-soomarsy 𝐵𝑒𝑎 📖

Trilogia Selena: O filho do eclipse Livro Um Em uma época em que a humanidade não estava preparada para o impossível, os Difers nasceram. Pessoas com dons e habilidades incríveis, mas que apesar do sangue humano, foram recusados por eles. As pessoas temem o que não conhecem e as vezes, o temor é a pior arma para se ter em mãos. Como proteção as caças que ocorriam, os Difers fizeram surgir uma redoma e para dentro dela mudaram, cortando contato com o mundo humano enquanto forjavam seu próprio. Pelo menos, essa era uma parte da versão contada pela história. Mas quem conta a história? Quem tem o poder. Duas instituições criadas para poderem manter o equilíbrio. Uma conexão de sangue. Um adolescente. A perfeita receita para o desastre ou talvez, a solução para um. Quando completados dezoito anos, Yoongi acaba enfrentando diversas mudanças após sua revelação. Com sonhos lhe perseguindo, pessoas tentando acabar com sua vida e novas amizades surgindo, ele precisa descobrir o que está acontecendo com ele antes que seja tarde demais. Capa by: @stareggukz Goldenvantae


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

#Poderes #bts #Yoonseok
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Capítulo Um

Prologue


Naquela noite, a lua brilhava com toda sua força competindo com a força bruta do sol que junto a ela, se movia em um perfeito ciclo onde o destino final, era seu encontro. O vento forte batia contra as janelas, quase como se fosse arrebentá-las, ele quase conseguia ver os pedaços de vidro voando pelo ar, libertando espaço para o vento lhe arrebatar com a mesma brutalidade. Mas nada parecia mais excruciante que o silêncio impregnado no quarto abafado. A quietude fazia parte de sua vida desde que havia nascido, estava acostumado a ela, porém a odiava com veemência.

Tentava sempre ter barulho ao seu redor, tanto para trazer ruídos ao silêncio, quanto para silenciar a bagunça que era sua mente. Ali, observando as formas das sombras formadas graças a pouca luz natural que entrava, sentia saudades de seus fones de ouvido. Das suas playlists que eram seu único refúgio. Não sabia quanto tempo fazia desde que tinham lhe colocado naquele quarto, tentou realizar a conta dos minutos na cabeça, só que após chegar aos trinta, perdeu a conta. Tudo para recomeçar e a perder novamente.

Perdido na escuridão e no tempo, deixava seus pensamentos rolarem à solta. O que não era bom, já que estava sem sua proteção. Uma palavra e seu pecado se tornaria realidade mais uma vez. Precisava fazer um enorme esforço para que conseguisse manter seus pensamentos apenas interiores, mas a falta do tecido ao redor de sua boca lhe trazia um sentimento saudosista que quase o engolia por inteiro. Queria tê-lo trazido consigo, porém disseram que no ritual deveria estar despido de tudo exceto a túnica enfeitada com os desenhos dos ciclos e símbolos que desconhecia o significado.

Se fosse sincero, tinha sido preparado para aquele momento desde que era criança. Sabia que assim que fizesse dezoito, teria de participar da revelação. Só que não esperava que fosse ficar tão aterrorizado quando o momento chegasse quanto estava agora. Fechou os olhos caindo de vez na escuridão, respirando fundo enquanto deixava o ar fugir por entre seus lábios. Estes que se encontravam rachados pelo frio que fazia e pela antiga mania de morde-los que possuía. Quase como um tique. Um que servia para lembrá-lo de que o silêncio era uma obrigação para ele, não uma opção.

Tentou livrar a mente de tudo, deixando o nada se espalhar até que o nervoso sentido se esvaísse junto aos seus pensamentos. Focando apenas em sua respiração. Esta que falhou quando o ranger da porta abrindo ressoou pelo ambiente. Ainda não se sentia pronto, mas parecia que a hora havia chegado. Devagar, abriu os olhos, piscando rapidamente quando a luz do corredor chegou até ele. Não foi difícil reconhecer a figura parada na entrada, afinal, convivia com ela diariamente.

Se levantou e seguiu seu pai pelos corredores que dariam para fora do casebre. Na primeira vez que o viu antes do início da cerimônia, pensou que aquele lugar era uma réplica perfeita dos existentes em filmes de terror. Velho, escuro e só não abandonado, pois todos eram obrigados a passar ali para o rito de passagem. Para a escolha. Eles eram preparados para aquilo desde o primeiro respirar fora da barriga de suas mães. Cresciam ouvindo falar que tudo de mais importante na vida viria com a escolha, com a decisão do universo de qual instituição frequentariam.

Se seriam Luz ou Escuridão.

Ele odiava ouvir os pais falarem a respeito da escolha, principalmente porque não era como se ela partisse dele. Desde quando o muro foi criado para separá-los dos comuns, de forma que vivessem em paz, cada vez que os Difers completavam dezoito anos teriam de ser separados entre a escola da luz ou da escuridão. Para ele isso não fazia sentido. Sempre perguntou aos seus pais porque não poderia ser ambos ou porque tinha de escolher alguma. Mas tudo que recebia como resposta era que aquilo era para manterem o equilíbrio.

Nunca entendeu o que aquilo significava. Mas conforme os anos foram passando, parou de questionar. Quando passaram pela porta do casebre, foi possível ver o resto do conselho em fila indiana de ambos os lados, formando um caminho reto para que seguissem. Olhando ao redor, o cenário apenas ficava mais tenebroso ainda que mantivesse um certo charme. Estavam cercados pelas montanhas Cristalys e Euscaros, em uma levantada de cabeça a visão da ponte que conecta ambos os institutos era vista com facilidade mesmo na neblina que os cobriam. Assim como os dois castelos que lembravam os dos livros de história comuns da era vitoriana.

Gostava de ler a literatura dos comuns, conhecer mais a respeito deles e do seu passado. Claro, tudo por trás dos panos. Era proibido qualquer conhecimento a respeito deles que não fosse ensinado em uma sala de aula. Só que ele era curioso por natureza. Encontrava meios de conseguir livros escritos por eles, até mesmo os que não falavam a respeito da história deles, mas sim a respeito de mundos fantásticos e mágicos — esses lhe faziam rir, pensando em como reagiriam se soubessem que um universo parecido com os escritos existia e ele vivia nele —, de vírus e vidas antigas.

O frio era ainda mais congelante do lado de fora, ainda mais se considerasse que estavam praticamente em meio ao rio que cruzava a divisória. A água tão turva ao seu redor poderia facilmente ser confundida com as rochas montanhosas. Quando tentou entender como funcionava aquele lugar, gostava de pensar em Atlantis. Uma antiga história humana que relatava que havia um continente em meio ao oceano, em frente às portas de Hércules e diziam ser magnífico. Com paisagens maravilhosas, civilização avançada e a joalheria usada pelos atlantes valia mais que o ouro puro, contando ainda com a proteção de Poseidon.

Até que uma guerra teve início. Dela nasceu o orgulho, a vaidade, a ganância, a corrupção e o desrespeito para com os deuses. Poseidon então, em conjunto aos outros deuses, decidiram aplicar um castigo a eles. As terras de Atlantis tremeram, o céu se escureceu e Atlântida desapareceu ao mar como se nunca tivesse existido. Alguns dizem que ela ainda vive embaixo do mar, nas profundas ainda. inexploradas e que ressurge em determinada data, apenas para desaparecer na manhã seguinte como se nada tivesse acontecido a ela.

Quase o mesmo poderia ser dito dali. Nos dias normais, o local em que estavam se encontrava cheio de água e compunha o mar de noturna. Mas nas noites da escolha, assim como acontecia na tal bíblia sagrada dos comuns, o mar se abria e o casebre surgia como se nunca tivesse sido submerso antes. Era incrível, ao mesmo tempo sufocante. Contudo, o motivo para que sentisse seu sangue congelando e a pele arrepiando, era a canção entoada por aqueles de capuz tão negro quanto a noite e de rostos desconhecidos por si.

As palavras que compunham a canção eram irreconhecíveis por ele, em uma língua que sabia a muito tempo estar perdida, mas que ainda era usada naqueles momentos por ser considerada sagrada. A língua dos deuses. Utilizada no ritual para que eles saibam que estavam pedindo sua benção e mostrando seu respeito. As vozes ecoando juntas pareciam capazes de ser escutadas até mesmo pelo mais longínquo dos cantos, tão profunda que quase podia senti-la em sua alma e talvez estivesse mesmo. Nunca saberia.

A caminhada pareceu mais longa do que realmente era, mas quando enfim pararam, seu nervosismo apenas cresceu. E o caminho percorrido ficou para trás em seus pensamentos. Sentiu seu pai sair de seu lado, porém pouco registrou isso. Sua atenção totalmente focada naquela figura a sua frente que lhe encarava com total intensidade, os olhos brancos parecendo capaz de ler até seus esquecidos segredos. Olhos de percussores tinham esse poder. Pelo que podia lembrar, o nome da mulher a sua frente era Diana. A justiceira e executora.

De súbito, a música ao seu redor parou e a voz de Diana tomou a frente.

— Debaixo deste céu e embaixo deste mar, nos reunimos aqui para o renascer. Todos nós já nascemos uma vez pelo ventre de nossas mães, mas aqui, ao completar das dezoito luas e sóis, nascemos pela segunda vez ao olhar dos deuses. Luz e trevas, duas partes da mesma moeda. Dois lados que compõem quem somos. — Estendeu ambos os braços, um para a direita e outro para a esquerda. No mesmo segundo, ele sentiu duas presenças ao seu lado. — Pelas mãos da mãe, a primeira vida foi dada.

Ele assistiu sua mãe pegar um pequeno punhal e cortar a ponta do dedo com ele, passando-o em seu olho direito que se fechou ao toque quente do sangue e em seguida pelos dos lábios maternos.

— Pelas mãos do pai, essa primeira vida se encerra.

Com apenas um olho aberto, assistiu seu pai realizar as mesmas ações só que em seu olho esquerdo.

— E pela vontade dos deuses, a segunda é concedida.

A canção retornou, mas dessa vez não prestou atenção nela. Diana se afastou quando, como manda o ritual, deu os passos para frente até onde podia-se ver um precipício. Um que se escondia embaixo d’água e que marcava a abertura para o mar aberto. No segundo que sua voz soou, recitando seu próprio cântico, todos atrás de si se ajoelharam.

“Aqui dou minha vida, começada por minha mãe e encerrada por meu pai. Peço que os deuses me concedam a segunda, para que possa respirar suas vontades e servir meu destino.” — Entoou como mandado, se ajoelhando no chão gelado.

File Sula.

File Lhano.

File Vidis.

Recitou voltando a fechar os olhos e soltando a túnica que vestia, deixando-se mostrar como pedia o ritual. Sem nada viemos, sem nada retornaremos. E ali, despido, aguardou pelo que viria. Minutos que pareceram mais longos do que realmente foram se seguiram, até que em ambos os lados de seus braços, a dor iniciou. Com os lábios cerrados e o grito de agonia morrendo sufocado em sua garganta, não se moveu enquanto sentia linhas parecendo ser feitas pelo próprio fogo do limbo desenhavam em sua pele. Em meio a tudo, continuou recitando. Pelo sol. Pela lua. Pela vida. Repetiu mais vezes do que poderia contar enquanto esperava a dor passar, soltando um suspiro de alívio quando enfim acabou.

Ao acabar esperava escutar a finalização alegre daquele ao qual a instituição foi escolhido, esta que encerraria o ritual de vez e confirmaria a escolha. Porém ao contrário disso, captou sussurros chocados, confusos e talvez horrorizados, então contrariando o que deveria ser feito, abriu os olhos. E entendeu no mesmo instante em que seus olhos focaram no eclipse que cobria o céu, que aquelas reações eram explicáveis. De acordo com a tradição que seguiam a mais séculos do que poderiam lembrar, no momento do aguardo, apenas um dos astros deveria parar ao topo. Cruzando-se entre si enquanto realizavam seu ciclo, seguindo seu caminho.

A casa escolhida ficaria no meio, concedendo o símbolo ao qual definiria a escolha. Se fosse luz, o sol pararia no meio e o desenho de um sol em espiral surgiria. Se fosse escuridão, a lua pararia no meio e o desenho de uma lua em todas suas fases num círculo perfeito surgiria. Em hipótese alguma, eles se cruzariam. Mas ali estava, ambos no mesmo lugar, ocasionando um eclipse inatural. Abaixando o olhar para seus braços pode ver os desenhos das duas instituições distribuídas entre eles.

Sol no esquerdo, Lua no direito.

Sem saber o que fazer ao não ter a finalização, seguiu com o protocolo que sabia. Se levantou da forma que estava e virou na direção das testemunhas, essas que caladas, observavam as marcas em sua pele que ainda soltava uma leve fumaça e o fenômeno atrás dele. Dando o primeiro passo para fora da fila, Diana se aproximou e parou ao seu lado, encarando seus olhos com o que ele pode reconhecer como temor.

— Todos aqui presentes, os deuses fizeram sua escolha. — A voz cortou o silêncio de forma altiva e firme, retirando todos de seu estupor. — Abençoado seja o renascido, filho da luz e da escuridão, Min Yoongi.—

28 de Setembro de 2021 às 22:23 0 Denunciar Insira Seguir história
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𝐵𝑒𝑎 📖 ଡ ⠀ ࿔ 𝑩𝑨𝑬𝑯𝑬𝑬, 𝑏𝑒𝑎𝑡𝑟𝑖𝑧. 月 🐈 ⠀ あ 。 𝒃𝙩𝙨⠀𝖾𝘅𝗼. ⠀ ◠ a͟𝙧𝙩 ⠀⠀ ⠀⠀⠀ ⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ 𝒄𝒉𝒂𝒏𝒃𝒂𝒆𝒌𝒊𝒔𝒕 e 𝙠𝙖𝙞𝙨𝙤𝙤𝙞𝙨𝙩 ❞ - 𝗆𝗒 𝗿𝗲𝗳𝘂𝗴𝗲 ⠀⠀ ⠀⠀⠀ ⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀ ⠀𝐟𝐢𝐜𝐰𝐫𝐢𝐭𝐞𝐫 🔱

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