pollux_geminiz Eduarda De

O destino tem, realmente, um grande senso de humor. Um humor excêntrico, único e, às vezes, mordaz, mas sempre traz consigo uma lição para mostrar que tudo acontece por um motivo. Duas poderosas famílias da máfia, divididas por um passado doloroso e conflituoso, vêem seus caminhos se cruzando novamente graças a seus filhos, os futuros herdeiros de seus impérios. Instigados pelo profundo abismo que afasta suas famílias e os impede de ficar juntos, dois jovens apaixonados recorrem a seus irmãos mais velhos para tentar entender o que aconteceu anos atrás e o motivo da enorme rivalidade entre seus pais, ambos com a esperança de esclarecer o mal entendido. Infelizmente, nada é tão simples quanto parece e, para que suas famílias possam virar a página e deixar para trás esta história, os detalhes ocultos nas entrelinhas devem ser revelados e, ao contrário do que eles pensam, ela está apenas começando. DIREIROS AUTORAIS RESERVADOS. PLÁGIO É CRIME E SERÁ DENUNCIADO.


Romance Suspense romântico Para maiores de 18 apenas.

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Prólogo

Anabeth
Ao colocar os pés para fora do bar, o vento gelado bateu contra meu rosto, causando-me arrepios. As vozes das conversas agitadas e o cheiro de cerveja e de batatas fritas ficava mais distante a cada passo que eu dava pela calçada. Na tentativa de manter meu próprio calor, fechei o sobretudo e apertei o cachecol em meu pescoço, o que ajudou um pouco. Em passos rápidos, para escapar do ar gélido, caminhei até onde havia estacionado meu carro, e como não havia bebido muito não haveria problema em dirigir para o hotel que não era muito longe dali. A luz da lua crescente iluminava o céu sem a companhia de estrelas naquela noite de véspera de Natal. Luzinhas coloridas, guirlandas e tudo quanto é tipo de decorações natalinas enfeitavam as portas e janelas dos prédios e até os postes de iluminação.

Com pressa desativei o alarme do carro e abri a porta. Eu estava pronta para entrar e me abrigar no ar condicionado quentinho, mas hesitei ao erguer os olhos para um beco mal iluminado do outro lado da rua. Era um corredor no meio de dois prédios que dava acesso a outra rua, e que não devia parecer tão assustador à luz do dia. Uma lâmpada alaranjada e solitária iluminava muito mal o apertado lugar, mas ao estreitar os olhos, consegui distinguir silhuetas masculinas em movimento. Eles estavam agitados, nervosos, discutiam entre si e depois falavam mais alto com um quarto alguém, que devia estar caído no chão já que o grupo de homens direcionava suas palavras para um canto escuro ao lado de uma caçamba de lixo. Isso, ou eles deviam estar muito chapados.

Concluí que se tratava da primeira opção quando a pessoa tentou se levantar, mas estava tão bêbada que quase caiu sem nem mesmo ter sido tocado pelos três brutamontes que a cercavam. Estes, mais altos e mais fortes, e provavelmente menos bêbados, riram da atitude falha do desnorteado e começaram a tatear os bolsos do casaco do mesmo atrás de dinheiro ou bens de valor, presumi. Ao se decepcionarem por não terem encontrado nada, começaram a agredir o pobre coitado com socos e chutes, não dando nem ao menos chance de ele se defender. Meu sangue ferveu e, sem pensar em minhas próprias ações, bati a porta do carro com força e atravessei a rua. Eu não poderia ficar ali parada ou ir embora sem fingir não ter visto nada. Na verdade, poderia, mas minha consciência falou mais alto.

— HEY! — gritei, caminhando mais rápido do que eu pretendia. A adrenalina fez meu coração disparar e meu corpo reagir. — SOLTEM ELE!
Ao me verem sozinha, os homens gargalharam novamente. Se afastaram do bêbado e deram alguns passos em minha direção até perceberem que se tratava "apenas" de uma garota. Eles riram e olharam um para o outro como, talvez questionando-se se aquilo era sério.
— Aí, gatinha, é melhor você voltar por onde veio e seguir seu rumo, ou vai se machucar — provocou um deles entre risos e olhou, novamente, para os parceiros. Seu inglês saía aos tropeços, pois estava um pouco embriagado, ainda assim pude notar seu sotaque acentuado — Ou quem sabe, podemos nos divertir se você prometer se comportar sob nossos cuidados, sua vadiazinha.
Não achei que meu coração pudesse bater tão rápido quanto batia naquele momento. Cerrei meus punhos e trinquei os dentes. Odiei o fato de aquelas pessoas estarem agredindo um homem que nem ao menos poderia revidar, mas odiei ainda mais ser chamada de vadia. Parei a pelo menos dez passos deles ao ouvir aquele xingamento. Soltei um suspiro de autocontrole e um sorriso cínico.
— Vou fazer você engolir essas palavras junto com os seus dentes — rosnei. Eles riram mais alto ainda.
— Essa eu quero ver. Pode vir. Deixo até você dar o primeiro tapa — disse o que me chamou de vadia. — Sua vadia!
Dei de ombros e acenei com a cabeça. Bom, não podiam dizer que eu não avisei. Andei em sua direção com passos calculados e analisei cuidadosamente o rosto mais velho e castigado do cretino. Sua barba grossa, emaranhada e mal feita estava suja de algo que parecia cerveja e petiscos de churrasco, talvez molho. Os olhos castanhos ficaram confusos quando o atingi com um chute na lateral direita do corpo e depois um alto no lado direito da cabeça. Ele caiu no chão e se contorceu de dor, mas ainda parecia são e acordado.
O segundo valentão veio para cima de mim ao ver seu amigo caído. Ele me surpreendeu ao mostrar ser mais ágil que o primeiro. Depois de tentar me acertar um soco no rosto e falhar, conseguiu me atingir com um gancho esquerdo na barriga, segurou meus cabelos com força e acertou um soco em meu rosto. Com raiva, o mais velho passou o braço por meu pescoço para encaixar um estrangulamento. Eu já estava começando a ficar sem ar, mas tentei ficar calma. Dei uma cotovelada em suas costelas, o que o fez afrouxar o nó em minha garganta, e inclinei meu corpo para frente, usando seu próprio peso para jogá-lo no chão. Ele bateu as costas contra o concreto e grunhiu de dor. Ao vê-lo se contorcer de dor, pensei que havia aceitado sua derrota, mas antes que eu lhe desse as costas, o desgraçado agarrou meu pulso esquerdo e ao me virar abruptamente, por breves segundos, ele olhou fundo nos meus olhos e analisou meu rosto com cuidado. Antes que ele conseguisse revidar, segurei seu punho fechado em torno de meu pulso com minha mão direita e virei seu braço de uma maneira que não deveria virar, ele gemeu de dor e acertei um chute no meio de sua cara. Seus olhos se fecharam, indicando que estava inconsciente.
Cambaleei ao caminhar, graças às pancadas recentes, minhas costelas latejaram de dor e senti um gosto forte e metálico na boca. Levei os dedos até meu supercílio direito e ao trazer os mesmos para frente do rosto, vi a cor rubra cobrir suas pontas. Um gemido tirou meu foco dos meus ferimentos e olhei para o primeiro cretino, o causador daquele caos. Ele estava de quatro no chão, cuspiu e tentou rastejar para longe, mas cometeu o erro de chamar minha atenção para si. Sorri com a cena e fui até ele, trincando os dentes para ignorar a dor que se espalhava por meu corpo a cada passo. Ao me colocar ao lado de seu corpo, não precisei de mais que um chute para tê-lo caído de costas aos meus pés.
— Ah, fala sério. Nem foi um chute tão forte assim! — falei com desdém. — Homens... Tão fracos.
— Você... Você vai pagar por isso. — Ele conseguiu fazer uma ameaça.
— Ha, claro! Com certeza — ironizei com um riso. — Em minha defesa, eu avisei que faria você engolir suas palavras, e os dentes. Mas até que fui legal, posso ver que seus dentes ainda estão aí.
— Está defendendo alguém bem pior do que nós. — Ele apontou para o bêbado com os olhos.
— Então você não tem ideia de quem eu sou. — Pressione meu joelho contra seu peito. — Você fala demais!
— Você vai se arrepender! — Ele tossiu.
— É — respondi. — É bem provável que sim.
Juntei toda a raiva acumulada em mim e descontei em mais dois socos naquele escroto. Antes do terceiro, ele estava apagado. Lembrei do quarto cara que estava com eles, olhei para os lados e não vi nem a sombra desse. Ao contrário do que eu pensava, o bêbado ainda estava ali, caído e rindo sozinho encostado na parede do beco. Fui até ele e chutei sua perna de leve para que olhasse para mim. Ele balançou a cabeça e a levantou. Suas roupas, apesar de estarem sujas e amarrotadas, eram novas e de marca, o que indicava que ele não era apenas um alcoólatra desgarrado. Seu cabelo estava bagunçado e, assim que ele ergueu o rosto para mim, notei os ferimentos em sua testa, canto dos lábios e supercílios. O sangue já havia começado a coagular. Quase imediatamente reconheci suas feições marcantes e seus ardentes olhos azuis, que pareciam ler minha alma até mesmo quando ele estava naquele estado, bêbado e confuso.

— Porra, Dylan — murmurei. — Que merda você fez, hein?

[...]

16 de Junho de 2021 às 23:30 0 Denunciar Insira Seguir história
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