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helizans


Ter filhos era bom. Muito bom. Um amor indescritível que nos traz uma força enorme. Mas, como tudo na vida, existem coisas ruins. Uma delas, é a tão temida pergunta: O quê é sexo? E Roy Mustang teria de dar uma resposta para isso. *Fanfic também postada no Spirit


Fanfiction Anime/Mangá Todo o público.

#Alchemist #Fullmetal #Filhos #Hawkeye #Riza # #Mustang #Roy #Royai,
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Ponto de Vista" Roy Mustang


Era um belo e ensolarado dia de sábado em que eu, Roy Mustang, estava de folga. Minha esposa, Riza Mustang, havia saído para visitar Winry Elric, em Rosembool.


- Por favor, Roy, seja maduro e mantenha nossa filha viva. Seria legal se você também ficasse vivo.


- Tsc, vamos ficar bem. Tenho tudo sob controle.


E eu realmente tinha tudo ao meu controle.


Riza havia saído há algumas horas, nossa filha brincava no quarto e eu estava no sofá lendo um bom livro e tomando um delicioso suco de laranja; eu era um cidadão de bem exercendo seu direito de ficar na paz de sua casa. Mas isso mudou com a chegada do assustador momento em que minha princesinha foi até a sala e me lançou a pior pergunta de todas.


- Papai, o quê é sexo?


Minhas mãos tremeram, o livro caiu e o doce suco parou em minha garganta se tornando amargo.


- Está tudo bem, papai? Parece que o senhor viu um fantasma.


A garotinha tinha a cabeça levemente inclinada para a esquerda e seus olhos negros possuíam um brilho divertido.


Marie Mustang, ou MeM como o anão alquimista chamava, estava no auge de seus oito anos de idade, era uma fase difícil já que a garota estava com as orelhas sempre "em pé" e questionava tudo o que ouvia, buscando entender até os mínimos detalhes.


A criança herdou meus olhos e minha cara de pau, mas os cabelos e o olhar afiado eram da mãe. E eu sabia que esse olhar me faria pagar todos meus pecados, mas não imaginava que a primeira facada viria tão cedo.


Tinha consciência de que esse momento um dia chegaria, mas eu mantinha minha sanidade pensando que essa pergunta seria direcionada a Riza e ela se encarregaria de explicar essa burocracia toda para nossa menina, sempre enfatizando que, assim como os garotos, sexo era uma coisa ruim e que Marie deveria se manter longe.


Mas a vida é cheia de surpresas e nem todas são agradáveis. Pego o livro do chão e me levanto do sofá.


- Sente aí, filha. O papai já vem.


Após chegar na cozinha, coloco o copo na pia e levo uma mão a boca. Meu Deus, o que vou fazer?


Minhas mãos ainda tremiam e eu começava a suor frio. Eu só posso estar tendo um enfarto.


Volto para a sala onde Marie me esperava com um sorriso, ignoro a garota e vou direto para o telefone discando o número da casa dos Rockbell.


- É da Central e eu preciso falar com Edward Elric.


Digo antes mesmo que a telefonista pudesse dizer "Olá", ainda assim a moça não entendeu a gravidade da situação e fez mais algumas perguntas até finalmente transferir a merda da ligação.


- Espero que não seja importante e se for eu não ligo, então tcha...


- Edward, sou eu.


- Me importo menos ainda.


- Escuta aqui seu maldito, estou com um problema e preciso que dê um recado para Riza.


- Ela ainda não chegou, seu fodido.


- Eu sei, mas quando ela chegar diga que preciso falar com ela. É sobre nossa filha.


- Rá, finalmente descobriu que ela é bonita demais para ser sua e que o verdadeiro pai dela é o Havoc?


- Vai se foder.


Encerro a chamada e vou a lentos passos até a pequena garota, que atualmente era meu carrasco.


- Certo, eu não sei como fazer isso. Hum, me ajude e diga o quê exatamente você quer saber.


- O quê é sexo e eu posso fazer?


A naturalidade com a qual ela pergunta faz com que eu escancare a boca com o choque. Fazer sexo? Minha garotinha


Meus olhos se enchem de lágrimas e eu as enxugo com as palmas das mãos.


- Está chorando, papai?


- Não é nada, amorzinho. Bom, sexo, é, hum, algo que, hum, os adultos fazem e, hum, é isso.


- E por quê vocês fazem isso?


- Porque é meio que, bem, divertido.


- Divertido? Tipo quando nós saímos para tomar sorvete?


- É, tipo isso.


- Parece legal. Por quê só adultos podem fazer? Eu também quero me divertir, papai.


Levo uma mão ao peito. Certo, ouvir essas coisas dói.


- Filha, eu não estou explicando bem. Você não vai querer fazer isso, confie em mim.


- Mas você disse que é divertido.


- Eu errei, não é nada divertido. É bem ruim, na verdade.


- Você já fez, papai?


- Sim, mas só uma vez e nunca mais.


- Como que faz sexo?


Eu sentia a vida se esvair do meu corpo a cada pergunta feita por Marie.


- Olha, o papai.., Não, eu não, algumas pessoas tem, bem, uma, como eu posso dizer..? Uma minhoquinha e, bem..


- Uma minhoca? Eca, que nojo.


Isso mesmo, tenha nojo, muito nojo.


- E essa minhoquinha, bem, ela precisa de uma casa para morar e ela procura algumas casas, e as vezes ela acha uma casa e então ela entra na casa. Entendeu?


- Mais ou menos. E depois? O que a minhoquinha faz, papai?


- Ela fica na casa.... e depois ela tem filhos com a casa.


- Com a casa? Mas casas nem estão vivas.


- Essa casa está viva, Marie. Ela está viva, a droga da minhoca está ainda mais viva e os dois tem filhos. Pronto, é assim que acontece.


A garota fica em silêncio por alguns segundos, mas logo retorna o olhar de dúvida para minha direção.


- Papai, eu posso ver sua minhoquinha?


- NÃO, nem a minha nem a de nenhuma outra pessoa. NUNCA. É feio meninas verem a minhoquinha dos meninos.


- Então a mamãe não viu a sua?


- Não, filha, ela não viu. Podemos parar por aqui?! Você conseguiu entender o quão ruim é, bem, você sabe, o sexo?


- Na verdade não. Você também não sabe o que é, não é papai? Eu vou perguntar para a mamãe, ela é mais inteligente e sabe de tudo.



- Eu sou inteligente e sei de muitas coisas. Agora me responda: onde ouviu essa palavra feia?


- No telefone, quando a mamãe estava falando com a titia Win, o tio Ed estava gritando alguma coisa sobre você, sexo e inpacadacide.


- Inpaca... Acho que você quis dizer incapacidade.


- Acho que sim. Era uma palavra difícil, papai.


Acaricio seus cabelos enquanto amaldiçoo aquele anão filho da puta.


Eu te odeio Edward Elric que falou sobre sexo perto da minha filha, eu te odeio e vou arrancar suas bolas.


- Papai, sabia que eu tenho um namorado? Ele é igual a você.


Eu estava cada vez mais perto da morte; minha visão estava turva, em meus ouvidos o forte som de zumbidos e por meu corpo um suor frio.


- Um namorado? Igual a mim? - questiono em um fio de voz.


- Sim, ele é bonito, forte e também quer ser um soldado.


- Um namorado igual a mim. - repito incrédulo.


- É, papai, eu já disse.


Eu odiava o fato de minha bebezinha ter um "namorado", mas era ainda pior pensar que ele era igual a mim.


Digo, sou um bom e honesto homem, que cometeu erros, mas que lutou para recompensar de alguma forma os mais afetados pelas cruéis ordens que eu obedeci.


Sou um novo homem, que largou o bar para passar as noites lendo histórias infantis. Troquei várias por uma.


Mas entre o passado sombrio e o futuro promissor, tem um meio termo. Um meio termo extremamente devasso.


E se, esse garoto estivesse nesse meio termo?


- Quantos anos ele tem, Marie.


- Dez, pai.


Dez? Ele ainda era mais velho. Um pervertido interessado em meninas mais novas, que eram inocentes demais para perceber as reais intenções dele.


- Quero conhecê-lo. - e apresenta-lo a minha alquimia.


- Eu o encontro no caminho para a escola todos os dias.


Trii. Trii. Trii.


Praticamente corro para o telefone e após as informações passadas pela telefonista, ouço a voz de Riza.


- Roy?


- Graças a Deus, passei por momentos horríveis Riz.


- O quê aconteceu?


- É a mamãe? Quero falar com ela, papai.


Entrego o telefone para a menina que estava parada ao meu lado, os olhinhos brilhando.


- Oi, mamãe... Está sim.... Não, o papai não me deu nada para comer... Sim, mamãe... Eu posso tomar só um sorvete, então?.... Eba... Tá, bom. Tchau, mamãe. Te amo.


Marie me entrega o telefone e sai saltitando enquanto fala:


- A mamãe disse que eu posso tomar sorvete, vou tomar banho pra gente ir.


- O quê aconteceu, Roy?


- Riza, foi horrível. Ela me perguntou sobre sexo. Sexo, Riza. Meu coração quase parou, me deu tremedeira e eu só gaguejava.


- Sexo? O quê foi que você disse para ela?


- Que existe uma minhoca que entra na casa, e que isso é uma coisa horrível e ela não vai querer fazer.


- Minhoca que entra em uma casa?


- Posso te explicar mais tarde. Edward está aí perto? Se sim, por favor me deixe falar com ele.


....


- Quê foi agora?


- Sua peste, tem ideia do que me fez passar? O quê estava pensando quando resolveu me chamar de sexualmente incapaz perto de minha filha?


- Eu não tenho ideia do que está falando, general.


- Escute bem, seu carcereiro de gaiola, a próxima vez que nos encontrarmos vou queimar essa sua língua suja.


- Carcereiro de gaiola é uma porra, general MMI: muito, muito inútil.


- Entregue esse telefone para Riza, Ed. AGORA.


Aos fundos ouço Winry gritar.


- Vai lá seu pau mandado.


- Não sou eu que liga implorando pela ajuda da esposa porque é incapaz de cuidar da própria filha, como eu disse: MMI.


- Vocês dois são tão infantis, Jesus.Pediu para falar com ele apenas irritá-lo, Roy? É sério?


Riza havia voltado para a ligação.


- Desculpe, amor.


- Marie quer tomar sorvete, mas ela pode tomar apenas uma vez. Tudo bem?


- Sim, senhora. Elizabeth, isso me lembra: sabia que Marie está sendo alvo de um tarado de dez anos? Dez anos, ele é bem mais velho que ela.


- Está falando de Henry, certo? Ele é uma criança e Rie faz nove anos em breve, é apenas um ano de diferença.


- Um ano a mais de maldade naquela mente devassa. Eu irei conhecê-lo e ensiná-lo algumas coisas, por exemplo a ficar longe de minha bebê.


- Mustang, não vamos falar sobre isso agora, tenho muita conversa para colocar em dia e a senhora Rockbell fez um delicioso bolo de chocolate.


- Mande um beijo para ela e Winry. Diga que da próxima vez irei com você.


- Coloque Rie para dormir com você. Conte alguma história, que não seja assustadora ou terá de acordar durante a madrugada para levá-la ao banheiro. Nós vemos amanhã, eu amo vocês.


- Amamos você, amor.


Após encerrar a chamada olho em direção ao corredor que levava ao quarto de minha pequena.


É, ela está crescendo, e eu só espero poder ser metade do pai que Hughes foi.

18 de Maio de 2021 às 19:54 0 Denunciar Insira Seguir história
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