writerphoria Mariana Dermond

Após quatorze anos cego, Kim Taehyung se pega conhecendo um mundo completamente novo junto a Jung Hoseok, um aluno bastante controverso de sua universidade. E mesmo tendo que ver esse mundo com a ponta de seus dedos, era a coisa mais linda que Taehyung teve a oportunidade de vivenciar. Especialmente quando se tratava dos intensos sentimentos que sentia por seu mais novo "guia".


Fanfiction Celebridades Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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1. 23 de setembro

A redenção para Jung Hoseok vinha de uma maneira muito estranha. Simplesmente, ele deveria trabalhar meio período na cafeteria da universidade onde cursava Medicina, para provar para seus pais que ele merecia uma segunda chance.

Mas por que ele deveria ter uma segunda chance? Pois bem, Hoseok poderia listá-las para todos.


1. Ele tinha feito amizade com pessoas ruins, e deixado-as influenciá-lo.

2. Praticou bullying com várias pessoas do campus.

Mesmo que tenha sido um bullying leve, mas como uma zoação, era uma coisa ruim.

3. Ele teve umas condutas um tanto transfóbicas com um dos estudantes que todos sabiam que era um homem transsexual.

Coisa que ele não deveria ter, já que sentia atração sexual por outros homens, e se seus colegas descobrissem isso, provavelmente, seria alvo de piadas por parte deles.

4. E o pior, ele saiu dirigindo bêbado com seus amigos, causando um acidente.

Não houve mortes, porém teve uma mulher de meia-idade levemente ferida.


Sim, o seu currículo não era nada bom, ainda mais vindo de uma pessoa que sempre teve uma conduta impecável durante anos. Mas o que esperar do filho único de um casal de médicos, rico, que sempre teve tudo do bom e do melhor? Isso mesmo, se tornar um babaca quando ingressasse na faculdade.

Entretanto, seus pais logo cortaram suas asinhas. O Jung não sabia se ele estava arrependido realmente por seus comportamentos nada bons, por conta de ter todo seu privilégio cortado por seus pais; pelo relacionamento dele com seus pais estar uma merda; ou pelo fato de ter que trabalhar em uma cafeteria de garçom.

Ao entrar no dia 23 de setembro, o primeiro dia de outono naquele ano, na cafeteria. Ele foi recebido por Nari, uma das atendentes, que parecia se divertir demais com o que estava acontecendo. Afinal, Nari amava quando um "valentão" tinha que sair do personagem, e fazer algo que, antes, desprezava.

— Estava te esperando, Hoseok — ela jogou um avental para ele.

— Amo meus pais, porém não acredito que eles fizeram isso contigo.

— Eu amo seus pais por eles fazerem isso contigo — respondeu-o, ríspida. — Não é vergonha nenhuma trabalhar como garçom.

— Quando é na universidade que estudo, é sim — ele colocou o avental. — O que tem para hoje?

— Quando chegar uma pessoa, você vai até a mesa dela, cumprimenta, e anota seu pedido e a mesa — ela entregou-o um bloco de comendas e uma caneta. — Então você coloca o pedido aqui — apontou para o balcão. — Quando o pedido ficar pronto, eu toco o sininho, e você pega e entrega para pessoa.

— Parece fácil.

— É fácil. Só é complicado pegar agilidade do começo — a mulher deu de ombros. — Ah, tem umas pessoas que têm contas aqui. Por isso, se elas pedirem para colocarem na conta, você anota o nome dela. Tem alguns que compartilham as contas com namorados, irmãos, amigos e etc, então pede o nome da conta e de quem pediu, sim? Para eu saber se está tudo certo.

— Claro — balançou a cabeça, vendo que tinha entrado duas meninas ali.

— A mesa é sua. Boa sorte! — Nari desejou.

Deus me ajude — Hoseok pensou, indo para a sua primeira mesa da vida como garçom

Taehyung andava pelos corredores da faculdade em silêncio. Namjoon estava o guiando entre as pessoas, pois sua aula tinha mudado de sala, e ele precisaria de ajuda para chegar lá, até decorar o novo caminho.

Durante o trajeto, ele ouvia pessoas falarem sobre um tal de "Hoseok". Ele tinha uma noção bem básica de quem era Hoseok, pois tanto Namjoon, quanto Jimin, já tinham brigado com ele. Várias vezes, ouvia os os dois, junto com Hoseok, xingar muito o rapaz, porém não entendia o porquê. Contudo, agora ele estava sabendo, que esse mesmo rapaz estava trabalhando na cafeteria, e também tinha atropelado uma mulher que, segundo o que ouvia, quase morreu.

— Ele é um idiota mesmo! — Namjoon exclamou, ainda procurando a sala do irmão, mas não podia evitar de ouvir as fofocas sobre o Jung.

— Quem é Jung Hoseok?

— Aquele idiota que quase fez o Jimin e o Jungkook serem expulsos da faculdade! — respondeu, com raiva.

— Ah... Aquele valentão.

— É — confirmou, com um pouco de nojo. — Agora ele quase mata uma pessoa. Sempre soube que ele não presta.

— Se for assim, acho que ele deveria ser expulso da universidade.

— Ele não será expulso, Taehyung — lamentou-se. — Ele não faz as coisas sozinho. Ele tem um grupo de amigos do mesmo jeito que ele, então é difícil culpar um. Além desse caso de atropelamento ter acontecido fora do campus, ele é rico. Rico sempre se salva dessas punições.

— Entendo — balançou a cabeça. — Mudando de assunto, hyung. Eu posso sair com você e o Yoongi-hyung para a festa que vão na sexta-feira?

— Não.

— Por que não?

— Porque não é um lugar muito legal para pessoas que nem você.

— Que nem eu? Você quer dizer cegas? — perguntou, decepcionado.

— Pessoas que não gostam de rap — Namjoon olhou para o irmão. — Por que não sai com o Jimin? Ou com o Jungkook?

— Os dois vão para Busan, pois é o aniversário do pai do Jungkook — suspirou.

— Jisoo?

— Vai sair com o namorado.

— Jin?

— Ele vai trabalhar — Taehyung perdeu as suas esperanças de que conseguiria sair na sexta-feira. — Ok, eu fico no quarto como uma pessoa cega, que não gosta de rap, não trabalho e não tem uma namorada. Afinal, é isso o que nós fazemos mesmo. Nenhum lugar é lugar para pessoas como eu.

O mais velho engoliu seco quando ouviu o irmão mais novo dizer aquilo, e largar seu braço, começando a andar mais rápido.

— Taehyung, me desculpe! — Namjoon conseguiu aproximar-se do irmão. — É que não é um lugar que você vá gostar, e eu sei que quando não gosta de alguma coisa, você quer ir embora rápido. Eu amo aquele lugar, e ficaria chateado se precisasse sair mais cedo.

— Está tudo bem, hyung — falou, sem esconder sua decepção. — Você não tem culpa que eu sou cego e não gosto de rap.

— Você está agindo de forma mimada.

— Que seja! — bufou. — Só me leve para a sala, pois eu tenho prova.

Embora o Kim quisesse entender o lado do seu irmão mais velho não querer levá-lo para todo canto que fosse, ainda era incômodo para ele não ter muitas pessoas para sair ou conversar. Ainda pior, ele sentia-se um peso na vida daqueles que estava por perto, pois não deixava-as um minuto sozinho.

Realmente era uma droga ser cego!


Quando terminou sua prova, Taehyung foi para a cafeteria, como sempre fazia. Todos os dias de aula, às 15:00 ele sempre estava no local para tomar e comer alguma coisa. Principalmente no dia chuvoso e ameno que estava, seria ótimo tomar um chocolate quente, pensando em sua vida.

Ele sentou-se na mesma mesa de sempre, esperando alguém vir atendê-lo, e começou a ficar incomodado. Sua vida era a mesma de sempre. Acordar, ir para aula, ir para a cafeteria comer alguma coisa, sentado na mesma mesa, depois voltar para aula, se tivesse, ou ir para o dormitório, esperar os outros chegarem para todos jantarem. Nesse meio tempo, ele só estudava.

Taehyung se sentia um peso da vida de todos, e também se sentia incapaz. Ele era um jovem de 21 anos de idade, sem perspectiva nenhuma para o seu futuro.

Ter ficado cego aos sete anos, fez seus pais o colocarem em uma redoma, não deixando ninguém se aproximar dele por nada. Tanto, que se ele, hoje em dia, estava cursando uma faculdade, Taehyung sentia que era o mérito do seu irmão, que tomou seus sonhos, como os deles, desistindo de tudo o que queria para si, para se dedicar ao irmão mais novo.

A verdade era que, se ele estava onde estava, era por conta de um acordo de seus pais com seu irmão, que deixaram os dois saírem de uma pequena província perto de Daegu, para estudarem em Seul, e o combinado era que Namjoon seria o "guardião" e os "olhos" do irmão mais novo.

Como não se sentir incapaz? — pensou.

Ele não sentia que nada era por mérito dele. Embora tivesse que se adaptar à escuridão total, aprender a ler em braile, passar por todos os preconceitos por ser um deficiente visual, ele ainda não conseguia aceitar que era merecedor daquilo.

O sentimento do rapaz era tão estranho, que não queria falar para ninguém que conhecia. Só gostaria de ficar quieto, pensando em nada. No entanto, quanto mais pensava "em nada", mas os pensamentos de que era incapaz se propagava em sua mente, além de relembrar que sua falta de amigos não era si a culpa do seu irmão ou dele, porém era das pessoas que tinham muito preconceito com ele e sua condição.

Ele passou a ponta dos dedos sobre a mesa que estava sentado, sentindo a superfície levemente áspera, e continuou fazendo aquilo por algum tempo, até ouvir passos se aproximarem.

— Ei, você não vai fazer seu pedido? — uma voz suave, porém um pouco estressada, perguntou.

— Desculpe... — Taehyung respondeu. — Eu estava distraído.

Hoseok deu um sorriso de lado, esperando o cliente olhar para ele, mas nada. Aquilo o deu um sentimento ruim, só que tentava se manter mais calmo, pois não podia se estressar, porque não poderia ser demitido daquele emprego, nem em seus pesadelos.

— Eu quero um... — Taehyung começou a pedir.

— Me desculpe, senhor — Hoseok cortou-o. — Será que poderia olhar para mim? — o garçom tinha achado uma falta de respeito, uma pessoa não ter nem decência de olhá-lo.

Bem, ele sabia que isso aconteceria muito, mas se ele se sentisse seguro para pedir um pouco de educação do cliente, ele faria.

Na mesma hora que ouviu aquilo, Taehyung virou o seu rosto, e o garçom engoliu em seco.

— Eu gostaria de poder te olhar — o Kim respondeu, baixo. — Só que, infelizmente, sou cego.

— Ah... — o outro homem ficou sem saber o que fazer, querendo sair correndo da cafeteria. — Pe-perdão... É... Posso saber seu pedido?

— Um chocolate quente e um pão com queijo. Por favor, pede para colocarem na minha conta — respondeu de maneira tímida. — Você é novo por aqui? Não lembro de ter ouvido sua voz antes.

— Sim, eu sou — Hoseok respondeu com menos marra. — Qual o seu nome para eu pôr na conta?

— Kim Taehyung.

— Certo, Kim — balançou a cabeça, anotando na comanda. — Eu volto com o seu pedido.

Hoseok saiu, colocando o pedido no lugar que Nari pediu para ele colocar. Então ficou parado no mesmo lugar, esperando o pedido ficar pronto.

— Vá atender outras mesas! — Nari chegou perto do novo funcionário, dando-lhe uma bronca.

— Estou esperando o pedido da mesa doze.

— Enquanto o pedido não fica pronto, você vai passando nas outras mesas. Tenha agilidade, Hoseok!

— Tudo bem — o homem rolou os olhos, pegando seu bloco de notas, e saiu para anotar o pedido das outras mesas.

Quando o pedido de Taehyung ficou pronto, Hoseok levou para sua mesa, sentindo-se um pouco incomodado por ele ser cego, e ele não saber se comportar perto de uma pessoa que não enxergava.

— Pode deixar mais coisas aqui — Taehyung bateu sua mão de leve em uma área específica da mesa.

— Como sabia? — perguntou, fazendo o que foi solicitado. — Ah, esqueci que pessoas com deficiência visual tem uma boa audição. Me desculpe, Kim — pediu mais uma vez. — Esse é o meu primeiro dia, e não posso fazer nada de errado ou a Nari me matará!

— Ela não fará isso — o cliente deu risada. — Ela não faz nada com ninguém. Ela é minha colega de classe, e é muito legal.

— Você estuda aqui? — arregalou os olhos, surpreso. — O que você faz?

— Eu estudo Letras — respondeu, sorrindo. — Sou considerado o melhor aluno da sala — ele ficou orgulhoso de si.

— Parabéns — Hoseok coçou a nuca, tentando aliviar o nervosismo. — Bom apetite, Kim.

— Muito obrigado — agradeceu. — Boa sorte em seu primeiro dia de trabalho.

— Valeu — sorriu. — Se precisar, é só chamar.

O garçom se afastou da mesa, indo até a do lado, pegando os pratos que tinham deixado ali. Voltando para o balcão, colocando as louças.

— Você vai ganhar um ponto comigo por ter tratado o meu amigo bem — Nari falou para Hoseok, pegando as louças do balcão.

— Como se eu gostasse de bancar a "boa pessoa" para os outros — fez uma careta, enquanto pegava mais um pedido para entregar.

Pior trabalho do mundo! — pensou.

30 de Maio de 2021 às 22:55 0 Denunciar Insira Seguir história
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