honjok Just Ignore

Nos recantos mais profundos de uma mente em frangalhos, uma terrível revelação rasteja e espera para ser, se não compartilhada por outros, ao menos relembrada pelo pobre infeliz que a descobriu...


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O Ar

Lucidez de novo.

Eu acho.

Quanto tempo faz desde a última vez?

Não sei.

Não lembro.

Não importa.

Não vai durar.

Queria poder contar para eles. Trancado, isolado, contido nesta e por esta camisa, sem lábios ou cordas vocais, na maior parte do tempo sedado ou incontrolável ou aos prantos ou catatônico... Nunca poderei. Vou levar comigo.

Quando eu morrer de novo.

O grande segredo que eu não deveria saber. Que assombra meu raro sono. Que despedaçou minha mente.

Para sempre.

Eu contarei para mim mesmo então. De novo. Contra minha vontade. Revelação recorrente e inevitável.

Maldita. Mil vezes mil maldita!

Pois bem: o Inferno.... Existe. Mas não é como pensam. É pior.

Bem pior. Tão pior!

Primeiro seu corpo (sim, feito de energia sólida, idêntico e tão sensível quanto o que ficou para trás) vai cair. Queda livre por um céu tomado de nuvens feitas de todo tipo de gases tóxicos que conhecemos e muitos outros exclusivos daquele lugar.

Você vai sofrer inúmeras deformações­ ao mesmo tempo em que vários relâmpagos vão lhe atingir de instante em instante, eletrocutando-lhe sem pressa, como que deleitando-se com os estragos. Trovões titânicos os acompanharão, explodindo dos tímpanos aos labirintos e além. Vez ou outra, tornados feito com os vapores hostis irão lhe esfolar ou lhe fatiar em cubos. Ou tiras. Ou ambos.

O ar cáustico e rançoso vai aniquilar suas narinas e devastar seus pulmões enquanto você descende em uma velocidade tão lenta que vai pensar que está flutuando. Sua agonia será tão grande que, não importa o quem você seja ou tiver feito, irá se arrepender. O desespero vai tomar conta de todo o seu ser e você vai desejar a Inexistência de todo o seu coração.

E muitos, tantos mais estarão despencando também! Um insano dilúvio de pessoas carcomidas por um infindável número de bizarros seres voadores, que irão igualmente lhe degustar usando garras, bicos e presas. O seu novo invólucro será refeito quando nada mais restar e você sentirá toda a agonia e devastação até o último pedaço.

De novo e de novo e de novo...

Eu sei que vai. Eu senti. Só que eu cai diferente. Rasguei aquele céu satânico como um cometa sangrento enquanto ele me retalhava também. Foi lá que perdi minha voz, engolindo sem parar todo aquele veneno enquato gritava feito o louco que me tornaria. Não pelo que falaram depois. Mas eles nunca vão saber.

Só eu.

7 de Maio de 2021 às 04:27 0 Denunciar Insira Seguir história
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