silva_writer Silva

Apolo é o gato preto da Rua 13. Depois da chegada de uma misteriosa inquilina no casarão da frente, o curioso gatuno faz interessantes descobertas.



Conto Todo o público.

#gato #conto #infância
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O Aniversário

Para uma pessoa maravilhosa chamada Larissa. Feliz aniversário. <3

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Diferente das sombras que corriam pela Rua 13 durante a noite, os raios da aurora anunciavam mais um dia de aventuras para Apolo. Subiu no branco muro de concreto e ficou ali a observar a rua como de costume. O azul anil preenchia o céu ensolarado por entre as muitas nuvens de algodão. Pardais e bem-te-vis cantarolavam em duetos afinados, e diante da brisa que chegava ao seu bigode felino, olhou para o casarão da frente. O gatuno preto não saberia dizer se estavam na primavera ou no verão, mas tinha quase certeza que aquele bonito tapete róseo do pé de jambo tinha algo da magia das estações. A casa da moça de cabelos vermelhos passou a ser um lugar divertido, colorido e cheio de novas descobertas. Numa tardezinha dessas, não foi sua surpresa quando a serelepe galinha Nastácia corria pelo telhado da casa, cacarejando de um lado para o outro, atiçando corajosamente o hottweiler lá embaixo no jardim, que pôs-se a latir enquanto a moça tentava fazê-la descer dali com uma vassoura. A pequena garotinha observava da janela toda a confusão com risos e sorrisos. Apolo quis ajudar, cruzou a rua e pulou a amurada do casarão.

Com um salto alcançou a janela para alegria da pequena, e subiu ao telhado para tentar falar com a galinha do seu Lourival, que morava na casa ao lado. Mas antes que chegasse a dizer qualquer coisa, Nastácia assustou-se com a aproximação de Apolo, e com um breve bater de asas, conseguiu chegar até o muro da sua casa. Mais tarde, enquanto a pequenina aproveitava as brincadeiras a bordo de uma boia numa piscina redondinha, Apolo notou uma estranha movimentação, num pequeno buraco no meio do jardim. Curioso como era, decidiu ir até lá investigar. Chegou bem perto, cheirando aquela toca recém cavada, quando de repente, levou um susto quando o inquilino pôs a cabeça para fora. Hesitou por um instante com alguns passos para trás, mas aquele ser não parecia ser perigoso, nem irritado com a sua presença. O tatu olhava para o gato sem entender o motivo da visita, e logo se recolheu para dentro do buraco. Quando Apolo se afastou o suficiente, o tatu saiu da toca e começou a correr pelo jardim.

Quando a lua surgiu cheia no céu escuro e as estrelinhas cintilavam ao redor, os grilos começaram a cantoria. Era o momento favorito onde Apolo podia ouvir as histórias da moça ao sentar-se de frente para a janelinha do quarto. O conto da vez foi sobre um músico ruivo que também era mágico e morava num reino muito distante. Mas pouco depois da história ser contada, houve uma coisa diferente. O quarto estava todo enfeitado, balões adornavam com mais cor o ambiente onde o fantástico ganhava vida. A pequenina trajava um vestido amarelinho como o maracujá, e um laço de mesma cor lhe pousava na cabeça. A moça de cabelo vermelho estava linda naquele vestido branco e com o pingente dourado de coração ao redor do pescoço, igualzinho ás princesas dos contos de fada. Com a bebê nos braços, ela estava diante de um apetitoso bolo de morango com cobertura de chantily. Duas velinhas foram acesas acima do bolo. E então, ao redor da mesa, pessoas batiam palmas e cantarolavam uma música familiar que os humanos repetiam uma vez em todos os anos. Do lado de fora, até mesmo o desconfiado tatu saiu para ver o que era toda aquela cantoria. Perguntou a Apolo o que era aquilo tudo, e embora não soubesse ao certo, o gatuno pensou por um instante, observando o sorriso das duas. Por fim, se deu por satisfeito ainda que observasse de longe tudo o que se passava naquela festa de aniversário.

"Coisa de humano. Devem estar felizes com alguma coisa."

27 de Abril de 2021 às 16:54 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Silva Alguém que escreve para escapar das garras do tédio.

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