xiaojie NíngYì Mèng

O Cupido sempre quis experimentar o amor, mesmo acreditando ser impossível, já que é ele quem o cria. Porém, tudo muda com a chegada de uma mulher que não importa quantas flechadas tome, parece não se apaixonar.


Conto Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#reencarnação #morte #fadas #almas #deuses #amordecinema #cupido #258 #desafio
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Único.

Sempre me perguntei “qual será o presente perfeito para o dia dos namorados? Joias, perfumes, flores, relógios, e talvez até carros. Não saberia dizer se essas eram as respostas, mas é o que eu penso. Sabe, nunca tive ninguém para trocar presentes, dormir de noite, dar as mãos e essas coisas. Já vi de tudo nessa vida, afinal, sou imortal. Aliás, é muito constrangedor dizer que já criou muitos amores, entretanto nunca experimentou? Não sei, apenas sei que essa vida de ser o Cupido é muito complicada.

Possuo outros cinco Clones principais para cada continente, e outros 246 outros Minis Clones divididos para cada país. Quando digo que minha vida é complicada, não estou brincando. Por consequência, nunca experimentei o amor. Até porque, sou eu que o faço. Assim, não seria nada natural e eu estaria apenas me forçando a algo e não sentiria o mesmo pelo outro ser humano e isso não seria certo.

É mais um dia de trabalho, milhões de pessoas andam com corações de diferentes tamanhos em seus peitos, quando o coração estiver com o comprimento da minha mão, então devo atirar. E o mais bonito que é o coração só fica assim uma única vez, para uma única pessoa. Simplesmente amo amores eternos, foi a melhor coisa que escolhi para essa profissão. Toda vez que um ser humano morre, ele irá esperar pacientemente seu amor, quando este também se for, irão se encontrar. Os dois caminharão por uma longa estrada, com uma enorme luz e então, renascerão para uma nova vida. A melhor parte é que muitos não precisam de uma nova flechada, já que suas almas os destinaram e seus corações não crescerão da mesma forma até encontrar a pessoa amada.

As almas e eu realmente fazemos algo magnífico, completamente impecável. Só perdemos para todo o processo de reencarnação, sem ela nada faria sentido e nada funcionaria. Agradeço há mais de um bilhão de anos por quem criou algo tão belo. Além de que, facilita meu trabalho.

Dentro do meu bolso, escutei algo vibrando, era meu celular. O Cupido da América me metralhava de mensagens.

- O que aconteceu? – eu havia atendido sua ligação. Parecia ofegante, deve estar com algum problema.

- Cupido Chefe, eu sinto muito. Por favor, me perdoe, eu não sei o que aconteceu. Me mate e faça outro para cuidar da América, é o que peço.

- América, não seja assim. O que ocorreu?

Por mais que sejam clones, eu optei por cria-los com personalidades. Assim como qualquer humano, portam sonhos e medos. Afinal, lidamos com o mais belo dos sentimentos e mesmo que eu nunca tendo o experimentado, dei essa oportunidade a eles. Só precisam querer, entretanto não tem coragem.

- Eu... eu... eu negligenciei um pouco o Sul e a parte Central, porque o Norte estava me dando muito trabalho. – ofegou. - Foram sete dias, apenas sete e quando voltei os meus olhos para o Sul. Eu vi algo que não gostaria de ter visto. Uma mulher do país Brasil... não acredita no amor, não importa quantas vezes ela seja flechada, seu coração não cresce. Ela continua da mesma forma, é como se não tivéssemos qualquer controle sobre ela.

- O que? Você ficou louco? Como alguém não pode ser controlado por nós? – ele não parava de chorar e pedir desculpas, devia estar em choque. – Façamos assim, você irá trocar com o Oceania e deixei-o ficar com meu continente e criarei outro clone para me ajudar com a América.

- Chefe, não é justo com ele. Oceania sempre cuidou do menor e agora quer que ele cuide do maior do mundo? Só você consegue ter total controle sobre a Ásia.

- Confio em Oceania, passe essa informação a ele e contate o Mini Clone deste tal Brasil. – desliguei o telefone.

Isso realmente será possível? Entendo que existam pessoas que dizem que não se apaixonarão nunca mais e que o amor é uma mentira, no entanto, estão erradas. Nós fazemos o amor, nós controlamos os seres humanos. E um que não é controlável, é algo... inimaginável.

- Ainda bebê foi abandonada por seu pai e quando sua mãe se casou novamente, as duas sofriam violência doméstica por parte de seu padrasto. Com o assassinato de sua por este homem, foi morar com seu tio, um bêbado que a tratava como uma escrava. Com a morte dele e faltando dois anos para completar o ensino médio, foi adotada pela família de sua melhor amiga e Felipe, o irmão da amiga sempre demonstrou interesse. Só que quando ela decidiu se entregar para o garoto, não imaginava que o interesse fosse apenas para ganhar uma aposta e depois postar o vídeo da relação para todo o colégio. Logo, foi expulsa de casa pelo pai da amiga, mesmo não tendo culpa alguma. Agora, com 18 anos trabalha num restaurante, é destratada por seu chefe, não pode nem o contrariar já que está grávida e esse emprego foi o único que arrumou para conseguir se manter. E deve dinheiro para um agiota. – meu Mini Clone leu o relatório sobre a garota. – E tudo está ligado com a sua encarnação, desde o nascimento, sua alma sabe que sofrerá muito mais e está disposta a nunca sentir o amor.

- Por que os Céus a condenaram dessa forma? – estou chocado e assustado.

- Eu não consegui nada sobre isso.

- Está bem.

Não sei se pode ser, porém, existe uma lenda que fala que se uma alma cometesse um crime que equivale a cinco maldições para todas as vidas, sofreria até aceitar seu delito e pedir perdão para todos os habitantes dos Céus. Também, para complementar, falavam que só uma conseguiu tal proeza. Uma alma feminina se apaixonou por um anjo, todavia, isso era proibido. Ao batalhar contra outro anjo, ele se feriu gravemente e a única coisa que poderia curá-lo era uma erva rara que só nascia de mil em mil anos, na Ásia, no país China. Entretanto, pegar qualquer coisa do mundo humano era crime e a alma foi pega. Ela foi condenada a viver no mundo dos humanos tendo uma vida patética e que nessa vida, nunca encontraria a felicidade e que ao fim do curto período, seria morta. Morreria sozinha e sem ninguém. Foi condenada a passar por isso por um milhão de anos. Ao passar mil anos, sua morreria permanentemente, mas, voltaria a vida um milhão de anos depois. E seu amor, morreria e renasceria sendo torturado por quinhentos mil anos e quando acabasse, teria de cuidar do amor dos humanos, porém para o seu próprio, jamais teria tempo. Ouvi dizerem que o Líder dos Céus deu uma pena leve por gostar do anjo e trata-lo como um filho. E, mencionam que esse ser era o atual Cupido.

Eu nasci na criação do mundo, portanto, desde sempre meu trabalho foi cuidar do amor dos seres humanos e não sei se isso é verdade. E se por acaso fosse e nós fossemos viver nosso amor novamente, ela poderia sofrer de novo e mesmo eu sendo imortal, imortalidade nunca é uma garantia. Centenas de imortais morrem todos os dias nos Onze Céus, incluindo fadas, demônios, anjos, Deuses entre tantos outros seres.

Como vou ter contato com humanos, pedi para o Mini eu preparar tudo que o que preciso, desde identidade até dinheiro.

- Bom dia, o que deseja? – ela era, a mulher que não acredita no amor. Linda, negra, cabelos lisos parcialmente preto com algumas mechas loiras naturais, olhos castanhos e grandes, usando um óculos de cor azul e com uma barriguinha difícil de ser visualizada, porém muito bonita. Entretanto, estava muito magra e com cara de cansada. Será que come e dorme direito?

- Três pães de queijo e um suco de... Me recomende um sabor.

- O de maça é o melhor da casa, ainda sim, eu gosto muito do natural de groselha, tem também- - a interrompi.

- Um suco natural de groselha. – a garota sussurrou um “ok”.

São quase oito horas da manhã e o local possui apenas cinco pessoas: eu, a garota, seu chefe e outros dois clientes. Estudei o chefe, é um homem que age como um esterco de vaca. Ele não faz nada, só receber o dinheiro e reclamar. É literalmente um esterco.

Ela trouxe a bandeja e colocou as coisas em minha mesa.

- Boa refeição. – desejou saindo de volta para a cozinha, contudo, a impedi segurando em seu braço. – Algum problema?

- Coma comigo. – seu semblante demonstrava uma total confusão. – É isso o que ouviu, coma comigo. – ao ver isso, o líder do local se aproximou.

- Senhor, escutei o pedido, ela minha funcionária, está trabalhando e-

- Por que não está fazendo o mesmo? Sempre fica sentado agindo como se não tivesse que gerenciar. E além do mais, os clientes sempre têm razão, não é? Eu faço questão que ela coma comigo e se precisar, – tirei uma carteira do meu bolso, contendo várias notas e entre elas, uma de cem reais. – Quantas dessas eu preciso dar para que esta mulher coma e passe um tempo comigo?

- Só esta está bom, senhor. – o homem tirou o dinheiro da minha mão e saiu andando. A grávida se sentou na cadeira a minha frente, de cabeça baixa.

- Eles são pra você.

- Como? – não entendeu minha fala, estava totalmente dispersa.

- Os pães e o suco são pra você. Me parece que a senhorita está grávida e muito magra, isso pode ser perigoso.

- Obrigada. – a loira falou, mordendo um pão de queijo. – Mas eu não preciso que se preocupem comigo.

- Não me preocupo, só quero te ajudar.

- Também não preciso de ajuda. Só estou aqui porque se quiser parar no olho da rua, é só desobedece-lo.

- Você sabe que não devia ser assim, não é? – alertei.

- Minha vida não diz respeito a você. Agora, se me dar licença, eu vou voltar para o meu trabalho.

Talvez isso vá ser mais difícil do que eu pensava. Sei do seu passado e por esse breve momento, sua barreira para se aproximar das pessoas ficou nítida. Mas tudo bem, sou o Cupido e nunca deixaria de cumprir meus objetivos.

Passei o resto do dia naquele lugar. Me pergunto por que aquele cara não contrata outras pessoas para ajudá-la. O movimento começou lá para as dez da manhã e terminou agora, às oito da noite. Pessoas entravam e saiam a toda hora, ele não percebe que é extremamente difícil trabalhar sozinho? Além de que, alguns clientes a olhavam de jeito esquisito. Um olhar que não era romântico, muito menos normal, era como se estivessem famintos. Sedentos para experimenta-la. Foi uma impressão horrível.

Sendo assim, no fim do dia, eu fingi que iria embora e a esperei sair, num lugar onde não poderia ser visto. Neste momento, eu a protejo. Vi um daqueles homens a seguindo após o estabelecimento fechar e aquilo me trouxe um sentimento ruim. Me senti passando por aquilo novamente, como um déjà vu. Então, quando o vi tentando leva-la a força, eu me aproximei e bati, na verdade, continuo batendo nele.

- Pare, pare. – a loira tentou me acalmar, porém, o ódio me consumiu. Essa cena não parece nova, é como se eu já tivesse feito isso em alguém assim outra vez. O que será que é essa sensação?

Apenas parei quando me senti satisfeito. Como pôde tentar fazer isso, ele é doido?

- Por que fez isso? Ficou louco? – gritou. – Devo dinheiro a ele e você o espancou.

- Ele ia te levar pra sei lá onde e agora briga comigo? Acha mesmo que esse cara ia te deixar viver? Dependendo do quanto deve, esse tipo de gente faz da sua vida o inferno para conseguir o dinheiro. – o cara começou a gemer de dor e abriu levemente os olhos. – Quanto precisa pagar?

- Não te interessa. – disse ríspida.

- Então prefere morrer? – a mulher revirou os olhos.

- Essa vadia me deve sete mil. – mesmo caído no chão e repleto de dor, conseguiu dizer.

- Ok. Eu devo te pagar até quando? E onde nos encontramos?

- Amanhã. Na praia, às seis em ponto. – abri minha carteira de novo e tirei todo o dinheiro que eu tinha.

- Agora só devo quatro mil e após pagar, se por acaso eu souber que tentou levar alguém mais uma vez, não irei poupa-lo.

Geralmente, jamais seria violento, afinal, não fui criado para realizar esse tipo de coisa. Todavia, tenho a pressentimento de que ele desperta algo adormecido dentro de mim.

Corri atrás da garota, que já havia partido sem ao menos agradecer. Que ingrata!

- Ei! Ao menos me agradeça. – pedi.

- Não!

- Mas eu te salvei.

- Não pedi pra ser salva.

- Mulher ingrata. – declarei e a mesma se pôs a minha frente, batendo o pé.

- Escuta aqui, o senhor nem me conhece e-

- São mais de nove horas da noite, está muito frio, e não se cobriu? Eu sinto muito por não ter percebido. – retirei meu casaco e coloquei nela. – Realmente peço desculpas. – se demonstrou surpresa.

- Eu não-

- Nem comece com essa falta de educação de novo, não é só a sua vida, como também a criança pode estar passando frio. Pense no seu filho. – falei enquanto colocava o casaco na garota.

- Está bem, - disse com a cabeça baixa. – o senhor quer me acompanhar até em casa? – fiz que sim com a cabeça.

Caminhamos para a casa dela em silêncio, ao chegarmos, fui pedido para entrar e aceitei. Era isso o que chamavam de residência humilde? Eu achei linda e aconchegante. Sentei em seu sofá, enquanto ela foi buscar coisas para limpar os meus ferimentos.

- Prontinho. – sentou-se ao meu lado no sofá – Provavelmente irá doer, então aguente a dor, tá bom?! – assenti. Com a primeira passada do produto, eu gritei alto. – Eu disse que iria doer.

- Mas não muito, quer me matar?

- Não fale desse jeito, senão vou deixar esse machucado infeccionar, seu briguento. – passou novamente, só que dessa vez, com raiva.

- Ei!

- Não teste meus limites, senhor! – exclamou. – prosseguiu passando, mesmo eu dando baixos gemidos de dor. – Certo, agora o curativo.

Perto, perto demais. Assim que eu descreveria esse momento. Muitas das vezes, eu sinto o seu ar se misturar com meu. Seu hálito é bom, cheira a cereja. Cereja... eu não sei o que é isso, mas eu gostaria de experimentar.

- Terminamos. – “Já?”, foi a primeira palavra que se passou na minha cabeça.

- Infelizmente. – sussurrei.

- Como é? – respondi com o clássico “nada” e sorri sem graça. – Eu não te vi comendo hoje e olha que ficou o dia todo no restaurante. Então, quer ficar pra jantar?

- Sim.

Por um breve, eu tive um pensamento, ela desacredita no amor porque foi muito magoada. Portanto, meu objetivo é fazê-la se apaixonar, porém e depois? Até como o ser que fabrica o amor, essa é uma questão difícil de ser respondida. Distribuo flechas e aquelas duas pessoas tem de lutar uma pela outra. Eu nunca percebi que havia um depois. Após ficarem juntas, devem ser felizes, entretanto, nunca estive neste papel. Meu depois é voltar para o trabalho e ela? Não vai odiar ainda mais o amor?

- Você me ouviu? - me fez voltar a mim.

- Pode repetir?

- De onde você veio? Aqui é uma cidade pequena, então todos conhecem todos.

- É... eu sou novo. Eu fui largado pela minha noiva no altar e vim aqui para... refletir e tentar encontrar o amor. - desejei parecer mais humano, por isso menti.

- O amor não existe.

- Como sabe?

- Se existisse tantas pessoas não estariam sofrendo e eu... não estaria nesta situação. - indagou sua barriga.

- Ele morreu ou te abandonou?

Mesmo sabendo da resposta, insisti em perguntar. Queria que ela se sentisse segura ao meu lado.

- Eu prefiro não dizer. - neste momento, o micro-ondas apita e um odor delicioso invade a cozinha. - Espero que goste de lasanha.

- O que é isso? - fez uma expressão de choque.

- Como assim "o que é isso?"? É a melhor comida feita pelo ser humano e que recriaram para ser esquentada no micro-ondas. Nunca comeu lasanha? - balancei a cabeça em sinal de não. - Isso deveria ser considerado um crime. Aqui, eu estou sendo generosa, pegue esse pedaço grande prove esta perfeição. - eu ri.

- Tirando o fato de que foi grossa boa parte do dia, consegue ser muito legal. - elogiei e semicerrou os olhos.

- Sobre isto, me desculpa. É que minha mãe dizia que algumas pessoas são extremamente perigosas e que nunca devemos abaixar a guarda para ninguém. E uma vez eu abaixei a guarda e ela estava certa. Eu fui enganada e usada como uma idiota.

- Desculpe, isso é algo doloroso, eu não-

- Oh, tudo bem. Lembrar dela me faz bem em muitas coisas. - sua voz aspirava o desanimado, todavia, logo ficou animada outra vez - E você, como foi que falou? "Coma comigo" - imitou minha voz e nós rimos. - Pois então, coma comigo. - coloquei um pedaço deste alimento na boca e... é como se estivesse em outro universo.

Jamais experimentei algo assim, seja em minhas raras passagens nos Onze Céus ou os alimentos criados por mim. É macio, saboroso, cada garfada que ponho em minha boca, anseio por mais. Como criaram algo assim?

- É. Simplesmente. Perfeito.

- Eu avisei.

- Como foi feito algo assim? É tão... incrível.

- Isso é porque não provou os outros sabores. Ainda tem o de carne e frango.

- Existem mais? - eu elevei o tom, surpreso. Ela ria com minha empolgação. - Eu preciso de todos, você pode fazer outro?

- Essa era a última que eu tinha.

- Amanhã compraremos mais. Necessito desse sabor na minha boca outra vez. E se quiser, podemos realizar as compras do mês.

- Posso lhe pergunta algo?

- Claro - digo, lambendo meu prato.

- Por que está fazendo isso? Pagou meu café da manhã, me defendeu do agiota e vai pagá-lo, acabou de se oferecer para me ajudar nas compras mensais, se preocupa comigo e com o meu bebê ao ponto de me dar seu casaco. Pra que tudo isso? Vai me cobrar tudo quando a bondade terminar?

Engoli em seco - Apenas saiba que, eu sou do bem. Nunca faria mal a você e ninguém que não mereça.

- Isso é sério?

- Sim.

- Eu espero que seja. - suspirou alto, olhou para o relógio do micro-ondas. - Já são onze da noite, é melhor ir.

- Ok! Amanhã nos vemos.

O hotel mais próximo é muito lindo, além de acolhedor, me lembra os casarões antigos do século XIX.

Meu telefone vibrou em meu bolso, era o Mini Cupido.

- Cupido Chefe, nós temos problemas. Fui visitado pela Fada dos Humanos e ela não gostou nada do que viu, disse que o senhor está interferindo no trabalho dela ao fazer essa humana feliz.

- "Trabalho dela"? E o meu? Devo deixar uma pessoa desacreditada no amor?

- Meu senhor, a Fada o ameaçou. Disse que, caso o senhor não parasse, então, a melhor forma de resolver isso ser matar a humana.

- Esse rato com asas acha que pode me assustar? Diga pra ela que eu não tenho medo de nada e nem de ninguém. - desliguei, irritado. Como aquela simples fadinha pensa que pode fazer algo?

Haviam se passado horas desde a ligação, marcando quase cinco da manhã, ainda relembro aquilo. Que coisa mais absurda! Até onde sei qualquer Fada dos Humanos, de maneira alguma deve dar fim a vida de qualquer humano sem estar no Livro do Memorial. E eu não acredito que aquela garota esteja, ela ainda tem que aprender muito sobre o amor e viver.

Estou carregando uma pequena mala com os sete mil restantes. Quando ia apertar a campainha, uma barrigudinha estava pronta para sair de casa.

- Já está aqui? - pareceu surpresa.

- O que foi? Não gostou de me ver?

- Não é isso, é que... Eu tinha certeza de que não voltaria.

- Eu não minto, sou um homem de palavra. - eu abri um largo sorriso. - Então, prefere que eu te deixe no serviço antes?

- Como assim? Nós vamos entregar o dinheiro juntos.

- Pode ser muito perigoso.

- A dívida é minha e eu exijo te acompanhar.

De repente, meu coração apertou. Apertou como nunca vi, isso seria o que chamam de mau pressentimento?

- Está bem, mas se algo der errado, corra. Corra o mais rápido que puder.

- Sim, mas tenha fé que vai dar certo. - os dois sorriem.

- Chega, eu não aguento mais. - vociferei. - Você é uma desgraçada, como pode dar sempre um fim trágico pra eles? Olha só, vão chegar na praia sem uma chance de defesa e levar tiros a queima roupa só porque esse cara apanhou na noite anterior? - eu estava certa, a Fada dos Humanos é realmente doente.

- Deusa do Clima, não fique brava agora, eu só estou fazendo meu trabalho, o antigo Cupido se apaixonou por essa humana, então o Líder dos Onze Céus mandou que eu os torturasse pela eternidade.

- Desse jeito? Veja, morreram com as mãos dadas. Que horror, é sempre assim, você é tão sanguinária. Na Terra, hoje é Dia dos Namorados, não poderia ter lhes dado um fim digno, ao menos hoje?

- Ei, não é a primeira vez que o espírito dele dá problema, lembra do romance proibido entre a aquela alma e o anjo? Eram eles, naquela época, nosso líder foi piedoso, e quebraram as regras novamente. O que eu posso fazer?

- Talvez não pegar tão pesado com dois seres que se amam há mais de um trilhão de anos?

- Não, cara Deusa, fui designada para o caos e até gosto.

- Pobrezinhos, eu vou embora, já sei que pretende retomar essa tortura de novo e de novo. Adeus, agora vou fazer chover.

- Faça mesmo, uma morte com chuva nunca deixará de ser épica.

- Vá se tratar, Fada. - gritei. - Pobre humana e antigo Cupido, não mereciam tal sofrimento. Coitados.

17 de Junho de 2021 às 01:31 10 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

NíngYì Mèng Sou uma garota de 16 anos que sempre amou escrever, desde criança fui definida como criativa. Portanto, ao longo dos anos, eu me envolvi e desenvolvi cada vez mais esta magnífica arte. De vez em quando paro, mas sempre retorno. Escrever faz parte de mim, tanto quanto respirar.

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Olá, NíngYì Mèng ! Primeiramente, gostaríamos de agradecer a sua participação no #amordecinema! Ter vocês, autores, nos apoiando com suas histórias incríveis e participando ativamente deste desafio nos deixou realmente felizes. Amor Cupido nos traz algo muito intrigante e interessante: uma mulher que não pode ser atingida pelo Cupido, que está fadada a viver uma vida miserável na Terra. Ficamos chocados quando isso nos é apresentado, mas então os fatos vão se encaixando até que a trama se desenrole em algo muito mais complexo e extraordinário. Infelizmente a sua história não condiz com a proposta do edital, que era escrever sobre a busca do presente perfeito e por isso sua história não poderá entrar pros destaques, mas não desista, pois teremos muitos outros desafios e esperamos ter você com mais histórias incríveis neles. Apesar disso, a Sinopse da história traz uma premissa muito interessante e que adoramos acompanhar. Sem dúvidas uma das coisas que mais nos cativou foi a ambientação da história. A forma como o método de trabalho do Cupido é apresentado nos envolve desde o começo. Uma mecânica inteligente e bastante complicada, que leva a todos os corações humanos o amor verdadeiro e a rendição a esse sentimento tão importante. E essa parte da história ficou tão impressionante que queríamos muito ter visto um pouco mais sobre ela na história. Agora, com relação aos personagens, gostamos muito da mocinha da história, mas ficamos com alguns questionamentos com relação a ela, como quando diz que ela era “Linda, negra”, mas depois ela é sempre mostrada nas falas como uma mulher loira e isso deixou a narrativa um tanto confusa. Outra coisa sobre a qual gostaríamos de falar é sobre o fato de o Cupido se mostrar um ser compreensivo, bom e paciente, mas depois se comportar como um Stalker com a moça. Acreditamos que esse é um daqueles pontos que podem ser trabalhados melhor e esperamos contribuir para que você cresça sua narrativa através de outros desafios como esse. Com relação à ortografia e gramática da história, gostaríamos de recomendar o nosso blog Esquadrão da Revisão, que dá suporte aos autores com artigos descomplicados sobre nossa língua. Temos certeza de que a qualidade da sua escrita só vai crescer e esperamos poder contribuir com isso de alguma forma. Gostaríamos de agradecer por ter tirado um tempo para escrever para o desafio e por ter se comprometido até o final nessa jornada. E saiba que, apesar de sua história não poder entrar pros destaques, ela ficará marcada em nossos corações. Obrigada pela sua participação, foi muito bom poder contar com você neste desafio e esperamos poder vê-lo em outros. Os resultados serão divulgados em breve nas nossas mídias sociais. Fique de olho e até os próximos desafios!
June 19, 2021, 14:59

  • NíngYì Mèng NíngYì Mèng
    Tudo bem, eu já esperava isso. Mas participar foi muito divertido. Sobre o fato da mocinha ser negra e retratada como loira, é que foi inspirada em minha própria família. Minha avó que era negra de cabelo crespo casou com um homem loiro, branco e cabelos lisos. Assim, nasceram são meus tios que são negros com fios crespos ou cacheados. Eles tiveram filhos e, a partir disso, muitos dos meus primos nasceram com o cabelo completamente liso/cacheado loiro ou com algumas mechas loiras e sendo brancos, negros ou pardos. Sim, sim. Eu só tive essa ideia do Amor do Cupido faltando quase um dia para o desafio fechar, então entendo que muitas coisas ficaram incoerentes e confusas. Pretendo revisar mais e arrumar algumas partes no enredo. E também procurar a Equipe de Revisão, quando sentir que preciso. Obrigada vocês, criar Amor do Cupido estimulou minha criatividade. Espero ansiosamente pelo resultado, quero ver se meus contos preferidos estão no pódio. Até! 💕 June 19, 2021, 15:43
Rodrigo Martins Rodrigo Martins
Caramba! Muito bom! Gosto muito dessas reconfigurações dos mitos. Não basta inteligência, mas também observação e reflexão da simbologia. Parabéns.
June 18, 2021, 18:11

  • NíngYì Mèng NíngYì Mèng
    Muito obrigada, fico imensamente feliz que tenha gostado <3 June 18, 2021, 20:01
Karimy Lubarino Karimy Lubarino
Olá, autora! Tudo bem? Cara, eu adorei a forma como você mostrou o trabalho do Cupido e toda a mecânica por detrás dele. Adorei todas as vezes que ele dizia Mine eu hahahahha A história de amor deles é triste, trágica e antiga. Pelo jeito, vão sofrer muito mais, o que realmente é uma pena. Parabéns pela história, e fico feliz que tenha conseguido participar 💖.
June 18, 2021, 12:58

  • NíngYì Mèng NíngYì Mèng
    Sim, sim. Mesmo que tenha sido eu que criei a história, me sinto triste pelo fim deles. Obrigada, também fiquei muito feliz por participar ❤ June 18, 2021, 20:00
Luana Borges Luana Borges
Achei muito legal e criativo :D Porque não um cúpido se apaixonando? Adorei a ideia... Parabéns pelo conto, ficou lindo S2
June 17, 2021, 15:12

Arnaldo Zampieri Arnaldo Zampieri
Eu adorei toda mitologia criada. Sinto que você poderia escrever mais histórias dentro desse universo que pode ser criado, eu adoraria ler! =)
June 17, 2021, 12:55

  • NíngYì Mèng NíngYì Mèng
    Fico feliz que tenha gostado. Irei pensar, obrigada pela ideia :) June 17, 2021, 13:19
~

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