellen Batista

A ruiva furacão era lá no fundo alguém em busca de voltar para si… O moreno pecado nem sabia que tinha se perdido até ver cachos de um vermelho incomparável… Ela tinha decidido ser feliz, e ninguém nem a idade seriam impecilhos. Encheu-se de coragem e seguiu. Ele soube que precisava dela, desde a primeira vez, e quando ela disse até nunca mais, ele não pode deixa-la ir… A princípio ela tinha ficado por dinheiro…mas tinha continuado por que já não podia ignorar o que sentia por seu doce rapaz… E nem as lágrimas da busca, toldaram a beleza do presente.


Romance Suspense romântico Para maiores de 18 apenas.

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Vazios finalmente cheios

Ela moveu-se devagar, sabia o quanto ele odiava contato físico, e o quanto ela nunca tinha reclamado a ausência de tal, até conhecê-lo.

Dava pra ver a ansiedade se formando pelo modo inconstante que ele movia as mãos, e se viu no mesmo estado porém,entre seus dedos a bijuteria comprada em um brechó pequeno numa rua estranha a exatos dois anos. De quem será que tinha sido, estava muito bem cuidado, era uma simples corrente em tom de prata, com pontos de luz que era provável serem de plástico.

Colocou deliberadamente o colar no pescoço dele. — Se quebrar o meu colar eu vou te bater. — Afirmou.

— Me solta. Me solta. — Ficou aflito.

— Dance comigo, meu corpo junto ao seu. — Sabia bem o erro que estava cometendo. — Se vai insistir nesta loucura de me ter — Ela pontuou as palavras dele. — Terá que me tocar, ficar sob meu corpo algumas vezes.

Son Ko-yeon sentiu como se tudo fosse ruir, a fobia social específica era uma realidade desde o tempo de Treeinen, não que muita gente se importasse dele tomar ansiolíticos para disfarçar aquela angustia.

Sentiu o corpo dela encontrar o seu, e sua cabeça repousar na curva do pescoço, fechou os olhos sentindo a música latina sensual, assim como o cheiro e o calor dela tomarem os seus sentidos.

Sentiu a tensão e a paixão travarem uma luta em seu ser debilitado, e sofrido.

Se apaixonar por ela fora rápido e instantâneo, ela estava lá e ele vira assim que chegara, a começar pelos cabelos, ruivos, muito ruivos, com cachos bagunçados e ela tinha também incriveis sardinhas na sua pele clara e um corpo que chamava a sua atenção, era inevitável não olhar e o efeito, bom, era de deixar um pobre celibatário muito desesperado.

Ela não parecia ter pressa, as garotas seriam divididas em grupos de cinco, antes de ter seu tempo, comprado e muito bem pago pela atenção dele por exatos dois minutos. Enquanto as outras garotas brigavam para serem as primeiras ela simplesmente sentou-se no fundo da sala e colocou seus fones de ouvido. E ele fora dopado, tentar ser simpático com estranhos a tocar seu corpo sem estar anestesiado pelos remédios era complicado.

E por curiosidade a tinha esperado, o quanto? Para ele parecia uma eternidade. Lá estava ela no último grupo, conversando alegremente com as outras meninas, elas tinham se sentado longe dele e então tirado uma embalagem térmica da mochila a estendendo pra ele. O quinteto de garotas espanholas falavam em um inglês perfeito mas ela falava também chinês, coreano, e tailandês, o pai dela tinha sido um militar a serviço de um embaixador, ele soubera depois.

Moveu-se o corpo dela no seu, relembrando como tinha se apaixonado por ela, e como tinha feito de tudo para tê-la pra si, a despeito dos inúmeros avisos.

Lembrava de seu staff ter dito que cada uma só tinha dois minutos, e elas tinham retrucado que dez minutos era o suficiente pra um lanchinho com ele, e no pote salada de frutas, onde ele pode avistar kiwi, e banana, abriu um sorriso elástico pra elas diante de suas frutas favoritas

Tinham sido os dez minutos mais rápidos da vida, Nath o nome da ninfa ruiva, tinha lhe explicado que as frutas eram brasileiras presentes das fãs para aquele momento, e quando fora avisado do fim, e os garotos de seu grupo se juntaram a si, elas tinha saladas específicas para cada um, e a conversa se estendeu de modo indeterminado, era como uma sinergia nunca encontrada antes, mesmo que o quarteto estivesse acostumado a ser amado e mimado por suas fãs.

E fora assim que a equipe Mather surgira, uma equipe de mulheres responsáveis pelo bem estar do grupo pelos dois meses que a turnê europeia duraria. E assim então eles tinham mudado tão rápido que parecia um encontro de eras, e ele se abriu sobre sua fobia e se aberto também a ela sobre estar apaixonado.

Já Nath sentiu as lágrimas queimarem a pele, enquanto se movia com ele, aceitar o que sentia era como uma navalha a rasgar os retalhos que sobraram de si depois de 3 anos de um relacionamento abusivo que tinha lhe resultado ser mãe solo de um garotinho maravilhoso, e ter uma série de transtornos como síndrome do pânico, depressão e ansiedade.

Ko-yeon era seu Utt num grupo de pop coreano em ascenção naquele momento, ainda distante de grupos como BTS e Black Pink, mas com muitos fãs, e ela era uma dessas, uma mulher na casa dos trinta perdendo a noção por causa de um garoto de apenas vinte quatro anos de quem ela só teria uns poucos encontros furtivos e muito ódio de todas as outras fãs, prevendo que eles nunca teriam um felizes para sempre.

Ergueu o nariz ao pescoço perfeito, seu 1,65 passava muito longe do 1,80 dele, era um homem lindo e tão frágil quanto aparentava forte.
Estancou fazendo um anel da corrente barata estourar, fazendo a peça cair no chão assustando o moreno.

— Tem certeza dessa coisa que diz sentir por mim? — Perguntou mesmo com o medo e a tensão retesando cada nervo.

— Eu tenho. — Tocou com a ponta do indicador as gotas douradas. — Eu adoraria saber até onde vão, essas gotas de ouro puro, assim como a extensão desses sentimentos porque eu realmente amo você e estou genuinamente feliz por ter te encontrado.

— E eu estou triste pelo mesmo motivo. Porque amar você significa sofrer muito. — Tocou o rosto triste dele, antes de selar os lábios nos dele se rendendo ao momento.

Quando ele a erguia do chão e a levava consigo ela tentava esquecer os motivos de não ter tido homem nenhum naqueles últimos dois anos, ela tentava enterrar o medo e a tristeza contida em si, com o beijo delicado e respeitoso dele, com as sensações que o extremo cuidado dele lhe proporcionavam.

Fazer amor com ele, não se comparava com nada que ela tivesse vivido até então. E pra ele, foi como se pudesse novamente confiar seu corpo a outra pessoa, como abrir uma janela de esperança na dor.

— Pare de me olhar. — Cobriu o rosto envergonhada.

— Mas você é tão, tão linda. — Enrolou uma mecha dos belos cabelos ruivos nos dedos. — Deliciosamente linda. Tenho que admirar, até porquê a minha imaginação que eu considerava grande, não faz jus ao que encontrei sob esses trapos que não te merecem. Descobri que prefiro te olhar assim.

— E você é um safado. Pare já com isso que eu estou acima do peso, tenho peito demais, estrias e marcas do parto…

— E quando eu vou conhecer seu filho? — Questionou mudando o assunto.

— Nunca. — Afirmou séria vendo ele se assustar. — Quer fingir que isto aqui não tem data pra acabar, finja. Mas tem e meu filho não vai sofrer uma perda traumática de novo.

— Mas eu não estou em uma aventura, eu nem sei o que é tal coisa. Nath…

Ela suspirou a exasperação, a entonação coreana do seu nome nos lábios dele, capturavam seus sentidos, acendiam e faziam arder a pele alva, tornando-a um tomate suculento como o mesmo tinha dito várias vezes, então lhe encarou a boca carnuda, os olhos que pareciam lhe sorrir, e os cabelos molhados de suor. — Sinceramente, será que pode tentar não ser o mal caminho todinho, por que eu sou sedentária.

Ele gargalhou, a virada na conversa e a tentativa de retirada do foco que ela fez foi cômica pra ele. — Você não vai fugir dessa conversa. Quero conhecer seu filho, quero estar na sua vida, e ele é a sua vida.

Nath mordeu muito forte o lado interno da boca, aquele era o seu felizes para sempre, ter alguém que entendesse que estar na vida dela, significava ganhar um filho, e ter responsabilidade nisto. Montou nele vendo as reações descortinadas a inocência mesclada ao desejo.

Desceu o corpo, acomodando-o dentro de si lentamente, a encara-lo, enquanto a timidez tomava conta da expressão deixando-o mais indefeso do que ela sabia que ele era, naquela cama ele nunca seria o predador, ele não sabia como ser, talvez encontrasse isto quando a paixão ecoasse. Mas ela gostava de ter aquele poder.

Subiu e desceu, testando os movimentos, apreciando os sons que o encontro dos corpos produziam, e uma certa quantidade de vergonha que tingiam as bochechas dele.

— Isso não acabou e você sabe que não vou desistir. — Ele disse isso mas sem um pingo de certeza na voz, não enquanto ela estava sobre ele.

Não quando estava apaixonado, e não havia mais certeza alguma dentro de si, não quando o que sentia era tão intenso que sua vida anterior não fazia mais sentido.

Segurou-a assustado quando ela aumentou o ritmo. E ela lhe sorriu travessa e rendido entregou o gemido que tentava controlar, abandonou-se nela, deixou-se arrebatar num sonho impossível de negar.

Tempos depois enquanto tentava por na racionalidade a loucura que era estar a fazer amor com seu idol, seu Utt, um nenê de apenas vinte e quatro anos, ela sorriu ao lembrar das vezes que suspirara com aquele abdômen trincado e os planos mirabolantes de sequestrá-lo na Coréia.

— Acorde, já tivemos paz demais, crianças em silêncio é sinônimo de muito, muito problema, coloca uma calça vai. — Ela vestiu-se rapidamente, e ele ficou a fazer manha, mas ao levantar ela só queria poder ter de volta ele como veio ao mundo na cama. — Já te disse que eu sou sedentária e que você é exercício demais?

— Acho que falou sim.— Tocou as sardinhas que tanto o atraíam — Mas você é uma moça esforçada.

E uma batida na porta fez ele correr para o banheiro, e ela saiu juntando as roupas calmamente, enfiando a blusa dele pela cabeça ficando com os fios mais bagunçados que antes e seguiu saltitando para abrir. Lee Chan-ong entrou a arrastar o doce e gentil Kayan Kwok, mas conhecido como kat2, o garoto canadense estava muito, muito vermelho, e parecia que podia cair a qualquer momento.

— Então. — Lee fez o outro sentar como se temesse alguma coisa. — Eu preciso do Son Ko-yeon. Preciso avisar a única pessoa que eu devo satisfação, além do meu katizinho.

— O que tem pra me dizer? — Son Ko-yeon apareceu vestindo apenas a calça do pijama que tinha deixado no banheiro.

— Bom, cansei de ficar apenas trocando declarações de amor, quero que me dê sua permissão pra namorar meu katizinho. — Fazendo o biquinho tão característico do mais novo.

E foi aí que Son Ko-yeon se viu encrencado, se assumissem o que era óbvio, quando se conheceram tantos anos antes, eles viveriam em um inferno, que não haveria modos de desviar ou ignorar, e seria o fim do Gae end Cat, o grupo não sobreviveria ao escandalo.

Encarou Nath, nos lábios dela um sorriso travesso destoando da situação. Suspirou longamente enquanto fitava o tímido Kayan que mesmo com muita vergonha não largava a mão do outro. — Vocês sabem as consequências, não é?

E foi justamente o tímido Kayan que respondeu. — Eu não sou tolo de acreditar que seríamos abraçados e amados. Mantemos as coisas como sempre foram, mas queremos estar juntos na nossa intimidade, e da nossa família distópica. — E com um suspiro de resignação, completou. — Sempre podemos nos mudar para o Canadá.

Son Ko-yeon sorriu, mudar para o Canadá os tornariam traidores, e seria o fim de qualquer pretensão artística. — Eu não seria um bom líder se estivesse a quebrar as regras e os obrigassem a ficar afastado, mas por qualquer Deus disponível, discrição.

E a turnê européia seguia praticamente dentro da normalidade, os meninos trabalhavam demais para que eles criassem intimidade o suficiente para ficar explícito algum relacionamento.

Mas para o desespero geral Tay Doong, o T.D, chegou a casa onde estavam hospedados na Inglaterra com uma estrela de séries espanhola, a sensação do momento na Netflix.

E o segredo difícil de manter pareceu impossível aos olhos Son Ko-yeon. — Será possível que eu não tenho um minuto de sossego. Quando foi que viramos sonho de consumo?

Kat2 gargalhou alto. — Como representante dos estrangeiros presentes tenho de dizer, gostar de Coreano só traz dor e sofrimento, mas quem resiste a vontade de sentar em um?

— Eu juro, que me contaram que vocês eram tranquilos, que não me dariam trabalho, mas eu estou com cabelos brancos…— Porém seus olhos vagaram para Nath e ela arrumava o colar no decote, evidenciando ainda mais o volume e a beleza do mesmo. — Porém Kat2 talvez você tenha razão, faça um julgamento quem nunca quis sentar no T.D. Encarou a moça.— Pode manter os nossos segredos?

— Óbvio, meu namorado não ia gostar de tal fato. — Afirmou sem muita cerimônia.

— E ainda tem um namorado. — Son Ko-yeon arrumou o cabelo. — Discrição, só o que peço, discrição.

Olhou Nath a brincar com o colar, que vivia quebrando, mas ela remontava com o que tinha à mão, sem nunca comprar um novo. Quando estava a sós ela veio com aquele sorriso sapeca. Então você um dia quis sentar no T.D?

— E quem não quis? — Ele a puxou para o próprio colo. — Foi o que todo mundo pensou quando ele chegou. — Rememorando a cara de espanto dos outros traineen — Sabe, posso perguntar algo?

— Pare de ser bobo, pare mesmo. Não precisa ser tão formal. Não comigo em seu colo falando de sentar no T.D. — Ela o beijou carinhosamente. — Pergunte.

— O colar foi seu ex quem te deu? — Viu a expressão dela se apagar.

— Não, ele dizia que eu era bonita demais pra coisas tão baratas, mas a verdade é que ele nunca me deu um presente perfeito daqueles que te deixam boba, igual esse colar barato me deixou. — Seu pensamento viajou aos dias sombrios. — Ele tinha me batido, não onde as pessoas pudessem ver, ele sabia como me machucar para parecer inocente. Eu não queria ir para casa, mas não tinha onde ir, e então entrei numa rua esquisita, e lá estava o brechó, este brechó, e lá eu comprei a correntinha, aquela senhora salvou minha vida, e este foi meu único presente perfeito, aquele que eu dei a mim mesma, minha libertação, minha e do meu pequeno.

— No próximo dia dos namorados, eu te darei o presente perfeito. — Ele afirmou.

E mesmo que ela soubesse ser mentira, permitiu que ele se apegasse a tal ilusão. E se entregara ao momento romântico com ele, às vezes uma vida só necessitava de uma quantidade grande de estupidez, ou como Son Ko-yeon costumava dizer, muita, muita falta de senso.

Mas o tempo se foi, e mesmo com um álbum praticamente pronto, não era o suficiente para a empresa permitir que as transgressões continuassem, e todas elas tinham sido, bem recompensadas para manter o silêncio sobre aqueles dias.

E sem sequer uma lágrima, porque já haviam chorado todas, eles se despediram. Elas não tinham permissão de entrar em contato com eles, e eles corriam riscos de expulsão do grupo se algo fosse feito por qualquer dos lados.

Lee Chan-ong parecia não ligar muito para o fato, pois tinha se tornado uma ponte entre todos, mas nem sempre as coisas eram fáceis e simples.

Sempre que podiam, burlavam as segurança e as regras, porém com o tempo as fugas tinham ficado difíceis, a segurança do grupo estava muito rígida, eles tinham se tornado prisioneiros dos sentimentos albergados pelos outros.

Os meses se foram arrastando, enquanto T.D e Son Ko-yeon, tentavam manter as esperanças de continuar com aquele romance fadado ao fracasso, Lee Chan-ong e Kat2 faziam o possível ao alcance deles para ajudar, mas era sempre um tanto de desperdício de tempo e energia.

Porém promessas feitas assombravam os meninos e em troca de uma quantidade absurda de fotos, algumas fãs obcecadas tinham ajudado eles a fugir, cabelo no boné e máscara, eles eram apenas mais um oriental nas ruas da Coréia.

A missão era comprar o presente do dia dos namorados, pra ele e para Tay Doong, o T.D, enviar a tempo para a Espanha era fundamental, tinham passado horas online tentando encontrar algo realmente digno do risco que estavam correndo pra por fim decidirem que precisavam ir pra rua nem que fosse pra ver a luz do sol, que era coisa rara naquelas semanas de muito trabalho.

A rua Myeongdong estava abarrotada, e ele parou apenas um minuto pra apreciar, tudo que ele tinha perdido pra realizar um sonho, e talvez alguns sonhos não valessem o esforço. E nem o sofrimento.

Andar no meio de uma multidão mesmo que esta não soubesse quem ele era, era extremamente assustador, sem sua medicação, estava sempre a um passo de uma crise de pânico. Apertou a garrafa de águas nas mãos, bebeu mais um gole cantando baixinho, concentrou-se nos sons como fazia quando era criança, aqueles que viravam música em sua cabecinha bagunçada.

Tinha se tornado um estranho em sua terra natal, era um indigente, sem pátria, sem amigos, sem família, e não era ídolo de ninguém, era apenas um entretenimento oco. De onde a alma tinha sido arrancada.

Andou cautelosamente testando se realmente ia conseguir levar a busca adiante, já no começo da busca cortou as jóias do plano, eles já tinham trocado jóias, riu-se da ironia.

As roupas também não eram o foco, quem sabe algo de arte, algo de porcelana, algum novo produto mirabolante, conforme andava, a confiança no anonimato aumentava,ligou para os outros meninos que pareciam empolgados.

O tempo para a busca era curto, o quanto antes voltassem para o alojamento sem incidentes, melhor seria para todos.

E então um grupo de garotas com hanboks tradicionais e modernos, atravessou a rua, elas pareciam felizes, pareciam se dirigir a algum evento, e se viu imaginando sua doce ruiva vestindo a peça, e de como ela seria acusada de apropriação cultural por tal ousadia, mas era o presente perfeito, ele finalmente tinha encontrado, e a Rua Itaewon era onde ele iria achar um para as medidas dela.

Entre lojas grandes e pequenas lá estava um hanboks azul escuro com chamas em azul claro, o fogo mais quente, pensou corando profundamente, ele sempre seria um garotinho bobo, diante de um furacão em chamas.

E com o presente nas mãos, exultante, decidiu demorar mais um pouco na rua, comprou um lanche, sentou-se nas mesinhas, quantos anos fazia que ele não podia mas simplesmente comer um lanche em paz, o telefone tocou, kat2 falando em inglês agoniado. — Kat2 acalme-se. Diga o que houve?

— Ele está sangrando muito, o carro veio, eu não consegui puxar nós dois a tempo. — Os soluços eram evidentes.

— Pra onde estão indo? Que hospital? — A serenidade na voz enquanto as lágrimas rompiam. Escutou o endereço sentindo o mundo ruir, ligou pra T.D, buscar Kat2 era ele quem tinha que aparecer, e ser responsabilizado por aquele desastre.

E fora assim que uma semana depois, com Chan-ong com o braço direito quebrado, uma cicatriz na testa e mais manchas roxas que se podia contar, eles apareceram para uma entrevista, depois de tomar uns esporros da empresa, porém nada comparado ao que eles imaginavam, o tal fato tinha alavancado as vendas, e o fato de que estavam em um rua de comércio tinha trazido patrocínio extra inclusive da marca do carro que tinha atropelado Chan-ong, o que era um absurdo, já que alguém tinha se machucado muito seriamente. A garota causadora do acidente estava presa. O hate aumentando exponencialmente e com isso todos tinham ficado sem presente do dia dos namorados.

Seu Hanboks perfeito em azul, jamais tocaria a pele salpicado de dourado dela, eles tinham feito o melhor com a situação não que fosse muito.

Mas eles ainda teriam a chance de falar com seus fãs justo no dia dos namorados, e se agarraram a isto, porém quando o dia chegou, a verdadeira punição tinha vindo, kat2 e Chan-ong tinha sido trancados separados e T.D proibido de fazer a Live.

Son Ko-yeon se manteve estóico, enquanto o desespero dos meninos lhe cortava a carne, tinham destruído seu último pilar que era manter a segurança de suas crianças, daqueles que tinham confiado nele como um bom líder.

Colocou o fone e andou pela casa, abafando o soluço cortante de kat2. Enquanto Chan-ong quebrava tudo dentro quarto e T.D cantava calmamente Adele, o que dizia muito sobre o perigo daquela situação.

Sentou-se no estúdio fechado para pensar. O que ele pretendia depois daquele dia era desistir de absolutamente tudo. Abriu a live e ficou apenas a olhar as mensagens que subiam sem uma saudação ou um boa noite, ele já não sabia se conseguia ser qualquer coisa, quanto mais o rosto do Gae end Cat.

A conta genérica fake era usada para que Nath pudesse estar com ele duas vezes por semana, a princípio tinha sido uma alegria ver sua bijuteria barata no pescoço dele, entre os dedos, entre os lábios, tinha sido uma alegria quase infantil, até que virou notícia e as Prettycat começaram a usar, e surgiu rumores de um possível relacionamento deles.

Lee Chan-ong dava notícias dele mas já iam meses da última vez em seus braços. O rapaz tinha contado histórias engraçadas da procura dele por um presente do dia dos namorados perfeito e de como todos estavam se divertindo com a situação, apesar do medo que isso atraísse atenção desnecessária e mais hate para o grupo, já tão sofrido. E ela tinha acreditado até ver notícias de que o rapaz tinha se machucado e ele já não poder falar mais com ela.

E realmente tinha virado um inferno, as garotas subiam hashtags, pedindo a morte dela e que ele a abandonasse. E ela pode ver e notar que ele estava nos estágios primários da depressão. Os sentimentos divididos entre a euforia do primeiro álbum composto essencialmente dentro do grupo, e a tristeza de se sentir abandonado e odiado por seus fãs e então o acidente. Esse último tinha completado e agravado a situação terrível.

A primeira entrevista tinha mostrado o quanto eles estavam sofrendo, mas ninguém parecia enxergar. Mas naquela noite, ela via sombras nele, sombras estas que entregavam as escolhas extremas que ele tinha tomado.

— Eu te expliquei tantas vezes que não era possível e você nunca me escutou. Eu sei como amor tem essas coisas, essas manias de acreditar no impossível, ninguém está sofrendo mais que você, eu sei que não. — tocou a tela fria lembrando da pele quente dele contra a sua.

Os minutos se iam e então Son Ko-yeon encarou a câmera, ao invés de manter eles baixos lendo as mensagens.

— Eu estive buscando o presente perfeito, estive procurando sempre que tínhamos uma chance, eu tentei realmente e descobri a pouco tempo que muitas das minhas fãs nunca receberam o presente perfeito. Nunca mesmo. — Arrumou o cabelo sentindo os primeiros sinais de ansiedade. — Como você pode amar alguém e não saber como fazer ela feliz, eu amo vocês e sei como. — Cantarolou lentamente a música mais famosa do grupo, olhos semicerrados, e então encarou a lente.

Os emojis subiam pela tela, havia lindas mensagens com as aprovações, e também as críticas apontando suas falhas, mas fez tal coisa, porém nos traiu. — Realmente tentei eu fiz música por vocês, por que a música pra mim já não significava sonho, significava dor e sofrimento, um vazio cheio de gente que só queria me usar, que me odeia.

Viu o sinal da internet oscilar e alguém bater na porta, que ele tinha travado com um armário, e continuou usando o famosos 5G, para manter a Live.

— Eles estão batendo e eu provavelmente tenho pouco tempo, vocês desejam tanto saber se estou namorando, se eu tenho uma namorada ou namorado quem sabe. — Suspirou longamente sentido o peito doer e a respiração falhar — Então foi errado, tão errado e hoje eu sei. Eu tinha ilusões, e isto só serviu pra saber que eu não sou ninguém. Eu queria dormir agora, dormir e não acordar nunca mais, porém minhas crianças agora estão em cárcere privado. Só por que eu achei que merecia ser amado.

As lágrimas entregando uma dor que era tão extrema que o impedia de respirar, pensar ou falar com clareza. — Se vocês querem saber, eu vou falar agora. É, eu de fato me apaixonei e foi quando estive na espanha, conheci várias garotas lindas, me diverti demais e nunca vou esquecer a turnê européia. Sim me apaixonei, sim eu vivi os melhores meses na minha vida com ela, só que eu tinha certeza que vocês me amavam o suficiente para ficar feliz por mim, mas na verdade vocês me odeiam. — O soluço irrompeu. — Vocês me preferem morto!

A afirmativa ecoou, enquanto a live se tornava um dos assuntos mais comentados no mundo, mensagens subiam na tela, mas ele conhecia a verdade, dizendo que o amavam mas a verdade é que elas amavam um brinquedo de carne e osso. — Ela era tão linda que foi impossível não vêr, era tão luminosa que eu precisava daquela luz, para as minhas sombras. — Os soluços travaram a fala, e foi com muita dificuldade que ele continuou. — Eu me apaixonei por uma mulher linda, ela é uma pessoa que sofreu muito, como muitos de vocês, linda por dentro por fora, ela me disse que meu amor faria muito mal a ela e a mim mesmo.

Puxou uma lufada de ar, fazendo arder os pulmões. — Ela estava absolutamente certa, tinha um toda razão do mundo pra não me querer, para não me aceitar e não me amar, fui egoísta, muito egoísta e a machuquei, de formas abstratas absurdas. Ela merece muito mais de mim que minha covardia, meus amigos também merecem, merecem ser livres. — A porrada contra a porta denunciou que logo ficaria sem tempo.

— Eu nunca quis machucar ninguém. — Encarou a tela, algo lhe dizia que ela sempre estava ali. Segurou firme o colar entre os dedos. — Meu amor eu tentei eu juro que tentei viver sem você, eu juro que me esforcei para seu sacrifício valer a pena. — Lembrou-se do hanboks, o presente perfeito. — Eu sinto que meu presente seja muito medíocre mas continuar vivendo, é a única coisa que tenho pra você.

Não se sabe ao certo o que houve naquela noite estranha, e os envolvidos nunca mais se referiram a ela, soube-se apenas que o contrato dos meninos com a empresa fora rompido de comum acordo, e que antes da meia noite daquele mesmo dia, eles deixaram a Coreia rumo ao Japão e passageiros foram retirados de um vôo que ia para os Estados Unidos, e depois passaram férias de dois meses em algum lugar desconhecido.

Voltaram a Coreia, para o Kingdom, já com o primeiro contrato do mundo kpop com uma empresa americana, soube-se depois que Kat2 tinha parentes com influência o suficiente para ter o primeiro ministro canadense a negociar diretamente com o governo Coreano.

Não que todo o público Coreano os tivesse apoiado, muitos os chamavam de traidores, e as coisas jamais voltariam ao normal, porém eles tinham repercussão mundial, e sabiam que sempre haveria onde ir.

O álbum novo, com uma pegada mais adulta, com um rap mais pesado, e melodias seguidas de uma batida eletrônica tão famosas nas músicas da quarta geração foi lançado justo um ano depois da famosa turnê européia, tinham esperado um fiasco retumbante na Coréia, como tinha sido a participação no Kingdom, onde eles haviam perdido nos Charts, porém os singles de estreia tinha sido bem aceitos.

Morando na quente e bagunçada Espanha eles levavam uma vida que ninguém pensou possível. No dia dos namorados do ano seguinte, a primavera chegou mais cedo a Espanha, e uma gincana agitou os Prettycat do mundo todo, uma corrida pelo presente do dia dos namorados perfeito.

Por que às vezes, algumas pessoas valem os riscos. Valem a busca e o presente, as vezes o presente perfeito consiste em simplesmente não desistir do que se deseja.

Muito tempo depois….

Em um dia qualquer…

Que seria fevereiro na Espanha…

Quem sabe junho no Brasil…

A verdade é que já não importava…

— Son Christopher, só me explique por que você estava chorando? — Questionou vendo o rapaz emburrar mais

— Mas eu não estava chorando, aquela tonta, perguntou do tio, T.D, algo sobre ele ser um gato, ele é velho. — O rapaz reclamou. — Algo sobre…aff…eu não gosto mais dela. — Sentenciou enquanto murchava.

— Quem manda ter crush numa mulher de vinte anos, moleque. — Bagunçou os cachos ruivos do garoto. — Ela é velha pra você, esqueça, já disse.

— Minha mãe era velha pra você e casou com ela mesmo assim. — O garoto desdenhou. — Quase dez anos, Beth só é cinco anos mais velha que eu.

— Sim, mas eu era adulto, e me cuidava sozinho, não era um bebê de quinze anos para quem a mãe faz mingau. — Abraçou o filho forte. — Quer gagau nenê? Agora conte como o assunto T.D surgiu?

— A gincana do dia dos namorados, eu convidei ela…— Fungou desconsolado. — Mas ela só queria saber do tio T.D e aí as meninas ficaram falando que ele nem parecia ter 30 anos e tals e sobre sentar…que nojo…

— Sinto te dizer, mas todo mundo maior de idade já quis…— ele era um péssimo pai pensou. — sentar no seu tio. É um fato.

— Pai…

Nath abraçou o eterno namorado. — E qual foi o problema?

— O de sempre querida, o crush de alguém querendo sentar no T.D…— Beijou a esposa e seu grande amor.

— Mas quando é que o mundo vai superar essa fixação, nunca? — Ela o encarou sorrindo.

— Só quando ele ficar feio. — Revirou os olhos. — Nunca mesmo. — Ergueu-a do chão como fazia sempre nos últimos dez anos. — Eu já comecei a procurar o deste ano.

— Será que desta vez eu ganho o meu Utt vestindo apenas um laço vermelho? — mordeu os lábios.

— Park Jimin do BTS? Quantas vezes vou dizer que não se pode sequestrar pessoas querida? Principalmente quando são muito famosas. Mas eles vão estar nas Maldivas…

As risadas ecoaram pela casa, enquanto o crepúsculo banhava o céu espanhol, e eles continuavam a busca, por que já haviam aprendido a se divertir pelo caminho.

16 de Junho de 2021 às 22:22 10 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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Ellen Batista Ler é minha grande paixão

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Olá, Ellen Batista! Primeiramente, gostaríamos de agradecer a sua participação no #amordecinema! Ter vocês, autores, nos apoiando com suas histórias incríveis e participando ativamente deste desafio nos deixou realmente felizes. O Improvável nos traz algo diferente do que poderíamos esperar. Você nos faz, através desta história, emergir no mundo dos idols e compreender o quão difícil é levar uma vida que já não mais lhe pertence. Acompanhar os seus personagens foi impactante e emocionante, em principal por nos mostrar esse lado tão obscuro da fama. Quanto ao tema, a proposta do desafio era que colocássemos os personagens em situações inusitadas em busca do presente perfeito. Pelo menos era a forma que imaginamos a princípio, mas você criou uma história dentro do tema, mas recheada de desavenças e desventuras, as quais deixou os leitores com os corações nas mãos em muitos momentos. Confessamos que ficou um pouco confuso a princípio, mas no final deu tudo certo! Uma das coisas que mais adoramos na sua história foi, sem dúvidas, a forma como os personagens dialogam uns com os outros — e inevitavelmente conosco. A forma suave como você mostra a conversação dentro da história nos faz acreditar com facilidade na existência de tudo o que foi conversado entre eles. Devemos dizer, no entanto, que em determinados momentos a descrição dos lugares, os cenários e as cenas pareceram um pouco nebulosos. Foi um pouco difícil para nós nos localizarmos na trama algumas vezes, talvez o motivo disso seja o fato de termos transições muito rápidas de uma cena e cenário para outros. No entanto, queremos assegurar que a mensagem principal ficou marcada em nós e vamos sempre nos lembrar da sua história a partir de hoje todas as vezes que virmos um fã falando sobre seu idol. Você nos fez refletir profundamente sobre o quão bonito e ao mesmo tempo destrutivo o mundo da fama pode ser. Sabe o que acalenta os nossos corações? Saber que, no final, tudo deu certo para os personagens. Confessamos que, próximo do final, nossas expectativas para um Felizes para sempre era bem baixa, no entanto nosso peito se encheu de alegria ao ver que eles haviam conseguido superar toda dor e dificuldade. E agradecemos por isso. Com relação à gramática e ortografia da sua história, queremos dizer que sabemos o quão difícil pode ser fazer uma correção levando em consideração a gramática normativa da nossa língua, no entanto queremos indicar o nosso blog Esquadrão da Revisão para você, que dá dicas descomplicadas de português. Esperamos ver mais histórias suas em outros desafios, pois queremos fazer parte da sua jornada e crescimento no mundo da escrita. Gostaríamos de agradecer pela sua participação no desafio, e pela história diferente a qual ninguém esperava, e que mesmo assim conquistou nossos corações. Sua participação foi muito especial para nós. Obrigada pela sua participação, foi muito bom poder contar com você neste desafio e esperamos poder vê-lo em outros. Os resultados serão divulgados em breve nas nossas mídias sociais. Fique de olho e boa sorte!
June 19, 2021, 15:31

  • Ellen Batista Ellen Batista
    Foi de uma alegria muito grande participar, apesar da falta de tempo e da dificuldade que tenho tido ultimamente, as crises constantes de ansiedade tem levado de mim, o que trabalhar de domingo a domingo ainda não tinha tirado. Conseguir terminar foi uma batalha tremenda, tem horas que simplesmente não consigo sequer lembrar como escrevem palavras do dia a dia, e o meu português que já não era lá grandes coisas está muito pior agora. Leio rápido demais, o que faz com que a minha betagem seja uma temeridade. E quanto a descrição de ambientes eu tinha começado pelas ruas da Coréia, e no fim não consegui fazer a pesquisa sobre a Espanha, ruas, hotéis, lugares de show, casas e tals. E não tive coragem pra fazer um made in Pirituba barra Osasco. Meu orgulho não me permite. Agradeço o carinho e a generosidade das palavras, pretendo me manter presente, nem que seja para os desafios mensais. E um visitinha marota no blog. E quem sabe em breve continuar o plot original com um final trágico. June 19, 2021, 16:40
Karimy Lubarino Karimy Lubarino
Oi, meu chuchuzinho, coisa mais linda 😍! Fico feliz por ter conseguido participar, aí pude apreciar a delicadeza dessa obra. E preciso dizer, hein, adorei as partes poéticas que compõem a história, principalmente durante os diálogos dos amantes. Fizeram toda a diferença! Parabéns pela história e pela participação 💖.
June 18, 2021, 13:32

  • Ellen Batista Ellen Batista
    Oh meu amorzinho, cada comentário seu um mini infarto sempre. Obrigada pelo desafio, eu estava precisando me obrigar a ter foco, e a persistir. Queria que estivesse muito melhor, mas me fez muito feliz conseguir participar. Milhões de beijos 😍 June 19, 2021, 13:14
Luana Borges Luana Borges
De tudo certooooo ufaaaa :v Tava com medo já
June 17, 2021, 15:05

  • Ellen Batista Ellen Batista
    Então eu sou das que gosta quando da errado kkkkkkkkk Mas fiquei com dó, fic do dia dos namorados. June 19, 2021, 13:12
Isís Marchetti Isís Marchetti
Olá, Ellen. Primeiramente gostaria de agradecer por ter entrado no desafio! Quem diria que no final tudo daria certo, não é? Juro que cheguei até a tremer com a expectativa do que ele poderia fazer naquela live! Abraços.
June 17, 2021, 14:31

  • Luana Borges Luana Borges
    Pois não é... Também fiquei pensando June 17, 2021, 15:06
  • Ellen Batista Ellen Batista
    Então amiga, eu pretendo fazer um short fic, com fim trágico, por que né eu sou dessas. Porque infelizmente é a realidade deles, os K ídolo são um tipo de propriedade dos fãs, e vários já desistiram da vida, só por que queriam um pouco pra si, tem um rapaz que ele casou e teve filho escondido, e desde que descobriram a vida dele é um inferno, um homem de 32 anos, ameaçam a esposa e o filho de morte, fico imaginando quão doloroso é viver assim, e esta foi a inspiração pro conto. Só dei um final feliz, por que seria muita covardia kkkkkk Obrigada pelo carinho 😘 June 19, 2021, 13:11
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