pandghoul Luana Borges

Um pássaro preso na borda do infinito vivência um dia único, entre lágrimas, raiva contida e amizade... Algo inesperado acontece.


Conto Todo o público.

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Capítulo Único

A gaiola, fria e cinzenta, de ferro fundido estava pendurada na borda do infinito, fora do comum com o interior que insistia em prender o pássaro de chumbo.


Acima do infinito, havia um gigante que guardava a gaiola, com os seus pés pequenos tocava o fim de tudo e com as mãos juntas tampava qualquer claridade ou coisa que podia chegar ao passarinho, seu amigo.


Em volta da cena animalesca, pairava o vazio, era um cinza fosca sem detalhes e harmonia, era um universo deveras estranho... Sem estrelas, planetas, cometas ou meteoros, as vezes passavam algumas bolinhas de papel do tamanho de grãos de areia que iam brincar com o gigante ou caia de cima, do mais alto que o infinito algumas coisas agressivas.


Em um dia atípico, o pássaro de chumbo cantava mais uma de suas melodias tristes, ele enchia os seus pulmões e brandava alto para que todos ouvissem... Ele queria ser notado, imagina uma alma presa que tinha como penitência não conhecer aquele infinito tão grande.


Suas letras eram cheiam de metáforas, as repetições dançavam com os versos soltos, as palavras brigavam com a gramática, as vírgula fugiam e lá dentro da alma do passarinho de chumbo, naquele instante, ela se enchia de uma paz momentânea tão grande, soltando todas aquelas frases contidas. Era o momento do pássaro sentir vida.


Mas, as vezes, de tanta palavras que corriam do bico do animal, ele provocava bagunça, não são todos que gostam de melodias tristes. Então, o gigante mais do que nunca se preparava, ele estava ali desde de sempre... Ele nasceu ali para cuidar da gaiola acima do infinito e aceitou ficar, pois gostava de fazer companhia ao pássaro solitário.


Com as mãos postas sobre a gaiola, protegia seu amigo cantor, qualquer coisa que atirassem contra as grades de ferro, não chegava a ele...


As mãos grandes impediam e suportava tudo, entretanto, esse era um dia atípico...


Com os olhos levantados para o alto, o gigante viu um lâmina prata brilhando, descendo cortando os ares do infinito de cima, ele se assustou, mas não podia sair. Abaixo de si, havia seu amigo, o único companheiro. Quando a faca veio, ele a segurou com suas mãos, a lâmina perfurou sua carne e o grito mais estridente daquele universo foi ouvido.


O pássaro se calou.


A lágrima saiu do olho do gigante e o sangue também, as lamúrias de dores saiam pelos lábios do ser grandalhão que chorava em desesperado com a lâmina ainda em suas mãos. A atmosfera vazia se tornou um local de agonia.


De dentro da gaiola, o pássaro lembrava de quando nasceu e de como foi crescendo e percebendo a existência dessa gaiola, como era ter ao seu lado o gigante que nunca o abandonou, antes de se afundar em mais um canto melancólico, viu o sangue do amigo, o único que teve em toda sua vida.


Dentro do seu peito, nasceu algo... O passarinho sentiu o peso da raiva aumentando, a gaiola começou, devagarinho, a cair para baixo, havia muito peso, a borda do infinito não estava tendo força para segurar.


Com as penas de chumbo tremendo, os olhos irritados e o coração acelerado como uma batedeira, o animal se expandiu, não houve gaiola que sobrasse...


A fúria aumentou seu tamanho em tal nível que o infinito começou a parecer pequeno, o passarinho de chumbo se tornou um grande pássaro carregado de várias emoções, ele olhou para o seu amigo gigante que ainda soltava lágrimas, mas que possuí uma expressão de surpresa.


— Eu vou voar para cima — o pássaro dizia confiante enquanto seus olhos brilhavam de fúria.


— Eu sei que você pode... — o gigante com um misto de emoções bradou para o amigo.


O pássaro de chumbo voou em busca de ajuda a seu fiel amigo...


Ele lutou contra muita coisa.


Derrubou muralhas, atravessou oceanos e se aventurou no mais alto infinito em busca do remédio para salvar o gigante cortado.


Naquele dia atípico, houve uma coisa surpreendente, sabe qual foi o resultado disso tudo?


Essas palavras, pois o pássaro de chumbo voou e não teve quem o parasse, é minha alma de gigante foi curada, pois o espírito de escritor não desistiu de mim...



4 de Maio de 2021 às 01:51 6 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Luana Borges Uma pessoa apaixona por conto, microcontos e poesias que ama se aventurar pelas palavras.

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anemonagguk :p anemonagguk :p
Perceber a gaiola já é uma tarefa difícil, e mais inalcançável ainda parece ser se expandir até se tornar maior do que ela

  • Luana Borges Luana Borges
    É verdade.... Quebrar a gaiola é uma tarefa árdua. 4 weeks ago
Luiz Fernando Luiz Fernando
Amei muito bom mesmo vc tem muito talento
May 17, 2021, 22:40

  • Luana Borges Luana Borges
    Ahhhhhhhhhh obrigadaaaa 🥺❤️ Fico feliz que gostou! May 17, 2021, 22:45
J Carreir J Carreir
Olá ^^ Gostei muito do seu conto. A forma poética de se referir a sentimentos, sensações, anseios e frustrações, foi incrível. A metáfora do aprisionamento tanto do pássaro, quanto do gigante que se via comprometido com a tarefa de guardar o amigo, mas limitando-se dentro de um contexto ao qual nao sabia ou talvez nao queria livrar-se. Adorei! Parabéns!
May 12, 2021, 17:20

  • Luana Borges Luana Borges
    Fico feliz que gostou :D Obrigada por sua leitura e fico agradecida que foi um bom momento para ti! Beijos e volte sempre ❤️ May 12, 2021, 17:35
~