karryjenkins Karry Jenkins

Estamos tão acostumados a caminhar em direção a luz, como um girassol a perseguir o sol, que não sabemos o que fazer quando finalmente nos deparamos com as sombras a nossa frente. E por mais que ligue uma lanterna ou acenda uma vela, o brilho emitido por estas não são o bastante para ocultar a vasta escuridão que continuará a encara-lo. Anna, decidida a esquecer o passado ir atrás de seus sonhos, mudou-se com Juliana, sua amiga, para uma país estrangeiro onde pudesse recomeçar. Acreditava que reconstruir sua vida seria mais fácil em uma cidade grande, logo aceitou a oferta de Young Soo para morar no terraço de seus tios em Dudal. Contudo, mal sabia ela que aquele não era um município comum. Assim que os ponteiros do relógio alcançavam o número doze coisas estranhas passavam a acontecer. Presa na interminável noite, a menina percebe que a única forma de trazer de volta a luz é descobrindo primeiro "de onde vem as sombras".


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

#drama #258 #378 #terror #min #yoongi #suga #bts
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Linha 1: Nas escadarias da estação

Era final de tarde e os últimos raios de sol atravessavam a cidade, deixando um rastro de tons alaranjados por onde passava. Depois de um longo dia de trabalho, os cidadãos da grande Dudal se preparavam para se recolher em suas casas e conseguir seu merecido descanso, enquanto o primeiro vislumbre da lua se fazia presente. Em algum lugar no centro da metrópole, passos apressados desciam correndo as escadarias do metro, desviando da multidão a sua frente. A essa hora do dia o pátio da estação via-se completamente lotado, e uma garota de cabelos curtos e aparência jovial encontrava-se perdida em meio a grande quantidade de pessoas a sua volta. Com a ponta dos pés, ela esticou o pescoço esforçando-se para encontrar algum mapa que lhe indicasse o caminho, mas este parecia algo impossível de se encontrar. A menina, já atrasada, imaginou o que mais poderia acontecer para que dificultasse ainda mais seu caminho até o trabalho. Depois de tanto tempo procurando e procurando algum lugar que a contratasse, finalmente achou. Não era bem um emprego dos sonhos, mas era o suficiente para que pudesse cobrir o aluguel que dividia com sua amiga. No começo ela estava animada, porém logo mudou quando uma sequência de situações infortunas começaram a bloquear seu caminho.

Após tanto buscar, avistou ao longe uma grande placa com as informações que precisava. Em passos largos ela se moveu ao local, no tempo em que tentava ao máximo desviar dos indivíduos que passavam à sua frente. Ao chegar, observou o grande ponto vermelho que dizia“você está aqui”, lembrando-a que, após tanta correria, já não recordava o nome da estação ao qual deveria ir. Vasculhando os bolsos encontrou um pequeno folheto de um luxuoso restaurante da cidade, que tinha rabiscado com caneta preta em um dos cantos do papel o nome da estação ao qual deveria ir. Então seguiu com o dedo a linha vermelha que a guiaria até seu destino.

“Linha 2: Sinnan. ”

Com o nariz franzido, a garota moveu seus pés ao local indicado sem perder o ritmo, ao passo que tentava ao máximo não perder a paciência com a trajetória cansativa. As portas se abrem e em pouco tempo não há mais lugar para se sentar. Segurando-se na barra de apoio, a mesma retira o celular do bolso e checa o horário.

— Merda, faltam cinco minutos. – diz para si mesma enquanto tenta conformar-se com o atraso.

Depois de alguns minutos as portas finalmente voltaram a abrir tirando a jovem de seus devaneios. E durante o tempo em que tentava facilitar seu caminho entre as pessoas, foi empurrada para o lado por um grande homem de chapéu coco que permaneceu em sua frente. Este vestia uma sobrecasaca preta e pesada que cobria mais da metade de sua enorme estatura, e em uma das mãos segurava uma bengala de madeira antiga, cuja parte superior assemelhava-se a cabeça de uma águia feita de bronze.

— Moço, com licença! – exclamou, mas ele não parecia ouvir. Irritada tentou mover-se para o lado, porém o movimento de corpos passando era muito grande, e para ajudar, havia um indivíduo folgado parado à sua frente.

Apesar de apenas segundos terem se passado, o desconforto e a bagunça naquele ambiente era tanta que o tempo começou a andar mais lentamente para a mesma. O pouco ar que lhe sobrara era arrancado aos poucos de seus pulmões com os apertos e esbarrões das pessoas que passavam, deixando-a sufocada. E após o que pareceram séculos, o homem à sua frente por fim moveu-se. Todavia, em meio ao tumulto das pessoas que tentavam seguir caminho, a garota viu algo cair do bolso do sobretudo do sujeito. Mesmo em meio à confusão, conseguiu abaixar-se e pegar o objeto para que pudesse entregá-lo ao seu dono. Contudo, assim que levantou a cabeça, ele já não estava mais lá.“Era só o que me faltava”, pensou esta saindo do trem.

Com a consciência pesada, a garota seguiu seu caminho, prometendo a si mesma que no outro dia passaria noAchados e Perdidospara deixar o objeto ao qual não a pertencia, pois hoje não havia tempo sobrando para isso. Após uma corrida cansativa por algumas quadras, ela finalmente chegou ao grande restaurante no qual passaria o resto de suas noites, ou era isso que esperava. Era com certeza um local bem requisitado, isso sem dúvidas. A fachada era trabalhada em pedras portuguesas, que fazia contraste com as grandes portas de madeira escura, logo na entrada via-se um enorme letreiro luminoso escritoGolden Flavor.

— Sabor Dourado.... Continuo achando um péssimo nome. – exclamou a menina enquanto adentrava as portas do recinto.

Se o exterior do restaurante já agradava os olhos, seu interior era ainda mais belo. Mesas redondas de tamanho mediano espalhavam-se por todo o local, e em seu centro havia um belíssimo candelabro de bronze com velas acesas, que por sua vez deixavam o ambiente todo um pouco mais agradável. No canto superior de cada parede se encontravam luminárias que emitiam uma suave luz amarelada, enquanto que no meio do salão via-se um maravilhoso lustre de cristais que caiam como uma cascata por toda sua extensão. A decoração transacionava entre moderna e vintage, trazendo um ar suntuoso em tons de marrom e vermelho. Alguns poucos garçons iam e vinham com bandejas cheias de todos os tipos de comida refinada, enquanto no canto do recinto, um grande piano de calda preto era tocado por um homem grisalho e bem vestido.

O lugar estava razoavelmente cheio, algo que não era muito comum para o horário. Pessoas bem apresentáveis e de aspecto rebuscado se espalhavam pelo salão, algumas conversando sobre o trabalho, outras bebendo todo tipo de bebida cara em suas taças de cristais enquanto tagarelavam descontraidamente. O restaurante era tão impecável que parecia ter saído de algum clássico Hollywoodiano, então porque sua reputação entre os antigos funcionários era tão péssima? E o fato de uma pessoa com um currículo comum e sem recomendações ter sido chamada para trabalhar em um local que parecia ter tantas exigências era um pouco estranho. Apesar de ser um ambiente extremamente confortável, a garota não deixou de sentir-se aflita. Algo dentro dela a dizia que não deveria confiar em ninguém por ali.

Lentamente suas pernas se moveram em direção ao Metre, um homem jovem e esguio que usava grandes óculos arredondados. Este parecia estar ocupado preenchendo alguns papeis.

— Com licença? – pediu educadamente.

Quase que de forma automática os olhos do rapaz se ergueram até ela, porém seu sorriso que havia começado a se formar desapareceu instantaneamente. A fitando de cima a baixo, o homem arrumou sua postura e soltou um suspiro entediado, como se a mesma não valesse seu tempo.

— Posso ajudar? – respondeu com desdém voltando a mexer em sua papelada e demonstrando pouco interesse na menina à sua frente.

Por um segundo a jovem sentiu-se ofendida pela forma ao qual ele a tinha recebido. Talvez o homem estivesse apenas em um dia ruim; apesar de ser um comportamento inesperado vindo de alguém cujo trabalho é recepcionar as pessoas que ali entrassem. De qualquer forma, era melhor não pensar tanto nisso, seu dia já havia sido desagradável o suficiente. E como se não bastasse, seu desconforto por aquele lugar só cresceu ainda mais. Sem perceber, seu rosto fechou-se em uma carranca confusa, que tentava de todas as maneiras não transparecer sua frustração pela situação. Afinal, ela havia acabado de chegar em seu primeiro dia de trabalho, tudo que menos queria era causar uma impressão ruim logo de cara.

— Sou a funcionaria nova. – respondeu de maneira simples, forçando-se a sorrir no final.

— Então você deve ser Anna Claudia da Silva, não é mesmo? – indagou este com um olhar repreensivo para a menina — Está atrasada!

— Me desculp...

Antes que pudesse se justificar o sujeito à sua frente bateu a pasta no balcão enquanto a olhava casualmente com uma das suas sobrancelhas arqueadas. Com um pulo, a garota colocou a mão em seu peito e arregalou os olhos, assustada pela ação tão repentina do homem.

— Para sua sorte o Sr. Hae não pode vir hoje ao restaurante. – suspirou com a mão em sua têmpora, balançando levemente a cabeça em negação. — Apenas entre pela porta de funcionários a sua esquerda, lá eles te darão o uniforme e as informações necessárias para começar. – ajeitando seus grandes óculos redondos que havia caído na ponta do nariz, voltou a desviar sua atenção da garota.

Anna limitou-se a balançar a cabeça em concordância e se direcionou para a porta indicada, contudo, antes de completar seu terceiro passo ouviu a voz preguiçosa do Metre a chamando.

— E Anna, amanhã entre pela porta dos fundos, não queremos que os clientes vejam alguém entrando no local com essetipode vestimenta. – disse apontando para suas roupas de forma desgostosa. — E peço que se arrume melhor da próxima vez, presamos por nossa reputação.

Sem muito esforço, apenas concordou com o mesmo e o deu as costas guiando-se até a porta de funcionários. Assim que entrou deparou-se com os olhos de todos sobre si, e de modo semelhante ao que imaginara ela não teve uma recepção muito amigável. Em passos lentos e receosos a menina foi em direção a uma mulher, que aparentava ter pelo menos 40 anos, e explicou-lhe sua situação. Sem qualquer enrolação esta a entregou seu novo uniforme e a empurrou em direção ao banheiro dos empregados para que pudesse se vestir.

Ao entrar, suas narinas foram quase que imediatamente invadidas pelo cheiro de pó e madeira velha existente no local. Um passo para dentro e era como se tivesse feito uma viagem no tempo, já que toda sua decoração remetia à época vitoriana. Talvez o restaurante em si fosse mais velho do que imaginara, sendo a área dos funcionários o único lugar que não havia sido reformado. Era um banheiro razoavelmente grande, e assim como o resto do local os móveis eram feitos de madeira escura e mármore, porém não eram tão luxuosos ou bem cuidados. No teto haviam pequenos sinais de mofo se formando, e o piso de madeira parecia se soltar a cada passo dado por Anna.

Na parede principal se encontrava um grande espelho emoldurado em madeira e bronze. De todos os objetos, este parecia ser o mais velho e o que mais lhe cativara por sua beleza. A garota parou em frente deste por um breve momento e observou seu reflexo. A expressão em seu rosto era de puro cansaço e seu cabelo, que encontrava-se armado e bagunçado ao longo do comprimento; estava longe de parecer como quando saiu de casa, todavia o que ainda não entendia era o tal problema das vestimentas que usava. Uma calça jeans e uma camisa ombro a ombro azul era um vestuário bem casual, por tal fato não imaginou que seria um problema. Em todo caso, não havia o porquê de ela pensar em algo tão banal agora. Tudo o que queria era que a noite terminasse logo para que pudesse voltar para o conforto de sua cama. Pensando nisso, dirigiu-se a última cabine e se trocou.

O uniforme era um vestido preto social com alguns detalhes em vermelho vivo, e uma calça legging escura. Enquanto arrumava o coque no alto de sua cabeça, uma tarefa complicada devido ao curto comprimento de seu cabelo, notou o quanto havia ficado bonita naquelas vestimentas.

“Nada mal. Fiquei maravilhosa. ”

Pensou a mesma fazendo algumas poses em frente ao espelho para poder analisar o encaixe deste em sua silhueta esguia. Apesar do que achara, o vestido tinha servido perfeitamente em seu corpo, dando destaque as curvas que tanto amava. O único problema era o aperto do tecido em seus seios, já que eram maiores do que o padrão de uma mulher coreana, e isso poderia acabar lhe incomodando durante seus deveres. De qualquer forma, o fato do vestido não ter ficado tão pequeno quanto imaginara foi o suficiente para aumentar a confiança da garota e tirar um pouco da tensão ao qual estava. Afinal, de todas as coisas que lhe ocorreram, pelos menos o uniforme a serviu. E com as mãos na cintura ela sorriu pela primeira vez naquele dia.

No momento em que terminava de pegar suas coisas e guardá-las na bolsa, uma mulher alta e de nariz arrebitado adentrou o cômodo.

— Estrangeira? O que está fazendo aqui? Deveria estar no salão fazendo seu trabalho e não enrolando! – indagou a mulher de forma rude e com uma expressão grosseira em seu rosto.

Esta seria uma noite longa.

E assim como supôs o tempo nunca passou tão devagar, e para piorar não havia ninguém ali que fizera o mínimo esforço para ajudá-la. Sermões atrás de sermões, a menina passara a noite desculpando-se com Yang Mi, a supervisora de salão que estava encarregada de ficar de olho em Anna pelos próximos dias. Não demorou muito tempo para perceber que no restaurante tinham menos empregados do que havia suposto, talvez por esse fato a tivessem contratado tão rápido. Como previra, o local era cheio de regras de comportamento e vestimentas, mas o que ela não sabia era que por trás da agradável fachada do salão existia uma atmosfera tão pesada que tornava o ambiente todo insuportável. O clima entre os funcionários era completamente tenso e a jovem não sabia quanto tempo iria aguentar aquele lugar.

Após algumas horas seu expediente chegou ao fim e a mesma apressou para recolher suas coisas e encerrar a noite. Saindo pela porta dos fundos, Anna suspirou aliviada por finalmente poder ir para casa. Era por volta das doze horas e o frio já havia se feito presente. O vento estava forte e trazia consigo e leve cheiro de chuva. Com os braços arrepiados pela gélida brisa, a menina retirou sua blusa fina da bolsa e seguiu seu caminho antes que a água começasse a cair. O céu estava totalmente coberto por grossas camadas de nuvens que impediam a luz da lua de iluminar o caminho de Anna para casa. A única iluminação vinha dos postes de luz que piscavam como se fossem apagar a qualquer momento. Sem dúvidas era uma péssima hora para ela estar andando sozinha pelas ruas da cidade, mas não havia muita escolha além de caminhar até a estação mais próximo.

Incomodada com o silencio gritante da noite, a menina abriu sua bolsa em busca de seus fones de ouvido, mas o que encontrou foi algo inesperado. Em meio a toda confusão daquela tarde, Anna mal havia reparado no objeto inusitado que acabara caindo do bolso do moço esquisito do metro, e que agora estava em suas mãos. Assemelhava-se a uma moeda de ouro antiga, com escrituras estranhas em uma língua desconhecida pela mesma, e em seu centro haviam dois círculos concêntricos, um parcialmente dentro do outro, com um C de duas pontas no interior de ambos. Depois de olhá-lo por alguns segundo ela simplesmente o devolveu para a sua bolsa. Deveria ser algum tipo de relíquia antiga de família ou algo assim, de qualquer forma não parecia ser boa coisa. Ela não era uma grande fã desse tipo de objetos ou símbolos antigos, afinal nunca se sabe para que servem ou de onde vieram. Apesar da curiosidade, decidiu que quanto menos soubesse seria melhor, tudo o que faria era devolvê-lo para seu dono.

Após algum tempo de caminhada sentiu algumas gotas começaram a cair em sua pele, e ao vasculhar sua bolsa Anna amaldiçoou-se, pois pela primeira vez havia se esquecido de seu precioso guarda-chuva lilás. Acelerando os passos ela correu para chegar à estação antes que a chuva piorasse, porém em pouco tempo as gotas de água começaram a engrossar e aumentar de ritmo. Em menos de minutos as roupas da garota viam-se completamente encharcadas por um temporal que caía abundantemente. Com a blusa sobre a cabeça para proteger sua visão, a menina correu o mais rápido que pode, mesmo que seu folego aos poucos se perdesse.

Enquanto corria, notou um dos postes de luz começar a piscar, algo que era comum de se acontecer por aquele bairro, todavia ao passar pelo mesmo este se apagou. Anna apenas o ignorou e continuou a correr, já imaginava que ele iria acabar queimando a qualquer momento. No entanto, assim que passou pelo próximo este também se apagou, e por um segundo a menina sentiu seu coração pular em falso. A tempestade estava forte agora, e a visão de Anna por conta de toda aquela enxurrada se via comprometida, tudo o que menos precisava naquele momento era ficar no escuro. Antes que percebesse, uma a uma todas as luzes se desligaram atrás de si sem motivo aparente, deixando-a em um mar de escuridão que parecia se aproximar cada vez mais. E quanto mais ela acelerava, mais depressa as lâmpadas se apagavam, como se as sombras a tivessem perseguindo. Tomada pelo medo, a garota tentou aumentar o ritmo, mesmo que suas pernas não aguentassem mais, pois sentia que se parasse naquele momento seria engolida pelo breu que avançava rapidamente.

Ao longe se via uma grande placa iluminada indicando a entrada da estação, e com uma pontada de esperança seus pés avançaram em direção a luz por conta própria. E com apenas um metro a separando da claridade, suas pernas, já cansadas da corrida inesperada, se embolaram uma na outra, fazendo com que a mesma perdesse completamente o equilíbrio. Em menos de segundo se viu caindo em direção ao solo, e quando sentiu o impacto de seu corpo no chão e água sob a palma das mãos, ela foi tomada pelo puro desespero. Antes que pudesse reagir o último poste de luz se apagou a sua frente e um manto negro a cobriu. Por mais que tentasse se levantar, seu corpo continuava paralisado pelo medo se negando a obedece-la. Por alguns segundos a chuva deixou de tocar sua pele e o ambiente foi tomado pelo o som de madeira batendo no chão molhado que se aproximava progressivamente.

TOC TOC TOC...

Era tudo que podia ouvir. O barulho se acercava aos seus ouvidos e quase lhe arrancava toda sanidade que ainda lhe restara. Seu coração batia insanamente como se a qualquer momento fosse sair de seu peito e, ao tentar gritar por ajuda, sua voz viu-se presa na garganta, como se algo estivesse apertando seu pescoço fortemente e lhe tirando todo o ar. Ela estava encurralada, e mesmo que arregalasse os olhos em uma tentativa fútil de enxergar algo a sua volta tudo que podia ver era o breu total que a envolvia. Anna nunca havia sentido tanto medo, e por um breve instante imaginou que este seria seu fim.

Contudo, sem perceber seu corpo foi arrancado do chão em um salto e em instantes seus pés estavam firmes no solo novamente. Logo se viu correndo para as escadarias da estação, sem tempo para pensar em qualquer coisa além de sair dali. Passo por passo, o barulho que antes agredia seus ouvidos agora era substituído pela intensa chuva que voltara a cair sobre seu corpo. Sem demora as sombras se dissiparam a sua volta e o aperto feroz em sua garganta desapareceu junto a elas.

Sua visão estava clara agora, e tudo o que podia sentir era alivio assim que seus pés desceram os primeiros degraus da escada. Quando sua mente finalmente desacelerou e tomou um tempo para que pudesse respirar mais uma vez, a garota sentiu o peso da mão de alguém lhe segurava pela cintura. Com um pulo ela se desvencilhou do indivíduo ao seu lado e recuou alguns passos para trás, até que em suas costas pudessem sentir a gélida parede de concreto.

Escorado na parede oposta e inspirando pesadamente encontrava-se um jovem em roupas largas e tão encharcadas como as da garota. Ele a olhava por entre os cílios com uma expressão séria no rosto. Seus cabelos, negros como a noite, encontravam-se caídos sobre os olhos, estes que por sua vez eram tão pequenos e apertados que se assemelhavam os de um gato. Em sua pele pálida viam-se alguns hematomas e ferimentos rasos, e no pescoço trazia uma corrente prateada que dançava com o ritmo de seu peito que subia e descia em busca de ar.

Ainda em choque com a situação, Anna permaneceu calada e com os olhos presos no rapaz a sua frente. Mesmo que, ao olhar para suas íris escuras não visse nenhum sinal de perigo, sua desconfiança e aperto no coração permaneciam ali a alertando para ir embora o mais rápido possível.

— Não vai me agradecer? – disse o rapaz cortando o silencio que residia no local.

— Quem é você? – perguntou a garota ainda em desconfiança. As circunstancias gritavam em seus ouvidos a dizendo para não confiar naquele parado a sua frente, embora no fundo algo lhe dissesse o contrário. Ela não podia se arriscar.

Assim que o mesmo abriu a boca para responde-la um raio cortou o céu iluminando todo o lugar, e logo em seguida um estrondo ensurdecedor ecoou pelas paredes frias da escadaria. Olhando para fora por um momento, ele observou as luzes dos postes de luz, uma a uma, voltando a funcionar. Seu olhar continuou perdido como se procurasse algo na escuridão. Então colocou seu capuz e olhou com o canto dos olhos a menina que continuava parada a observa-lo.

— É melhor irmos. – indagou descendo as escadas.

Seguindo seu exemplo, ela caminhou até o andar de baixo atrás deste. Mesmo com desconfiança não havia muito o que fazer além de segui-lo; era isso ou voltar para fora, e com certeza era algo que não estava disposta a fazer. De longe ouvia-se a chuva começar a se acalmar, e o vento que passava pela entrada arrepiava todo o torso ensopado da garota. Agora, com o corpo gelado, Anna sentiu todas as dores da queda que sofrera mais cedo. Suas pernas estavam tremulas e em seu peito, o coração reclamava fortemente. Assim que passou pelo último degrau da escada sua cabeça começou a girar e se tornar pesada, deixando-a completamente atordoada. Com a visão escurecida, a jovem tentou se apoiar em algo, contudo antes que percebesse seu corpo desabou no chão novamente. Como em um rádio velho e mal sintonizado, a mesma ouviu a voz do rapaz a chamando repetidamente ao mesmo tempo que a sacudia na esperança que esta recobrasse a consciência. A última coisa que Anna vira foi a silhueta do homem de cabelos cor de grafite, que mais uma vez, a carregou em seus braços.

23 de Junho de 2021 às 00:44 1 Denunciar Insira Seguir história
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Anna Charmont Anna Charmont
Amo demais essa historia. Estou tao feliz que esta postando aqui tambem. Nao vou perder um capitulo.
June 23, 2021, 00:55
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