magabi_ Maria Gabriela

O melhor amigo, o crush ou o ídolo? Para a romântica e desajeitada Alison, todos estes clichês se tornaram realidade num curto período de tempo e, quem olhasse de fora, diria que isto tinha de ser o universo finalmente querendo agir a favor de uma pobre alma... certo? Errado! Caleb, seu mencionado crush, por exemplo, é totalmente a favor da lei do desapego e acredita que tudo não poderia ser mais simples, principalmente se tratando de seu próprio coração. Só que, não, também! Em uma conturbada noite, onde o reencontro dos ex-colegas de classe é o mínimo dos fatos, tudo vira de ponta cabeça para ambos, que acabam por encontrar um no outro uma improvável amizade que sequer sabiam precisar. Mas até que ponto seus conflitos de interesses deixarão de afetar esta conexão? Nesta comédia romântica, ao passo em que Alison descobrirá a realidade existente na palavra "amor", Caleb, na verdade, estará descobrindo a existência do sentimento em si e - alerta de spoiler - nenhum dos dois está muito contente com suas respectivas jornadas. Ou preparados. Ou ansiosos! Viver uma épica história de amor ou sob independência emocional? Se apenas fosse assim tão simples...


#12 em Romance #5 em Romance adulto jovem Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#romance #amor #amizade #drama #comediaromantica #Noah #Blake #katrina #evan #caleb #Alison
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1.1 - Nunca fui beijada de verdade

Alison

Sábado, 07 de junho. 23:12.


Como reconhecemos um beijo?

Quais os pontos um ser humano deve considerar para se permitir pensar "sim, eu definitivamente estou assistindo um beijo ocorrer agora"?

O que o exemplo a minha frente me fazia questionar, na verdade, era se havia algum limite em que o beijo já não era mais apenas um beijo.

Meu rosto involuntariamente se distorceu numa careta de nojo quando notei demais a presença das línguas. Elas não deveriam permanecer dentro das bocas? Pelo menos uma na do outro? Eu deveria mesmo ser capaz de enxergar tanto assim delas?

Ok então, as línguas.

Como o exemplo mostrava até demais, elas faziam parte das características de um beijo. Um beijo explícito, mas ainda assim apenas um beijo, já que grande parte das roupas continuavam em seus lugares. Até eu sei que isso desenha um certo limite.

Quais outros aspectos fortes eu conseguia captar aqui?

Lábios, lógico! Desses eu entendia, mas não da forma que ocorria ali. Eles estavam... praticamente se engolindo!... Meu Deus! Até os dentes estavam na brincadeira, esses dois vão ficar com as bocas machucadas depois disso.

Por que haviam tantas mãos envolvidas? Por que elas puxavam e tocavam tanto do corpo um do outro? Um beijo não deveria envolver mãos... Até compreendia o uso violento das línguas, lábios e dentes, mas, mãos? Não deveria ocorrer desta forma, mesmo que esteja fora dos limites padrão!

As barreiras continuavam nos lugares, em especial, as calças, então isto era apenas um beijo. Mas nunca foi desta forma antes, nunca houveram tantos movimentos, tantos toques, tanta fome...

Nunca foi desta forma... comigo.

Meus ombros caíram junto com a minha ficha.

— Eu nunca fui beijada de verdade.

Acredito que não tenha gritado. Tenho certeza, na verdade, minha voz saiu como um suspiro resignado que quase se mesclava a música alta, ainda que abafada, e das falas incoerentes das pessoas no andar de baixo. Toda a separação de línguas, lábios e dentes, no entanto, com os dois elementos caindo assustados para lados opostos do pequeno sofá, me fez sentir como se tivesse anunciado minha inexperiência com um maldito megafone na cara deles. Seria cômico se até eu mesma não tivesse pulado de susto com a reação.

— ALI! — O elemento da esquerda, que eu bem conheço como Evan, exclamou. Os olhos castanhos estavam arregalados e os lábios - advinha só! -, vermelhos como se estivesse mastigando uma pimenta! — O que está fazendo aqui?

Ergui as sobrancelhas para sua indignação.

— Eu vim te buscar. A gente tinha combinado que eu viria às onze... lembra?

— Verdade! — Engoliu em seco, olhando de mim para seu amigo ofegante do outro lado do sofá, depois de volta pra mim. — Verdade, verdade... Desculpa! Desculpa, desculpa, desculpa... — Escondeu o rosto nas mãos.

— Tudo bem...? — Respondi, meio incerta. Pelo o que, exatamente, ele estava se desculpando? Pela recepção "agressiva", ou pela... outra coisa?

Ao lado, o rapaz tentava acalmar sua respiração, ao mesmo tempo em que seus dedos trabalhavam em fazer o possível para colocar seus cabelos em ordem. O rosto e o torso nu ainda mais avermelhados, mas eu julguei que isso fosse por sua pele alva. Olhar muito para ele estava me deixando desconfortável.

Voltei para Evan. Ele tinha o mesmo tom de pele que o meu e eu costumava acreditar que nós não pudéssemos enrubescer tão evidentemente assim. Quero dizer, nunca o vi tão vermelho antes. E eu nunca tive motivos para ficar, mesmo nas raras vezes em que precisei correr.

Pele corada, então. Mais uma característica de um beijo ardente que eu nunca tive. Esta estava mesmo sendo uma noite de descobertas.

O rapaz agora olhava em volta como se procurasse por algo, olhou para mim rapidamente, mas acabou escolhendo se voltar para Evan também. Ele mantinha seus olhos fechados, os cotovelos nos joelhos e uma expressão retraída de quem apenas queria sumir.

— Você viu minha camisa? — O rapaz perguntou, parecendo não saber como se comportar, e a dúvida não havia sido dirigida a mim, apenas senti isso no ar, mas minha visão periférica resolveu me trair e eu me limitei a apontar timidamente para o tecido azul claro no sofá, bem distante de seu dono. Evan o amassava parcialmente com seu traseiro.

Eu havia chegado já no meio do "ato" que eles estavam prestes a performar, mas poderia imaginar como aquilo teria acontecido: mãos desesperadas, exigindo que a troca de salivas se iniciasse o quanto antes, e, quando iniciada, dedos perdendo-se entre subir para os cabelos escuros e brilhantes do rapaz e puxá-lo ainda mais, até que a camisa se tornasse incômoda ao extremo para ambos, arrancando-a na confusão e fazendo com que a peça caísse pelas costas de Evan sem que nenhum dos dois mal notasse.

Devo ter aparecido pouco depois. Bati na porta, não houve resposta, mas decidi apenas checar se Evan estava por aqui. Ele estava, mas... ocupado. Fui tão facilmente ignorada quanto a camisa, mesmo depois de me fechar aqui com os dois.

"Sensação de que nada mais no mundo além daquele beijo importava ou existia"... outro critério marcante. Deveria passar essa lista para o papel mais tarde.

— Você pode...? — O rapaz começou a pedir, um tanto hesitante, quanto retraído.

Num movimento assustadoramente rápido, Evan puxou a camisa, lançou-a para o rapaz, que pegou de forma desajeitada, e voltou para a posição de antes, ainda de olhos de fechados.

— Tudo bem então... obrigado. — Murmurou, se colocando de pé. O desconforto ainda presente. — Foi, ahm... um prazer te conhecer, Evan.

Meu melhor amigo assentiu rapidamente, sem o encarar, como se quisesse apenas acabar com o que quer que estivesse acontecendo de estranho aqui. Eu, completamente deslocada, também desejava isso, pois sabia o que era essa estranheza e de onde ela vinha. Mas o rapaz estava no escuro neste assunto e, aparentemente, não conseguiu conectar os sinais sozinho.

A decepção derrubando sua postura foi evidente demais para o meu coração mole não se sentir compreensivo. Decidi lhe explicar que ele não era a causa da ignorância de Evan antes que saísse do cômodo, mas, assim que terminou de vestir a camisa e se virou para sair, ambos finalmente nos encaramos de frente e as expressões de surpresa foram simultâneas.

— Ei, eu te conheço! — Disse animado e eu me peguei sorrindo.

— Caleb Lowell, da classe de Expressões Plásticas do ano retrasado! — Recordei de imediato. — Eu me lembro de você, o irmão caçula do rockstar! — Ele me devolveu o sorriso divertido.

— Alison Cansoli! — Me deu um rápido abraço e eu devolvi, empolgada. Eu me lembrava principalmente de sua simpatia e do quanto seus sorrisos me derretiam, mesmo que nunca tivéssemos nenhuma proximidade. É tão raro esbarrarmos em ex-colegas de classe que realmente gostaríamos de rever. — Me lembro muito bem de você também, mas você nem precisa de parentes famosos. Suas esculturas eram incríveis, garota! Eu sempre fiquei impressionado com o seu talento!

Ele não havia me beijado, mas se minha pele não tinha enrubescido com aquele elogio, eu não tinha certeza se um beijo faria muito mais. A temperatura nas minhas bochechas parecia ter subido ao máximo!

— Ah, obrigada! Nossa... — Meu peito inflou de orgulho. — Eu não achei que alguém notasse...

— Está brincando? Era impressionante! — Ficou em silêncio por um segundo, ainda com o sorriso enorme na cara, até que pareceu confuso. — É só disso que me lembro, na verdade... Eu não cheguei a te chamar pra sair? Por que eu nunca te chamei pra sair?

Meu coração pulou uma batida e agora eu tinha certeza que tinha virado um tomate.

Encarando o Adonis a minha frente, notei seus contentes olhos azuis, o sorriso branco e alinhado à perfeição, o maxilar bem desenhado, a seda macia que eram seus cabelos... e então encarei meus próprios pés, desconcertada, tendo um vislumbre do conjunto de moletom gasto que vesti apressada para vir buscar Evan nesta festa desconhecida.

Eu não queria nem saber que tipo de impressão este "look da noite" passava junto com o cabelo que eu sequer me incomodei em prender ou escovar quando acordei assustada e também com a minha cara lavada por trás dos óculos redondos. Ele não notava certo "desequilíbrio" aqui?

E, outro detalhe: Evan. Meu Deus, e o que ele e Evan estavam fazendo?

Lhe lancei um olhar rápido, e ele ainda continuava com a bunda colada naquele sofá, mas agora encarava a nós dois com a boca meio aberta, com uma expressão que pendia para surpresa e, sim, ainda total desconforto.

Não sei se foi por minha ausência de respostas, ou se Caleb, assim como eu, havia se lembrado só agora de Evan e da "situação indecorosa" de alguns minutos atrás, mas estes sinais pelo menos ele conseguiu captar e entendeu exatamente o que eu estava pensando.

— Ah, não! Isto não tem nada a ver! — Gesticulou em direção ao sofá, como se me dissesse para esquecer. — Eu gostei dele hoje e acabou acontecendo. Mas, antigamente, eu vivia de olho em você. Não sei como nunca te chamei pra sair. — Constatou como se não fosse nada e eu nem precisei olhar para Evan para sentir sua tensão crescente.

— B-bom, nós só estudamos juntos por um semestre e... — E haviam zero motivos para um cara como você notar a minha existência! — nunca conversamos muito. Deve ter sido por isso.

Ele me olhou, considerando.

— Não, eu lembro que havia algo mais... mas pode ser. — Deu de ombros, sorrindo de novo. — De qualquer forma, já que você por acaso acabou descobrindo onde eu moro, agora nós poderíamos comb... — Evan simplesmente surgiu entre Caleb e eu, nos assustando.

— A gente precisa ir, não é, Ali? — Imprecou rudemente e eu me afastei num ímpeto quando o ar quente que saiu de sua boca alcançou meu nariz, quase me embriagando junto com ele. Eu nem tinha percebido que ele tinha bebido, até então. — Ela tem prova amanhã cedo. — Explicou, finalmente se permitindo olhar para o rapaz de novo.

— Prova? — Caleb arqueou uma sobrancelha, sorrindo desconfiado. — Você está estudando de novo, ou o seu amigo aqui está incomodado com alguma coisa?

Os dois.

— Estou estudando de novo e já acabando. — Respondi, mordendo o interior da bochecha. — Nada superior, apenas aulas para aperfeiçoar meu francês.

Très impressionnant!¹ — Elogiou, com dicção perfeita. — Bom, então não vou mais segurar vocês aqui. Evan, mais uma vez... foi um prazer. — Deu ênfase alongado na última palavra, o que o fez engolir em seco. — Já você, Alison... — apontou para a porta fechada. — Minha festa, minha casa... agora você já sabe. — Piscou um olho pra mim e depois foi até a porta, segurando-a aberta para nós dois.

Evan e eu nos limitamos a apenas trocar um olhar antes de os dois sairmos correndo para fora dali e direto para as escadas.



¹."Muito impressionante", em francês.

23 de Abril de 2021 às 15:42 2 Denunciar Insira Seguir história
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J.  Scarlett J. Scarlett
Olá! Faço parte da Embaixada brasileira do Inkspired e estou aqui para lhe parabenizar pela Verificação da sua história. Para começar, seu toque de humor me conquistou. Morri de rir na hora que percebi em qual situação a Alison se encontrava no primeiro capítulo! E quis me afundar naquele sofá de vergonha junto com o Evan e o Caleb. Seu texto é muito coerente, e por mais que tenhamos aquela sensação inicial de “o que está acontecendo?”, você nos responde muito bem, de forma gradual, junto aos pensamentos da personagem. Sua escrita é leve e fluida, os capítulos passaram voando. Além disso, o texto está muito coeso, meus parabéns! Notei pouquíssimos erros de ortografia, como: “ainda de olhos de fechados”, errinhos que podem ter passado despercebidos na hora da revisão, mas que não atrapalham muito o envolvimento do leitor. Os personagens introduzidos foram bem descritos, mas as personalidades – excluindo a da Alison – ainda estão um pouco enevoadas para mim, o que é totalmente compreensível, li apenas dois capítulos e o livro é em primeira pessoa. Mas a primeira cena do Caleb, com ele dando em cima da Alison na frente do Evan (com quem ele estava ficando um minuto atrás) e a Alison dando moral, me deixou um pouco com o pé atrás sobre o caráter dos dois, ainda mais depois do Evan parecer estar incomodado. Isso me fez desgostar um poquinho da Alison, por mais que a atitude dela seja muito coerente com a personalidade insegura da personagem. Se a intenção não foi essa, aconselho que adicione um pouco mais dos pensamentos da cabeça dela, para que as ações dessa cena se tornem mais justificáveis. Agora, quanto à ambientação, suas descrições são muito boas e na medida certa para também dar espaço à imaginação dos leitores. Meus parabéns pela história, no pouco que li, já a achei incrível, condizente com a sinopse e com o nome da obra. Você serve um clichê aos leitores, e eu, como uma amante deles posso dizer que esse livro promete. P.S.: Meu outro amor literário: rockstars. Você serviu tudo autora!
December 18, 2021, 01:47

  • Maria Gabriela Maria Gabriela
    Olá! Muito obrigada por tirar um tempo para me fazer este comentário! Foi realmente uma surpresa para mim e você me ofereceu críticas super construtivas e elogios que me fizeram ganhar o dia, então, antes de mais nada, muito obrigada mesmo! Fico feliz que o humor na história agrade, eu quis deixar o texto o mais divertido e criativo possível, porque a verdade é que a história não oferece muito mais do que dramas emocionais, a ideia simplesmente nunca foi ir além disso. Na verdade, o que eu queria quando comecei a escrever era um clichê leve e simples, algo não muito fora da casinha, mas realmente divertido, porém meu dilema começou quando percebi que sequer conseguia decidir o tal clichê para me focar. As temáticas com melhores amigos, crushes e ídolos sempre foram as que mais me agradaram e eu queria escrever sobre todas elas, então foi basicamente daí que surgiu a ideia: uma garota que procura um clichê, de repente é obrigada a lidar com três deles de uma vez, mas tem complexidades pessoais demais para sequer conseguir entender o que realmente está acontecendo. Então esta sensação de "o que está acontecendo?" é justamente pela protagonista inspirar e expirar esta dúvida em toda santa situação. Sobre os errinhos, eu reviso DEMAIS. Mais do que parece ser saudável, de vez em quando rsrsrs às vezes ainda acontece, mas saber que não é nada berrante, me deixa um pouco mais aliviada. Vou corrigir este que você mencionou, no entanto. Obrigada pelo toque! Referente as personalidades "enevoadas" e esta má impressão que você acabou sentindo referente a Alison, são detalhes a se desenrolar ao longo da história. Eu pedi a opinião sincera de várias pessoas sobre onde exatamente esta má impressão surgia, o que eu poderia mudar ou adicionar para acabar com isso, mas a verdade é que ninguém mais sentiu o mesmo ou soube como me ajudar com isso. Então, agradeço também pela sugestão, mas por hora vou deixar como está. Afinal, qualquer um que continue com a leitura, caso sentir o mesmo, logo entenderá que este tipo de comportamento sequer faz sentido com as atitudes da Alison e isso acabará como começou: uma impressão. Para finalizar, muito obrigada aos destaques que mencionou, vindo de alguém que realmente curte este tipo de leitura é muito gostoso mesmo de se ouvir. Adoraria ouvir mais opiniões se, por um acaso, você continuar a ler. Obrigada! P.S.: Temos um amor em comum! Fico feliz por alguém se animar com rockstars também! December 29, 2021, 02:23
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