mahinasorin Mahina Sorin

Quando a noite cai é o momento que ela atua. Misteriosa e dona de rara beleza, ela os seduz. Ninguém sabe dizer quem ela é, mas sabem que basta um olhar para serem fisgados pelo seu encanto. A tão sonhada viagem para a Índia acabou se tornando um pesadelo para Marcela. O namorado, Raj, acabou se tornando frio e distante. Desesperada, a jovem busca entender o motivo e rapidamente o encontra: Rani, a dançarina que faz a cabeça de muitos virar de ponta cabeça. Mas por detrás da fala mansa, da dança graciosa e da beleza juvenil, existe algo muito sombrio. *Também postada no Wattpad.


Horror Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#Horror
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Capítulo 1

Já fazia dias que ainda estavam ali e Raj mostrava-se resistente em partir para a próxima cidade. Era para ser um tour por toda a Índia, visitando todas os seus pontos turísticos, mergulhando em uma cultura exótica e curtindo uma viagem a dois, como haviam planejado com tanto esmero quando estavam no Brasil. Além disso, esta viagem era uma maneira de fortalecer ainda mais os laços entre o casal.

Raj era filho de um indiano com uma brasileira e, com seus 9 anos recém completados, a família decidiu mudar-se para o Brasil. Apesar do choque cultural, Raj logo adaptou-se e fora aí que conheceu Marcela. Apenas um ano mais velha, Marcela tratou de apresentar Raj para os amigos do bairro e enturmá-lo, ajudando-o também com o idioma, pois por mais que a mãe dele fosse brasileira e lhe ensinasse o português, Raj ainda tinha dificuldades Além do mais havia uma troca, enquanto Marcela ensinava o português Raj lhe ensinava o hindi.

Conforme o tempo passava a amizade de ambos se fortaleceu e ninguém demonstrou surpresa quando anunciaram o namoro na adolescência. Era até esperado. Muitos comentavam que era uma bela história de amor, conheceram-se na infância, e durante os anos passaram a se amar. Uma relação inabalável.

No entanto, a realidade não era bem assim. Marcela era ciumenta ao extremo, o que fazia com que o casal tivesse desentendimentos constantes. Todos já estavam acostumados com os términos e retornos de Marcela e Raj, e já não davam tanta atenção, afinal eles sempre acabavam se acertando.

A viagem para a terra natal de Raj, como já citado, era especialmente para reforçar os laços do casal. Uma maneira de trazer mais harmonia, renovação e fortalecer as estruturas do namoro tão marcado por idas e vindas.

Só que nada estava saindo como o planejado.

Após uma cena de ciúme de Marcela, o clima da viagem desapareceu. Discutiram feio e partiram para a cidade de Jodhpur brigados, falando somente o essencial. O dia da chegada na cidade fora marcado pela tensão um silêncio incômodo e pela noite Raj decidiu sair, para espairecer. Marcela engoliu sua contrariedade e nada disse. Pela madrugada, ele retornou. E tudo começou.

Raj estava mudado sem motivo aparente. Mudou da água para o vinho. Era verdade que haviam brigado, mas esse clima ruim nunca perpetuava, eles sempre faziam as pazes rapidamente, mas agora era diferente. O namorado esquivava-se de toda conversa que Marcela tentava iniciar com incrível indiferença ou simplesmente a ignorava.

Marcela estava a ponto de explodir e esganar o namorado.

Uma amiga próxima a aconselhou a agir com calma e paciência, pela maneira que Marcela dizia, Raj talvez houvesse atingido seu limite e precisava de um tempo. Mas em seu íntimo, a moça não acreditava nisso. O namorado sempre fora atencioso, gentil e amoroso, um dos raros que a aceitava como ela era, o seu porto seguro. Será que Raj havia realmente chegado em seu limite? Iria deixá-la? Não! Isso não. Temerosa, acatou o conselho da amiga e deu espaço para Raj. E como se arrependeu.

— Raj, ainda não me perdoou? — perguntou certa noite, visivelmente nervosa. Raj se preparava para sair mais uma vez. Suas saídas noturnas tornaram-se constantes. A moça já desconfiada, cuidadosamente analisava as roupas de Raj quando este estava distraído, a procura de provas de traição, procurava por de fios de cabelo cheirava as camisas em uma tentativa de sentir um perfume diferente. Nada. O único cheiro era de incenso e algo a mais que ela não conseguia decifrar, não era um cheiro que lembrava um perfume feminino, mas mesmo assim era algo doce bem sutil.

— Claro que sim — murmurou.

— Ótimo. Então, por que age assim? Éramos parater ido embora há uma semana e ainda estamos aqui. Você sai todas as noites, não me fala onde vai, não me convida e quando me ofereço para ir você só falta me trancar aqui dentro. Seja sincero e me diga de uma vez o que está aprontando — com um tom mais amável, completou: — Você não era assim, Raj. Você era o melhor namorado do mundo. O que há com você?

Sentia-se traída e insegura, e com uma boa dose de raiva e frustração crescendo dentro de si. A indiferença de Raj a magoava ainda mais.

— Não há nada de errado comigo. Vou apenas sair com alguns amigos, não há com o que se preocupar. Logo vamos partir.

— Quando?

— Breve.

Marcela irritou-se.

— Raj! Eu...

— Até mais tarde — a cortou impaciente.

E rapidamente fechou a porta deixando uma Marcela estática para trás. Demorou alguns segundos até ela sair daquele torpor e correr até janela a tempo de vê-lo desaparecer na rua escura.

— Droga!

Sozinha, Marcela entregou-se ao desespero. Não sabia o que fazer. Deveria deixar o namorado para trás e voltar para o Brasil? Bom, não era a pior das ideais, afinal Raj estava um tanto distante e dava sinais bem claro que não a queria por perto ignorando-a. Mas não estaria sendo muito imatura? Chutar tudo e voltar... Mas como encarar a família dele? "Ah, eu o deixei, afinal ele estava estranho". Quem acreditaria nisso? Justo Raj, o menino de ouro? Não, tentaria conversar de novo e caso ele permanecesse irredutível ela o deixaria mesmo. Só que havia um pequeno detalhe, ela o amava. Doía-lhe toda a situação. E toda vez que pensava em Raj seu peito apertava, algo não estava certo. Algo de ruim estava acontecendo, apesar de não saber dizer com exatidão o que era. E era essa sensação que a fazia ceder e permanecer no estrangeiro ao lado do namorado.

Em uma tarde decidiu passear pela cidade sozinha. Andava nos típicos bazares apinhados de pessoas, comprando algo aqui e ali, quando em determinado momento acabou ouvindo uma conversa que lhe chamou a atenção. Marcela rapidamente atentou-se e buscou disfarçar, fingindo estar interessada em comprar um sári, ao seu lado os dois jovens falavam entusiasmados:

— Ela estava esplêndida! É linda demais! Sortudo aquele cara de ontem, deve ter se divertido a valer!

O outro suspirou, olhava atentamente para os tecidos espalhados à sua frente em dúvida.

— Torço todos os dias para eu ser escolhido. Estou a ponto de enlouquecer! Eu a quero tanto!

— Você e aquele outro! — riu bem humorado, puxando um sári azul claro com detalhes em dourado e azul escuro. — Ele faz de tudo para ficar perto dela. Todos fazem isso, mas ele é um pouco exagerado.

Bem, podia ser qualquer um. Mas Marcela permaneceu ali, um tanto curiosa. Não era dada a ouvir a conversa alheia, entretanto, a situação era outra e estava desesperada em descobrir o que Raj andava fazendo.

— Hoje vou presenteá-la com jóias e esse lindo sári. — disse um dos rapazes mostrando a roupa da cor laranja. Ele fez uma careta para a peça azul que o amigo segurava. — Ouvi dizer que ela adora receber presentes, dá um tratamento especial. A propósito, não acho que azul combine com ela.

— Foi o que eu ouvi dizer também — e completou: — E você não dê palpites quem tem que gostar é ela e não você.

Eles pagaram e se foram. Movida pela curiosidade, Marcela os seguiu com passos firmes e determinados, um deles pelo braço levemente, falando meio receosa:

— Com licença. Vocês poderiam me responder uma pergunta?

Eles se entreolharam e depois olharam para Marcela, mostravam-se um tanto desconfiados com ela. Ficaram e silêncio, e Marcela tomou o silêncio deles como um pedido que ela prosseguisse.

— Meu namorado sai todas as noites e vai sabe-se lá para onde vai. Poderiam me dizer que lugar é esse que vocês vão? Talvez seja onde Raj vai.

— E você vai fazer o que? Surpreendê-lo?

Marcela assentiu devagar, todavia ouviu-se afirmar vagamente:

— É! Sim, eu acho — ao tentar imaginar flagrá-lo no ato, Marcela sentiu uma pontada no coração. Era incapaz de bolar tal imagem em sua mente. Negava com toda as forças que ele poderia traí-la.

Os dois explodiram em uma sonora gargalhada, deixando a moça confusa. Marcela por um minuto sentiu-se uma idiota por estar fazendo isso e arrependeu-se no mesmo minuto por tê-los abordado, seu rosto coloriu-se de intenso rubor. No entanto, decidiu permanecer ali, não tinha nada a perder mesmo. Com impaciência, esperou eles se acalmarem e lhe responder, se é que dariam alguma resposta que valesse.

— Olha moça, vou ser sincero contigo: esqueça seu namorado, ok? Rani é uma ladra de corações. Uma vez que seus olhos repousem nela... ah! Esqueça! Não exista um homem que não a quer.

— É verdade — afirmou o outro e completou: —Rani não gosta de mulheres intrometidas como você.

— Como é?

— Isso mesmo. Rani não gosta de mulheres em seu território— reafirmou.

Território?! Marcela boquiaberta não sabia o que falar ou agir. Aqueles caras só podiam ser loucos. Raj não se misturaria com pessoas daquele tipo que, pareciam ao seu ver, participar de algum tipo de seita louca que tinha uma obsessão por essa tal Rani. Falavam da tal mulher como se esta fosse algum tipo de divindade. Pareciam enfeitiçados por ela.

Um deles se aproximou de Marcela, ficou tão próximo que ela sentiu a respiração do homem bater em seu rosto e também um perfume que o rodeava. Mas não parecia ser um perfume masculino, era algo doce, familiar.

— Escute: se fizer algo para Rani...

— Está me ameaçando?! — interrompeu incrédula.

O rapaz não respondeu, lançando apenas um olhar intimidador para ela. Marcela o empurrou com raiva;

— Não vou fazer nada para ela, seu maluco!

— É bom mesmo.

Dito isso, ambos continuaram andando

— Idiotas! Loucos! — Marcela murmurou.

O jeito seria buscar outra alternativa, Raj com certeza não estava envolvido com esse culto bizarro. Perdeu seu tempo e estressou-se à toa com aqueles dois.

No caminho de volta, as imagens dos momentos anteriores voltavam a sua mente e ela ficava remoendo aquelas imagens, foi quando algo acendeu dentro de si. O cheiro daquele homem, era meio doce, bem suave, mas ainda sim... aquilo lhe era familiar. Sua ficha então caiu. Correu em disparada para onde estava hospedada. Quando chegou foi direto nas roupas que Raj usara na noite anterior e sequer precisou cheirá-las, aquela fragrância foi até ela. Ah, sim. O mesmo cheiro. Agora ela conseguia distingui-lo, um cheiro doce enjoativo mesclado com o de incensos, mas ainda ali um pouco sutil.

Marcela deixou-se cair, arrasada. Então, Raj estava mesmo indo encontrar-se com aquela mulher. A constatação a fez chorar de mansinho, agarrada a blusa do namorado. Aquilo não podia ser uma simples coincidência.

21 de Junho de 2021 às 13:42 0 Denunciar Insira Seguir história
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